domingo, 13 de janeiro de 2019

A Palha de Aço como Chave para o Futuro - Por Luiz Domingues




Era um lugarejo distante, eminentemente rural, e cujos poucos colonos que ali habitavam, viviam dos parcos recursos da atividade extrativista que garantia a sua subsistência. Acostumados a viver de uma forma muito despojada, demorou anos para que a energia elétrica fosse instalada e mais algum tempo para que chegasse o rádio. E assim, o rádio tornou-se a maior referência com o resto do mundo, no cotidiano daquela gente simples e que vivia basicamente para trabalhar duro e na prática, não ter uma grande perspectiva de fazer de seu suor, a esperança por dias melhores. Distante da possibilidade de assistir um filme sequer, em uma sala de cinema, visto que a cidade mais próxima nem dispunha desse tipo de equipamento cultural, o rádio fora o único elo com o mundo, além dos jornais e revistas velhas, que chegavam com incrível atraso naquele vilarejo. Até que um dia, veio a novidade : um aparelho de TV seria entregue, ao visar melhorar a vida daquelas pessoas. Teoricamente, tal gesto haveria de repercutir de uma maneira retumbante, portanto, claro que gerou uma expectativa enorme entre os seus moradores, que mal esperavam a chegada do aparelho que seria instalado em uma rústica instalação feita com madeira, uma espécie de “rack” pré histórico, e no dito “centro” da localidade, para ser desfrutado coletivamente.

Contudo, mediante a tecnologia tosca a toda prova, eis que assim que foi ligada, apresentou uma imagem horrorosa; sem definição alguma; plena de “chuviscos”; com o sinal de “horizontal” indomável, sem esboçar parar de embaraçar as vistas das pessoas. Indiferentes aos “problemas técnicos”, as pessoas gritavam eufóricas, enquanto os técnicos lutavam para tentar colocar aquele aparelho sob uma condição mínima de uso. Foi quando um desses rapazes que haviam vindo da cidadezinha à qual o vilarejo pertencia, falou ao seu companheiro, que achava que seria melhor colocar uma palha de aço na antena para ver se melhorava a imagem. Sem entender como um artefato de limpeza poderia contribuir com uma questão que julgava-se ser altamente tecnológica, rapidamente crianças e adolescentes correram às suas casas para procurar por tal produto prosaico. Foi quando um menino entregou o material para um dos técnicos e este começou a envolvê-lo na antena, que um sujeito gritou em meio a multidão, "que aquilo não funcionaria de maneira alguma". 
Foi então, que um homem idoso e que parecia assistir toda a cena de forma catatônica, soltou um grito inesperado e que impôs o silêncio e a atenção sobre si. Enquanto todos olhavam-no estupefatos, eis que o idoso proferiu : -“deixa o homem colocar a palha de aço na geringonça, porque essa palha vai garantir o nosso futuro". 
Ora, visto assim de forma superficial, a intervenção do idoso poderia sugerir uma antevisão profética, a enxergar no advento da chegada da televisão para aquelas pessoas, um autêntico “passaporte para o futuro”, ao abrir-lhes possibilidades culturais; sociais; reflexão; conexão com a modernidade; com o mundo, e a sociedade, bla bla bla... mas ao pensar friamente, será que a profecia do ancião procedia ? A televisão levou-nos para o progresso, mesmo ?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Família - Por Telma Jábali Barretto

Mexe com emoções, as melhores e as piores (testa a todo momento nossa coerência...e...?!...) e deixa marcas profundas de quem somos...Freud que o diga !!! E... por quantas mudanças viemos passando ? Quantas, ainda, passaremos... e, como não pensar o DNA que carregamos, as heranças genéticas e afetivas impregnadas em células e poros e, bem além disso, mais sutil, na alma... Cheiros, texturas, sabores, continuamente, rememoram vivências e há que lembrar, atentar para aquilo que deixaremos. Sim !!! Daquilo que viemos e o que de nós ficará... Também e bem, concomitantemente, temos laços paralelos que vamos construindo. Gestados por afinidade, alimentadas e tal como a ancestral, originária, cutucam e provocam nossos mais delicados sentires! 
Muitas vezes comparando com a de raiz ou...?!...distanciando, proposital ou inconscientemente, porque refrescam ou apaziguam a memória que lateja... lembrando quem somos, saudosos, ou, torcendo para que uma amnésia nos alcance. Fato é que a depender da história trazida até aqui, definirão com quanto apego ou aversão abraçaremos a essas mais adultas que constituiremos e, quando dizemos dessas mais maduras, não nos referimos às usuais, pós união afetiva e a dois, queremos refletir sobre aquelas que por carência (nossa...) adotamos ou somos adotados (por eles...), muitas vezes buscando ou fugindo da que tivemos e, nesse caso, afinidade ou rejeição, precisaremos de cura, harmonização...ou num melhor aspecto, distribuindo aquilo que tivemos boa ‘sorte’ de merecer ! 

Certo é que, de onde viemos ficarão marcadas, positiva ou negativamente, as outras que influenciaremos ou absorveremos num agigantar, multiplicador da beleza ou dor que carregamos... Quantos ruídos ou silêncios propagaremos e que tamanho tomarão nas muitas mais famílias que integraremos, até chegarmos a ser capazes daquele fraterno pertencimento à humanidade, ao planeta, ao processo cósmico numa bela sintonia que a resiliência soube forjar e nossa permeabilidade, também, aprendeu a absorver! Quanta troca e doação, informação que vai e vem, num incrível mimetismo e metamorfose em que transformamos e somos transformados, encontrando e reconhecendo facetas lapidadas de nós nos outros, colorindo a nós de novos tons... De quantas bênçãos saímos e quantas diferentes nos nutrimos, ofertando nessa mega e tão ampla genealogia constituída por essa consciência ampliada, equânime, universalista, que soube apequenar para poder expandir, unificar! Agora, só aqui, podemos viver o mais puro, sonoro e reverente NA MAS TÊ! 



Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga; consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Nesta reflexão, fala-nos sobre a questão da relação familiar, como um elemento fortemente importante dentro do nosso desenvolvimento pessoal.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 105 - Por Luiz Domingues

O ano de 2018, findava-se, mas ainda tivemos mais um compromisso a cumprir. Desta feita, seria uma apresentação regular dos Kurandeiros, mas que revelou-se uma extensão da turnê que recém encerráramos com o Edy Star, a dita : "Toca Raul". Eis que visitaríamos novamente a casa de espetáculos, Santa Sede Rock Bar, o nosso tradicional Lar acolhedor na zona norte de São Paulo,  e ao convidarmos o astro, Edy Star, tornaríamos o nosso show, híbrido, a misturar as duas propostas na mesma noite. Muito bem, estávamos com o show "Toca Raul" em plena forma, e sendo assim, não haveria por gerar problemas. Dessa maneira, encontramo-nos na casa em questão, com alegria em rever os amigos, proprietários e funcionários do simpático estabelecimento e certamente a contar com um bom público, visto que a repercussão em torno da divulgação desse show, deu a entender que muitas pessoas compareceriam, e para a nossa satisfação, foi o que aconteceu, realmente, ainda bem.

Momentos da última apresentação de Kim Kehl & Os Kurandeiros, no ano de 2018. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo. 22 de dezembro de 2018. Clicks : Lara Pap

Fizemos uma primeira entrada com bastante vigor, a revisitar o nosso repertório autoral ao mesclar com releituras, e a resposta do público foi excelente. Rocks; Blues & Blues-Rock ao estilo sessenta / setentista, em profusão, para gerar euforia. Uma eventual segunda parte com baladas, para abaixar a adrenalina um pouco, despertou ainda mais ebulição, sob efeito contrário do que esperávamos, visto que as pessoas mostraram-se encantadas com a seleção proposta e aí, além dos urros de regozijo a cada surpresa que proporcionamos-lhes, muitos casais levantaram-se de suas mesas para dançar, o que foi um prazer para nós, visto que conseguimos criar um clima propício para embalar o romantismo exalado no ar. 
Nas fotos 1 e 2, mais flagrantes do show. Foto 3, com o fçlagranrte dos casais a dançar e na foto 4, mais um pouco da euforia gerada. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo. 22 de dezembro de 2018. Clicks; acervo e cortesia de Cleber Lessa

Conversamos com muitos amigos no intervalo e na segunda entrada, após um aquecimento com mais canções do nosso repertório autoral, foi quando Kim Kehl introduziu a presença do astro, Edy Star, ao melhor estilo de um show de cassino em Las Vegas e aí fizemos praticamente o show inteiro, "Toca Raul". Mais delírio generalizado, pois havia vários fãs do Edy Star, presentes no recinto e o som dos Kavernistas soou ali, em meio a muitas capas de discos que acenaram-nos, em sinal de agrado pelo que estava a ocorrer ali. 
Nas duas fotos, na linha de frente : Kim Kehl e Edy Star. Na retaguarda : Carlinhos Machado e Luiz Domingues. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo. 22 de dezembro de 2018. Clicks : Lara Pap

Voltamos ao nosso show regular e a euforia prosseguiu, pois emendamos uma sessão com alguns clássicos do Hard-Rock setentista e só paramos pois o respeito ao horário limite teve que ser observado, pois se dependesse de nós e do público, teríamos prosseguido, a la Grateful Dead em algum Acid-Test sessentista. Missão cumprida em 22 de dezembro de 2018, com muita alegria em termos tido e proporcionado ao público, uma noitada de Rock muito forte. 

Mais flagrantes da banda em ação. Na segunda foto, atrás, no canto esquerdo, a presença do radialista, Rogério Utrila. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo. 22 de dezembro de 2018. Clicks : Lara Pap


"Andando na Praia", ao vivo no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 22 de dezembro de 2018

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=a6VJ0ZK6UKI 

Ainda em dezembro de 2018,  fui surpreendido com uma notícia muito boa. O Site RockBrasileiro.Net / Canal de You Tube Vitrola Verde, criou uma enquete a avaliar, mediante votos populares, quais seriam os "melhores" artífices do Rock brasileiro, nesse ano. Ora, qual não foi a minha surpresa ao ser avisado por amigos que eu estava nomeado para a categoria de melhor baixista, em meio a ídolos meus incontestáveis, como Willy Verdaguer; Lee Marcucci e Pedrão Baldanza; virtuoses como Fernando Tavares e diversos amigos fraternais meus, tais como Marcião Gonçalves; Izal de Oliveira; Marcelo Frizzo; Andria Busic; Pepe Bueno; Nelson Brito; Ricardo Schevano e Diego Lessa. E também, consagrados nomes como Rodrigo Santos e os meninos do Heavy Metal, das bandas, Angra e Shaman. Só pela nomeação, eu teria ficado muito feliz e certamente com tal fato a repercutir positivamente para a minha banda, Os Kurandeiros. Quando saiu a votação popular, não fiquei em uma posição de destaque, venceram os rapazes do Heavy-Metal, ambos muito bons, e com o meu fraternal amigo, Marcião Gonçalves, na terceira colocação. Muito justo o resultado, Luiz Mariutti e Felipe Andreoli, são excelentes instrumentistas e muito respeitados em seu nicho de atuação, e o Marcião Gonçalves, mais a ver com o meu espectro musical, é excepcional, eu atesto. Claro, todos os indicados merecem todo o meu respeito e admiração e outros tantos que nem foram citados, mas eu sei bem, merecem igualmente o reconhecimento pelo seu ótimo trabalho musical. Cesar Gavin, o dono do site e do canal de You Tube citados, é uma pessoa que recebe sempre toda a minha admiração pelo seu empreendedorismo cultural, sem igual, sob uma fervorosa devoção em favor do Rock brasileiro, há anos, portanto saudei com ênfase a sua iniciativa e inclusão de meu nome nesse seleto rol por ele criado.

Eis o Link para ver a nomeação inicial, no Site RockBrasileiro.Net / Canal de You Tube Vitrola Verde :  
  
http://www.rockbrasileiro.net/2018/12/quem-e-o-melhor-baixista-brasileiro-no.html

Na semana do show dos Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar, cuja descrição completa eu redigi acima, fui surpreendido novamente, quando vi postagens espontâneas através das Redes Sociais da Internet, vindas de pessoas a cumprimentar-me, pois uma lista adicional fora postada pelo Cesar Gavin, a expressar a sua opinião pessoal, como editor dos dois veículos que comanda, e neste caso, em sua opinião como editor-geral, eu fora o melhor baixista de 2018. Ora, isso foi fantástico para o meu enaltecimento pessoal e para a banda em que atuo, Kim Kehl & Os Kurandeiros, além de ter respingado também em uma ex-banda minha, no caso, a Patrulha do Espaço e isso motivado pelo fato do ano de 2018, ter marcado a minha atuação como ex-membro convidado a cumprir os últimos shows da banda, em sua turnê de despedida. Portanto, claro que fiquei contente e tratei em publicar um texto a exprimir o meu agradecimento público, em todas as redes sociais em que participava e isso também repercutiu fortemente, devo acrescentar.




Mais um evento nos estertores de 2018, a Webradio "Só Brasuca", relacionou uma música dos Kurandeiros para participar da sua programação especial de final de ano.
E com repetição programada para os primeiros dias de janeiro, a canção : "A Galera Quer Rock" haveria por embalar o Reveillon de 2018, e os anseios dos Kurandeiros para o ano novo, de 2019, certamente. E de quebra, duas ex-bandas minhas constaram desse set up da rádio, A Chave do Sol e Patrulha do Espaço.
Então foi isso, em 2018, Os Kurandeiros tiveram um ano positivo com o lançamento de um single a conter a canção inédita, "Andando na Praia"; discos ao vivo a capturar momentos da banda ao vivo, entre 2009 e 2017; diversas ações no campo do merchandising; muitas entrevistas e especiais produzidos por webradios, em diversos veículos da Internet e uma turnê com Edy Star, que não apenas proporcionou-nos um grande prazer artístico, como muitas surpresas interessantes ao tomarmos contato com as Casas de Cultura populares, espalhadas por diversos bairros de São Paulo. Que viesse um 2019, ainda melhor, visto que a nossa determinação em atender o clamor popular era / é sempre no sentido em atender e entender que... "A Galera Quer Rock"...

Continua...