quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Personalidade - Por Telma Jábali Barretto

Num tempo de tantas contradições, em meio à contínua busca de harmonia, convivemos e vivemos nesse equilibrar, nem sempre tão facilmente, onde, mais que isso, constatamos, de quanta polarização somos feitos. E porque trouxemos esse tema? Nunca se falou tanto em empoderamento e nunca se questionou, criticou tanto o ego?!... Não é fato? Como é possível tanto estímulo para empoderar, paralelo, contrário ao investimento deliberado de massacrar, trucidar até, finalmente, matar o ego?! Como é possível, então...
Sempre entendemos como sendo necessário chegarmos a ter um bem definido ego, caracterizando conquista de um patamar, tamanho, maturidade, propiciador daquela independência, autonomia de se poder ser quem somos, tão importante e fato que precede ao início do viver o próprio dharma, missão! Só esse que caminhou até aí terá o que entregar, oferecer ao Plano Maior ficando a serviço de também uma Causa Maior...com a confiança, ainda que, ao começo titubeante, que, agora, e só então, possa contribuir.


Antes de aí estar, o tal empoderamento fez-se base, estrutura de uma longa jornada... No crucial momento que essa complexa e persistente caminhada se conclui, estando de posse, incorporados num determinado personagem: personalidade, ali definido por um CIC e RG! Quantas personalidades, então, teremos experimentado até esse desiderato...?!... Abençoado esforço e graça se encontram  nesse que é o motivo de nosso existir que, nesse exato acontecimento, aquela personalidade insignificante...?!...terá eternizado!!! Começa também aí um protagonismo...
Como não ressignificar conceitos anteriores arraigados, sobre os propalados temas que só chegam, agora, a destaque, como sinal do tamanho que alcançamos como seres humanos que começam a ter consciência de si mesmos, num novo responsabilizar e assumir-se como partícipes do contexto amplo de que somos integrantes, numa diferente forma de pertencimento. Tudo isso muito, muito além de um simples firma-se de criança birrenta que busca ser vista, ouvida... e, respeitada...
Deixamos, aqui,  nossa reflexão no intuito que pensemos sobre, procurando trazer outra luz/sombra, honrando essa grandiosa linha de chegada, onde só aí poderemos ser autênticos representantes, reflexos do divino em nós, únicos, em que cada qual, em seu intransferível papel de contribuição integrará, com sua parcela, no encaixe perfeito encontrado, então, no imenso quebra-cabeças, sinfonia cósmica oferecendo-se para esse gigantesco pulsar da Vida Maior !
Assim viemos sendo, somos e seremos...eternamente, além tempo e espaço !!! 

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Sua formação acadêmica é como engenheira civil, mas é também uma experiente astróloga, consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Shudda Raja Yoga. Nesta reflexão, analisa a questão do Ego, sob outras facetas.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Crônicas da Autobio - O Ingênuo Aspirante a Freak / Junkie - Por Luiz Domingues



               Aconteceu no tempo do Boca do Céu, em 1977...


Não recordo-me de seu nome verdadeiro e talvez eu seja lembrado disso caso alguém que o tenha conhecido também naquela época, aborde-me ao ler esta crônica, a fim de colaborar com tal informação, mas por ora, digo que seu apelido era “Qua-Qua”, e assim era conhecido no bairro. Tratava-se de um rapaz ainda vivendo o fim de sua adolescência e que notabilizara-se por um aspecto negativo, a grosso modo, embora fosse um bom menino, oriundo de uma família de classe média que deu-lhe tudo, mas por um deslize seu pessoal, colocou tudo a perder, infelizmente.

Foi o seguinte : tal rapaz, assim como muitos naquelas duas décadas (1960 e 1970), foi fortemente impactado pelo ideal contracultural, quando este ganhara força a popularizar-se e adquiriu contorno de movimento social / comportamental. Muitos, no entanto, inebriaram-se por tal ideal, mas enxergando-o pelo viés do hedonismo puro e simples. A sensação de liberdade total para buscar o prazer através das drogas alucinógenas, como mera recreação, e o sexo livre, formou dois pilares irresistíveis e tudo amalgamando-se à arte em geral, música e Rock, sobretudo, claro que produziu-se um apelo fortíssimo e quem não tinha lá uma estrutura psíquica muito firme e não raciocinou a contracultura sob aspectos mais sérios, quiçá com visão filosófica e sob ditames espiritualizados, ou no mínimo, sob uma visão macro da sócio / política, “dançou”, usando uma gíria da época a designar quem fracassara, em linhas gerais.

E foi o que ocorreu com esse rapaz, que desde a tenra idade encantara-se com toda essa movimentação contracultural e tendo o Rock como carro chefe. Ele era articulado, em contraste com sua ingenuidade por outros aspectos, pois tinha estudado desde pequeno em bons colégios, portanto tinha grau de instrução, cultura e era bastante inteligente, mas pelo estilo de sua criação familiar e nicho social em que nascera, apesar de estar mergulhado nos ideais, manteve seu padrão pessoal de aparência, bem comportado, no sentido do que a sociedade esperava de todos, a evitar roupas usadas por hippies; freaks & Rockers e mantinha um corte de cabelo tradicional, bem curto, parecendo um bom menino matriculado num colégio católico e que costumava acompanhar a vovó nas missas dominicais. Sua perspicácia era grande, pois entre amigos, vangloriava-se dessa sua predisposição em manter um visual “careta”, mesmo tendo vontade recôndita em parecer-se um “freak”, pois isso dava-lhe a camuflagem necessária para não ser incomodado pela sua família e sobretudo, evitava-lhe os inevitáveis conflitos com uma polícia truculenta e arbitrária que atazanava a vida de cabeludos pelas ruas, mediante blitz e prisões, numa época em que a ditadura estava no seu auge e tal perseguição era inevitável.

Então, “Qua-Qua” achando-se um genuíno “freak”, mas devidamente disfarçado dentro de seu quarto, protegido dos perigos inerentes que tal opção de vida poder-lhe-ia proporcionar, mergulhou de cabeça em seus discos e livros importados que consumia avidamente, e até aí, tudo bem, sorte dele que tinha uma família que ofertava-lhe tudo o que pedia e nessa altura, sua coleção de discos era gigantesca, ao ponto de chamar a atenção dos freaks do bairro, que reconheciam seu bom gosto musical. E também pelos livros, muitos a respeito da contracultura e do Rock; com biografias; compêndios; HQ com motivações freaks (Crumb, sobretudo); Photo Books sobre turnês de bandas de Rock internacionais, etc. Mas fora isso tudo, veio a reboque a sua pior escolha, pois inebriado por tais ideais, mergulhou de cabeça no consumo das drogas pesadas, no afã de viver a “experiência”, e aí, foi destruindo a sua vida, paulatinamente. Os primeiros sinais de sua decadência vieram quando os pais começaram a desconfiar de que o dinheiro reivindicado por ele para comprar mais discos e livros, não estava a reverter em aumento da coleção, visivelmente falando, ao analisar-se a sua estante. Depois, o comportamento começou a mudar mais acintosamente, com dificuldade de aprendizado na escola, apatia no cotidiano e momentos de confusão mental, ou seja, o dito “não falar coisa-com-coisa”.

Paralelamente, a família observou que ele passara a adotar a rotina em sair com pilhas de discos debaixo do braço e voltar para a casa sem os mesmos. Indagado, alegava que emprestava-os aos amigos, mas a sua vasta coleção diminuía a olho nu e somados aos outros sinais, claro que finalmente a família caiu na realidade e viu que o filho estava a vender seus discos importados a “preço de banana”, para poder saldar dívidas contraídas com traficantes de drogas.
Veio a seguir uma fase com internações e consultas a psicólogos, mas o estrago maior estava feito e o inevitável ocorreu. Demorei meses para saber, até que perguntei para um amigo que conhecia-o igualmente, sobre seu paradeiro, pois estranhei a sua ausência, visto que passava em minha casa ao menos duas vezes por semana para oferecer-me discos da sua coleção a preços reduzidos ao extremo. Pois é, vencido pelos excessos, “Qua-Qua” entrou para a estatística dos freaks que perderam a vida, vinculados ao vício contraído pelo uso e abuso das drogas pesadas. 


Pensando bem, creio que efeitos químicos nocivos das drogas a parte, o que realmente ceifou a vida do “Qua-Qua”, foi sua falsa compreensão da contracultura e assim ao ter sido vítima de sua própria ingenuidade, mergulhou sem critério e sem respaldo algum numa aventura alucinógena, sem eira nem beira, talvez a pensar que encontraria respostas ao adentrar um recinto extra-dimensional, acessado por uma possível porta da percepção que abrir-se-ia através das drogas, motivado que ficara em buscar a experiência do dito, “open mind”. Mas o que encontrou na verdade, foi o oposto, ao abraçar a morte. 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 80 - Por Luiz Domingues

Quase véspera de natal e Os Kurandeiros ainda em atividade a coroar o ótimo ano em que 2017, revelou-se para a nossa banda, dada a profusão de apresentações a formatar uma agenda robusta e de certa forma a contrastar com a crise generalizada pelo qual o país ainda atravessava como um todo e com seu reflexo imediato no show business. Portanto, fomos com alegria novamente ao palco do Santa Sede Rock Bar, para mais uma quinta especial, desta feita em 21 de dezembro de 2017.
Os Kurandeiros em ação no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 21 de dezembro de 2017. Clicks : Lara Pap

E coroando a ótima temporada que realizamos nessa casa em novembro, com direito a dois shows extras em dezembro, o show do dia 21 de dezembro foi espetacular pelo quesito da "animação". Casa muito cheia e com momentos de euforia  bem proeminentes, deu-nos assim a sensação boa da reverberação perfeita que provocamos e cujo eco veio forte da parte do público, isto é, aquela decantada "sinergia" que sempre gostamos em estabelecer e nem sempre acontece, mas desta feita, veio forte, posso garantir e guardo na memória essa feliz conjunção de fatores que levaram-nos a tal resultado.
O tradicional "Walk Solo" de Kim Kehl pelas dependências da casa. Foto 1 : Kim Kehl. o guitarrista, Adilson Oliveira (Lee Recorda), e sua esposa sentada a gesticular. Foto 2 : A artista plástica e artesã, Pat Freire e Kim Kehl, além de estranhos nas imediações. Foto 3 : Da esquerda para a direita : Rogério Utrila (radialista e produtor musical); Sandra Marque (produtora musical); Gigi Jardim (produtora musical); Kim Kehl e mais afastados, Jani Santana Morales (produtora musical) e Adilson Oliveira (guitarrista e radialista. Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 21 dedezembro de 2017. Clicks : Lara Pap

Prestigiado por muitos amigos, foi também o show de natal rocker que veio a calhar para uma confraternização tão especial.
Uma boa nova, ainda nessa semana, Kim Kehl comunicara à banda que estava trabalhando numa nova compilação, desta a selecionar tracks ao vivo de diversos shows e assim, abriu-se a perspectiva concreta para o lançamento de um álbum ao estilo "bootleg", contendo material ao vivo oriundo de várias ocasiões e não necessariamente tendo grande apuro no áudio. Pois no espírito de disco pirata, o que importa é a energia da banda, tornando-se facilmente um item colecionável e importante para todo fã. Portanto, ficaria para o começo de 2018, tal novidade alvissareira.

O Power Trio base dos Kurandeiros em ação no show de 21 de dezembro de 2017, no Santa Sede Rock Bar de São Paulo. Click, acervo e cortesia de Rogério Utrila
 
Mas o ano ainda teria um último compromisso e que realizar-se-ia num simpático espaço noturno onde apresentáramo-nos anteriormente por três vezes, nesse ano de 2017, que findava-se. O Tchê Café...
E assim, fechamos o ano de 2017 com um show no Tchê Café, simpática casa administrada por gaúchos radicados em São Paulo, próximo ao aeroporto de Congonhas. Clima de fim de ano, com a cidade vazia a ostentar uma facilidade incomum para a locomoção, foi fácil ao extremo chegar no endereço em questão, quando em outras ocasiões, normalmente geraria um certo cansaço pelo trânsito pesado em avenidas como a Rubem Berta e Washington Luiz.
A banda em ação no palco do Tchê Café. Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017. Foto : Lara Pap

Fizemos o soundcheck com tranquilidade e logo a seguir, iniciamos a apresentação. No entanto, assim que iniciamos a primeira entrada, o Kim sofreu com o amplificador ali disponibilizado, que apresentava problemas, mas após efetuarmos uma troca, com um outro aparelho, desta feita em ordem, foi incrível, mas o som no palco e via PA ficou bem encorpado e a preservar timbres com bastante qualidade, portanto, tal fator técnico aliado ao fato de que a casa lotou e mediante um tipo de público animado que interagiu bastante conosco o tempo todo, empolgamo-nos e fizemos um show bastante inspirado.
Outra foto da banda sob panorâmica geral. Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017. Foto : Lara Pap

Tivemos as presenças ilustres de Fulvio Siciliano e do também guitarrista, Vander Bourbon, a prestigiar-nos, além do vocalista Alexandre Ruger, que sendo um especialista em Rolling Stones / Mick Jagger, atua há anos em bandas tributos dos Stones (naquela atualidade em ação com a banda cover / tributo, "Rockinstones"), e este subiu ao palco para cantar conosco, duas canções dos Glimmer Twins : "Honk Tonk Women" e "Jumpin' Jack Flash", com uma atuação vocal e sobretudo pelo mise-en-scené, muito parecida com a performance do Mick Jagger, a demonstrar que realmente esmera-se em suas apresentações regulares, em bandas Tributo aos Stones. Mais que isso, Kim Kehl relatou-nos que Ruger era um músico com profunda formação erudita, tendo estudado composição e regência na Universidade e por ter nascido numa família com muitos músicos ligados à música erudita, daí sua sólida formação musical. Além de tudo isso, era um multi-instrumentista brilhante, portanto, mais um desses talentos incríveis que o Brasil não valoriza em detrimento em fomentar uma horrenda ode à subcultura e anticultura de massa no patamar mainstream. Acostumamo-nos a conviver com tal realidade atroz, mas um dia essa inversão de valores há de cair... 
A banda a posar na parte externa da casa, minutos antes de dar início ao espetáculo. Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017. Foto : Lara Pap

Foi uma noitada memorável pela euforia gerada e certamente coroou a última apresentação dos Kurandeiros em 2017, a poucas horas do encerramento desse ano e a anunciar o novo ano, 2018, que tinha tudo para manter a boa fase em que nossa banda estava. Como se não bastasse tudo isso, ainda tivemos o requinte em executar a releitura de uma canção do "Mixto Quente", banda pregressa da carreira do Kim, chamada "Desprevenida".
"Desprevenida" (Mixto Quente), ao vivo no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017.

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=41PFEl02-QA 

Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017, com cerca de 50 pessoas presentes na casa. E assim, encerrou-se o ano de 2017, e cabe uma análise sobre tal período, que revelou-se tão fértil na carreira de nossa banda. 
Bem, o ano de 2017 mostrou-se muito produtivo para a nossa banda, não só pela agenda promissora que arregimentou 42 shows ao longo do ano, o que foi um expressivo resultado a levar-se em conta a nossa condição como artista a militar no patamar underground da música. Sem medo de cometer exagero algum, esse número foi tão extraordinário, que não tenho dúvida que ultrapassou a marca de muito artista de médio porte, com infraestrutura muito maior do que a nossa, portanto, foi extraordinário ter tido uma agenda tão boa, em meio a uma crise institucional e crônica que assolava o Brasil como um todo e com o dramático reflexo no âmbito do show business / área musical e cultural em geral e a amplificar-se ainda mais se considerar-se que especificamente, o funil cruel estreitava o nosso nicho de maneira a sermos tratados como outsiders dentro do minúsculo universo do Rock underground. Portanto, ser rocker atuante no panorama da avassaladora crise e da política de difusão completamente dominada pelos artífices da anticultura, representava uma morte lenta por inanição para qualquer artista, mas ante tal resultado, Os Kurandeiros tinham que comemorar e muito, por ter tocado ao vivo, tantas vezes, a alcançar uma média impressionante em contraste com as dificuldades imensas que desenhavam-se à nossa frente.
Mas não foi só pela construção de uma agenda histórica que deveríamos comemorar o ano de 2017. O fato de termos conseguido lançar mais dois álbuns, tratando-se de um CD com inéditas com formações anteriores ("Sete Anos"), e o outro sendo uma coletânea a mesclar material antigo e/ou engavetado e inéditas / ao vivo de nossa formação, incluso ("O Baú dos Kurandeiros"), também foi um ato heroico, a seguir a mesma linha de raciocínio anterior, ou seja, ante a crise geral; a derrocada da indústria fonográfica; a dispersão completa do público pela pulverização fútil proposta pela internet e principalmente pela massacrante formação de opinião a favor da anticultura etc. E ainda tivemos o convite a participar de uma coletânea coletiva produzida por terceiros, outra boa nova, via "Quem Sabe Faz Autoral / Volume 2". 

No campo do merchandising, graças ao dinamismo da produtora Lara Pap e com o total apoio incisivo de Kim Kehl, também foi um ano promissor, com muitos lançamentos a movimentar bastante não só o caixa da banda, como a produzir fatos novos em ritmo constante, portanto a agregar enquanto notícias geradas e bem comentadas pelas redes sociais da Internet.
Em suma, foi um ano muito bom para Os Kurandeiros e fora tudo isso que arrolei para ser comemorado, já abriu por conseguinte uma perspectiva alvissareira para 2018 ser igual, quiçá melhor, assim desejávamos, certamente. E a reforçar tal conceito com um dado concreto, ao final de 2017, os esforços por parte de Kim Kehl a produzir um novo álbum a ser lançado no início de 2018, a conter material gravado ao vivo pela nossa formação e com acréscimos de material mais antigo, a apresentar também gravações perpetradas por formações anteriores. Sendo assim, em 2017, levamos ao pé da letra a máxima proferida em 2016, quando a banda bradou aos quatro ventos : Seja Feliz ! Pois não só cumprimos tal profecia e passamos a revirar o Baú dos Kurandeiros com bastante vigor, mas também fomos tocar muitas vezes pelos palcos da Grande São Paulo, em 2017, ou seja, como dizia o Sérgio Sampaio : "botamos o nosso bloco na rua"...
Que viesse 2018, com mais um ano de labuta & realizações para Os Kurandeiros !!  

Continua...
 

sábado, 30 de dezembro de 2017

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 79 - Por Luiz Domingues

Uma boa nova logo no início de dezembro de 2017 : já estava encomendada na fábrica a segunda edição do EP "Seja Feliz", lançado no ano anterior e que esgotara-se. Em tempos onde o conceito do "disco", sob em que plataforma física fosse, restringiu-se meramente a pequenas tiragens destinadas a um pequenino nicho formado por colecionadores, era para comemorar-se bastante ter um edição esgotada e a motivar uma segunda, tão rapidamente.


E por falar em sucesso, a temporada que realizamos no Santa Sede Rock Bar no mês anterior, a ocupar cinco quintas, foi tão boa que motivou o convite para um show extra. Ótimo, também acostumamo-nos com a dinâmica e esticar mais uma edição foi um prazer para nós. E lá estávamos nós na simpática casa hippie / Rocker da zona norte de São Paulo, na noite de 7 de dezembro de 2017.
"No Santa Sede Rock Bar, a inspiração vem das paredes"... essa foi a legenda que usei para espalhar essa foto acima, nas redes sociais. Uma clara alusão ao fato de haver muitas capas de discos importantes na história do Rock, coladas pelas paredes do estabelecimento, como decoração. Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar, de São Paulo, em 7 de dezembro de 2017. Click : Luiz Domingues
 
Essa prorrogação da mini temporada de novembro, agraciada com uma apresentação extra no início de dezembro, foi a confirmação de que fora mesmo um sucesso. Em se considerando os tempos difíceis em que vivíamos nessa segunda década de novo século, é óbvio que era algo a ser comemorado, visto que tal dinâmica de um evento ter aumento de público, de forma progressiva, era um tipo de dispositivo perdido no tempo, certamente, e em plena era de ultra tecnologia imediatista digital, e ao mesmo tempo sob total dispersão das pessoas, foi algo que chamou-me a atenção, positivamente. Sobre a apresentação, foi ótima, com longa duração, onde tocamos muitos temas autorais e clássicos igualmente, e melhor ainda, empolgando as pessoas, com momentos de euforia, incluso.
"Rock'n Roll" (Led Zeppelin), no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 7 de dezembro de 2017. 

Eis o Link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=p6cMl0JAdIc

Dado o sucesso de mais uma apresentação nessa simpática casa, outra data foi marcada para o mês de dezembro, mas outro convite também surgiu-nos e foi aceito, configurando mais um show de choque a ser realizado ao ar livre, numa praça pública. Em mais uma realização do Centro Cultural da Pompeia, outra vez fomos convidados a participar de um evento, desta feita num quadrante inteiramente inédito daquele bairro, onde jamais havia sido feita uma feira dessa natureza.
Pois então, lá fomos nós participar do 1º Festival de Artes do Beco da Vila Pompeia, localizado na Rua Pedro Lopes, uma travessa da Avenida Pompeia, na altura de seu último declive, no sentido da Estação Vila Madalena do metrô. Para quem não conhece São Paulo, é bom esclarecer que tal avenida tem a característica de parecer um autêntico tobogã, com vários patamares em sua parte mais alta. Pois nessa tímida travessa onde tantas vezes passei desde a tenra infância, eu não sabia, mas ali culmina-se numa praça e ali realizou-se a feira. Com uma boa quantidade de barracas a oferecer produtos de artesanato, fora comidas & bebidas, mostrou-se em minha avaliação um pouco maior do que a Feira da Lapa, da qual participamos pouco tempo antes e igualmente produzida pelo mesmo pessoal.
Os Kurandeiros em ação no 1º Festival de Artes do Beco da Vila Pompeia, em São Paulo, no dia 17 de dezembro de 2017. Click, acervo e cortesia de Anderson Affonso    

Muitas bandas apresentaram-se desde as 10 horas da manhã e nós estávamos escalados para atuar às 19 horas. Quando chegamos, o "Fórmula Rock" estava iniciando a sua apresentação, e o sol era abrasador na tarde quente de um quase verão, em pleno 17 de dezembro. Ficamos numa providencial sombra a apreciar a boa performance dessa banda formada por amigos e vendo o quanto estavam sofrendo com o sol e a sensação de calor ainda maior no palco fechado por lonas. Enfim, sua simpática vocalista, Simone Bressan, por várias vezes foi hidratar-se ali atrás e en passant comentou conosco que estava absolutamente infernal atuar ali pela alta temperatura. Destaco a extrema entrega da banda em sua performance, pois imprimiu um ritmo forte de mise-en-scené, como se o calor não a incomodasse, mas muito pelo contrário, estava a castigar violentamente seus componentes. Assim que encerrou seu set, os integrantes desceram do palco inteiramente ensopados, literalmente e muito marcados nos respectivos rostos e braços, principalmente pela intensa queimadura promovida pelo Sol. Simone Bressan, contou-me que havia prevenido-se com o uso de filtro solar de alta intensidade, mas nem assim evitara uma queimadura. E o guitarrista, Marcelo Frisoni, parecia ter saído de uma piscina com roupa e tudo, fora a impressionante coloração avermelhada que ostentava. Percebemos que também sofreríamos naquele palco, mas não a esse ponto, visto que em nosso horário previsto para atuar, haveria de estar ocorrendo o por do sol. Veio o "Pompeia 72", a seguir, e a temperatura estava um pouco melhor, mas ainda sufocante para fazer-se um show de Rock. Ao contrário da banda anterior que tocou muitos covers do Rock internacional setentista, mas apresentou ao menos duas composições próprias (e boas, por sinal), a turma de Gegê Guimarães & Cia., foi só com covers, a apresentar Hard-Rock britânico e setentista em predominância. Chamou-me a atenção a atuação espetacular do baterista, Henrique Iafelice, que sabidamente tem uma técnica fenomenal e muito lembra-me o estilo do Zé Luiz Dinola, mesmo porque, quando eu atuava na Chave do Sol nos anos oitenta na companhia de Dinola, Henrique atuava numa banda contemporânea e muito significativa na mesma ocasião, o "Zângoba", que coincidentemente também era influenciada pelo Jazz-Rock dos anos setenta, como nós da Chave do Sol. Não obstante ser um grande baterista, Henrique é de uma humildade impressionante, o que torna-o um Ser humano especial, sem dúvida alguma. Pois tive o prazer de ver grande parte da performance do "Pompeia 72", vendo a atuação do Henrique bem de perto e apreciei muito admirar a sua técnica refinada.
Kim Kehl no destaque, com Carlinhos Machado ao fundo. Os Kurandeiros no 1º Festival de Artes do Beco da Vila Pompeia, em São Paulo, no dia 17 de dezembro de 2017. Click, acervo e cortesia de Marcos Kishi    

Já havia caído o sol quando entramos, mas ainda estava claro, naquele lusco fusco de fim de tarde / início de noite. Tocamos um set autoral inteiramente, a não ser pela inclusão de uma música do Raul Seixas ("Rock das Aranhas") e outra do Made in Brazil ("A Minha Vida é o Rock'n Roll"), mas no caso da canção do Made, pode-se dizer que tem relação com nossa árvore genealógica, visto que essa música é do tempo em que o Kim fez parte daquela banda, portanto, tem um elo emocional com Os Kurandeiros.
Kim Kehl em ação ! Os Kurandeiros no 1º Festival de Artes do Beco da Vila Pompeia, em São Paulo, no dia 17 de dezembro de 2017. Click, acervo e cortesia de Marcos Kishi    

E a resposta do público foi excelente, com muita gente a dançar muito durante o nosso set, cantando e aplaudindo, fora a responder prontamente as brincadeiras sempre espirituosas do Kim, em sua performance. Já estava escuro e como não estava prevista a apresentação noturna, não havia equipamento de luz. Os técnicos terceirizados do PA, improvisaram alguns spots de luz de serviço para não ficarmos apenas com o fraco apoio da iluminação pública e assim, encerramos com pedido de bis, mas devido às circunstâncias, não dava mesmo para prolongar além do que propusemo-nos a fazer enquanto apresentação sob duração um pouco além do padrão do clássico "show de choque". Missão cumprida no "beco" da Pompeia, em 17 de dezembro, perante cerca de 300 pessoas, aproximadamente.
Confraternização final após o nosso ótimo show no Beco da Vila Pompeia. Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Kim Kehl; Carlinhos Machado e os organizadores do evento, Gegê Guimarães (guitarrista do Pompeia 72) e Marcelo Frisoni (guitarrista do Fórmula Rock). Os Kurandeiros no 1º Festival de Artes do Beco da Vila Pompeia, em São Paulo, no dia 17 de dezembro de 2017. Click, acervo e cortesia de Marcos Kishi 

Acima, um compacto da apresentação dos Kurandeiros no 1º Festival de Artes do Beco da Vila Pompeia em São Paulo, no dia 17 de dezembro de 2017.

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=ObLon4L6_ow   

Acima, um trecho de solo de Kim Kehl, capturado ao vivo no 1º Festival de Artes do Beco da Pompeia em São Paulo. 17 de dezembro de 2017

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=Nvi8V27FgeI   

O ano de 2017, estava a encerrar-se, mas Os Kurandeiros ainda teriam compromissos a cumprir...

Continua...