sábado, 23 de maio de 2020

Crônicas da Autobio - A História do Apelido Mal Compreendido - Por Luiz Domingues

Aconteceu em um momento da carreira entre 1976 e 1999, sob vários trabalhos realizados. Acervo: Luiz Domingues

Eis que por volta de 1974, eu estava inserido em uma informal roda de conversa formada por colegas da sétima série do primeiro grau, que eu cursava na ocasião, quando surgiu uma discussão sobre origens ascendentes, quando cada partícipe da reunião, discorreu sobre o seu caso em particular. Quando chegou a minha vez, esclareci aos demais que a minha era lusitana, com avós portugueses e de imediato, os colegas estigmatizaram-me como "português" e mais rapidamente ainda, corruptelas com intenções satíricas surgiram aos montes, tais como: "Portuga"; "Tuga", "Tigues"; "Tigueis", "Tiges", "Tiga", entre outros, até que fixou-se como "Tigueis", e grafado dessa forma, da mesma maneira com a qual é pronunciada.
Pelo lado emocional, não haveria problema algum em ser apelidado por minha origem, e pelo contrário, tenho orgulho da minha condição lusófana, da terra dos meus avós, suas tradições forjadas em Cantanhede, distrito de Coimbra, na província da Beira Litoral, caso do meu avô e de alguma remota aldeia medieval, pertencente ao distrito de Bragança, na província de Trás-os-Montes, de onde veio a vovó. Por conta de tais fatores, não enxerguei nenhum malefício em ser chamado pelo apelido.
O  aspecto ruim, no entanto, logo sobressaiu-se, pois a verdadeira intenção em atribuir-me o apelido, foi uma forma para estigmatizar-me de uma maneira desonrosa, no sentido de que a intenção camuflada foi atribuir-me a pecha de um rapaz dotado de pouca inteligência, a seguir a brincadeira maldosa e paradigmática de que todo português seria uma pessoa a deter pouca ou nenhuma inteligência. Mais do que irritar-me em assim ser considerado pelos demais e ter que ouvir as suas piadas descabidas, irritava-me ouvir tais pilhérias injustas, ao lembrar-me de meus avós, vilipendiados gratuitamente por extensão. 

É óbvio que eu nunca achei graça de piadas maldosas, nesses termos, aliás, nem apenas sobre a suposta falta de inteligência dos portugueses, mas também sobre outras pechas igualmente injustas, e impostas à outras colônias tais como: a ingenuidade dos japoneses, a frieza dos alemães, a arrogância dos ingleses, a ganância dos norte-americanos, a cólera dos espanhóis, o caráter bonachão dos italianos, a mesquinharia dos judeus, o mercantilismo exacerbado dos povos árabes, o maquiavelismo dos ciganos, a falta de escrúpulos dos indígenas ou a indolência dos africanos etc. Ou seja, estigmas negativos tão somente, como se tais povos fossem marcados por tais características e pior ainda, como se isso fosse uma verdade absoluta e generalizada a dar conta que "todo" cidadão com tal origem em específico, fosse regido por tal atribuição de cunho negativo.
Bem, a pensar no aspecto positivo em ser reconhecido com tal apelido, a revelar a minha origem, e não apenas baseado na segunda intenção explícita da parte dos outros colegas que estudavam comigo na mesma sala de aulas, eis que eu deixei que o apelido ganhasse uma proeminência além da alcunha e assim, não incomodei-me em ser assim chamado, a predominar e sobrepujar o meu nome real. Sei que foi por ingenuidade de minha parte, mas o fato é que o apelido marcou de uma forma tamanha, que quando eu comecei a tocar, o apelido tornou-se o meu nome artístico, por osmose. 

Ainda nos tempos iniciais do Boca do Céu, em 1976, a tratar-se da minha primeira banda, o apelido deu margem para a confusão, quando uma senhora ao saber do meu apelido, fez menção de que seria uma alusão a uma suposta homossexualidade de minha parte, visto eu ter aparência de Hippie, com o uso de cabelos longos, mas na compreensão dela, muito equivocada por sinal, a longa cabeleira a ser entendida como algo a evocar o aspecto feminino, somado ao apelido que ela interpretara como "Tigresa", deu-lhe essa falsa impressão, e assim, ao cantarolar a melodia da canção homônima do Caetano Veloso, ironizou-me, naqueles dias de 1977.
Foto promocional d'A Chave do Sol, de 1984. Acervo: Luiz Domingues

Foi nos tempos do Língua de Trapo e d'A Chave do Sol que outros problemas advieram. Com a exposição midiática a atingir-me mais fortemente, eis que a questão da fonética e da grafia, se tornaram questões proeminentes. O apelido gerou um sem-número de confusões, ao ser escrito ou falado das mais diversas maneiras e a gerar estupefação, algumas vezes. Além das variantes que eu já citei, outras surgiram, tais como: "Tigu", "Tigez", "Tigis", ou seja, percebi que a intenção inicial em torno da origem lusitana estava completamente obscurecida e as pessoas tendiam a pensar ser tal denominação, algum nome ou sobrenome de origem estrangeira, mas de alguma raiz exótica, não latina.
O famoso baixista e luthier, Antonio Carlos Lopes, popularmente conhecido como "Tiguez". Acervo: Internet

Eis que um problema extra surgiu, quando eu tomei conhecimento que um outro baixista, muito bom por sinal e que tornara-se um luthier famoso no meio musical paulistano, também usava o mesmo apelido e eu passei, por conseguinte, a ser constantemente confundido com ele e vice-versa. Diversos músicos, alguns bem famosos do mainstream da música profissional, inclusive, passaram a abordar-me para falar sobre reparos em seus respectivos instrumentos, exatamente por confundir-me com esse colega a usar o mesmo apelido, mesmo que no caso dele, a grafia por ele mesmo sugerida para designá-lo, fosse outra. Eu optara em seguir a fonética ao grafar "Tigueis", literalmente como se pronunciava, inclusive a usar a letra "i", intermediária como uma elevação coloquial do fonema verbalizado e ele, grafou como "Tiguez", com o uso da letra "Z", talvez a demarcar a origem espanhola, mas não tenho essa confirmação, apenas deduzo. Nunca perguntei-lhe diretamente, pois o conheço e o considero um grande músico e Luthier.
China Lee, vocalista da pesada, do grupo, Salário Mínimo, um luso-descendente com muito orgulho. Acervo: Internet

Houve até uma situação inusitada, nos anos oitenta, quando um famoso vocalista de uma banda pesada daquele cena e descendente de portugueses, perguntou-me com entusiasmo se eu também o seria. Surpreendido, achei que fora uma tentativa de brincadeira da parte dele e desconversei, ao não confirmar a minha origem. Entretanto, não foi essa a intenção dele e muito pelo contrário, ele estava animado com tal perspectiva e queria regozijar-se comigo, por termos a mesma origem lusitana. Arrependi-me muito em não ter compreendido a situação e fugido da verdade, por um temor que nem caberia mais, em plena idade adulta. Sim, sou descendente, com muito orgulho!
A Chave do Sol em ação em um show realizado em 1985. Acervo: Baratos Afins

Já bem aborrecido pelas confusões geradas pelo apelido, eis que eu tentei reduzir a sua estranheza ao assinar como: "Luiz Tigueis" ou "Luiz "Tigueis" Antonio, mas tal tentativa de indução não surtiu um grande efeito e assim, os aborrecimentos prosseguiram.
Isso sem deixar de mencionar que até no cotidiano, a questão do apelido causou-me constrangimentos, pois ao telefone, foram muitas as ocorrências desagradáveis com interlocutores. -"ti...o que"?
A minha foto para o encarte do álbum "Chronophagia", da Patrulha do Espaço, lançado em 2000, e a tratar-se do meu primeiro álbum a demarcar o meu nome verdadeiro e não o antigo apelido que eu usara anteriormente. Click de Moa Sitibaldi

Foi em 1999, que enfim, tomei a resolução em dar um basta à todas as confusões, mal-entendidos e assim, demarquei o fim do apelido. Adotei o nome duplo, típico de meio artístico, a usar o meu nome verdadeiro. Abreviado, como "Luiz Domingues", ficou objetivo, portanto, dentro do padrão de um típico nome artístico, embora custasse a supressão do meu segundo nome, Antonio, que particularmente eu gosto bastante e que foi o nome do meu avô português, querido e saudoso. 

Por força das circunstâncias, "Antonio" tornou-se desde sempre uma denominação bastante intimista, usado por poucos familiares, que me chamam como, Luiz Antonio, daí a opção em privilegiar o "Luiz" e o sobrenome, "Domingues", embora eu reafirme, gosto de chamar-me "Antonio", pela sonoridade da palavra e origem, além da homenagem ao meu vovô e também por ser um nome internacional, usado em várias línguas, a constar, Antonio para o português, espanhol e italiano, Anthony para os ingleses e norte-americanos, Antoine, para os franceses e cuja origem mais remota seria o Anton, que antecedera o Antonius, no latim clássico do Império Romano. Enfim, tive que abrir mão de um nome que gosto bastante, por uma questão de praticidade.
Inacreditável, a minha decisão provocou reações não muito favoráveis da parte de algumas pessoas, por conta de motivações diferentes. Tal decisão, de minha parte, teve por exemplo, a reação contrária da parte do Rolando Castello Junior, com o qual eu estava a trabalhar na ocasião, com a Patrulha do Espaço. A sua argumentação em desacordo, no entanto, teve fundamento, pois ele alegou que o nome artístico anterior que eu usava, estava sedimentado e portanto, seria contraproducente eu eliminá-lo, apesar de ser um incômodo em vários aspectos.
Mas houve também reações sem fundamento algum. Com pessoas a reclamar pela mudança, a alegar que não reconhecer-me-iam mais com um "novo" nome e engraçado, eu apenas quis ser chamado pelo meu próprio nome verdadeiro. 

E outras reações piores, com pessoas a afirmar que seria tal determinação de minha parte, como algo a denotar um ato de "arrogância" de minha parte, o que causou-me espanto pelo fator inusitado e completamente fora de propósito como uma hipótese plausível, ou seja, fiquei até curioso para entender a razão pela qual tais pessoas chegaram em estabelecer tal linha de raciocínio tão absurda, mas enfim, eis que aconteceu a bizarra reação da parte de algumas delas.
Eu, Luiz Domingues, a atuar ao vivo em um estúdio de São Paulo (V8), com Os Kurandeiros, em 2020. Click de Fausto Lopes


E assim, essa é a história do apelido que eu adquiri na adolescência, adotei indevidamente como o meu nome artístico a gerar-me dissabores, cortei veementemente em um ponto adiante (tardiamente até, eu reconheço), e que hoje em dia está erradicado, embora por conta do material fonográfico de trabalhos antigos e portfólio referente à tais ocorrências, tal velho apelido ficará marcado para sempre, como um pedaço da minha história na música, eu quero crer.

domingo, 17 de maio de 2020

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 127 - Por Luiz Domingues

Então a pandemia ficou realmente assustadora e respeitar a quarentena, tornou-se a única medida cabível para lidar com a proliferação vertiginosa da doença, ou seja, em uma época onde a ciência ainda estudava a mutação do coronavírus, Covid-19, portanto ainda longe de descobrir um remédio eficaz para eliminá-lo e tampouco uma vacina para preveni-lo, não pegar a doença foi a medida mais segura. Com toda a vida social paralisada, e sem perspectiva de retomada dos shows ao vivo e nem mesmo chance para consolidar o início das gravações do novo disco, que já estavam acertadas para o final de março, eis que tivemos um bom alento para comemorar: o clip que fizéramos ao vivo, no Estúdio V8, ao início de março. 
"Último Blues" (Kim Kehl) - Kim Kehl & Os Kurandeiros ao vivo no estúdio V8 de São Paulo, em 15 de março de 2020. Filmagem: Captura e edição final: Fausto Lopes. Captura: Vanderlei Bávaro, João Bueno e Dalam Junior. Áudio: captura e mixagem: Denis Gomes

Eis o Link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=sAI3m_3KKE4

Versão do Facebook:
https://www.facebook.com/estudiov8/videos/167727777888047/ 

Com uma captura de áudio e vídeo, excelente, ficamos contentes em ter esse material, ainda mais com uma música nova em voga. E tal peça ajudou-nos bastante a manter a banda em evidência no mundo virtual, enquanto a pandemia não deu sinal de arrefecimento ou mesmo perspectivas de médio prazo para que sinalizasse com uma retomada sustentável da vida social normal, ou seja, foram tempos bem difíceis para todos.

Continua

sábado, 9 de maio de 2020

Discernimento - Por Telma Jábali Barretto


Dizia um ditado antigo, muito usado pelos também mais idosos desde então: “separar o joio do trigo”, que de forma mais simples que essa palavra grandona teria um sentido bem similar... Exercício bem difícil e cada vez mais necessário, possivelmente, trabalho sério a lapidação compulsória aguarda-nos a partir dessa bem-vindíssima explosão de comunicação, já vindo em curso há tempos, mais evidente agora... Como não saber escolher, decidir ao menos para autocondução diante de tudo que nos chega pelos sentidos básicos de informações que poderão ou não... ser estimuladas para melhoria, crescimento e desenvolvimento humano. Que espécie de critério alimentamos, com quanto de isenção de ânimos, guiados por que forma de instintos, faros: os viscerais de sobrevivência ou... já conseguimos acessar patamares além destes, sutilizando percepções, carregando chamados mais equânimes, olhando para a Vida além vida... 

Quais fomes precisam ser aplacadas dentro de cada um de nós!? ... Sabemos e entendemos que essa mais objetiva que faz perecer corpos físicos levando-os a inanição e até a morte (e dolorido saber que existam!!!...). Talvez tenham sua raiz profunda, ancestral, sabe-se lá?!... adormecida debaixo do mesmo instinto animal movido pela agressão e defesa, essa que, mesmo entre animais ditos irracionais, obedecem uma certa evolução entre aqueles que defendam a própria, simplesmente, aqueles que já pensam na prole e linhagem próxima e... aqueles que avançam pensando mais que estas, já incluindo contextos mais amplos, dando margem a irem mais que pessoal, individual ou nutridor não somente da história que somos parte integrantes (DNA, conceito aceitos ou percepções diferentes...), mas enxergando e já computando o outro, alteridade! 

Começa a surgir, então, sentimento abrangendo fraternidade, rompendo o ciclo de competitividade, primeiros lampejos de cooperativismo trazendo abertura para perceber a teia de conexões da unidade que somos parte! Quanto conforto podemos ter com algo usufruído sós, com próximos queridos, satisfazendo... quanto produtor da fluidez entre meu/seu......entrar/sair, nutrir/ser nutrido que é corrente natural da Vida, talvez pouca observada...mas, que Inexorável, vem e vai, seguindo seu perene fluxo de oferecer e recolher, nada discriminando ou elegendo, permanecendo justa, eterna e solene em Sua Plenitude abundante, não premiando ou punindo, trazendo permanente harmonia àqueles que se servem de seu banquete, tendo aprendido a perceber Sua Exuberância sempre disposta, inspirando a todos a seguir, oferecendo seus links, endereços, caminhos e atalhos através daqueles aprendizes atentos para quem Suas Leis já vieram sendo desvendadas, reconhecidas e respeitadas para, assim, experimentarem dessa Unidade Fonte! 

Que nossos sentidos sejam purificados... clareando o pensar criando o atuar que possibilite viver mais consciente, iluminado por Verdades Maiores e possamos florescer, cada num de nós contribuindo, oferecendo, cooperando nessa ciranda mágica do viver... Fraterno e sempre ... ... ... Na mas tê!





Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Nesta reflexão, a colunista Telma nos fala sobre a questão do discernimento, que vem a ser aquele ponto além, onde uma pessoa busca a visão mais aguçada de qualquer questão.



sábado, 2 de maio de 2020

Livro: "Luz; Câmera & Rock'n' Roll" ( Três Volumes) - Por Luiz Domingues

O livro, “Luz; Câmera & Rock’n’ Roll”, traz, através de seus três volumes, um apanhado de resenhas sobre filmes produzidos desde a década de cinquenta do século passado, a investir no mote do Rock, direta ou indiretamente. Dessa combinação explosiva entre dois ícones fortíssimos e apaixonantes, o cinema e o Rock, nasceu a vertente que muitos críticos e historiadores batizaram como “Rock Movies”.
Luiz Domingues é músico e um entusiasta declarado dessa tendência cinematográfica, desde a tenra infância. Como músico, dedicou a sua carreira a atuar em vários grupos musicais significativos, em sua maioria comprometidos com a estética do Rock, entre os quais: Boca do Céu, Língua de Trapo, Terra no Asfalto, A Chave do Sol, The Key, Pitbulls on Crack, Sidharta, Patrulha do Espaço, Pedra, Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada, Magnólia Blues Band e atualmente a trabalhar com Kim Kehl & Os Kurandeiros. No cômputo geral, soma mais de vinte discos lançados no mercado brasileiro. 

O autor sabe que não é pioneiro na abordagem desse tema, entretanto deseja somar, ao colocar mais um olhar sobre o assunto, como uma colaboração da parte de quem sabe bem o valor dessa produção cultural.
Serviço:
Luz; Câmera & Rock’n’ Roll
(obra dividida em três volumes)
Autor: Luiz Domingues
Editora: Matilda Produções
Apoio gráfico: Clube de Autores
Editor: Cristiano Rocha Affonso da Costa
Revisão / diagramação / ficha catalográfica: Alynne Cavalcante
Capa (criação e lay-out): Victoria Costa
Foto do autor: Lincoln Baraccat


Vendas pelo site do Clube do Autor:
https://bit.ly/2YeYIa9

terça-feira, 28 de abril de 2020

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 126 - Por Luiz Domingues

Após um animado ensaio realizado no dia 12 de março, fomos então para o compromisso do dia 15, no estúdio V8, quando o objetivo foi gravarmos algumas músicas e um vídeoclip. Como eu já havia participado dessa programação anteriormente por conta de ter atuado com o simpático combo de Lincoln Baraccat, "Uncle & Friends", em setembro de 2019, nesse mesmo estúdio e sob a mesma circunstância e o nosso baterista idem, ao ter participado a bordo da banda de apoio do tecladista, Lee Recorda, em outra ocasião, eis que nós dois já sabíamos que havia uma excelência nessa produção, com o capricho do técnico da casa, Denis Gones, além do bom trabalho do film-maker, Fausto Lopes, isso sem deixar de mencionar a hospitalidade da parte de Juliana Parra, uma das proprietárias do estabelecimento, que também funcionava como um mini centro cultural e um estúdio de tatuagem. Bem, no ensaio de 12 de março, nós informamos aos companheiros, Nelson; Kim e Phil, sobre todas essas nuances a envolver o evento, naturalmente. E assim, finalizamos o apronto e marcamos encontro no estúdio V8, para o domingo.
Phil Rendeiro e Kim Kehl na primeira foto e Kim Kehl na segunda foto. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Estúdio V8, de São Paulo, em 15 de março de 2020. Clicks, acervo e cortesia: Dalam Junior

Uma particularidade absolutamente sui generis, não foi no entanto a primeira vez que ocorrera comigo, ou seja, uma apresentação de uma banda oficial minha em um festival coletivo ou ação similar, em que houvesse também a minha atuação com uma banda em caráter de trabalho avulso. Portanto, nessa mesma tarde, eu havia comprometido-me a tocar com o simpático combo de Lincoln Baraccat, fato que ocorrera em 2019, com a mesma configuração a ocorrer em uma feira realizada nas ruas da Vila Pompeia. Sobre a minha atuação com Carlinhos em favor da banda de Lincoln nesse mesmo dia, os detalhes já constam em seu capítulo em específico no tópico dos Trabalhos Avulsos. 

Luiz Domingues e Carlinhos Machado na primeira foto. Luiz Domingues, Carlinhos Machado e Kim Kehl, na segunda foto. Nelson Ferraresso na terceira foto. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Estúdio V8, de São Paulo, em 15 de março de 2020. Clicks, acervo e cortesia: Dalam Junior 

Em nosso caso, a meta estabelecida em ensaio, foi gravarmos as músicas novas em que estávamos a trabalhar. Dessa forma, além da demo-tape caseira que havíamos recém gravado, teríamos mais uma gravação interessante, ao vivo e com ótima captura e mixagem proporcionada pelos técnicos da casa e foi exatamente o que ocorreu, conforme eu e Carlinhos já sabíamos e havíamos alertado aos companheiros.
Na primeira foto, Luiz Domingues e o baixista/agitador cultural, Dalam Junior. Na segunda foto: Luiz Domingues, Samuel Wagner (roadie da Patrulha do Espaço e Pedra), Phil Rendeiro, Dalam Junior, Kim Kehl, Nelson Ferraresso, o guitarrista/radialista, Adilson Oliveira e Carlinhos Machado. Foto 1, Acervo e cortesia: Dalam Junior. Click: autor não anotado. Foto 2, acervo e cortesia: estúdio V8. Click: Fausto Lopes

Sobre o evento em si, foi igualmente muito gratificante, pois reunimo-nos com grandes amigos, e além da nossa participação e de Uncle & Friends, houve também a emblemática apresentação de Caio Durazzo em sua performance quase em tom circense, pois a bordo da sua "Caio Durazzo One Man Band" ele tocou guitarra, bateria e cantou, tudo ao mesmo tempo e também da boa banda com teor Pop-Rock, Le Royale, com a presença de Roy Carlini, Dmitri Medeiros & Cia Ltda.
Luiz Domingues e Nelson Ferraresso na primeira foto. A seguir, Kim Kehl em detalhe de suas mãos à guitarra  ele em performance. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Estúdio V8 de São Paulo, em 15 de março de 2020. Clicks, acervo e cortesia: Lincoln Baraccat

Sobre a nossa performance, apesar de só tocarmos músicas novas e não termos ensaiado muito, creio que a atuação foi bastante satisfatória, com poucas falhas, talvez uma certa falta de sincronia nos backing vocals, mas a questão da monitoração em estúdio para tocar-se ao vivo foi sempre complicada, portanto, dou o devido desconto. No geral, creio que a sonoridade ficou maravilhosa pela circunstância de uma gravação ao vivo em tomada única, portanto, saímos satisfeitos pela nossa performance e a parabenizar o técnico, Denis Gomes, que realmente trabalhou muito bem e sobretudo tal êxito apresentado, deu-se pelo conhecimento do seu equipamento e a possibilidade acústica da sua sala.
Trechos da preparação e apresentação. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Estúdio V8 de São Paulo. 15 de março de 2020. Filmagem : Lara Pap

Eis o Link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=k0rC23prqSg 

O aspecto ruim dessa ocasião, não teve nenhuma relação com o evento em si, que foi extremamente prazeroso, devo salientar. Ocorre que já há algum dias, a imprensa noticiava que a terrível pandemia que acometera a China, desde o final de dezembro de 2019, chegara à Europa e havia causado uma devastação em países como a Itália; Espanha e França, e já a alastrar-se para Portugal, Alemanha e Inglaterra. Pior ainda, havia a notificação de um caso já confirmado em São Paulo e dada a dramática proliferação incontrolável da doença, o sinal de alerta fora acionado e o governo estadual e também o municipal, já estava a movimentar-se para decretar uma quarentena severa em suas respectivas esferas. Dessa forma, já havia o alerta extraoficial para evitar-se aglomerações, mas a partir da semana posterior, a proibição seria oficializada. Enfim, foi de fato o último evento em que participamos antes da quarentena. 

Mais flagrantes da apresentação dos Kurandeiros no Estúdio V8. Respectivamente em cada foto, de cima para baixo: Kim Kehl; Carlinhos Machado, Phil Rendeiro, Nelson Ferraresso e Luiz Domingues. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Estúdio V8, de São Paulo, em 15 de março de 2020. Click, acervo e cortesia: Fausto Lopes            

Certamente que o caráter médico/sanitário gerado por uma pandemia terrível de ordem mundial, deveria ser seguido à risca e o foi, doravante. Uma pena, pois atrasou bastante os planos da banda que se revelaram nessa altura, auspiciosos, visto que havíamos fechado com um outro estúdio, o Prismathias (onde graváramos em 2018, o single: "Andando na Praia"), para gravarmos o novo álbum que planejávamos e assim, a nossa planificação fora estabelecida em promovermos mais um ou dois ensaios e marcarmos as sessões. Não foi o que ocorreu de imediato, pois os meses de março e abril foram vivenciados sob austera clausura, com cada um de nós a permanecer em suas respectivas residências, a resguardar-se. Paciência, foi melhor adiarmos os nossos planos de gravação do que expormo-nos a uma doença terrível que, fato concreto, marcou na história por conter um grau de letalidade em alta proporção. Em suma, foi a hora de cada Kurandeiro parar, literalmente, para cuidar de sua própria saúde.
A banda a posar para uma foto, após a gravação. Da esquerda para a direita: Carlinhos Machado, Luiz Domingues, Kim Kehl, Nelson Ferraresso e Phil Rendeiro. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Estúdio V8, de São Paulo, em 15 de março de 2020.Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Introdução/abertura Monumental. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Estúdio V8, de São Paulo, em 15 de março de 2020. Filmagem: Lara Pap

Eis o Link para assistir no You Tube
https://www.youtube.com/watch?v=k5ojT9iUpKg

"Só o Terror". Kim Kehl & Os Kurandeiros no Estúdio V8, de São Paulo, em 15 de março de 2020. Filmagem: Lara Pap

Eis o Link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=H4RXFA-4MXs

Continua...

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Uncle & Friends) - Capítulo 105 - Por Luiz Domingues

Desde o final de 2019, o amigo, Lincoln Baraccat, já havia aventado que haveria uma reedição daquela participação do seu simpático grupo, "Uncle & Friends", no evento produzido pelo estúdio V8, do qual a banda participara em 15 de setembro do mesmo ano. Portanto, ficara no ar a expectativa sobre tal participação ocorrer logo no início de 2020. Eis que Lincoln entrou em contato comigo para formular novamente o convite para que eu participasse e a reboque, ele deu-me uma ótima notícia adicional, na medida em que anunciou que convidaria a minha banda, Kim Kehl & Os Kurandeiros para participar do evento. Alvíssaras! Haveria de ser uma tarde/noite muito importante para todos nós.
A tratativa inicial apontava para uma data para janeiro ou fevereiro de 2020, mas por razões alheias à vontade de Lincoln, ficou marcado então para o dia 15 de março de 2020. Entretanto, a postergação gerou uma situação inteiramente diferente, que se não atrapalhou as bandas e o evento em si, que foi agradabilíssimo por si só. Ocorre que se ao final de dezembro de 2019, ouvíamos através da cobertura da mídia hegemônica, os informes sobre o avanço da epidemia do "Coronavírus"/"Covid-19", a avançar perigosamente sobre o território da China e a dar conta do seu alto poder de contágio e sobretudo, pela assustadora rapidez observada ante tal ação maléfica. Todavia, quando a data chegou, a Organização Mundial da Saúde (OMS), já havia decretado um grau máximo de periculosidade, a decretar o estado de pandemia mundial e a Europa estava sendo devastada, com Itália, Espanha, França em estado de calamidade pública e com outros países já a perceber o avanço inevitável. 
Foi quando a mesma perspectiva começou a ficar assustadora na América do Sul e no Brasil em específico, ao ponto do governo estadual de São Paulo e também a prefeitura da capital, decretar quarentena e na prática, esse domingo, 15 de março, foi a última oportunidade para um evento ocorrer antes desse resguardo sanitário, portanto, de certa forma, demos sorte.
Na primeira foto, Roy Carlini e Lincoln "The Uncle" Baraccat a preparar-se para o soundcheck, com Luiz Domingues visto apenas pela perspectiva do braço do baixo. Click, acervo e cortesia: Juliana Parra. O fotógrafo e amigo, Vanderlei Bavaro a usar camiseta cor de abóbora, Roy Carlini, Caio Durazzo e Lincoln "The Uncle" Baraccat. Agachado: Fausto Lopes, o film-maker do Estúdio V8.Uncle & Friends no Estúdio V8 de São Paulo, no dia 15 de março de 2020. Click; acervo e cortesia: Dalam Junior

Confraternização total, exatamente como houvera sido a participação do "Uncle & Friends" na edição anterior, desta feita houve a feliz inclusão da minha banda no evento, portanto, foi duplamente feliz em meu caso, com Os Kurandeiros a atuar, também. Isso sem deixar de mencionar que a ótima participação da banda, "LeRoyale" capitaneada por Roy Carlini, cuja sonoridade Pop Rock eu apreciei muito, e também, "Caio Durazzo One Man Band", uma impressionante performance individual do Caio a tocar guitarra e cantar, e simultaneamente a tocar igualmente algumas peças de bateria para prover a sustentação do ritmo e assim justificar a alcunha de uma banda de um único componente.
O meu baixo no aguardo para entrar em ação. Uncle & Friends no Estúdio V8 de São Paulo, no dia 15 de março de 2020. Click; acervo e cortesia: Vanderlei Bavaro         

No time escalado para defender "Uncle & Friends" nessa ocasião, além do "uncle", Lincoln Baraccat e de minha presença, no baixo, Roy Carlini e Caio Durazzo estiveram novamente confirmados para pilotar as guitarras e Carlinhos Machado também faria jornada dupla, pois haveria de tocar comigo a bordo da nossa banda, Kim Kehl & Os Kurandeiros. 
Nelson Ferraresso e Lincoln "The Uncle" Baraccat, em ação. Uncle & Friends no Estúdio V8 de São Paulo, no dia 15 de março de 2020. Click; acervo e cortesia: Vanderlei Bavaro

De última hora, mais um reforço diretamente vindo das fileiras dos Kurandeiros, surgiu. Eis que o sempre competente, Nelson Ferraresso colocou os seus teclados em favor do Uncle & Friends e claro, somou para tornar a performance, ainda melhor.
Enquanto o atencioso e talentoso, Denis Gomes, do Estúdio V8, equalizava o som para autorizar a gravação, um som improvisado em tom de jam foi estabelecido e este foi gravado. Por ter sido um improviso feliz, com todos os participantes a criar uma boa sincronia, o Lincoln optou por lançar tal áudio no You Tube a gerar um nome significativo para o tema: "Just a Jam to Warm Up", ou seja, foi "apenas uma jam para aquecer", mas foi divertido tocar e culminou em um som agradável, como tema instrumental livre.
"Just a Jam to Warm up" - Uncle & Friends - Estúdio V8 de São Paulo, em 15 de março de 2020. Captura e mixagem: Denis Gomes

Eis o link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=0P3mzY4BrAE


"Situação" - Uncle & Friends - Estúdio V8 de São Paulo, em 15 de março de 2020. Captura e mixagem: Denis Gomes

Eis o Link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=0P3mzY4BrAE

"Muito Estranho" - Uncle & Friends - Estúdio V8 de São Paulo, em 15 de março de 2020. Captura e mixagem: Denis Gomes

Eis o link para assistir no Facebook:
https://www.facebook.com/lincoln.baraccat.16/videos/122966829320981/?q=lincoln%20baraccat&epa=SEARCH_BOX

Já na apresentação oficial, tocamos as canções, "Situação", "Hey, You" e a versão para a canção do compositor da Soul Muisc brasileira, Dalto, com "Muito Estranho". Bem, a performance foi boa, com todos a tocar despreocupados com a questão da pandemia que já estava muito perigosa, mas a percepção ainda não esteve generalizada nesse dia, pois os boletins a disseminar a situação da doença epidêmica em São Paulo só vieram a alarmar a população, alguns dias depois e já em curso da quarentena decretada pelo governador e prefeito, portanto, ficou marcado esse evento também pela lembrança de que precedera um momento difícil não apenas para São Paulo, município e estado, tampouco para o Brasil, mas a revelar-se uma tragédia sem precedentes para o planeta, com uma letalidade maior que a epidemia da dita, "gripe espanhola" ocorrida nos idos de 1918, ou seja, tirante esse evento pestilento e a mortandade perpetrada pelas duas grandes Guerras Mundiais, uma dizimação desse nível não se via há décadas. Em suma, visto por tal conexão, o evento que Uncle & Friends e Os Kurandeiros estiveram com Leroyale e Caio Durazzo One Man Band, ficará em minha lembrança como um evento agradabilíssimo entre amigos e que marcou também a questão de que sentirei saudade desse convívio musical tão estimulante e sem maiores preocupações com a aglomeração social e também como depois da pandemia, o mundo haveria de ser diferente a mudar paradigmas sociais e claro, a interferir nas relações culturais e artísticas em geral. Muito bem, eis que participei mais uma vez do combo, "Uncle & Friends", em mais uma agradabilíssima participação musical e também memorável pelo aspecto da amizade.
Carlinhos Machado, Caio Durazzo, Roy Carlini, Lincoln "The Uncle" Baraccat e Luiz Domingues. Uncle & Friends no estúdio V8 de São Paulo, em 15 de março de 2018. Click : Vanderlei Bavaro. Acervo e arte-final : Lincoln Baraccat
Uncle & Friends no estúdio V8 de São Paulo, gravado em 15 de março de 2018. Captura; direção e edição de vídeo: Fausto Lopes. Captura de imagens: Vanderlei Bavaro e João Bueno. Fotos: Dalam Junior. Áudio (captura e mixagem): Denis Gomes. Suporte: Juliana Parra, Gigi Jardim, Carol Durazzo e Amanda Semerjion

Eis o Link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=apL6ht42TNQ

Em 24 de abril, foi lançado com um "live" em redes sociais, o clip da música: "Muito Estranho" (Dalto), sob a performance de Uncle & Friends, gravada em 15 de março de 2020, no Estúdio V8, de São Paulo. E assim foi mais uma etapa cumprida com o simpático grupo de Lincoln "The Uncle" Baraccat.

Portanto, com Uncle & Friends, fica sempre aberta a possibilidade de mais participações no futuro. Então, continua...