sábado, 7 de dezembro de 2019

Procrastinação - Por Telma Jábali Barretto


Essa costuma ser uma boa época para as mais diversas reflexões : promessas, votos e... como não e, também, cobranças ! Sim, cobranças em meio a tantos sentimentos bonitos, facilmente, são trazidos, lembrados, nesse momento de confraternizações e generosidades abundantes, pendências... 

Quanto atentos somos aos empenhos antigos, atuais, lembranças daquilo que nos propusemos e, ainda, não cumprimos... Quando propósitos de média e longa distância relevamos ! Mas... mas... aqueles que reiteradas vezes permanecem à espera, incomodados ! E quanto ?!... O suficiente para ter ao menos a coragem de encarar? Armados de mil de desculpas, nem sempre convincentes ? Planos bem organizados para dar sequência e fecho a seguir...ou uma despreocupação, deixa para lá, como quem está familiarizado a não levar tão a sério as próprias decisões e escolhas ! Delicado isso... que, nem sempre, caracterizará um procrastinar ou conheça, valorize o verbo... Dolorido mesmo aquele disposto a concluir, sem demora ou ansiedade, enfrentado os conhecidos medos, autossabotes, exagerado perfeccionismo, arrogância do ‘vou tirar de letra’, etc...etc... e passeie, melhor, caraminhola, sofre com as continuadas prorrogações a cada investimento, às vezes dando nome, outras à procura do entendimento do próprio mecanismo viciado... e... até chamando de sina ou karma esse já repetido funcionamento. 

Labirinto de sentimentos por desvendar, assim chegando a ápices de crises internas, de consciência... Antes disso, só mesmo uma procissão de acontecimentos desconfortáveis que, ao final, trarão alívio...se e quando concluído... Pouca satisfação no agir e... caso em áreas localizadas e bem definidas, pouco, também, a preocupar !

Sendo um traço de personalidade carregará o peso a cada compromisso ou dever assumido e... como viver sem eles ?!... Um transitar pela jornada sem experimentar as pequenas satisfações do bem fazer no ‘aqui e agora’, entre singelas agendas e horários da rotina não respeitados, às mais sérias responsabilidades deixadas, empurradas aos limites de uma anunciada exaustão para quem o tempo, seu arqui-inimigo, impõe sua medida do viver harmônico com a disciplina de acessar o ritmo da maturidade... aprendizado de quem transpôs os medos e, com os pés bem fincados no chão da realidade atual, ousa e tem a paciência- paz ciência- consigo, de investir, aprender e apreender nesse construir da realidade almejada! Bem-vindo alvorecer, então... que assim virá !!!

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga; consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Nesta reflexão, fala-nos sobre a questão da procrastinação, ou seja, o grande dilema humano em adiar a tomada de decisão, atitude e ações concretas para mudar qualquer situação.
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 119 - Por Luiz Domingues

Eis que mais uma vez um bom convite surgiu para apresentássemo-nos em uma feira popular de rua, ao ar livre, desta feita em um Festival chamado : "Lapa Rock and Roll". Marcado para ocorrer muito próximo de um shopping center popular, no coração do simpático bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo, foi óbvio que ficamos honrados com o convite e naturalmente que o aceitamos de pronto.
Para quem não conhece esse bairro super populoso de São Paulo, deixo a informação que ele é tão grande sob o ponto de vista territorial, que é dividido em três grandes quadrantes, chamados como : Lapa; Lapa de Baixo e Alto da Lapa. A Lapa de Baixo é uma parte onde existe uma enorme quantidade de galpões industriais; a Lapa, é o coração do bairro com o seu comércio popular e diversos quadrantes residenciais, e o Alto da Lapa é uma parte mais requintada, com um panorama residencial de alto padrão. Isso sem contar a grande quantidade de subdistritos, ou seja, micro-bairros que estão inseridos no contexto da Lapa, como a Vila Ipojuca; Vila Romana; Vila Anglo-Brasileira etc. Em suma, trata-se de um bairro muito tradicional, dividido em quadrantes bem diferentes uns dos outros, e assim foi uma honra estarmos inseridos com outros artistas em um festival bem no centro do bairro, em uma parte bem popular, próximo à estação de trem que serve o bairro e o centro comercial mais popular.
A banda perfilada atrás do palco, em meio a um dos muitos grafites que ornam as paredes da viela onde o evento transcorreu. Da esquerda para a direita : Phill Rendeiro; Carlinhos Machado; Kim Kehl; Luiz Domingues e Nelson Ferraresso. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Festival "Lapa Rock and Roll", no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, em 9 de novembro de 2019. Acervo e cortesia : Kim Kehl. Click : Lara Pap 

Bem, assim que cheguei ao local, uma viela para pedestres (viela Ema Angelo Murari), que geralmente passam por ali apressados para chegar à estação de trem ou ao terminal de ônibus do bairro, notei que seria muito interessante tocar em um beco estreito e todo grafitado, como um ambiente muito rústico, porém a conter o seu charme urbano.
O beco onde o evento ocorreu, em foto clicada na parte da manhã, quando da montagem do palco e das barracas. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Festival "Lapa Rock and Roll", no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, em 9 de novembro de 2019. Click; acervo e cortesia : Geraldo "GG" Guimarães

Já havia bandas a apresentar-se e algumas já haviam encerrado a sua participação, mas os seus componentes circulavam atrás do palco. Caso do pessoal da banda, "Matilha", que eu não conhecia, mas a julgar pela extrema juventude de seus componentes e também da sua entourage que os acompanhava, e sobretudo pelo estilo da sua indumentária, logo deduzi que tais rapazes praticavam o Hard-Rock ao estilo oitentista, como estética adotada como meta artística para tal banda. Nesse ínterim, muitos amigos e companheiros que tocam em outras bandas estiveram presentes e claro que foi um prazer estar com eles mais uma vez, nos momentos em que ali estivemos a aguardar o momento da nossa apresentação. Deu para assistirmos o show do grupo, "Marquês", que é na verdade a representação do seu próprio vocalista, que também foi o mestre de cerimônia do evento. Gostei da sonoridade Pop Rock, bem tocada, com músicos competentes em sua formação. Após a apresentação do bom grupo, "Pompeia 72", eis que chegou a nossa vez. 
A banda em ação ! Kim Kehl & Os Kurandeiros no Festival "Lapa Rock and Roll", no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, em 9 de novembro de 2019. Acervo e cortesia : Kim Kehl. Clicks : Lara Pap 

Com a presença do nosso grande tecladista, Nelson Ferraresso em seu posto, fizemos um show muito animado e com resposta excelente do público ali presente. Tocamos um set list autoral, e apesar do som estar muito prejudicado pela má qualidade do equipamento, levamos adiante com resignação. É bem verdade que os instrumentistas das cordas, eu, Luiz Domingues; Kim Kehl e Phill Rendeiro, fomos os que mais sofremos nessa tarde, por conta de amplificadores muito ruins ali disponibilizados. O aparelho usado pelo Kim, estava um horror, ao ponto de falhar muitas vezes e no meu caso, foi pior ainda, pois simplesmente, quando eu fui plugar o meu instrumento, o técnico responsável avisou-me que o aparelho ali presente, havia sido inutilizado por falha técnica. Conclusão, tive que tocar na linha e quem é músico, sabe muito bem o quanto esse dispositivo é desagradável. Além de todo o incômodo que esse tipo de disposição causa em termos de timbragem do instrumento, ainda tive que lutar contra o fato de que o monitor estava péssimo, portanto, além de um timbre horroroso, eu nem conseguia ouvir-me a contento. Enfim, o lado bom em envelhecer é poder criar um grau de resiliência bem significativo, pois talvez em uma outra época passada, esse fator tão adverso teria perturbado a minha concentração e ânimo para apresentar-me, no entanto, nesta altura da carreira e da vida, à beira da idade sexagenária, apenas toquei e sorri, sem irritar-me e assim apenas preocupar-me em não frustrar a plateia, que em via de regra, nem suspeita da dificuldade que enfrentamos pela estrutura não estar boa. Paciência, o show tem que continuar, com o perdão pelo clichê.
Kim Kehl & Os Kurandeiros no Festival "Lapa Rock and Roll", no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, em 9 de novembro de 2019. Fotos 1 e 2 - Acervo e cortesia : Kim Kehl. Clicks : Lara Pap. Foto 3 : Click; acervo e cortesia : Carlinha Manho 

E assim levamos adiante e nesses termos, em meu / nosso entendimento, foi um ótimo show, a reverberar a reação efusiva da plateia e novamente usarei um clichê ao afirmar : é o que realmente importa no cômputo geral, não é mesmo ?
Na primeira foto, Nelson Ferraresso no primeiro plano, com Luiz Domingues e Carlinhos Machado, na retaguarda. Na foto 2, Kim Kehl em destaque, com Phill Rendeiro ao seu lado. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Festival "Lapa Rock and Roll", no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, em 9 de novembro de 2019. Acervo e cortesia : Kim Kehl. Clicks : Lara Pap 

Já estava escuro quando encerramos a nossa participação e mais um dado precisa ser mencionado. Por ter sido realizado em uma viela que é tradicional ponto de passagem de pedestres, há décadas, é claro que pessoas alheias ao festival por ali trafegaram durante o tempo todo, a cumprir a sua rotina em ir e vir para a estação de trem e terminal de ônibus. Pois digo que foi engraçado testemunhar muitas reações da parte de pessoas completamente estranhas ao mundo do Rock, ao entrar na viela e deparar-se com um palco a conter bandas de Rock a tocar e além disso, pela enorme quantidade de cabeludos, desde veteranos como nós, até uma garotada mais jovem, caso da banda que citei no início, e estes com figurino bem específico e igualmente pela observação do uso de maquiagem bem forte e característica, ou seja, para as pessoas comuns, deve ter sido um choque tal visão e vou além, pois vimos várias a demonstrar até um certo temor em fazer uso do seu caminho tradicional, com tanta gente "esquisita" aos seus padrões, ali concentrada. Daí, foi possível imaginar que tipo de raciocínio elucubraram, inclusive ao alimentar o temor pela sua própria integridade física. Um amigo brincou conosco e despertou muitas gargalhadas, ao refletir que para um sujeito desavisado que apenas dobrou a esquina e pensava em atravessar a viela como todo dia em sua rotina e foi surpreendido pela situação ali completamente inusitada ao seu padrão, este só pode ter imaginado em ter entrado em um filme de terror. É claro, imediatamente outras piadas foram agregadas como a sugerir uma outra dimensão de um mundo bizarro, ao estilo das histórias do Superman da DC Comics; um episódio do seriado de TV "The Twilight Zone"; um planeta visitado pela nave Enterprise do seriado Star Trek; portais para mundos espirituais e por aí foi a pilhéria.
A banda em tomada panorâmica, com a perspectiva do público. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Festival "Lapa Rock and Roll", no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, em 9 de novembro de 2019. Acervo e cortesia : Kim Kehl. Click : Lara Pap 

Tarde muito agradável entre amigos, com equipamento ruim, mas com forte poder de reação da nossa banda ante a adversidade, como resultado final, saímos contentes dali. Dia 9 de novembro de 2019, no famoso beco da Lapa, a cumprir mais uma jornada heroica com os Kurandeiros. A próxima atividade da banda estava marcada para o final desse mesmo mês, com uma volta ao Santa Sede Rock Bar, casa tradicional em nossa trajetória, mas que fazia tempo em que não a visitávamos.

Um compacto com três músicas da apresentação de Kim Kehl & Os Kurandeiros no Festival "Lapa Rock and Roll", no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, em 9 de novembro de 2019. Filmagem : Ana Amb

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=_PD93iCjRJQ

"Anjo" (Kim Kehl), ao vivo no Festival "Lapa Rock and Roll", no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, em 9 de novembro de 2019. Filmagem : Ana Amb

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=iKqVBpd3ZT0

Continua...

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Uncle & Friends) - Capítulo 103 - Por Luiz Domingues

Em novembro de 2019, foi anunciado nas Redes Sociais da Internet, o lançamento do vídeoclip da canção : "Velho Lobo Mau", que havia sido filmado em setembro, conforme já foi escrito em capítulo anterior. Eu participei dessa filmagem, mas não havia gravado a música. Canção de Norba Zamboni, um guitarrista e compositor, bastante experiente, e com letra de Lincoln Baraccat, trata-se de um blues bastante carregado de energia sensual e o clip em questão mostra essa questão, a materializar através da encenação feita por Lincoln, em cena com uma atriz (Patricia Endo). Não tocamos ao vivo, apenas dublamos na filmagem, eu e todos os músicos participantes e conforme eu já narrei, foi uma experiência divertida. Enfim, eis abaixo o resultado dessa filmagem, que eu considerei bem interessante em sua edição e acabamento final, visto que a produção foi muito simples em sua captura, com tomada única e sem grandes equipamentos de filmagem.
Vídeoclip da canção : "Velho Lobo Mau" (Norba Zamboni / Lincoln Baraccat) - Filmado em setembro de 2019 no estúdio V8 de São Paulo

Eis o Link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=kyKJltUnXRg

Ainda neste mês, recebi o recado do "Uncle" Lincoln Baraccat, a convidar-me para mais uma apresentação em seu simpático grupo, "Uncle & Friends" e sem compromisso com os Kurandeiros para tal dia, aceitei de pronto e basicamente a contar com o mesmo grupo de músicos para a atuação, das apresentações anteriores em que eu participei. Portanto, foi em mais um dia atipicamente frio para o meio de uma primavera, eis que cheguei ao quadrante do bairro da Vila Pompeia, entre as ruas Padre Chico e Raul Pompeia e lá encontrei muitos amigos, ou seja, uma praxe para tal tipo de festival ao ar livre e ainda mais estes tantos que são promovidos neste bairro em específico.
Louve-se a extrema boa vontade do técnico que trabalhou para alimentar o som desse palco, pois ele estava sozinho e contava com a discreta ajuda de sua namorada, apenas, e tal moça a não mostrar-se muito preparada para atender a demanda, mas mesmo com toda a sua boa vontade, a  verdade é que nesta apresentação nós tivemos muitos problemas. Primeiro, pelo fato do palco ter sido montado com um desnível acentuado, portanto, foi um inferno para a carcaça da bateria ficar minimamente centrada para os bateristas que a usaram, poder tocar com tranquilidade. E segundo, pelo som que mostrou-se embolado, com uma massa sonora a apontar para microfonias desagradáveis nas frequências graves. Mesmo assim, a animação foi grande, pois a energia ali produzida, foi muito forte. 
Da esquerda para a direita : Roy Carlini; Caio Durazzo; Lincoln "The Uncle" Baraccat", Carlinhos Machado e Luiz Domingues. Uncle & Friends na 2ª Feira Jingle Blue, na Vila Pompéia, em São Paulo. 24 de novembro de 201 Clicks; acervo e cortesia : Gigi Jardim

A ideia, para um festival centrado na temática do Blues, seria observar apenas tal estilo, no entanto, houve brecha generosa para o Blues-Rock, igualmente e assim, deu para animar ainda mais com tal abordagem mais energética, sem dúvida alguma. 
Na primeira foto, Lincoln "The Uncle" Baraccat em destaque, com Caio Durazzo (encoberto), ao seu lado. Uncle & Friends na 2ª Feira Jingle Blue, na Vila Pompéia, em São Paulo. 24 de novembro de 201 Clicks; acervo e cortesia : Marcello Pato

Além dos guitarristas extraordinários, Caio Durazzo e Roy Carlini, a bateria foi executada pelo meu companheiro de Kurandeiros, Carlinhos Machado. Lincoln pilotou a base harmônica na guitarra e comandou a voz solo, e novamente tivemos a presença ilustre da ótima cantora, Amanda Semerjion, e desta feita. ela cantou um Blues da Etta James (I'd Rather Go Blind), que gerou uma comoção na plateia, tamanho foi o poder da sua interpretação, emocionante. 


Na primeira foto, Amanda Semerjion na linha de frente, a encantar a plateia com a sua evocação da arte de Etta James. Foto 2 : Amanda Semerjion; Lincoln "The Uncle" Baraccat e Luiz Domingues, com Carlinhos Machado ao fundo e encoberto. Foto 3 : Lincoln "The Uncle Baraccat e Luiz Domingues. Foto 4 : Lincoln "The Uncle" Baraccat, o convidado especial, Geraldo "GG" Guimarães e Luiz Domingues. Uncle & Friends na 2ª Feira Jingle Blue, na Vila Pompéia, em São Paulo. 24 de novembro de 201 Foto 1 : Click; acervo e cortesia de Amauri Aparecido. Fotos 2; 3 e 4 : Clicks; acervo e cortesia de Vanderlei Bavaro

Geraldo "GG" Guimarães e o radialista, Rogério Utrila, participaram da canção, "Bolinha de Gude" e um músico de última hora atuou com a banda, um gaitista, chamado, Ulisses, que surgiu de forma inesperada a tocar, fora do palco, ao ter pedido um microfone para o técnico, sem que soubéssemos. Tocou bem, é verdade, mas a sua presença inesperada, em princípio gerou uma estupefação.
Mais flagrantes da apresentação. Foto 1 : Lincoln "The Uncle" Baraccat em destaque; Foto 2 : Carlinhos Machado em ação ! Foto 3, a banda inteira. Uncle & Friends na 2ª Feira Jingle Blue, na Vila Pompéia, em São Paulo. 24 de novembro de 201 Clicks; acervo e cortesia : Marcello Pato

E assim, foi ! A tarde caiu, e o frio intensificou-se, em pleno final de novembro de 2019, algo bastante incomum. Público muito, com cerca de duzentas e cinquenta pessoas, a aplaudir bastante. Despedi-me dos amigos e dali retirei-me feliz por ter participado de mais uma apresentação com esses músicos talentosos, a bordo do simpático combo do grande Lincoln "The Uncle" Baraccat, um artista eclético e multimídia.
Mais duas fotos panorâmicas da banda no palco. Uncle & Friends na 2ª Feira Jingle Blue, na Vila Pompéia, em São Paulo. 24 de novembro de 201 Foto 1 - Click; acervo e cortesia : Vanderlei Bavaro. Foto 2 : Click; acervo e cortesia : Rogério Utrila

Finito, mas este é um trabalho avulso que pode tranquilamente gerar mais história no futuro, portanto, é bem possível que... continua...

domingo, 1 de dezembro de 2019

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 118 - Por Luiz Domingues


Eis que chegamos em outubro de 2019, e um convite foi formulado-nos para que apresentássemo-nos novamente em um show ao ar livre. Tratou-se da 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, um tradicional bairro da zona oeste de São Paulo. Melhor ainda tornou-se, em minha percepção pessoal, quando eu soube o exato local onde seria realizada tal apresentação, a tratar-se da Praça Cornélia, um logradouro público onde eu tive uma forte conexão afetiva em minha infância, e mais do que isso, creio que tal singelo ambiente silvestre, foi o local onde eu tive um dos mais significativos impulsos iniciais para passar a apreciar a música mais detidamente, lá pelos idos de 1966 e 1967. Portanto, fiquei muito contente por saber que tocaria ao vivo em tal local, que tão importante papel cumprira em minha remota infância. Bem, em dezembro de 2017, a nossa banda já havia tocado em uma edição desse festival do bairro da Lapa (a oitava edição, portanto), e desta feita, com o palco proporcionado por um caminhão ao estilo de trio elétrico e que ficou estacionado entre as ruas Faustolo e Tibério. No trecho do texto autobiográfico concernente à esse acontecimento, eu já havia narrado tal reminiscência e nessa ocasião, o palco ficara localizado a distância de um quarteirão exatamente, onde eu residira nesses anos citados. 
Paróquia São João Maria Vianney, na Praça Cornélia, em São Paulo

Pois agora, em 2019, eis que eu estaria dois quarteirões adiante, mas em tal praça onde eu mantinha também, reminiscências muito fortes e como já comentei anteriormente com detalhes. Por aqui apenas reforço que aos domingos daquela época entre 1966 e 1967, o padre da paróquia ali existente, “São João Maria Vianney”, costumava agregar a comunidade do bairro, ao colocar um sistema de som na Praça Cornélia. Por conta dessa predisposição e principalmente pela sorte de que quem comandava a discotecagem que devia ser jovem e muito bem antenado, o melhor do Rock e da MPB em voga, ali no calor dos anos sessenta, era executado por horas a fio, até as seis da tarde quando encerrava-se o expediente para a missa ao final da tarde, poder ocorrer em paz. 
Dentro dessa realidade, por exemplo, foi nessa praça que eu escutei o LP "Rubber Soul" dos Beatles, recém lançado e na íntegra, pela primeira vez na vida, portanto, um fato aparentemente prosaico que no entanto marcou-me de uma forma indelével. Dessa maneira, tocar exatamente ali, em 2019, seria um prazer recôndito, a revelar-se na prática, um elemento a mais para motivar-me.

Tarde fria, surpreendentemente para um dia de outubro em plena vigência da primavera, eis que eu cheguei acompanhado do meu amigo, Kim Kehl, à Praça Cornélia. Lá estava a velha Paróquia, com a sua arquitetura inalterada, mas o velho chafariz não existia mais (aliás, há muitos anos), e o astral observado, é óbvio que não era mais o de 1966, com o som dos Beatles (e outras tantas bandas sessentistas sensacionais), a ecoar entre as árvores, como outrora, mas eu estava ali, feliz da vida por tocar em um praça onde jamais imaginei tocar verdadeiramente, quando ali transitei, nos remotos anos sessenta. Bem, na realidade de 2019, a alegria por estar ali também foi boa por reencontrar amigos da música, muitos aliás, e até novas amizades formam firmadas, quando eu conheci o baterista do grupo “The Spark's”, Edison Della Monica, a tratar-se de uma banda veterana, que foi fundada em 1964, por ele mesmo. Simpático, contou-nos várias histórias da sua trajetória na música e agraciou-me com uma cópia do último álbum do grupo, lançado recentemente. Ora, que positivo constatar uma banda versada pelo estilo do Rock instrumental sob a inspiração de grupos orientados pela dita “Surf Music”, tais como o The Ventures e o The Shadows, ainda em atividade e cheia de energia. O The Spark's foi contemporâneo d’Os Incríveis; Jet Blacks e outras tantas bandas significativas da história do Rock brasileiro.
Na primeira foto, um álbum do The Spark's, no início dos anos sessenta e na segunda foto, o disco que recebi gentilmente, a tratar-se do último lançamento do grupo, denominado : "Beyond the Stars" 


Parece que a tarde foi marcada pelas reminiscências mais profundas, pois eis que um amigo que eu conhecia apenas virtualmente, abordou-me e ali travamos uma longa conversa sobre a sua atividade pregressa como gerente de loja de discos nos anos setenta e a conversa foi longe sobre a indústria fonográfica, a distribuição antiga feita pelas gravadoras e sobretudo pelo Rock Progressivo e a música erudita, estilos de seu apreço mais detalhado. Tratou-se de Vinício Meira, que trabalhou muitos anos na loja Hi-Fi e também foi distribuidor de discos, a serviço de pequenos selos europeus, quando trabalhou com a produção da música erudita.

Não pude ouvir todos os grupos ali programados para tocar, mas os que eu pude assistir, gostei muito, como por exemplo, "Encruzilhados", um Power Trio afiado, que fez um set muito bom, baseado em Blues-Rock texano da melhor qualidade, incluso com muitas músicas do grande, Johnny Winter, em seu repertório. Ora, que sensacional, se eu mantinha a lembrança dessa praça por ter ouvido The Beatles, The Rolling Stones e The Kinks, nos idos de 1966 e 1967, agora, em 2019, ouvir Johnny Winter foi uma espécie de elo bom a ser restabelecido com o passado. Veio a competente banda, “Pompeia 72”, e mais uma série de covers internacionais do Rock setentista foram destilados com ótima fidedignidade ali naquela praça.
Uma sequência com fotos individuais dos componentes dos Kurandeiros durante o show realizado na Feira da Lapa. Foto 1 : Nelson Ferraresso e Luiz Domingues. Foto 2 : Carlinhos Machado. Foto 3 : Kim Kehl. Foto 4 : Kim Kehl e Phill Rendeiro. Kim Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em São Paulo. 20 de outubro de 2019. Clicks; acervo e cortesia : Marcos Kishi

Então, chegou a hora dos Kurandeiros entrar em ação e apesar do frio, o público não dispersou com o fim da tarde e início da noite e assim, com um som bem razoável em termos de equipamento, fizemos um ótimo show, bem animado mesmo e até digo que a superar as nossas expectativas. Desta feita como um quinteto, a contar com o talento do ótimo, Nelson Ferraresso aos teclados, o som ficou encorpado e animado, pois houve uma margem de improvisação para que o Kim; Nelson e o guitarrista, Phill, revezassem-se em solos.

Kim Kehl em destaque, com Luiz Domingues e Carlinhos Machado na retaguarda. Kim Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em São Paulo. 20 de outubro de 2019. Clicks; acervo e cortesia : Carlos Dutra

Noite avançada, frio e garoa, e assim, de certa forma só reforçou a minha lembrança sobre o bairro e o bom período em que ali morei, na tenra infância (e sem suspeitar nessa época, que morava a poucos quarteirões da residência dos irmãos Dias Baptista; das famílias Carlini; Paolillo e Vecchione, ou seja, entre Os Mutantes; Tutti-Frutti e Made in Brazil, todos em fase embrionária nessa época). Aliás, cabe a explicação que ali naquele ponto, é um quadrante do bairro da Lapa, que é na verdade um subdistrito chamado : Vila Romana, com várias ruas do entorno a evocar em seus nomes, imperadores e figuras proeminentes da cultura do Império Romano. E pela proximidade total com a divisa de bairros com a Vila Pompeia, os três bairros na verdade, misturam-se no imaginário dos moradores locais. Tocamos no Festival da Lapa, mas ali é tecnicamente a Vila Romana e para muitos, uma extensão da Vila Pompeia, capisce ? 
"A Noite Inteira" (Kim Kehl) - Kim Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em São Paulo. 20 de outubro de 2019. Filmagem : Carlinha Manha

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=63w7LzyuXRg

"P'ro Raul (Kim Kehl / Osvaldo Vecchione) - Kim Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em São Paulo. 20 de outubro de 2019. Filmagem : Carlinha Manha

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=0CkwIS8Y7JY

"A Galera Quer Rock" (Kim Kehl) - Kim Kehl & Os Kurandeiros na 10ª Feira de Artes e Cultura da Lapa, em São Paulo. 20 de outubro de 2019. Filmagem : Carlinha Manha

Eis o Link para assistir no You Tube :
 https://www.youtube.com/watch?v=8pFnYaHyHoY


Em síntese, uma tarde / noite plena em lembranças, com Rock sessenta / setentista para embalar os sonhos de um velho Rocker e sim, com uma boa apresentação dos Kurandeiros, para contabilizar na história e ser relembrada no futuro, com carinho. 

Ali na silvestre Praça Cornélia, em 2019, eu toquei com o sentimento bom ao estilo : "Veni; Vidi & Vici"

Continua...