quarta-feira, 1 de abril de 2020

Crônicas da Autobiografia - Se mexe aí, Baixista - Por Luiz Domingues

              Aconteceu no tempo do Pitbulls on Crack, em 1995 

Não foi a primeira vez que tal tipo de ocorrência ocorreu-me em meio à atuação dentro de uma banda de Rock, pois no tempo d'A Chave do Sol, isso já houvera acontecido em 1986 (narrei com detalhes tal situação, no capítulo nº 13 da minha história com A Chave do Sol, contido em meu livro autobiográfico : "Quatro Décadas de Rock"), mas o fato reincidiu, muitos anos depois, quando eu estava a atuar com o Pitbulls on Crack e para ser específico, tal acontecimento foi em 1995.
O baterista do Pitbulls on Crack, Juan Pastor, tendo ao fundo, Chris Skepis e Deca. Camarim da casa de shows Olympia, de São Paulo, em outubro de 1996. Foto : Marcelo Rossi 

Bem, o que ocorreu foi que o nosso baterista, Juan Pastor, era radialista e por conta das muitas conexões que detinha entre os seus contatos, ele recebeu o convite para encaixar a nossa banda em um teste, para eventualmente efetuar-se uma possível participação em um comercial de TV. Assim como ocorrera em 1986, eu detestei a ideia, a adotar os mesmos argumentos que eu usei em tal ocasião e de fato, recusei-me a participar e somente os três companheiros desse outro trabalho, foram fazer parte de tal peça publicitária. Para resumir ao leitor que não teve acesso ao meu texto autobiográfico, a minha justificativa para não participar de um comercial de TV, levou em conta que a nossa banda (no caso, ao referir-me sobre A Chave do Sol), não seria citada em nenhum momento e nós somente participaríamos por conta de usarmos individualmente, o estilo de aparência "Rocker" e nesses termos, eu não desejei fazer parte, exatamente por não enxergar em tal atitude, algo positivo para fomentar a divulgação do nosso trabalho e muito pelo contrário, a expor-nos como anônimos, somente pelo fato de sermos "cabeludos".

No caso do Pitbulls on Crack, a situação seria igual, mas na prática, ganhou uma conotação diferente por duas questões, e uma delas, muito particular que essa específica banda continha. Primeiro, por ser uma banda pautada pelo bom humor, quase o tempo todo, por conta da personalidade humorística dos outros três membros (no entanto, não em meu caso certamente), portanto, a galhofa pautara o ambiente interno da banda e se eu não tinha/tenho tal característica por natureza, por outro lado, admirava o senso espirituoso de meu colegas e sim, ria  muito das piadas que eles criavam instantaneamente aos borbotões, durante os cinco anos em que convivemos. E o segundo aspecto, foi que ao contrário do que fora ventilado (erroneamente), pelos meus colegas d'A Chave do Sol, em 1986, o pessoal do Pitbulls on Crack jamais cogitou que fazer parte do comercial seria uma alavanca promocional boa para a banda e pelo contrário, nenhum deles sequer esboçou considerar que seríamos "aprovados" pelos diretores do teste de elenco para a figuração e nesse caso, a única motivação seria uma taxa monetária oferecida como uma espécie de ajuda de custo para participar do teste. Ou seja, bem na base da pilhéria que norteou tal grupo, em sua carreira, a ideia foi : "ir lá ganhar um dinheiro e divertir-se sem compromisso". Ora, bem no espírito do tom de humorismo que sempre norteou a condução dessa banda, fomos ao estúdio televisivo, localizado no bairro do Brooklin, na zona sul de São Paulo.

Entre os membros da banda, o espírito foi esse, portanto, ao considerar ser uma grande brincadeira debochada e que eventualmente render-nos-ia um cachê simbólico. Dessa forma, confesso que mesmo a estar ali apenas para colaborar, visto que tudo foi ajeitado em cima da hora, e na impossibilidade de arrumar um outro simulador de baixista, se eu não fosse, eles seriam vetados para o teste, eu mantive-me incomodado em participar. Sem outra alternativa, participamos da ação, enfim. 

Os meus colegas mergulharam na brincadeira, ao melhor estilo "Spinal Tap", sem nenhum pudor e aliás, a divertir-se muito com a pantomima, mas eu... bem, eu não era (sou), um humorista em potencial como eles e acometido por um sentimento de contrariedade absoluta em estar a fazer parte daquela ação, não esforcei-me nem um pouco, por senti-me muito mal em estar ali a ser usado como um anônimo, somente por usar cabelos longos e saber segurar um instrumento musical com fidedignidade. 

Foi então, quando o diretor que conduzia a filmagem, parou tudo e cobrou-me mais "empenho". A filmagem reiniciou-se e o sujeito que ficou visivelmente irritado com o meu desânimo, passou a soltar gritos atrás da câmera, a exortar-me a "melhorar" a minha performance. Bem, é claro que eu não segui a sua orientação e certamente que em sua visão, nós já estávamos "desclassificados", mesmo com o "teste" ainda em pleno curso. O ponto, na verdade, foi que a banda não pleiteou participar de forma alguma e eu, ainda mais, não participaria nem que fôssemos "aprovados", por conta das minha convicções pessoais em torno do que representa esse tipo de ação publicitária.
E ao diretor que chamava-me com desdém a denominar-me como : "ô, baixista", genericamente, quando ele gritava : "melhora aí rapaz, se mexe"... eu só posso responder que eu fui (sou) um artista genuíno e mexia-me, sim, em uma apresentação verdadeira, ao sentir a vibração da notas que eu tocava, emanadas pelo meu amplificador; vibrava por ouvir a emanação dos instrumentos e das vozes dos meus companheiros, vindos dos monitores e de seus respectivos amplificadores, mas sobretudo, pela sincronia estabelecida com o público. Somente tal sintonia estabelecida espontaneamente cria a magia para a energia fluir a contento e o resto é falsidade em nome do "business", senhor diretor !

domingo, 22 de março de 2020

Como Ter uma Quarentena Produtiva - Por Fernanda Valente


Agora que já temos todas as informações sobre o Coronavírus e o que devemos fazer para nos protegermos, é tempo da gente esperar pacientemente esse período passar, e aproveitar para nos aperfeiçoarmos e nos tornarmos pessoas melhores.
Não é por que a vida nas ruas está parada, que devemos ficar estáticos ou pensando exaustivamente  na doença. Será um bom momento para distrairmos a cabeça e fazermos coisas que normalmente não temos tempo de fazer. Para quem tem família, que tal fazer atividades junto com seus filhos e cônjuge, como café da manhã, almoço e jantar juntos, sentados na mesa, algo fora de moda nos dias de hoje? Ou talvez jogar algum jogo de tabuleiro, ou outro que possa ser jogado em conjunto, algo diferente  dos jogos online que as crianças estão acostumadas a jogar sozinhas?

Para quem não é casado ou mora sozinho, é um ótimo momento para aprender algo que se queria e não se tinha tempo, como um curso. Existem muitas opções online, especialmente nesse momento onde muitas instituições estão disponibilizando cursos e treinamentos gratuitos.

Outra opção interessante também é aproveitar para assistir espetáculos artísticos que estão sendo disponibilizados gratuitamente, e "lives" educativas que estão sendo feitas pelo Instagram, YouTube e Facebook.

Além do mais, ocupar a mente com coisas produtivas evita o estresse e fortalece nossa imunidade contra o vírus. Resumindo, não há o porque não aproveitar essa época de quarentena para nos aperfeiçoarmos e tirar algum proveito positivo disso tudo.


Fernanda Valente é colaboradora do Blog Luiz Domingues 2. Editora do Blog Limonada do Brasil, é também professora de inglês & educação infantil e musicista. Nesta manifestação, ela conclama os leitores a colaborar com a quarentena no tocante a observar o protocolo médico / sanitário e sobretudo a manter a atitude mental mais positiva possível, a buscar o pensamento edificante pela via da educação; cultura, arte e estudos. Este Blog apoia e é signatário dessa mensagem.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 64 - Por Luiz Domingues

Da esquerda para a direita : Wilton Rentero; Luiz Domingues e Osvaldo Vicino. Boca do Céu em encontro musical de resgate. Centro Cultural São Paulo, 8 de março de 2020. Click (selfie); acervo e cortesia : Wilton Rentero

Foi em um domingo (8 de março de 2020), a mostrar-se muito chuvoso em São Paulo, que eu, Luiz Domingues; Osvaldo Vicino & Wilton Rentero encontramo-nos nas dependências do Centro Cultural São Paulo para uma reunião / ensaio, a fim de começarmos a remontar ao máximo as músicas do nosso velho repertório de 1976 / 1977. Mesmo com o ambiente do "CCSP", completamente lotado por jovens que em grupos isolados praticavam ensaios para coreografias em torno das culturas musicais orientais "K-Pop" e "J-Pop", achamos enfim um local mais sossegado, mas não muito, para munidos por três violões, trabalharmos. Fiquei contente por saber que os dois velhos amigos haviam desenvolvido arranjos pessoais para avançarmos com a reestruturação das canções "Diva"; "O que Resta é a Canção" e "Serena", além de esboçarmos o resgate de "Instante de Ser"; "O Mundo de Hoje"; "Astrais Altíssimos" e relacionarmos "Mina de Escola" e "Centro de Loucos", como possíveis candidatas ao resgate.
Na mesma sequência da foto anterior. Boca do Céu em encontro musical de resgate. Centro Cultural São Paulo, 8 de março de 2020. Click (selfie); acervo e cortesia : Wilton Rentero

Não foi inteiramente produtivo por conta da barulheira que as centenas de jovens que lotavam diversos recantos do complexo, faziam, mas foi um passo inicial para incrementarmos o projeto de resgatar o material e quiçá, gravarmos uma demo-tape ao menos, para legar o material que a nossa sonhadora banda de outrora, baluarte de nossas respectivas aspirações Rockers no decorrer da adolescência, tivemos, ao longo dos anos setenta. 
"Desesperar jamais", foi o dizer estampado no neon atrás de nós, apesar de invertido por ação da câmera ! Boca do Céu em encontro musical de resgate. Centro Cultural São Paulo, 8 de março de 2020. Click (selfie); acervo e cortesia : Wilton Rentero

Comunicamos ao Laert o nosso ligeiro progresso obtido nessa tarde chuvosa e combinamos em marcar um novo encontro doravante em um local mais reservado, com o devido silêncio a não atrapalhar a nossa concentração, no âmbito da residência de um dos três ou melhor ainda, em uma sala de ensaio.

Continua...      

domingo, 15 de março de 2020

Autobiografia na Música - Kim Kehl & os Kurandeiros - Capítulo 125 - Por Luiz Domingues

Com a Demo-Tape em mãos, foi uma questão de tempo para surgir um novo panorama mais ousado, logo a seguir. Eis que a ideia de gravarmos um novo álbum com tal material, ganhou um contorno maior. Não apenas por animarmo-nos pelo material disponibilizado, mas sobretudo pela perspectiva de uma oportunidade, sob o ponto de vista gerencial que adveio em questão de dias. Feitos os contatos necessários, eis que a viabilidade da banda entrar em estúdio, tornou-se real e nesses termos, rapidamente marcamos ensaios para apressar essa pré-produção de uma forma bem concreta. E assim, reunimo-nos inicialmente nos dias 5 e 12 de março de 2020, no simpático "Sound City Estúdio", localizado no bairro do Sumaré, zona oeste de São Paulo e iniciamos essa preparação.
A banda perfilada para uma foto obtida em um momento após o ensaio realizado no Estúdio Sound City de São Paulo, no dia 5 de março de 2020. Acervo e cortesia : Kim Kehl. Click : Lara Pap

A trabalhar com as canções : "Rosquinhas"; "Eu Só Curto Cover"; "Meu Último Blues"; "Só o Terror" e a vinheta de abertura, eis que o material para um EP estava configurado e a julgar pela prévia obtida com a Demo-Tape anteriormente gravada, de fato tivemos motivos para nutrir tal animação.
A banda perfilada para uma foto logo após a concretização do ensaio realizado no Estúdio Sound City de São Paulo, no dia 12 de março de 2020. Acervo e cortesia : Kim Kehl. Click : Lara Pap

Obviamente que com a banda toda reunida, a tocar ao vivo, o som cresceu ainda mais e modificações pontuais foram estabelecidas a enriquecer ainda mais o trabalho. 
Pequeno vídeo a mostrar trechos do ensaio realizado em 5 de março de 2020, no Estúdio Sound City de São Paulo. Filmagem : Lara Pap

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=5WXk3KqBBlI


Continua...



Os Kurandeiros + Uncle & Friends + Caio Durazzo One Man Band + Le Royale - 15/3/2020 - Domingo / 16 Horas - Estúdio V8 - Ipiranga - São Paulo / SP

Amigos, estarei com a minha banda, Os Kurandeiros e também participarei do grupo "Uncle & Friends" do amigo, Lincoln Baraccat, no mesmo evento ! Além dessas duas bandas, Caio Durazzo One Man Band e Le Royale, completarão a super tarde no estúdio V8, gerido pelos simpáticos amigos : Denis Gomes; Juliana Parra & Fausto Lopes, com entrada grátis.

Os Kurandeiros
Uncle & Friends
Caio Durazzo One Man Band
Le Royale


15 de março de 2020 - Domingo - 16 Horas

Estúdio V8
Rua Lino Coutinho, 516
Ipiranga
Estação Sacomã do Metrô
São Paulo - SP


Entrada Grátis !

sábado, 7 de março de 2020

Cápsulas - Por Telma Jábali Barretto

Temos alguns tipos de nichos, porque não dizer úteros que, confortáveis, nos aninhamos. Sim!, aninhamos nesses berços que abraçam, acolhem e, por essa razão, porque sair?...
Acontece, de pronto, para conforto, nem sempre na plena acepção da palavra...bem além disso, pelo tipo de segurança, piloto automático, continuísmo que grande parte de nós prefere e adere com unhas e dentes...
Mudar dá trabalho! Faz pensar e repensar naquilo que temos, tivemos (ou não...) em novos esquemas de fluxo com hábitos, o que permitir que escoe, esgote e o que teremos que criar, construir, dar forma... tirando de mecanismos viciados, tendo que abrir novas trilhas trabalhosas, caminhos, desafiando a aberturas...
Tendemos a viver em cápsulas, bolhas, redutos, debaixo ou dentro de condições de ‘temperatura e pressão’ conhecidos, dominados muito além do ar condicionado que tira do ar ao vivo e a cores reais, conhecendo longe dali, pessoas, ideias, referências ameaçadoras àquilo já conhecido e aceito dentro de nós... O estrangeiro simboliza exatamente contato com o distante, outra cultura, terreno, costumes, linguagem, reveladores do incomum, além da zona de conforto que não confrontem nossos significativos parâmetros estabelecidos de padrões, valores!
Teoria da biologia diz que a capacidade de sobrevivência, em meio ao desconhecido, fora do usual, testa e demonstra habilidade de evolução, significando criatividade que transforma dificuldade, adversidade em saídas que, de início, serão desafiadoras e se bem assimiladas, após transpostas, reveladoras muitas vezes de nossa singularidade. A pura e simples resistência ao desconhecido não nos testa ou desafia ao crescimento, mas...consequentemente, alimenta a ignorância, inércia.
A vida é escola e, como tal, natural que traga convites ao aprendizado. Assim rompemos infância e seus medos próprios, igual adolescência até chegar à fase adulta e...não de outra forma acontece com nossa alma com suas mais amplas complexidades, envolvendo apreensões do emocional, racional, intuitivo, sensorial, onde em sequência perdemos ou abdicamos de colos para aprender a andar, correr e, quem sabe ?!...voar! Ser discípulo da Vida requer coragem já dizia o Guimarães... trazendo lições que, se nos furtamos, conscientemente, de ir ao seu encontro, Ela, a natureza própria, se incumbe do tsunami propiciando encontremos de novo e, mais uma e outra vez, quantas sejam necessárias para aquilo que, em Sua Exuberante Linguagem e  Sabedoria, devamos experimentar! Assim sempre foi, é e será! Cumpra-se!!!



Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga; consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga.  Nesta reflexão, ela fala sobre as bolhas em que costumamos colocarmo-nos, a promover o nosso isolamento em nichos.






terça-feira, 3 de março de 2020

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 63 - Por Luiz Domingues

Eis que o grande dia chegou ! Após quatro décadas, a formação mais clássica do Boca do Céu estaria novamente reunida, enfim, para uma grande confraternização. Foi por volta das 15 horas do dia 15 de fevereiro de 2020, que eu encontrei o guitarrista, Wilton Rentero, em uma estação do metrô e de lá, fomos juntos ao estúdio que alugáramos para encontrarmo-nos com os demais companheiros. No caminho, falamos sobre mais reminiscências a envolver a nossa banda e igualmente a respeito de tantas aventuras "freaks" que compartilhamos no tempo em que convivemos como companheiros de banda & sonhos, e sobretudo pela amizade que ali vivenciamos. Chegamos com uma boa antecedência ao estúdio e continuamos a conversar animadamente, quando eis que vemos adentrar o salão lounge / bar do estúdio, a persona de Osvaldo Vicino. Foi muito bom estar com ambos a conversar enquanto aguardávamos os demais e eu observei com alegria, o fato de nós três estarmos a segurar instrumentos em mãos, um fator que não cumpríamos juntos, desde 1978, quando da saída do Wilton da nossa banda.
Eu mal podia acreditar, Wilton Rentero e Osvaldo Vicino, juntos novamente, após um longo hiato a contabilizar 42 anos (1978 / 2020) ! Ensaio / Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click e acervo : Luiz Domingues 

Uma vez já instalados na sala de ensaio, que fora liberada para iniciarmos os nossos preparativos pessoais, eis que surgiu o nosso baterista, Fran Sérpico, no recinto. Que alegria, não o via desde 1978, igualmente ! Pois conversamos animadamente por alguns minutos, enquanto o seu cunhado, o simpático, Nelson Laranjeira, chegou, convidado que fora para participar do nosso ensaio informal.
Fran Sérpico e Luiz Domingues a conversar, após tantos anos ! Ensaio / Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click; acervo e cortesia : Marcos Kishi

Laert Sarrumor, o nosso genial cantor e compositor, foi o último a chegar. "Consummatum est", o Boca do Céu estava finalmente reunido, após tantos anos. Muitas histórias para relembrar e celebrar, teríamos a confabular, certamente, e assim procedeu-se, mesmo que estivéssemos a cumprir igualmente a nossa tentativa em relembrarmos as nossas antigas composições e também empreendêssemos a recreação, ao tocarmos as músicas do Joelho de Porco, previamente combinadas entre nós.
Nas duas primeiras fotos, Fran Sérpico e Laert Sarrumor a conversar novamente, após 42 anos (1978 / 2020). Na segunda foto, o baterista, Nelson Laranjeira, que cooperou com o nosso ensaio informal. Ensaio / Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click e acervo : Luiz Domingues 

Tocamos as músicas do Joelho de Porco e divertimo-nos muito, pois além da nossa recreação pura e simples, há por considerar-se que estávamos todos felizes pelo reencontro em si, portanto, o prazer em estarmos a tocar novamente como uma banda, foi muito acentuado. E houve mais um fator importante, pois o Joelho de Porco, foi, entre outras tantas, uma forte inspiração para a nossa banda nos anos setenta, no calor dos acontecimentos que cercava-nos culturalmente naquela ocasião, portanto, este valor adicional esteve contido em tocarmos tais canções. Melhor ainda, foi lembrarmos diversos trechos de nossas canções e que prazer foi tocar e cantar, a dar suporte com backing vocals, à canções que eu não nutria mais esperança em resgatá-las.
Na primeira foto, o guitarrista, Osvado Vicino, o mais primordial elo da formação do nosso grupo. Na segunda foto, Laert Sarrumor a cantar e expressar a sua alegria pelo reencontro. Na terceira foto, o guitarrista, Wilton Rentero, em claro momento de satisfação em meio ao ensaio. Ensaio / Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click; acervo e cortesia : Marcos Kishi                       

E assim foi, lembramo-nos de "Serena"; "Astrais Altíssimos"; "Diva"; "Mina de Escola"; "O Mundo de Hoje" e alguns fragmentos de "Instante de Ser". O baterista, Nelson Laranjeira, fora avisado que tratar-se-ia mais de uma confraternização e que a configurar-se como um ensaio truncado, visto que o objetivo seria tentar relembrar e tornar tais fragmentos de memória, passíveis em ser tocados, sob uma primeira instância. Simpático, ele logicamente queria tocar sem interrupções e mesmo assim, teve a devida paciência para entender o caráter excepcional do nosso reencontro.

O guitarrista, Wilton Rentero, na primeira foto. Luiz Domingues a usar um baixo bem parecido com o "Gianinni" que usava em 1977, na foto 2 ! Na foto 3, Luiz Domingues; Laert Sarrumor e Wilton Rentero. Na quarta foto, Osvaldo Vicino e Wilton Rentero no primeiro plano, com Laert Sarrumor ao fundo, e Luiz Domingues sentado, mas visível apenas por detalhe. Ensaio / Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click; acervo e cortesia : Marcos Kishi

Encerramos a parte musical e antes de partirmos para o restaurante Degas, onde jantaríamos e continuaríamos a nossa confraternização, mediante a ajuda do meu amigo, o fotógrafo superb, Marcos Kishi. Pois, Kishi ajudou-nos a concretizar uma ideia lançada pelo Laert, em conversação travada no grupo de Whatsapp do Boca do Céu, previamente, e assim, eis que fizemos um foto comemorativa, com os cinco membros da formação mais clássica de 1977, a simular a foto promocional que tiramos nesse mesmo ano. Sob a orientação de Kishi, eis posamos no corredor do estúdio, a imitar a foto de 1977 e tal documentação tornou-se histórica, igualmente, para a nossa banda !
A foto promocional de 1977, em comparação com a recriação de 2020 ! Ensaio / Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Foto 1 : Acervo Boca do Céu. Click : Adelaide Giantomaso (possivelmente). Foto 2 : Click. acervo e cortesia : Marcos Kishi 

Incrível, a banda reunida, a empreender a mesma postura fotogênica. Em 1977, éramos adolescentes e naturalmente, quando preparamo-nos para a foto, não poderíamos imaginar que repetiríamos a mesma configuração, 43 três anos depois. Em 2020, mais robustos e bem grisalhos, naturalmente, mas eis os cinco componentes do Boca do Céu, ali novamente reunidos e felizes, certamente, por tal oportunidade.
Nas duas primeiras fotos, a confraternização pós-ensaio. Da esquerda para a direita : Wilton Rentero; o convidado especial, Nelson Laranjeira; Fran Sérpico; Luiz Domingues e Osvaldo Vicino, com Laert Sarrumor à frente. No lounge / bar do estúdio, na primeira três : Wilton Rentero; Luiz Domingues; Laert Sarrumor e Osvaldo Vicino. Na foto quatro : Marcos Kish; Wilton Rentero; Luiz Domingues; Laert Sarrumor e Osvaldo Vicino. Ensaio / Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click; acervo e cortesia : Marcos Kishi. Foto 4 : Click automático. 

Bem, Fran Sérpico tinha um compromisso pessoal e o seu cunhado, Nelson Laranjeira também despediu-se e partiu. Fomos então para o restaurante Degas e ali, com a companhia de Marcos Kishi, seguimos a conversar, relembrar inúmeras passagens ocorridas com a nossa banda e fatos análogos que vivemos na época. Ao final, Marcia Oliveira, esposa do Laert Sarrumor e empresária do Língua de Trapo, juntou-se à nós.
No restaurante Degas, localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Na ala esquerda, Luiz Domingues; Marcia Oliveira e Laert Sarrumor. Ao lado direito, Osvaldo Vicino no canto superior e Wilton Rentero. Ensaio / Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click; acervo e cortesia : Marcos Kishi 

Após tal encontro, fortaleceu-se o sentimento e mais do que isso, a predisposição em promovermos nova reuniões / ensaios; resgatarmos as nossas músicas e ficarmos abertos para até imaginar uma apresentação ao vivo e quiçá, a gravação do máximo de músicas que pudéssemos relembrar e assim, enfim, legarmos um registro sonoro do Boca do Céu ao mundo.

Continua...