terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 100 - Por Luiz Domingues

A última vez que apresentamo-nos no Tchê Café, fora ao final de dezembro de 2017. E como último show do ano, tal oportunidade ofertara-me a oportunidade em pensar o quanto aquele ano de 2017, fora produtivo para Kim Kehl & Os Kurandeiros. Portanto, ficamos contentes em voltar àquela casa simpática, e também, após tantos shows ocorridos em bairros distantes, eis que ir tocar perto do aeroporto de Congonhas, foi muito reconfortante pela curta distância; pouca possibilidade em ter que enfrentar um desgastante trânsito e sobretudo em ter a preocupação em trafegar por caminhos desconhecidos. E assim, ainda a considerar-se ser um sábado, rapidamente cheguei ao local e meus colegas, Kim Kehl e Carlinhos Machado, já estavam no local e com o seu equipamento montado, apenas a aguardar-me. A predisposição da casa em ceder todo o equipamento e até os instrumentos, permanecera intacta, e assim, fizemos uso do PA; amplificadores e da carcaça da bateria, mas eu não quis desta feita usar os baixos disponibilizados pela casa e assim saquei o meu instrumento do meu "bag", preparei-me e o afinei. Estávamos com tempo hábil e dessa forma, pudemos ainda conversar com tranquilidade, antes de iniciarmos a nossa apresentação.
Kim Kehl; Carlinhos Machado, na bateria e Luiz Domingues, nas duas fotos. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo / SP. 10 de novembro de 2018. Clicks : Lara Pap

Foi quando começamos e foi uma sessão inicial híbrida, a conter música autoral e releituras para clássicos, mas não muito ameno, conforme o Kim alardeara querer imprimir, quando relatou-nos que passara a semana constipado e que a sua voz não estava 100% para enfrentar uma apresentação longa, a conter várias entradas. Sei como é, na hora da adrenalina do palco a empolgação advém e o artista ignora os seus cuidados pessoais e coloca a performance à frente da prudência em conter-se para preservar a sua saúde. Não foi o ideal para ele, ao pensar-se na sua recuperação pessoal em termos de saúde, mas para a banda, é claro que tocar com maior energia, foi ótimo. O que não foi bom, no entanto, ocorreu que a carcaça da bateria disponibilizada pela casa, que estava muito machucada. Sem ajustes, e por tanto que suas presilhas estavam espanadas, foi torturante para o Carlinhos trabalhar e ainda com o show em curso, ele arrancou o tom da armação do bumbo e passou a contar apenas com a caixa e o surdo para promover as suas viradas e claro que isso repercutiu na performance da banda, apesar do nosso entusiasmo. E o mesmo caso ocorreu com o Kim, que ao usar o amplificador da casa, sofreu com o seu mau estado, talvez pela ausência de manutenção, ao ter tornado-se um aparelho público, praticamente. Ficou o alerta para uma possível volta à casa, quando certamente levaremos o nosso equipamento.  
Na mesma configuração da foto anterior. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo / SP. 10 de novembro de 2018. Clicks : Lara Pap

Ainda tocávamos músicas a cumprir a primeira entrada do espetáculo, quando observo adentrar o recinto, a figura simpaticíssima do guitarrista, Wilson Ricoy, acompanhado de sua esposa e filho. Guitarrista da pesada, versado pelo Blues e Classic Rock em linhas gerais, mas também a cultivar apreço pessoal para diversas outras vertentes da música, Ricoy é também um Ser Humano excepcional e certamente que a perspectiva em contar com a sua prazerosa companhia, foi alvissareiro. E assim ocorreu, quando no intervalo, pudemos conversar com calma e ele narrou-me que estava a morar em São Paulo, após longa permanência em São José dos Campos / SP, e que a sua família adaptara-se bem. Seu filho, já na faixa de quatorze anos de idade, estava a estudar baixo, mesmo já tendo aprendido a tocar guitarra com ele, Ricoy.
Na mesma configuração da foto anterior. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo / SP. 10 de novembro de 2018. Clicks : Lara Pap

Voltamos a tocar e a contrariar o ímpeto Rocker, o Kim acusou o golpe às suas combalidas cordas vocais que não estavam realmente em condições para voos mais altos naquela noite e assim, tocamos uma sessão mais amena com Blues e baladas. E o público presente surpreendeu-se com o teor das baladas, visto que a quantidade de canções oriundas do final dos anos sessenta e início dos setenta que ali executamos, foi saudada de uma forma muito grande a denotar que apreciavam-nas, mesmo que na aparência, ninguém ali estava na faixa etária para reconhecê-las, portanto, ou eram conhecedores de música ou por coincidência, ouviam os discos de seus pais... ou avós.
Na mesma configuração da foto anterior. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo / SP. 10 de novembro de 2018. Clicks : Lara Pap

E como a sinergia geralmente estabelece o tom do show, ao sentirmos tal retorno positivo, naturalmente o Kim empolgou-se novamente e ao mandar às favas os seus cuidados com a garganta machucada, colocou ímpeto novamente em seus esforços e ali tocamos mais alguns temas mais pesados, versados pelo Hard-Rock setentista, mesclados aos nosso material autoral. Final com euforia e a esperar que a garganta do Kim não sofresse muito nos dias posteriores, encerramos bem essa apresentação.  
Da esquerda para a direita : Wilson Ricoy; Luiz Domingues; Edu Rocker e o último rapaz, fiquei sem saber o seu nome. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo / SP. 10 de novembro de 2018. Acervo e cortesia : Wilson Ricoy Clicks : Senhora Ricoy   

Noitada boa, ficamos felizes por tocar ali novamente e rever, Wilson Ricoy; sua família e dois amigos que ele convidara para assistir-nos. Então foi assim, noite de 10 de novembro de 2018, no Tchê Café de São Paulo. A próxima atuação, seria na retomada da turnê, "Toca Raul", no início de dezembro. 

Foto 1 : Carlinhos Machado a arrumar a sua bateria, antes do show começar. Foto 2 : O casal Kurandeiro : Kim Kehl & Lara Pap na mesa / loja ambulante do merchandising da banda. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo / SP. 10 de novembro de 2018. Clicks : Luiz Domingues

Continua...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Patrulha do Espaço - Capítulo 326 - Por Luiz Domingues

Na semana do show, três ensaios foram convocados. Nessa altura, a lista de convidados estava a apresentar acréscimos. Além de Rubens Gióia e Xando Zupo, eis que eu já sabia sobre o convite formulado para o guitarrista, Kim Kehl. Ora, que prazer ter mais um guitarrista com o qual eu tinha um trabalho e no caso, atual, desde 2011, desde que entrei para a sua banda, Kim Kehl & Os Kurandeiros. E a ligação do Kim com a Patrulha do Espaço era forte, igualmente. Ele nunca foi membro da banda, mas acompanhara bem o início da fase dessa banda, após a saída de Arnaldo Baptista e quando o Junior levou adiante a marca ao lado dos saudosos, Oswaldo "Cokinho" Gennari & Dudu Chermont e gravou o primeiro disco da banda após a saída de Arnaldo Baptista (considerado por alguns fãs, como o primeiro da saga da Patrulha do Espaço, de fato, ao ignorar o LP "Elo Perdido", de 1977 e o Bootleg gravado ao vivo, em 1978 : "Faremos Uma Noitada Excelente". Pois Kim Kehl não só presenciou ensaios e shows dessa fase, como emprestara uma residência de propriedade de sua avó para a Patrulha do Espaço realizar os seus ensaios nessa fase e a sua banda na ocasião, o "Lírio de Vidro", abriu alguns shows da Patrulha, inclusive aquele concerto mítico realizado no Teatro Pixinguinha no Sesc Vila Nova em São Paulo, em 1981, onde o guitarrista, Dudu Chermont, ao empolgar-se, assumiu ares "Woodstockeanos" e quebrou a sua guitarra Gibson SG, ao melhor estilo : Pete Townshend. E tinha mais, Kim Kehl é o autor da canção, "Mar Metálico", que foi gravada pelo Lírio de Vidro e que a Patrulha do Espaço regravou em seu famoso álbum branco de 1982, e aliás, música essa que tornou-se uma das mais queridas pelos fãs, desse disco citado. 
Outro ótimo convidado, foi Rogério Fernandes. Experiente por ter uma longa carreira com bandas autorais e bandas cover pela noite, Rogério era / é dono de uma voz verdadeiramente impressionante, com emissão e potência idênticas a de vocalistas internacionais do mais alto quilate. Com ele, ficou combinado cantar em "Serial Killer" e ""Berro". 
E por falar em voz portentosa, eis que sou informado que Xande Saraiva, vocalista e guitarrista do "Baranga", atuaria em "Arrepiado". Também dono de uma voz arrasa-quarteirão e muito bom guitarrista, ele haveria de cantar e tocar muito bem conosco. E da mesma banda, eis que Paulão Thomaz tocaria na bateria do Junior, a canção : "Festa do Rock", outro clássico do repertório do álbum branco de 1982. Paulão também tinha uma história bonita com a Patrulha do Espaço, por ter sido um fã assíduo dos shows da banda, desde o final dos anos setenta e amigo / colaborador, desde então.
E três feras do baixo estariam a dividir o palco conosco, a revezar-se comigo. Gabriel Costa é amigo fiel e signatário dos ideais aquarianos que professo, igualmente. Sua história com a Patrulha do Espaço remonta aos idos de 2001, quando a nossa nave azulada aterrissou em São Carlos, no interior de São Paulo e sua então ótima banda, o "Homem com Asas", abriu o nosso show e assim ocorreu por muitas vezes nos anos vindouros. Ricardo Schevano, outro membro do Baranga; irmão de Marcello Schevano e meu ex-aluno nos anos noventa, tocaria a faixa : "Quatro Cordas e um Vocal", uma canção mais moderna da Patrulha, composta pelo saudoso, Renê Seabra, em homenagem ao baixista original da nossa banda, o Cokinho e também à ex-vocalista do Made in Brazil, Débora, ambos falecidos quase na mesma época, ao final de 2008. E finalmente, Daniel Delello, o mais caçula dos convidados, baixista excelente e membro regular da banda nos últimos anos e formação.

Ensaio do dia 31 de outubro de 2018, registrado devidamente pelo selfie perpetrado por Marta Benévolo. No sentido relógio, Marta Benévolo; Gabriel Costa; Rodrigo Hid; Marcello Schevano; Luiz Domingues e Rolando Castello Junior. Estúdio Orra Meu, em São Paulo. Click (selfie); acervo e cortesia de Marta Benévolo

No primeiro ensaio, marcado para o dia 31 de outubro de 2018, passamos várias músicas com a formação final, que consistiu da formação Chronophágica completa, com o acréscimo de Marta Benévolo. Executamos com tranquilidade o repertório base e o amigo, Gabriel Costa, participou igualmente, quando ensaiou com a banda, a música : "Ovnis", do disco "Patrulha 4", lançado em 1984. No dia seguinte, 1º de novembro, eis que ensaiamos com Xando Zupo e Rogério Fernandes para prepararmos "Serial Killer", com o Marcello Schevano a pilotar guitarra, também. E com o Rodrigo a tocar o órgão Hammond, a formação chronophágica e Xando Zupo, reviveram, "Livre Como Você" e devo comentar que ficou um balanço e tanto ao animar-me em relação à sua gravação. E com o Kim Kehl, fizemos um "Mar Metálico" muito encorpado, pois Rodrigo Hid também tocou guitarra e o Marcello comandou o Hammond. Ficou muito parecida com o estilo de bandas Hard-Rock setentistas clássicas do melhor padrão britânico e também animou-me muito, nesse sentido. E finalmente na sexta-feira, dia 2 de novembro, Ricardo Schevano e Daniel Delello passaram as suas canções com a banda. E também, Xande Saraiva que cantou com emoção a música : "Arrepiado" e fez um solo com Slide Guitar, para arrepiar, de fato. Lastimavelmente, o meu amigo, Rubens Gióia, não compareceu ao ensaio. Um boato não confirmado deu ciência de que ele havia sofrido um pequeno acidente doméstico na sua residência, um ou dois dias anteriormente e com uma das mãos a sofrer um corte substancial, inviabilizara a sua participação no show. Mas não obtivemos tal confirmação, mesmo com o Junior a tentar o contato telefônico e mediante recados em redes sociais, via inbox. Paciência, a providência adotada foi cortar a canção, "Gata" e ali no improviso, cogitamos substituí-la por : "Homem Carbono" ou "Tudo Vai Mudar". Mas não passamos tais canções como seria prudente por precaução, pois o horário do ensaio esgotara-se e entre outros empecilhos, o Rodrigo Hid tinha uma apresentação sua, acústica, a ser realizada em uma casa noturna, e já encontrava-se atrasado para o seu compromisso. Portanto, só combinamos horário de chegada no Sesc Belenzinho e assim foi a véspera do último concerto de Rock da Patrulha do Espaço, em sua terra natal.

Em uma animada roda de conversa e ali havia tantos amigos presentes, alguém perguntou a esmo : -"e se amanhã alguém emocionar-se ao defrontar a realidade de que tratar-se-á da despedida da banda, de sua cidade natal" ?  Eu tomei a palavra e exortei todos a pensar com alegria para com esse espetáculo, ao ter em mente o fato da banda apresentar uma carreira longeva, com muitos frutos gerados e que serão eternos, no caso, os álbuns. De fato, não falei para coibir uma comoção que poderia desestabilizar a todos, mas porque realmente pensei nessa premissa sobre aquela circunstância
Time to say, goodbye...

Continua...

domingo, 16 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 99 - Por Luiz Domingues

O próximo compromisso da nossa banda seria a retomada da turnê, "Toca Raul", em conjunto com Edy Star e o percussionista, Michel Machado. Seria a terceira etapa e nesta altura, já estávamos habituados não somente com a parte musical, mas com as particularidades que marcaram tal turnê. Como por exemplo o fato de que o circuito das Casas de Cultura que visitamos e ainda visitaríamos, caracterizaram o nosso mergulho mais profundo pela periferia da cidade de São Paulo, em várias regiões. Já havíamos visitado os bairros do M'Boi Mirim (no extremo da zona sul) e Cidade Tiradentes (no extremo da zona leste) e houvera sido uma boa aventura deslocarmo-nos para tais quadrantes longínquos e a fazer uso de caminhos muito tortuosos. Agradecemos o fato de vivermos a realidade da Era digital e se não fossem os aplicativos dos Smatphones e o uso do Google Map como consulta obrigatória quando realizada no dia anterior para cada viagem dessas, realmente teria sido muito difícil chegar em tais logradouros. Esse foi o lado mais sombrio, eu diria. Mas o lado bom, compensara tudo e não falo apenas pelo prazer em realizar os shows, mas a constatação de que em tais Casas de Cultura, a amabilidade demonstrada pelas pessoas responsáveis pela sua administração e sobretudo pelo seu engajamento em causas culturais e sociais nobres, encantara-me. Observei tais características fortemente nas edições anteriores já citadas e agora, nessa terceira edição, não somente comprovei tal prerrogativa novamente, como fiquei ainda mais impressionado. Para início de conversa, a Casa de Cultura Itaquera, fica dentro de um Parque Público, denominado : Raul Seixas, no bairro José Bonifácio, na zona leste de São Paulo. Um verdadeiro oásis em meio a um enorme conjunto habitacional, a conter uma vegetação vasta, com brinquedos para a criançada, quadras esportivas e diversas atividades culturais oferecidas através de apresentações artísticas e cursos os mais variados etc e tal. Assim que cheguei, vi a presença de Carlinhos Machado que chegara antes de todos. Rapidamente ele auxiliou-me a estacionar dentro do Parque e enquanto esperávamos pelos demais, conversamos sobre a beleza do local e o quanto aquele equipamento seria vital para a população daquele bairro e arredores.
A banda a tocar no palco improvisado, no alpendre da casa de administração do parque. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Turnê Toca Raul. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas, bairro José Bonifácio. São Paulo / SP. 4 de novembro de 2018. Click : Lara Pap

Logo fui apresentado pelo Carlinhos à administradora, uma simpática senhora chamada, Aurora e ao caminhar um pouco por tal ambiente bucólico, vi que pequenas charretes coloridas, semelhantes aos famosos, "Tuc-Tuc" indianos, conduziam crianças com a presença de monitoras a segurar livros infantis em mãos, a narrar historinhas para os pequenos, enquanto passeavam. O palco onde atuaríamos, seria na verdade um alpendre de uma casa bem antiga, com característica de casa de fazenda e naquele instante, a atração anterior estava a apresentar-se. Tratou-se de um combo sambista a representar a velha guarda da Escola de Samba Camisa Verde e Branco, tradicional na cidade de São Paulo. Foram vários cantores, bem idosos, mas com uma vitalidade fora do comum, acompanhados de músicos / membros da escola em questão, a tocar instrumentos de percussão típicos, além de instrumentistas de cordas, também típicos do samba e um tecladista, que pareceu-me não usual ao combo, pois tocou a ler partitura o tempo todo e harmonizava de uma forma bem sofisticada, a denotar possuir formação erudita ou seja, encorpou bem o sambão dos veteranos e simpáticos cantores. Achei bem animada a apresentação e o público presente respondeu com entusiasmo com muita gente a dançar e cantar junto. Dentro da casa, a hospitalidade foi enorme, antes mesmo de perguntarem o meu nome, já estavam a trazer-me um café passado na hora, ou seja, essa turnê não estava a ser apenas marcada pelos caminhos tortuosos e longínquos, mas permeada pelo contato com pessoas simples, mas idealistas e muito amáveis.
Eis que os demais companheiros chegaram, e assim, paulatinamente eu e Carlinhos que já estávamos a par da questão do estacionamento e onde tocaríamos, ajudamos nessa orientação logística aos demais. 
A banda em ação, com Edy Star a cantar. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Turnê Toca Raul. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas, bairro José Bonifácio. São Paulo / SP. 4 de novembro de 2018. Click : Lara Pap

Então fomos avisados que o show da Escola de Samba estava para acabar e que teríamos cerca de meia hora para arrumar o nosso palco.Tudo muito simples, não haveria como consumir mais tempo do que o programado. Nesse ínterim, pude verificar a existência de inúmeras ilustrações emolduras pelas paredes, a enfocar a figura de Raul Seixas. De certo, de todos os shows dessa turnê, este haveria de ser o mais coadunado pela ambientação, com a proposta do espetáculo e certamente com a figura do Edy e tudo o que ele representa nesse universo formado pelos apreciadores da obra do Raul Seixas. Com o apoio do simpático técnico de som da Casa de Cultura, eis que aprontamos tudo e verificamos haver na plateia que ali aguardava-nos, a presença de fãs de Raul Seixas, pelas suas vestimentas e adereços a denotar tal apreço pessoal pelo Raulzito. 
Mais flagrantes da banda em ação. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Turnê Toca Raul. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas, bairro José Bonifácio. São Paulo / SP. 4 de novembro de 2018. Click : Lara Pap

Então, eis que iniciamos a apresentação e foi agradabilíssimo tocar com uma resposta tão boa do público. E por sentir tal sinergia positiva, o Edy, que é um artista muito experiente, soltou-se inteiramente e aquele seu lado ator / entertainer de cabaré europeu, fez com que improvisasse diversas brincadeiras com o público, que reagiu bem às piadas e interagiu fartamente com ele. Inclusive, em "Maluco Beleza", três rapazes cantaram, ao convite do Edy, mas no terceiro, que saiu muito do padrão da afinação, o Edy deu um basta sutil na brincadeira e retomou, ainda bem.
Uma panorâmica da banda no palco, com a perspectiva do público. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Turnê Toca Raul. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas, bairro José Bonifácio. São Paulo / SP. 4 de novembro de 2018. Click : Lara Pap

Enfim, encerramos a apresentação e o clima estabelecido fora tão bom que poderíamos ter até estendido um pouco mais, mas sem iluminação e com a tarde a cair rapidamente, não teve outro jeito. Foi certamente o melhor show da turnê, até então, e ficamos contentes com tudo o que vivenciamos ali naquela tarde de 4 de novembro de 2018, no Parque Raul Seixas, no bairro José Bonifácio, zona leste de São Paulo. Em meio a tantas coisas prazerosas que ali observamos, houve espaço para uma ocorrência engraçada, também. Eis que em determinada música que tocávamos, o percussionista, Michel Machado observou-me que havia uma figura exótica a assistir-nos. Eis que um homem a trajar um roupão de banho, estava ali a assistir-nos. Ora, será que havia alguma piscina disponível no Parque ? Ou talvez o rapaz morasse em algum apartamento no entorno, oriundo daquele imenso conjunto habitacional, e ao ouvir o som, saiu do banho em sua residência e foi conferir imediatamente o show ? Ou mesmo, para fazer jus ao Raul Seixas, o patrono do Parque e o homenageado em nossa turnê, tal espectador fantasiara-se como um genuíno : "Maluco Beleza" ? Bem, ficamos sem saber, mas que foi exótico, isso foi. 

Na desmontagem do equipamento, o simpático técnico de som contou-me sobre a atuação como militante da organização da Casa de Cultura e o quanto estava magoado por ter ouvido de uma certa senhora (que representava o poder na Secretaria de Cultura Municipal), em recente vistoria, que esta ordenara a completa remoção dos grafites que ornavam a casa, em si. Ao indagar o por quê dessa ordem, a tal senhora limitou-se a dizer-lhe que aquilo tratava-se de uma aberração e que arte era feita apenas por Monet; Rembrandt; Rafael etc. Chateado, dizia-me que não sabia o que dizer aos artistas que haviam feito as ilustrações, todos jovens egressos daquele bairro simples da periferia e que obviamente sentiram-se honrados em prestar tal melhoramento ao Parque que serve-lhes, tão bem. Bem, a discussão sobre o que é arte ou deixa de ser, vai longe e não cabe aqui, abrir tal reflexão que é bem complexa, No entanto, é bom frisar o que eu vi ali, ou seja, um conjunto de ilustrações criativas e que coloriam o espaço de uma maneira bem salutar, portanto, no mínimo, faltou sensibilidade para essa senhora altiva, que na qualidade de uma gestora de políticas culturais, principalmente no tocante ao lidar-se com populações carentes de bairros periféricos, decididamente não entende nada e deveria ater-se às suas visitas às galeria de arte sofisticadas dos bairros nobres da cidade ou mudar-se para Paris, como desejasse mas jamais ter um cargo com poder decisório dessa monta para desrespeitar os munícipes, mediante as suas convicções pedantes. E sobre as ilustrações, eu observei inclusive a existência de imagens do Raul Seixas, o patrono do Parque. O próximo show dessa turnê, seria apenas em 1° de dezembro de 2018, todavia, um show regular dos Kurandeiros aconteceria antes e a ser realizado em uma casa que não visitávamos desde 2017.
Edy Star, rodeado pelas pessoas amáveis e muito prestativas que compõe a direção da Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas. O rapaz com chapéu e a mocinha bonita, auxiliaram bastante na logística. A moça com cabelos curtos e vestimenta ao estilo indiano, é a administradora, chamada : Aurora e o rapaz com camiseta azul, ao lado Edy, o técnico de som. Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas. Bairro José Bonifácio em São Paulo. Dia 4 de novembro de 2018. Filmagem : Lara Pap

Eis acima, um compacto do show : "Toca Raul" com Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star e Michel Machado. Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas. Bairro José Bonifácio em São Paulo. Dia 4 de novembro de 2018. Filmagem : Lara Pap

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=G3o-f0IqyCg

Continua...

sábado, 15 de dezembro de 2018

Uncle & Friends - 16/12/2018 - Domingo / 16 Hs. - Festival Mulherada Criativa - Vila Pompeia - São Paulo / SP


Uncle & Friends

16 de dezembro de 2018  -  Domingo  -  16 Horas

Festival Mulherada Criativa

Rua Padre Chico x Rua Xerentes
Vila Pompeia
Estação Barra Funda / Palmeiras do Metrô
São Paulo  -  SP

Entrada Gratuita

Lincoln "The Uncle" Baraccat : Guitarra e Voz
Roy Carlini : Guitarra e Voz
Caio Durazzo : Guitarra e Voz
Franklin Paolillo : Bateria
Amanda Semerjion : Voz
Luiz Domingues : Baixo

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Os Kurandeiros + Edy Star - 15/12/2018 - Sábado / 16 Horas - Turnê Toca Raul - Casa de Cultura Ipiranga - São Paulo / SP

Os Kurandeiros + Edy Star

15 de dezembro de 2018  -  Sábado  -  16 Horas

Turnê Toca Raul

Casa de Cultura Ipiranga / Chico Science
Avenida Tancredo Neves, 1265
Vila Nancy
Estação Sacomã do Metrô
São Paulo  -  SP

Entrada Gratuita

Edy Star : Voz

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

domingo, 9 de dezembro de 2018

Advento - Por Telma Jábali Barretto


Advento... Que espécie de advento esperamos ? Vivemos num adaeternum, expectativa de um grande acontecimento, chegada ou fato que nos eleve a algum suposto paraíso...Um grande ser (físico ou espiritual...?!...), um portal, uma iniciação ou qualquer situação mágica que lá, naquele idealizado lá, nos coloque, instantaneamente... do minuto antes para o seguinte, num piscar de olhos... Próximo há 2000 anos atrás assim aconteceu...e, mesmo lá, naquele tempo, muitos não comemoraram como se, também assim, tivesse sido?!... Ainda há quem afirme, hoje, questione mesmo aquela vinda e o que tenha provocado... Igual há cem anos e o mesmo na virada do milênio... E, sim! muito viemos conquistando! Como não perceber e constatar ?!... Ainda que estejamos bem aquém das lições já ouvidas e não, totalmente, assimiladas, seguimos avançando ! 

Nossa humilde teoria (e teorizar costuma ser bem fácil, verbalizar mais... momento atual que, para tudo, temos voz !) passa pelo óbvio: os aparecimentos reveladores abundam ao longo de nossa vidinha, mas, dar sentido a eles, na prática, no pleno exercício rotineiro, exige o que mais tememos: mudança! Primeiro na própria atenção com que olhamos para os fatos, pessoas e nós mesmos... E não que não queiramos, necessário se faz, também, vencer a incrível inércia, piloto automático e zona de conforto para, enxergando, detectando, o campo minado que pisamos, não consintamos numa permanência lerda, pouco decidida, preguiçosa... aí então, só vencido esse primeiro sentimento conhecido (e quanto...) começaremos os diferentes passos. Cuidadosos, receosos e, via de regra, mesmo percebendo aos poucos, oscilaremos entre vícios que nos absorvem, dragam no automático e anseios libertadores a insurgir, despertar, estimular a que vençamos a normose, mesmice... provável, começando a trazer descontentamento. 
A cada dia uma assombração / fantasia a nos alcançar, reconvidando em nova aparição que continuemos investindo naquilo que o advento propiciou de vislumbre...ou, ainda, mostrando outros e diferentes... E, aí está o contínuo e encantador jogo da vida: se, perseverantemente, nos mantivermos, se bem nos conhecermos, onde deliberamos chegar, aprimoraremos a experiência, fazendo valer o insight, iniciação... aprofundaremos e daí mesmo tiraremos a essência, assinando e comprometendo-nos mais... Caso sigamos cada novidade, nunca chegaremos a saborear cada fruto, reconhecendo cada perfume sem nunca tê-los absorvido, assimilado... numa contínua insatisfação, à espera de outro e novo milagre... Re inventar em meio ao conhecido, cobra de nós mais primor, atenção... 
Cansamos facilmente das diferentes teorias porque enquanto não as experimentamos, não as respeitamos... não as retivemos na alma... e, com tal, continuarão sendo bonitas teorias, arquivadas numa memória pouco produtiva, não enriquecida pela magia da vivência. E, em nossa manutenção da segurança, enchendo o peito de confiança, afirmaremos que continuamos na busca... que não desistimos do intento, num passar superficial por inúmeras condições, circunstâncias sem delas beber da fonte... Sem nunca chegar ao âmago ! Desistimos das aparições, encantamentos que outrora nos encantaram ?!...Não !!! Motivaram, mas morrem na praia por falta de retroalimentação, que essa deve acontecer de dentro para fora, inverso do advento propiciador do starter, e, esse, SIM ! já cumpriu sua função: despertar ! Sair, então, do espectador e bem usar o efeito revelador, exige de nós o tal empenho coerente, sem trairmos a aparição, numa denodada conquista de nós, dando espaço para o desabrochar em que o abrir das pétalas de nosso lótus sejam ações conscientes, saindo do processo, puramente ,passivo e buscando encontrar o compasso da dança entre o agir e o fluir, atentar e aquietar... Quanta inovação será necessária a cada etapa, a cada terreno desconhecido desbravado, mergulhando ... com diversas respirações e pulsares, até aqui, estranhos, assenhorando-nos de outros terrenos internos. Aí começamos a desvendar os surgimentos interiores e os chamativos externos que, antes, nos mantinham à expectativa dos acontecimentos fora de nós, parecem bem menos convidativos... Aí e sim!!! a aparição, iniciação, terá, finalmente, cumprido sua função! Que o ano novo venha muito além dos fogos do 31... trazendo, principalmente, beleza e colorido de quem se move numa esperança consolidada nas pequenas conquistas da trajetória, sabendo honrar os próprios propósitos num significativo e continuado alvorecer! Que assim seja... na mas tê!

Telma Jábali Barretto é engenheira civil e também uma experiente astróloga; consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Neste artigo, fala-nos sobre o "advento", sob luzes nunca antes vistas.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Os Kurandeiros + Edy Star - 9/12/2018 - Domingo / 18 Horas - Turnê Toca Raul - Sala Olido - Centro - São Paulo / SP

Os Kurandeiros + Edy Star

9 de dezembro de 2018  -  Domingo  -  18 Horas

Turnê Toca Raul

Sala Olido
Avenida São João, 473
Centro
Estação República do Metrô
São Paulo  -  SP

Entrada Gratuita

Edy Star : Voz

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

Participações Especiais :
Michel Machado : Percussão
Renata "Tata" Martinelli