segunda-feira, 22 de julho de 2019

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 185 - Por Luiz Domingues

Desde que eu e Rodrigo Hid anunciamos a nossa saída oficial do Pedra, em uma reunião marcada no antigo QG da banda, no estúdio Overdrive, tendo isso ocorrido por volta de maio de 2015, a intenção inicial do Xando Zupo e de Ivan Scartezini, foi no sentido em prosseguir com a banda, quando recrutariam novos componentes. Dessa forma, um comunicado feito pelo Xando, veio a público para falar sobre a reformulação da banda e a anunciar o simultâneo lançamento do álbum, "Fuzuê", apenas em plataforma virtual. No entanto, ao ponderar mais detidamente sobre tal decisão, Zupo & Scartezini anunciaram poucos meses depois, a dissolução completa da banda e ao mesmo tempo, Zupo anunciou lançamentos em carreira solo e a conter Scartezini e outros bons músicos no projeto dessas gravações e logo a seguir com algumas ações midiáticas e um show.

De minha parte, bem nessa época em que comuniquei a minha saída em 2015, eu atravessava uma fase muito difícil no âmbito pessoal, após quase ter perdido a vida, literalmente, mediante uma grave enfermidade que enfrentei, a motivar uma longa internação hospitalar; duas cirurgias delicadas e emergenciais e uma recuperação posterior lenta e bastante incômoda. Enfim, não foi nada fácil.

Um show de despedida fora ventilado e havia uma data acertada para agosto de 2015, mas o Rodrigo Hid também enfrentou um problema de saúde com um ente querido seu e simplesmente não pode assegurar presença em eventuais ensaios e assim, tal show final foi cancelado e naturalmente deixou um sabor amargo para todos, pois simplesmente o terceiro álbum, que fora gravado com tantos percalços, mostrou-se melancólico em não ter sido lançado em plataforma tradicional e também por não ter tido nem um show de lançamento, sequer.

Dessa forma, mesmo com todos envolvidos em outros projetos, incluso o próprio Xando Zupo, empenhado em deslanchar a sua carreira solo, houve a cogitação da parte dele, Xando, reunir a banda para um show sazonal que fosse, ao menos, e essa conversa de bastidores ganhou uma certa força entre 2017 e 2018. Em dezembro de 2018, eu tive a oportunidade em tocar com o Hid Trio, um combo informal para tocar pela noite paulistana e comandado por Rodrigo Hid e sempre a revezar outros músicos convidados. E nessa ocasião, ele havia convidado também o Ivan Scartezini. Em conversa que tivemos nessa ocasião, o Rodrigo avisara-nos que o Xando estava quase a confirmar uma data no Sesc Belenzinho e que gostaria de contar conosco para uma reunião do Pedra. Ora, um show após tantos anos, por quê não ? Não seria uma "volta" da banda, nada disso, mas uma oportunidade sazonal para matarmos a saudade do trabalho; de nossa própria convivência e sobretudo a atender os admiradores do trabalho e em nada atrapalharia a agenda de nossos respectivos outros trabalhos. No meu caso e de Hid, estávamos também a fazer uma série de shows nostálgicos com a Patrulha do Espaço, nos mesmos moldes, desde 2018. Além do mais, seria a tal oportunidade (e antes tarde do que nunca), para concretizarmos enfim um bom show que deveria ter sido cumprido em 2015, mas que por forças das circunstâncias, não foi possível realizar-se, naquela ocasião. Assim, um repertório base foi estabelecido e quatro ensaios marcados, entre março e abril de 2019.

E logo a seguir, antes mesmo de começarmos a ensaiar, em 3 de fevereiro de 2019, o Xando preparou um vídeo promo com uma coletânea em ritmo de pout-pourri com diversas canções do Pedra e postou com uma enigmática legenda : "5 de abril" e nada mais. Certamente que foi imediata a repercussão e a especulação sobre alguma movimentação nas redes sociais a respeito do Pedra, gerou muitos comentários da parte de admiradores do trabalho. Falou-se em show, é claro, mas muitas pessoas cogitaram algum lançamento de material inédito ou ao vivo, talvez um álbum póstumo como coletânea ou até ao vivo, quem sabe ? E alguns mais entusiasmados, falaram em "volta" das atividades, uma hipótese que não cogitamos internamente, mas claro que estimulou tal especulação da parte de alguns entusiastas do trabalho.

Eis abaixo, o clip / promo feito para suscitar a especulação livre, como peça publicitária prévia :
E o link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=F-WaWFwcLKA

Alguns dias antes da realização do primeiro ensaio, um comunicado oficial em nome da banda, redigido e postado por Xando Zupo, anunciou o propósito da reunião para um show.

Flagrantes do 1º ensaio do Pedra a visar o show especial de 2019. Foto 1 : Rodrigo Hid, agachado, na frente, com Ivan Scartezini; Luiz Domingues e Xando Zupo ao fundo. Foto 2, todos perfilados atrás da bateria : Scartezini; Domingues; Hid e Zupo. Estúdio Orra Meu de São Paulo, em 12 de março de 2019; Acervo e cortesia : Xando Zupo; Clicks : Diogo Barreto 

Assim que realizamos o primeiro ensaio, em 12 de março de 2019, no dia 15, posterior, o radialista, Osmar Santos "Osmi" Junior, manifestou-se através de seu site, chamado : "Um Pouco Mais de Rock", através de um bonito texto em apoio.  

Eis o Link para acessar a matéria :

http://umpoucomaisderock.com/index.php/2019/03/15/10-anos-do-album-pedra-ii/

Continua...

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 331 - Por Luiz Domingues

Show iniciado com muita energia, eu vi um ótimo público e de uma maneira geral, bastante interativo, ainda que alguns grupos dispersos existiam aos flancos e ao fundo, em pequeno número, ainda bem e a caracterizar algo natural, na medida em que nem dinossauros com status de Mega Stars em âmbito mundial, conseguem monopolizar toda a atenção em shows realizados em arenas e / ou estádios de futebol, visto que, sinal dos tempos, nem mesmo os que consideram-se "Rockers" na atualidade, são 100 % focados no espírito de um show de Rock, propriamente dito. Contudo, não posso reclamar, tal parcela dispersa e mais interessada em andar e procurar por bebidas pelos quiosques, foi mínima. Logo no início, ainda a tocarmos a primeira música do show, "Meus 26 Anos", vi uma bandeira a ser agitada no meio da multidão, com a estampa do símbolo Hippie e eis que vislumbrei enfim alguma conexão com uma tradição Rocker anacrônica, mas, uma pena, fora uma manifestação isolada e não a simbolizar uma comunhão de ideais, como teria sido normal em qualquer festival realizado entre 1967 e 1972, pelo menos. Entretanto, tudo bem, a resignação por estarmos em outro tempo, na verdade já estava assimilada há muito tempo, portanto, não frustrei-me de forma alguma e o meu ânimo prosseguiu, sem dúvida. 

Alguns momentos do show. Patrulha do Espaço no Festival Psicodália, em Rio Negrinho / SC, no dia 1º de março de 2019. Clicks; acervo e cortesia : Cristiano Rocha Affonso da Costa

O som estava agradável no monitor e no "side fill", com a banda a apresentar energia e estávamos respaldados por um público que respondia bem, ou seja, dessa forma o show foi bom. Talvez pudesse ter sido melhor se o repertório fosse um pouco mais ameno e não tanto calcado em trabalhos mais pesados da banda em anos não chronophágicos, digamos assim, porém, respeitamos a escolha do membro fundador e decano, em torno dessa opção e assim procedeu-se.

Mais flagrantes do show. Patrulha do Espaço no Festival psicodália, em Rio Negrinho / SC, no dia 1º de março de 2019. Clicks; acervo e cortesia : Herman Silvani

Um tema do dito álbum preto, de 1980, "Simples Toque", deu margem a uma boa jam em torno do Blues-Rock clássico e creio que fomos felizes no improviso, visto que arrancamos gritos da plateia, em sinal de regozijo e foi o elemento Rocker para coroar uma noitada muito boa. Mais uma vez, temas clássicos do repertório e centrados no campo das baladas, brilharam. "Berro" e "Arrepiado", gerou comoção. E no caso de "Berro", houve uma fala muito bonita da parte do Rolando Castello Junior a evocar a memória do grande, Ivo Rodrigues, o seu compositor, e como é bem sabido, a fama de Ivo nos estados do sul do Brasil é enorme, dada a sua carreira construída em duas bandas seminais do Paraná : "A Chave" e "Blindagem". De fato, muitos aplausos e assovios foram ouvidos, assim que Rolando exaltou a memória do saudoso, Ivo e isso certamente contribuiu para gerar uma comoção a culminar em uma ovação, assim que executamos a canção, "Berro".

Mais algumas fotos para elucidar esta narrativa. Patrulha do Espaço no Festival Psicodália em Rio Negrinho / SC, no dia 1º de março de 2019. Clicks; acervo e cortesia : Liza Bueno 

Outros temas clássicos do repertório da banda, soaram muito bem. Lembro-me que uma canção densa como "Cão Vadio", por exemplo, soou coesa, como se estivéssemos ultra ensaiados e não fora o caso, pois fizéramos um único ensaio apronto e sem muito requinte, no dia anterior. Creio que prevaleceu o entrosamento adquirido na estrada, apesar de ter havido poucos shows nessa turnê, ou seja, creio que a experiência individual de cada componente, tratou por fornecer uma amálgama extra para que a banda soasse bem, mesmo com pouca continuidade ao vivo e tampouco, ensaios.

Mais momentos da banda em seu último Concerto de Rock. Patrulha do Espaço no Festival Psicodália em Rio Negrinho / SC, no dia 1º de março de 2019. Clicks; acervo e cortesia : Lorena Costa 

"Columbia" fechou o espetáculo e deu para notar o coro da plateia a cantar junto, o que foi bonito, certamente. Saímos do palco sob uma reação muito efusiva da plateia e houve um pedido veemente para a realização de um "bis". Voltamos para executarmos a música : "Deus Devorador" e novamente recebemos o carinho do público em termos de agradecimento enfático. Ótimo, missão cumprida no Festival e para a carreira da banda, chegara o momento para recolher-se ao hangar, desta feita, definitivamente. E sobre tal epílogo, não houve o menor esboço de comoção entre nós, componentes da última jornada, pois mesmo sem conversarmos abertamente sobre tal fato, creio que o sentimento implícito falou por si só, ou seja, houve um sentimento generalizado em valorizar-se a sensação do dever cumprido, ao não permitir nenhuma margem para algum tipo de tristeza.

Na primeira foto, durante o soundcheck, o bom amigo, Cristiano Rocha Affonso da Costa e eu, Luiz Domingues. Foto 2 : a banda reunida no camarim, momentos antes do espetáculo. Foto 3 : no pós show, da esquerda para a direita : Luiz Domingues; o amigo Herman Silvani (Epopeia); Rolando Castello Junior; a amiga, Liza Bueno (Epopeia); Marta Benévolo e Rodrigo Hid. Patrulha do Espaço no Festival Psicodália em Rio Negrinho / SC, no dia 1º de março de 2019. Clicks (1 {Selfie} e 2; acervo e cortesia : Cristiano Rocha Affonso da Costa. Foto 3 : Acervo e cortesia : Liza Bueno. Click : desconhecido 

No camarim, nos momentos antes e pós show, o ambiente foi agradabilíssimo. Além de várias pessoas ligadas à produção, que vieram saudar-nos com reverência, recebemos ao final, o casal amigo, formado por Herman Silvani e Liza Bueno, ambos componentes da boa banda de Chapecó / SC, "Epopeia". Não os via desde 2004, quando da passagem da Patrulha do Espaço pela cidade deles e nos últimos estertores da nossa formação chronophágica e por isso, foi um grande prazer contar com a simpatia e apoio de ambos, além da boa conversa, naturalmente. Já passava das cinco da manhã quando evadimo-nos do ambiente rural do festival e alcançamos a estrada que encaminhou-nos para a cidade vizinha, de São Bento do Sul / SC. Pelo avançado da hora, cogitei seriamente a hipótese de aguardar alguns minutos e descer ao saguão do hotel para tomar o café da manhã. Em outra época, tal prática de minha parte, exercida continuamente durante as turnês da Patrulha do Espaço, em que participei, era corriqueira, porém neste momento de 2019, à beira da vida sexagenária, percebi que o cansaço não permitiria tal arroubo de minha parte e assim, sucumbi ao sono, sem lamentos e pelo contrário, a obter alívio.
No dia seguinte ao show, 2 de março de 2019, na porta do hotel em São Bento do Sul / SC. Foto 1 : Rodrigo Hid e o grande Tom Zé, no corredor do hotel. Foto 2 : Luiz Domingues a bordo de um espetacular : Opala, modelo SS, ano 1973 ! Foto 3 : Luiz Domingues e Cristiano Rocha Affonso da Costa, com o opulento Opala como cenário. Foto 4 : Cristiano Rocha Affonso da Costa e Luiz Domingues. Patrulha do Espaço no Festival Psicodália em Rio Negrinho / SC, no dia 1º de março de 2019. Foto 1 / Acervo e cortesia : Rodrigo Hid. Click : desconhecido. Fotos 2; 3 & 4 / Acervo e cortesia : Cristiano Rocha Affonso da Costa. Clicks : Lorena Bindo da Costa 

O nosso amigo, Cristiano Rocha Affonso da Costa, é um sujeito multifacetado em termos culturais. Já sabíamos disso, há tempos, mas eis que ele revelou-nos mais uma faceta sua, ao contar-nos que era também um colecionador de carros antigos, Mostrou-nos fotos de seus bólidos, sensacionais e contou-nos sobre ter participado de vários encontros promovidos por colecionadores. Imediatamente a conversa evoluiu, quando ele lembrou-se, ainda no sábado, dia 1º, que um amigo seu, frequentador de tais encontros, era morador de São Bento do Sul / SC, e assim, ele imediatamente mandou uma mensagem ao seu amigo, para que ele fosse ao hotel onde estávamos hospedados, e mostrasse-nos o seu carro vintage. Esse senhor, chamado, Rubens Koffke, não pode ir imediatamente, mas assim que acordamos no dia posterior, eis que ele veio ao nosso encontro para mostrar-nos o seu impecável, Opala (modelo SS, ano 1973). Acompanhado de sua esposa, igualmente muito simpática, o senhor Rubens, deu-nos uma aula sobre a restauração do seu carro, ao explicar com detalhes sobre muitas peças & acessórios e claro, foi generoso ao permitir que fotografássemos o seu tesouro, amplamente. Antes desse encontro agradável ocorrer na entrada do hotel, outro momento prazeroso ocorrera em seus corredores. Eu passava pelo corredor no andar onde estava hospedado, quando subitamente um hóspede abriu a porta de seu quarto e encarou-me. Ainda a usar pijamas e com aquele semblante típico de quem acabou de levantar-se da cama, eis que encontro a figura de Tom Zé, um artista histórico e seminal da história da MPB. A minha reação foi espontânea em cumprimentá-lo com muita deferência e a sua resposta foi nobre em fazer questão de não apenas responder verbalmente com gentileza, quanto sair ao corredor e abraçar-me como a um amigo. Pois é, em um meio onde a soberba grassa, os realmente grandes são humildes por natureza. Cumprimentei alguns membros da sua banda que circulavam pelos corredores, igualmente, todos muito simpáticos. Rodrigo teve a ideia que eu não tive naquele instante, pois minutos depois, também encontrou-se com o grande, Tom Zé e tratou por registrar o encontro com uma foto.

Bem saímos de São Bento do Sul / SC e por ser uma viagem curta, por volta de quatorze horas, já estávamos em Curitiba / PR.  Despedimo-nos do casal simpatia, Cristiano e Lorena da Costa e tivemos que aguardar um bom tempo para deslocarmo-nos ao aeroporto Afonso Pena e uma vez ali, mais tempo ainda para embarcarmos para São Paulo. A comitiva de Pepeu Gomes passou por nós. O monstruoso baixista, Didi Gomes, cumprimentou-me, e duvido que ele saiba quem eu sou, mas gostei de sua atitude simpática em tom de coleguismo, muito provavelmente apenas por deduzir que éramos companheiros de profissão, ao ver-me a carregar um "bag" com um baixo nas costas e obviamente  pela minha aparência "Freak", a moda antiga. Mais alguns minutos, e o guitarrista superb, Pepeu Gomes, passou acompanhado de uma moça, que deduzi que fosse a sua namorada na ocasião, mas ele não fitou-me, pois eu já estava sentado, a aguardar a chamada para o embarque na aeronave e o Rodrigo  Hid estava longe, pois fora comer alguma coisa em uma lanchonete do saguão onde estávamos. Viagem um tanto quanto temerosa, pois assim que o voo começou, percebemos que estávamos sob a ação da chuva e houve alguns minutos sob turbulência, deveras incisiva  por sinal e assim que a cidade de São Paulo tornou-se visível pelas janelas da aeronave, os raios & trovões mostraram-se assustadores, mas aterrissamos em segurança, ainda bem. No avião, muitas pessoas viajaram semi fantasiadas a denotar que estavam prontas para ingressar nos blocos paulistanos e assim que entramos no carro da Uber, o motorista contou-nos várias histórias tristes que presenciara por conta dos tais blocos e então, lembramo-nos que estávamos em pleno carnaval, pois nem pensáramos nisso até então. 

A banda despede-se do público e da sua carreira. Da esquerda para a direita : Rodrigo Hid; Rolando Castello Junior; Marta Benévoloe Luiz Domingues. Patrulha do Espaço no Festival Psicodália em Rio Negrinho / SC, no dia 1º de março de 2019. Clicks; acervo e cortesia : Cristiano Rocha Affonso da Costa 

Bem, missão cumprida, último show da Patrulha do Espaço, marcado pelo êxito e a conter uma certeza, essa minha história com a banda teria prolongamento, visto que eu já sabia, através dos irmãos Schevano e do próprio, Rolando Castello Junior, que muito material já havia sido decupado, fruto das tantas gravações decorrentes dessa série de shows que fizéramos desde 2018, e assim, no mínimo um (mas muito provavelmente mais que isso), álbum ao vivo, seria lançado em um futuro próximo, talvez em 2019, ainda. Isso sem contar com a possibilidade de futuras coletâneas e / ou antologias. Portanto, mais capítulos serão escritos, certamente, para repercutir um momento póstumo, que promete boas novidades.

Portanto, possivelmente continua...

terça-feira, 16 de julho de 2019

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 330 - Por Luiz Domingues

Conforme o combinado previamente, reagrupamo-nos para realizarmos enfim o último show da Patrulha do Espaço, em 2019. Mantivemos apenas contato protocolar ao final de fevereiro de 2019, para combinar a logística que adotaríamos para esse esforço final e dessa maneira, ficou acertado que encontrar-nos-íamos na cidade de Curitiba / PR, no dia 28 de fevereiro de 2019. Rolando Castello Junior e Marta Benévolo já estavam hospedados na capital paranaense, há alguns dias. Eu, Luiz Domingues e Rodrigo Hid voamos para Curitiba, na manhã desse dia citado, uma quinta-feira e chegamos com tranquilidade ao hotel em que hospedar-nos-íamos, no bairro do Batel, por volta de onze horas da manhã. Estava marcado um ensaio para nós, no estúdio Old Black, localizado no mesmo bairro, e como nos meses de dezembro e janeiro, e ao longo de fevereiro inteiro, nenhuma sugestão de música diferente fora feita para prepararmos, fomos ao ensaio com a certeza de que o repertório base desse show, constituir-se-ia do básico que tínhamos feito nos show anteriores dessa turnê final.
Eu, Luiz Domingues, em meio ao ensaio da Patrulha do Espaço no estúdio Old Black de Curitiba / PR, em 28 de fevereiro de 2019. Click; acervo e cortesia de Marta Benévolo

Chegamos tranquilamente ao estúdio Old Black, e fomos bem recepcionados pelo seu gestor, o simpático músico, Renato Ximú. Ensaiamos o repertório base, deixamos algum material disponível para um possível pedido de "bis" para a plateia e recebemos a visita de amigos. O proprietário do estúdio, que também é curador de grandes espaços para shows na cidade; alguns músicos e entre eles, o jovem, Beppe Fumagalli que de uma forma entusiasmada falou-nos sobre a sua banda, chamada, "Newholly", influenciada pelo Rock Bubblegum sessentista em 100%, segundo ele. Trocamos contato e ele prontificou-se a enviar-me o seu material para que eu ouvisse com calma em São Paulo, assim que voltasse.
Mais flagrantes da Patrulha do Espaço a ensaiar no estúdio Old Black, de Curitiba / PR, em 28 de fevereiro de 2019. Clicks (1 e 2); acervo e cortesia : Marta Benévolo. Click 3 : Renato Ximú

Já anoitecia, quando o ensaio encerrara-se e apesar da conversa agradável ali estabelecida, com pessoas importantes da cena paranaense, estávamos cansados, portanto, voltar para o hotel tornou-se uma necessidade premente. E assim o fizemos, quando pudemos então recuperar as forças e estarmos prontos para uma pequena viagem, mediante percurso rodoviário, para a cidade de São Bento do Sul, em Santa Catarina, onde ficaríamos hospedados, a visar o show no Festival Psicodália, a realizar-se na cidade vizinha de Rio Negrinho / SC.

Dessa forma, na manhã do dia 1º de março de 2019, a van contratada para levar-nos, estacionou na porta do nosso hotel em Curitiba. Alguns minutos depois, eis que o casal amigo, ultra solícito e simpático, formado por Cristiano e Lorena Costa, chegou. Eles viajariam conosco e certamente que Cristiano seria um misto de roadie e road manager nessa empreitada. Além do mais, haveria por suprir a banda com farto material fotográfico e com imagens, o que seria muito enriquecedor para nós, sem contar com a simpatia do casal, sempre encantadora.
Flagrante da banda a viajar de Curitiba / PR, para São Bento do Sul e Rio Negrinho / SC. 1º de março de 2019. Primeiro banco : Cristiano e Lorena Costa; segundo banco : Rolando Castello Junior e Marta Benévolo e no terceiro banco : Luiz Domingues e Rodrigo Hid. Click (selfie); acervo e cortesia de Cristiano Rocha Affonso Costa 

Viagem muito tranquila, chegamos bem em São Bento do Sul / SC e assim que fizemos o check-in no hotel, tivemos tempo de sobra para explorarmos o entorno, com direito a uma visita feita em uma padaria próxima e compras em um supermercado. A nossa partida para o local do show, distante cerca de quinze Km dali, estava marcada para às 23 horas. O nosso soundcheck estava marcado para a meia noite e o show, para duas e meia da manhã, logo após o término do show da Elza Soares, que realizar-se-ia em outro palco. Enfim, foi o tempo suficiente para descansar, arrumar-se e ainda esperar por um bom tempo para partir, enfim.
Assim, saímos na hora combinada e mediante uma viagem rápida, chegamos ao local do festival, uma imensa área semi rural, quando impressionei-me pelo seu tamanho e boa organização, aparentemente. Salvo um pequeno vacilo da produtora encarregada em cuidar de nossa comitiva, que deveria ter embarcado conosco em nossa Van, assim que chegamos à portaria e conduzido-nos com maior segurança ao bastidor do nosso palco, mas que por não fazê-lo, deixou-nos momentaneamente à deriva, no entanto, mediante o apoio de outros funcionários do festival, chegamos com relativa rapidez. Instalados no camarim, fomos muito bem recebidos pelos produtores designados para atender-nos e logo, o acesso ao palco foi liberado para fazermos a preparação e um soundcheck muito tranquilo, com cortina fechada e com todas a atenção do grande público voltada para o palco adicional, onde o show da veterana estrela da MPB, Elza Soares, já estava para iniciar-se. Assim que Elza começou o seu show, fomos autorizados a iniciar a nossa preparação. Bem assistidos pelos técnicos do PA / monitor / luz, ali disponíveis para atender-nos, foi tudo a contento.

O amigo, Jardel, que fora roadie em nosso show na cidade de Ponta Grossa / PR, cerca de um ano antes, estava presente e junto a Cristiano, auxiliou-nos na montagem. Uma fato desagradável ocorreu, mas não fora culpa deles, técnicos, exatamente. Ocorreu que havia um único praticável disponível para usarmos na bateria e como o Rolando usa costumeiramente, dois bumbos, seria preciso dois, para o seu Kit ficar instalado. O motivo de haver só um praticável para nós usarmos, foi bizarro. O que aconteceu, foi que a produção da Elza Soares havia solicitado uma enorme quantidade de praticáveis e assim, estavam a usar no outro palco, uma quantidade absurda, em torno de vinte e sete praticáveis e por isso, havia-se reservado apenas um para o nosso show, o que descumpriu o nosso rider técnico enviado previamente, pois é lógico que estavam avisados sobre o kit de bateria ser grande. Enfim, a produção da Elza Soares deve ter pressionado e assim, não tivemos outra solução a não ser montar a bateria no nível do piso. De certa forma, também seria charmoso, pois atuaríamos como bandas de Rock sessentistas que não costumavam suspender a bateria no palco, então, tudo bem.
Flagrantes da apresentação do show, que ficou dividida entre o personagem, Cris Rock, que fora o nosso convidado, e uma Drag Queen, hostess do festival. Patrulha do Espaço no Festival psicodália, em Rio Negrinho / SC, no dia 1º de março de 2019. Click; acervo e cortesia : Herman Silvani (foto 1) e Liza Bueno (foto 2)

Apesar da hospitalidade, eu observei os detalhes e a tão propagada aura "hippie" desse festival, não estava assim bem delineada, em minha percepção. Talvez por eu não ter andado pelo campo como um todo e ter ficado somente naquele bastidor e no palco onde tocamos, e por ser no período noturno, eu não senti uma atmosfera contracultural; vintage ou retrô, ali, e pelo contrário, a impressão que observei foi outra, como se nas entrelinhas, fosse mais um festival alternativo, quiçá sob orientação "indie", onde alguns sinais contraculturais fossem misturados com ícones modernos e em certos aspectos, a estabelecer equívocos de avaliação da parte de seus seguidores. Por exemplo, fomos interpelados por um "Drag Queen", que pediu-nos a permissão para ser o mestre (ou maestrina, como queira), de cerimônias a apresentar-nos. Aceitamos, sem preconceito, mas ao mesmo tempo, o que tinha a ver com um show de Rock, exatamente ? Então, eis que o personagem, Cris Rock, que faria a nossa apresentação por nossa vontade, teve que dividir as atenções iniciais com este / esta senhor / senhorita. Tudo bem, a apresentação do Cris Rock foi o que esperávamos a motivar o público, mas a Drag Queen, apesar de não desapontar, mesmo porque devia estar acostumada com performances, realmente pareceu-me deslocada do contexto, primeiro por não fazer a menor ideia de quem fôssemos e segundo, por confundir o clima de uma plateia de show de Rock com uma festa gay, com a qual ela devia estar habituada a animar. Por exemplo, ao insistir em chamar as pessoas da plateia como : "senhoras", não considerou a hipótese que tal expectativa em enxergar o mundo apenas pelo prisma feminino, era exclusivamente sua e que, sem nenhum preconceito de nossa parte, mas apenas a constatar, isso destoou do espírito Rocker que ali deveria ser observado, sem subterfúgios. Ainda bem que o Cris Rock aliviou essa estranheza e o público entendeu melhor a sua manifestação, muito mais condizente para conosco. As cortinas fecharam-se novamente após esse prelúdio discursivo e cerca de poucos segundos depois, ao som de nossos primeiros acordes, com a canção, "Meus 26 Anos", abriram-se e mediante a explosão de luz, um show de Rock iniciou-se, enfim...

Continua...

sábado, 13 de julho de 2019

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 107 - Por Luiz Domingues

Em 31 de janeiro de 2019, fizemos o primeiro show de 2019 e foi muito animado. Estivemos no palco do Santa Sede Rock Bar, de São Paulo. Tocamos praticamente apenas o material autoral e como acréscimo, poucas releituras de outros artistas. Como rescaldo da recente turnê que realizáramos em companhia de Edy Star, acrescentamos um número do Raul Seixas, que estava bem ensaiado pela banda ("Sociedade Alternativa") e saímos da simpática casa da zona norte, que tão bem sempre acolhera-nos, satisfeitos pela boa jornada que ali empreendemos.
Flagrantes do show dos Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 31 de janeiro de 2019. Foto 1 / Acervo e cortesia : Kim Kehl. Click : Lara Pap. Foto 2 / Click. acervo e cortesia : Rogério Utrila

Tivemos visitas ilustres nessa noite. O fotógrafo / ilustrador e músico, Lincoln "The Uncle" Baraccat e o percussionista da pesada, Marco "Pepito" Soledade, estiveram conosco.
Convidados para lá de especiais em meio ao calor de verão e agravado pelo som que fizemos no palco. Foto 1 : Marco "Pepito" Soledade; Carlinhos Machado e Kim Kehl. Foto 2 : Luiz Domingues e Lincoln "The Uncle" Baraccat. Foto 3 : a empresária da noite / sommelier e artesã gastronômica, Cleide Soares e Lara Pap. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 31 de janeiro de 2019. Acervo e cortesia : Kim Kehl. Clicks : Lara Pap (exceto, foto 3, click de Kim Kehl)
 
Quando fevereiro iniciou-se, tivemos boas novas no âmbito midiático e também pelo merchandising da banda. 

Nas fotos acima, os pingentes novos criados pela artesã & artista plástica, Pat Freire para Os Kurandeiros, e abaixo, o primeiro protótipo da linha de perfumes, ainda em experiência, alojada em um recipiente criativo, mas não necessariamente aprovado ainda, nessa ocasião de fevereiro de 2019. Clicks; acervo e cortesia : Kim Kehl 

Mais uma linha de pingentes foi lançada em parceria com a artesã e artista plástica, Pat Freire e outra inusitada novidade foi posta em experiência, inicialmente, com a possibilidade de uma linha de perfumes inspirados em canções dos Kurandeiros, vir à tona no mercado. Bem, nesta altura dos acontecimentos, depois de tudo o que vi em termos de lançamentos de marketing a envolver a nossa banda, ao ser exposto e muito bem vendido, tanto na loja ambulante, quanto igualmente através da venda virtual feita pela internet, eu não duvidei que tal empreitada mais fora do usual também não lograsse êxito. Aliás, muito pelo contrário, já projetei o quanto faria sucesso principalmente entre o público feminino.
No campo midiático, outra boa nova veio quando o radialista, Julio Cesar Souza, convidou-me para que eu mesmo elaborasse uma lista com indicações de artistas do Rock nacional da ocasião. Honrado com tal convite, animei-me a compor tal listagem e a tarefa foi difícil, visto que conhecia uma boa quantidade de artistas a militar no patamar underground da música e que possuía muita qualidade artística e nenhuma penetração nos meios de comunicação, nem sequer entre os órgãos nanicos, infelizmente. Portanto, foi um prazer arrolar diversos artistas de meu apreço; confiança e também poder incluir uma música dos Kurandeiros, no caso, "Faz Frio", do EP "Seja Feliz", de 2016. Tal programação que eu criei, foi ao ar entre os dias 9 e 15 de fevereiro de 2019, mediante repetições diárias. E o sucesso foi tão grande, que motivou o convite para novas edições. Aconteceu no programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock.
Ainda no campo midiático, todos os componentes da nossa banda, foram indicados por uma enquete da revista "Roadie Crew" a designar os melhores do ano de 2018, em eleição estabelecida entre os seus leitores. Logicamente que tivemos consciência de que nesse específico veículo, que notabiliza-se pela cobertura ao Heavy-Metal em predominância, não seria um terreno fértil para a nossa banda em termos de uma votação espontânea. Tudo bem, a simples nomeação honrou-nos e no resultado final apurado, o tecladista, Nelson Ferraresso ficou bem colocado, entre os três melhores. Ficamos contentes pelo resultado, também pela projeção advinda, e devidamente capitalizada em termos de repercussão pelas redes sociais.
Ainda a falar sobre a revista Roadie Crew, eis que na sua edição impressa de fevereiro de 2019 (número 241), Kim Kehl foi entrevistado pelo grande, Antonio Carlos Monteiro, o popular : Tony Monteiro. Sob o título : "Um Passeio Divertido", frase proferida pelo próprio Kim, ao longo da entrevista e pinçada do contexto para sintetizar o momento dos Kurandeiros, foi um impulso a mais para iniciarmos bem o ano de 2019, sem dúvida alguma.

Continua...