sábado, 17 de novembro de 2018

Crônicas da Autobio - Excesso de Etiqueta - Por Luiz Domingues

Aconteceu nos últimos momentos d'A Chave do Sol, ao final de 1987...

Nos últimos meses meses de vida d'A Chave do Sol, infelizmente o clima interno da banda não foi nada bom e assim, revelou-se um tempo marcado pela luta desesperada pela sobrevivência, a gerar angústia generalizada e lastimavelmente, por nutrirmos medo pelo final inevitável. Sob tal clima caótico, em meio aos esforços frenéticos para evitar o mal maior, eis que uma revista renomada no meio cultural, sinalizou apoio e lá fui eu à sua redação, para entregar-lhe o material de divulgação da banda e realizar a dita, visita social. E ali fui bem recebido, certamente, pois tratava-se de uma equipe formada por pessoas educadas, mas algo muito atípico ocorreu, mesmo com o clima amistoso instaurado, a denotar uma estranha contradição, digamos assim.
Pois desde que entrei no pequeno escritório, cumprimentei efusivamente a todos e fui muito bem correspondido na gentileza, mas assim que os cumprimentos cessaram e um silêncio generalizado adveio, eis que um membro dessa equipe, pediu-me com delicadeza para que eu afastasse-me um passo da mesa onde ele trabalhava. Ora, tudo, bem, nem achei que estivesse tão perto, mas longe de minha intenção, em ser inconveniente e assim gerar algum incômodo ali, visto que eu sabia muito bem que a visita deveria ser rápida e objetiva, pela obviedade de não ser de bom tom atrapalhar o expediente de trabalho. Dei um passo atrás e logo, outro funcionário solicitou que eu não ficasse ali entre duas mesas, pois haveria por atrapalhar o caminho para os rápidos deslocamentos que os jornalistas ali costumavam empreender. Claro, perdão... assim pronunciei-me e rapidamente alojei-me em um outro canto, mas que inevitavelmente pela arquitetura do pequeno escritório, obrigara-me a permanecer de costas para uma parede e logo, outro funcionário advertiu-me que não era permitido encostar ali, por gerar a possibilidade de sujar a pintura.  
Ora, justo, nem eu gostaria de manchar a minha roupa. Desloquei-me conforme o solicitado e ao avistar um banco que não estava ocupado por ninguém, rapidamente fiz menção em sentar-me, todavia, eis que veio a gota d'água, quando fui avisado que o banco pertencia a um determinado membro da equipe e mesmo com ele ausente, não era permitido usá-lo. E o mais bizarro nessa história, foi que todas as solicitações foram concluídas com bom humor e educação, ao denotar a maior normalidade, como se tal comportamento irritante, despendido a uma visita, fosse algo absolutamente normal e eu é que seria o brucutu antissocial ali, ao não entender regras de civilidade. E descarto completamente a ideia de que tratou-se de uma coleção de atos premeditados com a intenção deliberada em manter um território hostil, para que eu evadisse-me imediatamente do local, visto que muito pelo contrário, estava ali a atender um convite deles mesmos.
Portanto, a conclusão que tenho sob tal episódio, revela uma maneirismo particular por parte daquelas pessoas, ao construir normas próprias de convívio em seu ambiente de trabalho e realmente quem não fizesse parte daquela equipe e conhecesse os seus códigos secretos de conduta interna, realmente tendia a estranhar. E foi o meu caso e quiçá de outros que ali passaram pela mesma experiência bizarra.

sábado, 10 de novembro de 2018

Abandono - Por Telma Jábali Barretto


Quais situações podem produzir essa delicada sensação de desamparo !? ... Para cada um nós, imaginamos, seria algo, alguém...circunstância diferente.
A depender de onde ‘moram’, também, nossas seguranças, daí virão diversos formatos de reações, da mesma maneira que em vários momentos, em muitas, múltiplas e incomuns situações.
Temos as clássicas, iguais para todos, como, quando, logo após parto perdemos nosso primeiro berço, primeira base de acalanto, de sentimento seguro, se dessa forma foi nossa gestação... Dessa forma, seguiremos ao logo da vida no fluxo natural da existência... E quantas similares situações, assim, marcarão nosso crescimento ? Quantos e tantos outros cordões umbilicais nos cortarão ou...cortaremos.
Das circunstâncias mais simples, básicas e naturais às mais subjetivas nos rondarão repetidas vezes, e, seguiremos, perdendo rodinhas e muletas...Aquilo sobre o que nos amparávamos, tirado ou deletado, para que cresçamos, criando novos patamares de autossuficiência, maturidade e autonomia, aquela mesma várias vezes, outrora, descrita como liberdade, mas...contraditoriamente, como parte de quem costumamos ser, regra do jogo, lamentamos quando perdemos, numa ambígua transição entre a conquista e apreensão...
Por aí seguimos, entre ganhos e perdas, num continuado trajeto de troféus e renúncias, onde nem sempre abdicamos conscientes, muitas vezes surpreendidos com aquilo trazido a nós, forçando-nos a abrir mão... ou, ainda, naqueles casos em que, soltamos algo sem muito saber quanto estamos deixando para aonde chegar, sem muita ou nenhuma segurança quanto ao que tenhamos feito... De quantos encantamentos e decepções, conosco e com o outro, assinamos nossa passagem.
Fato é que esse mecanismo nos move, quer aceitemos, acreditemos ou, até, percebamos... E o processo segue seu curso!!!
Quanto mais atentos, abertos desse transcorrer, mais tiramos de cada vitoriosa chegada e mais honrosamente soltaremos, deixando ir, liberando espaço para permitir que um novo e desafiador convite, aproximando-se, destrave, empurre e, até, inspire, além amarras ou seguranças, confortos, muitas vezes, depois, descobertos desconfortos, só quando somos instados à outra margem, lado oposto da história a que acessamos nesse diferente e inusitado estar.
Que saibamos perceber para mais, sabiamente, absorver, investir, contatando, com ciência, esse fluir de eternos fechos, reconhecendo os colos que precisamos perder, achando o passo para aprender a correr, enquanto não voe, na infinita conquista da posse de quem, verdadeiramente, SOMOS !!!

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga; consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Nesta reflexão, analisa a questão do abandono, por um viés bastante do que geralmente as pessoas pensam sobre o tema

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Os Kurandeiros - 10/11/2018 - Sábado / 21 Hs. - Tchê Café - Vila Santa Catarina - São Paulo / SP


Os Kurandeiros

10 de novembro de 2018  -  Sábado  -  21 Horas

Tchê Café

Avenida Washington Luiz, 5628

Vila Santa Catarina

500 metros do Aeroporto de Congonhas

São Paulo  -  SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 89 - Por Luiz Domingues

O nosso próximo compromisso seria em meio a um festival a ser realizado na cidade de Osasco / SP, produzido pela Secretaria de Cultura dessa cidade, com o objetivo em comemorar o dito, "Dia do Rock". Tal evento foi concebido para ser multifacetado, distribuído por vários dias (e não apenas no tal dia da efeméride em questão), e em vários espaços culturais mantidos pela sua Prefeitura. Pois muito bem, uma ótima iniciativa, um festival produzido nos moldes da famosa : "Virada Cultural de São Paulo", haveria por ser algo muito positivo. Fomos escalados para apresentarmo-nos no Centro de Eventos Pedro Bortolosso, e foi marcado para o dia 15 de julho de 2018. Tal comunicação dessa data, no entanto, gerou-me uma apreensão, assim que tomei conhecimento, e a minha preocupação, foi motivada por uma dúvida em torno de uma questão que nada teve a ver com a nossa banda em si, mas poderia vir a ser uma temeridade.
E o motivo do meu receio, deu-se pelo fato em estarmos a passar pela inevitável e indefectível, realização da Copa do Mundo. E por uma ironia do destino, tal dia, estava marcado para ser a data da final de tal torneio. Portanto, em tese, a nossa apresentação haveria por ocorrer uma hora antes do início da sua decisão. Ora, já elucubrei por extensão, que se o Brasil chegasse à final do torneio, seria evidente que haveria por esvaziar não apenas o nosso show, mas todo o evento. Repercuti a minha preocupação com tal possibilidade aos meus colegas e também com a produtora da nossa banda, Lara Pap, mas ninguém compactuou com o mesmo grau de receio. Quando soube da confirmação dessa data, o torneio ainda estava a cumprir a sua fase de grupos, portanto, a possibilidade do time do Brasil realmente chegar à final, fora apenas hipoteticamente aventado, porém, algo possível, como uma projeção matemática. Soube então que a posição da produção foi firme, no sentido de que, com ou sem a presença do time do Brasil nessa final, os shows programados para esse dia, não seriam cancelados sob hipótese alguma. Tudo bem, então... let's Rock !
Da esquerda para a direita : Kim Kehl; Carlinhos Machado e Luiz Domingues. Os Kurandeiros no Centro de Eventos Pedro Bortolosso de Osasco / SP. Festival Semana do Rock 2018. 15 de julho de 2018. Click : Lara Pap

Fui para Osasco / SP, na companhia do Carlinhos Machado, que gentilmente cedeu-me uma carona, o que foi providencial, pois dessa cidade, eu conheço pouco, só domino o básico sobre o seu centro e desta feita, o deslocamento seria feito com destino a um bairro pelo qual eu não encontraria com a mesma facilidade como o Carlinhos, conduziu-nos com a sua contumaz maestria para escolher caminhos. E mais que pelo conforto logístico, foi um prazer desfrutar da sua companhia, pois a conversa foi ótima, com trilha sonora permeada por Rock Progressivo setentista. E nesse dia em específico, o Carlinhos contou-me uma história fantástica que fora revelada à ele por um famoso astro do Rock brasileiro setentista, fato ocorrido na coxia do teatro Ruth Escobar, nos idos de 1973, quando da realização de um show de sua banda. Uma ocorrência hilária e sobre a qual, rimos muito, é claro.
Flagrantes da banda em ação. Os Kurandeiros no Centro de Eventos Pedro Bortolosso de Osasco / SP. Festival Semana do Rock 2018. 15 de julho de 2018. Click : Lara Pap

Quando chegamos ao local, impressionei-me com a estrutura do equipamento cultural mantido pelo município de Osasco / SP. Tratou-se de um centro cultural multiuso, bem construído a conter vários equipamentos e o local do show propriamente dito, a assemelhar-se com um salão de clube poliesportivo, bem amplo, capaz em abrigar cerca de cinco mil pessoas, eu diria e a manter um palco fixo, feito em alvenaria, com uma estrutura de bastidores bem rústica, porém funcional. O equipamento de som e luz disponibilizado, pareceu de um nível adequado ao tamanho do espaço cultural, sob uma primeira impressão. Por outro aspecto, no entanto, mesmo com o time do Brasil alijado da possibilidade em estar na final da Copa do Mundo, e a sua final ter sido realizada entre duas seleções sem muito apelo popular e uma delas, sem tradição pregressa alguma, o nosso evento esvaziara-se. Havia pouca gente no espaço, a primeira banda já houvera apresentado-se e a segunda, preparava o seu set up para dar início ao seu show. Não seria uma banda, propriamente dita, mas o trabalho de uma cantora solo, chamada, Fernanda Coimbra, com a sua banda de apoio. Confraternizamo-nos com o músico, Fabrício Nickel, que era nosso amigo e um dos organizadores do evento, por fazer parte da sua curadoria e logo, alguns Rockers, amigos nossos da cidade, chegaram, entre os quais, o Rocker / bluesman, Jessé Blindog; e os baixistas, Paulo Callegari e Rey Bass. Assistimos então o show da cantora, Fernanda Coimbra e eu gostei bastante do seu trabalho, versado por canções sob forte apelo Bluesy e Jazzy, em predominância e apoiada por uma banda muito boa, municiada por um Power Trio formado por ótimos músicos (o famoso baterista, Paulinho Sorriso, fez parte desse grupo), a apresentar timbres vintage, muito agradáveis. Uma lástima apenas que a audiência estivesse tão pequena, por conta da final da Copa do Mundo de 2018, pois quem ficou em casa a torcer para o Modric ou para o MBapeé, realmente perdeu um bom show da parte dessa cantora e sua banda, que fez-me recordar de alguns shows de MPB providos com muita qualidade, que eu assistira nos anos setenta.
Na primeira foto : Luiz Domingues e o também baixista e amigo, Paulo Callegari. Na segunda foto, Luiz Domingues em destaque e Carlinhos Machado ao fundo, na bateria. Os Kurandeiros no Centro de Eventos Pedro Bortolosso de Osasco / SP. Festival Semana do Rock 2018. 15 de julho de 2018. Foto 1 : Acervo e cortesia : Paulo Callegari. Click : Marcinha Carvalho. Foto 2 : Click; acervo e cortesia : Xandão

Eis que a próxima banda entrou em cena. Louvo a coragem de qualquer artista que predispõe-se a subir em um palco e tocar a sua criação, isso sem dúvida. Aplaudi em cada final de música desses rapazes, em sinal de respeito e apoio, mas realmente, para quem conhece-me e sabe muito bem que eu não aprecio nem o Heavy-Metal tradicional, portanto, o que dizer sobre as suas ramificações ainda mais guturais ? Enfim, boa sorte para tais rapazes, dentro de seu nicho de atuação no mercado e que alcançassem o sucesso que almejavam para a sua carreira.
Mais flagrantes dos Kurandeiros em ação. Os Kurandeiros no Centro de Eventos Pedro Bortolosso de Osasco / SP. Festival Semana do Rock 2018. 15 de julho de 2018. Click : Lara Pap

Chegara a nossa vez e a despeito do público ter melhorado um pouco, certamente manteve-se longe do ideal, mas como sempre, com uma ou um milhão de pessoas presentes, isso não interfere na disposição dos Kurandeiros para subir no palco e dar o seu recado e assim o fizemos. Mais que um show de choque, tão comum em festivais com muitos artistas a apresentar-se, fizemos um set quase no padrão de um show para teatro. E foi muito divertido, pois o público estabeleceu uma sinergia boa para conosco e isso foi até surpreendente dadas as condições que eu elenquei, anteriormente. Com um som de palco bem confortável e uma iluminação simples, porém digna, divertimo-nos naquele palco com uma extensão longa e posso afirmar, foi muito prazeroso realizar esse espetáculo.

Foto 1 : Os Kurandeiros a posar para os fotógrafos presentes. Foto 2 : com a companhia do amigo, Paulo Callegari. Foto 3 :  Com membros da organização do evento. Da esquerda para a direita : Carlinhos Machado; Ingrid Faria; Kim Kehl; Fabrício Nickel; Luiz Domingues e rapaz não identificado. Os Kurandeiros no Centro de Eventos Pedro Bortolosso de Osasco / SP. Festival Semana do Rock 2018. 15 de julho de 2018. Click : Lara Pap

"A Noite Inteira" (Kim Kehl) + "Pro Raul" (Kim Kehl / Osvaldo Vecchione). Os Kurandeiros na Semana Rock de Osasco / SP, em 15 de julho de 2018. Filmagem e cortesia de Paulo Callegari

Eis o Link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=hTXSGzgqTZ8&feature=youtu.be                 

Enquanto conversávamos com amigos e simpatizantes nos bastidores, a banda que sucedeu-nos no palco ("007"), fez um tributo ao Raul Seixas. A despeito de ter sido uma apresentação cover, gostei dos músicos, que apresentaram qualidade e versatilidade. Pude conversar com eles um pouco, posteriormente e fiquei feliz por saber que também desenvolviam um trabalho autoral, que espero conhecer um dia. Gostei da pegada setentista, bem marcante da parte deles. E deu para assistir um pedaço da outra banda, "The Melties", com um trabalho Hard-Rock com certa influência do Grunge noventista de Seattle. Boa banda, a apresentar canções com convenções sofisticadas e ótimos instrumentistas, além de uma cantora, bem jovem, mas que mostrou qualidade. Não tratou-se de uma sonoridade que cativasse-me, mas eu apreciei a qualidade da banda. E as demais bandas programadas, eu não vi, pois evadi-me do local. A lastimar-se o fato de que, se na hora em que tocamos o público mostrara-se fraco, quando eu fui embora e ainda faltavam duas bandas para apresentar-se, o local estava praticamente deserto, uma grande pena. 

Foi nesse dia do show dos Kurandeiros em Osasco / SP, que comemoramos uma ótima novidade extra para a nossa banda. Chegara da fábrica os dois discos com material ao vivo que o Kim preparava há meses. Em um deles, eu não faço parte, por tratar-se de um show gravado ao vivo no Centro Cultural São Paulo, em 2009, com uma formação anterior, mas no outro, com material gravado ao vivo em programas de rádio e TV, eu participo em várias faixas. No próximo capítulo, vou analisá-los detalhadamente.
Os pacotes iniciais com os discos ao vivo dos Kurandeiros, a chegar da fábrica. Julho de 2018. Click de Kim Kehl

Continua...

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 88 - Por Luiz Domingues

Após uma boa apresentação, na tradicional Feira da Pompeia, ao final de maio, tivemos uma surpresa maravilhosa, vinda de uma velho admirador da banda e meu amigo desde os anos oitenta. E para ir além, por tratar-se de um colaborador efetivo em diversas bandas por onde atuei. Falo sobre o produtor cultural, Antonio Celso Barbieri, radicado em Londres, no Reino Unido, desde 1987, mas certamente um dos mais ativos produtores musicais brasileiros, mesmo a distância, com uma lista de serviços prestados para inúmeros artistas e sempre de uma forma generosa, a pensar na causa e não em ganhos pessoais. Sei que já explanei sobre isso muitas vezes, mas Barbieri foi produtor de muitos shows d'A Chave do Sol, nos anos oitenta. Tentou ajudar o Pitbulls on Crack nos anos noventa; colaborou com a Patrulha do Espaço, mesmo antes de eu fazer parte da banda, e também durante a minha formação e posterior a tal situação, é bem verdade. Ajudou de uma forma muita incisiva o Pedra, no caminhar dos anos dois mil e mesmo antes de eu entrar nos Kurandeiros, a partir de 2011, eu sabia que ele já havia prestado seus serviços à nossa banda. Pois nesse instante, maio de 2018, eis que recebemos a notícia vinda de Londres / UK, a dar conta de que um vídeoclip fora produzido por ele, ao promover o novo single dos Kurandeiros, "Andando na Praia". Ora, que gentil de sua parte, mais uma vez, e oportuno para ajudar na divulgação, visto que nós havíamos recém lançado tal nova canção e mal estávamos a divulgá-la pela internet.
Eis acima, o vídeoclip da música : "Andando na Praia", de Kim Kehl & Os Kurandeiros, produzido por Antonio Celso Barbieri

Eis o Link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=gBc7PrLXN70

Acesse o Site, "Memórias do Rock Brasileiro", dirigido por Antonio Celso Barbieri :
http://www.celsobarbieri.co.uk/memorias/


Então, particularmente eu fiquei bastante feliz por ter mais um elo a aumentar a corrente ligada pela colaboração; amizade e sobretudo, compactuação de ideais em torno do Rock, sob uma primeira instância, mas em linhas gerais, a compreender a música; arte & cultura, de uma maneira ampla. Sobre o vídeo em si, trata-se de uma peça simples em sua composição, pois Barbieri usou imagens de uma pessoa a filmar a sua própria caminhada por uma praia deserta. Simples ao extremo, mas eficaz, sem dúvida alguma. Felizes por esse inesperado presente e que muito ajudou-nos a fomentar a divulgação dessa canção, lançamos o clip em questão, em junho de 2018, logo no começo desse mês. Mas não tivemos shows nesse mesmo período de junho. O próximo compromisso seria apenas no mês subsequente, em julho.
Eis que voltamos à casa de espetáculos, "Santa Sede Rock Bar", um reduto sempre confortável e prazeroso para Os Kurandeiros. Desta feita, haveria a comemoração de diversos aniversários, já previamente marcados e entre tais pessoas que comemorariam os seus respectivos natalícios, a presença de nossa amiga, Jane "Philosofewords", uma entusiasta da nossa banda e viúva do meu saudoso amigo, Hélcio Aguirra. Animados com o sucesso virtual que o nosso novo single estava a concretizar e ainda mais pela recente inclusão no You Tube, de um clip especialmente produzido por Antonio Celso Barbieri, fomos com tudo para essa apresentação. 
Foto 1 : Carlinhos Machado em ação ! Foto 2 : Luiz Domingues em destaque. Foto 3 : Kim Kehl em ação ! Foto 4 : Uma panorâmica da banda em ação ! Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 7 de julho de 2018. Clicks; acervo e cortesia : Pat Freire
 
Com picos de euforia e casa muito lotada, foi uma das melhores apresentações de 2018, e leve-se em conta o fato que o show anterior que realizáramos, na Feira da Vila Pompeia, houvera sido, igualmente, excelente, a gerar euforia ao público presente. Tivemos mais uma surpresa, ótima. Eis que antes mesmo de iniciarmos a nossa apresentação, avisto adentrar o ambiente, a figura de Antonio Celso Barbieri e sua esposa. A passar férias no Brasil, estavam em São Paulo para uma estada nostálgica e incluíram o show dos Kurandeiros, como uma atividade em sua agenda a ser cumprida no país. Mais que oportuno, foi em cima do lançamento do clip por ele produzido, graciosamente para a nossa banda e assim, tivemos o prazer em agradecer-lhe, pessoalmente. Travamos uma conversa agradabilíssima antes e depois do espetáculo, naturalmente, com direito a reminiscências e ali estava presente duas figuras importantes do Rock brasileiro oitentista, que também o conheciam desde aquela época e igualmente, interagiram muito com ele, Barbieri, em diversas produções por ele perpetradas naquela década. Tratou-se de Paulo Toledo, o popular, Paulinho "Heavy", ex-vocalista do "Inox", também famoso por ser um comunicador de rádio & TV, e o baixista extraordinário, Ricardo Ravache, ex-Harppia e ex-Centúrias, um dos sujeitos mais cultos e a apresentar uma educação refinada que eu conheço, aliás, essa opinião não é só da minha parte, tanto que Ravache é apelidado no meio, como : "The Lord", e não só pela cultura & educação avantajadas que ostenta, mas sobretudo pela sua extrema simpatia e generosidade. E ele sabe tudo sobre a História do Rock, além de ser um baixista excepcional. Bem, festa de todos esses personagens em totno da presença de Barbieri no recinto e tal confraternização reforçou a ideia de que tal jornada fora excelente para Os Kurandeiros.
Fotos 1 e 3 : Luiz Domingues e Antonio Celso Barbieri. Fotos 2 e 4 : Luiz Domingues; Kim Kehl e Antonio Celso Barbieri. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 7 de julho de 2018. Clicks : Lara Pap
 
A cantora, Gilda Elena e as produtoras musicais, Sandra Marques e Christine Funke, também estiveram presentes, assim como o radialista, Rogério Utrila, portanto, foi bastante animado, também por esse aspecto
Na foto 1: a banda a tocar e a nossa amiga e aniversariante, Jane "Philosofewords", a dançar animadamente, à nossa frente. Fotos 2 e 3 : com a banda ao fundo pela perspectiva do público. Foto 4 : Carlinhos Machado; a cantora, Gilda Elena e Luiz Domingues. Foto 5 : Rogério Utrila; Ka Tagnin. Ricardo "The Lord" Ravache e as produtoras musicais, Sandra Marques e Christine Funke. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 7 de julho de 2018. Clicks : Lara Pap
 
Na semana subsequente, participaríamos de um evento promissor, promovido pela Secretaria de Cultura do Município de Osasco / SP. Em meio às festividades pelo "Dia do Rock", tocaríamos no dia marcado para a realização da final da Copa do Mundo de 2018, portanto, ufanismo a parte, se a seleção brasileira avançasse no torneio, ao atingir tal final, o nosso show correria o sério risco em esvaziar-se, visto que estávamos escalados para tocar às 16 horas...

Continua...

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Trabalhos Avulsos (Hid Trio) - Capítulo 94 - Por Luiz Domingues

Eis que o meu velho amigo, Rodrigo Hid, abordou-me no início de setembro de 2018, via "inbox" da rede social, Facebook e formulou-me um novo convite para eu participar de uma apresentação do seu "Hid Trio". Já havia participado de duas apresentações desse seu combo super informal, um vez em janeiro e outra em abril desse mesmo ano, portanto, se não houvesse um impedimento por conta de alguma atividade da minha banda, Os Kurandeiros, seria um prazer participar, novamente. E de fato, eu não teria mesmo atividade com Os Kurandeiros, por conta dessa data ter sido reservada para que eu e o próprio, Rodrigo Hid, fôssemos à Belo Horizonte, para tocarmos com a Patrulha do Espaço, mas a lástima, foi que o show em Minas Gerais foi cancelado e assim, além de perder essa apresentação, eu não pude contar com algum show para Os Kurandeiros, e tampouco o Rodrigo com os seus compromissos pela noite paulistana. Então, ele arquitetou esse encaixe e eu fiquei feliz por poder participar. Em princípio, a vaga para baterista seria ocupada por José Luiz Dinola, mas de última hora, o meu velho amigo e companheiro de duas jornadas (A Chave do Sol e Sidharta), não pode confirmar a sua participação e assim, o Rodrigo convidou, Renato Amorim, um músico eclético, multi instrumentista e Luthier / técnico em equipamentos musicais em geral.
No primeiro plano, Renato Amorim e atrás, Rodrigo Hid, ambos a preparar o palco do Quina Bar, do Ipiranga, onde tocamos. Hid Trio no Quina Bar do Ipiranga, em São Paulo, no dia 15 de setembro de 2018; Click : Luiz Domingues
 
Renato Amorim e seu irmão, Elton Amorim, são músicos super técnicos e ambos completamente apaixonados por Rock e música em geral, com característica vintage. Mantém há muitos anos uma excelente banda versada pelo Hard-Rock, com forte influência setentista, chamada : Cosmo Drah, além de outros trabalhos (Elton toca no Marcenaria, outra banda muito boa) com diversos combos pela noite paulistana e participações em trabalhos de muitos artistas, ambos como side man, super solicitados. Como luthier e técnicos, mantém uma oficina onde atendem inúmeros músicos de São Paulo e ambos mantém a fama de ser obstinados e enquanto não encontram uma solução para consertar um amplificador ou uma guitarra, não desistem e como um amigo nosso em comum, o empresário da noite (proprietário da casa noturna Rocker, Santa Sede Rock Bar, de São Paulo), Cleber Lessa, costumava dizer sobre os irmãos Amorim : -"eles são tinhosos... consertam qualquer coisa"...
O meu baixo pronto para a luta no palco do Quina Bar e pelos quadros na parede, a minha inspiração ali seria pautada pelo alto nível oriundo de um certo zepelim de chumbo... Hid Trio no Quina Bar do Ipiranga, em São Paulo, no dia 15 de setembro de 2018; Click : Luiz Domingues
 
Sobre o local do show, foi uma coincidência, pois cerca de quarenta dias antes, eu havia participado com uma Jam nos mesmo moldes e até a conter um repertório semelhante, com o genial, Diogo Oliveira e o excelente, Pedro Silva, no mesmo local, o Quina Bar do Ipiranga, em São Paulo. Portanto, lá estive eu, novamente e já a projetar um público semelhante ou até um pouco maior, pois o inverno estava a esmorecer e a noite não haveria por ser tão fria.
A pele do bumbo da bateria de Renato Amorim, apresentou uma pintura psicodélica muito bonita, entretanto, novato que eu era com fotografias obtidas via telefone celular, não soube capturar isso de uma melhor maneira. Hid Trio no Quina Bar do Ipiranga, em São Paulo, no dia 15 de setembro de 2018; Click : Luiz Domingues

Cheguei primeiro ao local e só havia a presença de funcionários a realizar tarefas preparatórias básicas. Logo chegou o Renato Amorim e pudemos conversar sobre o Cosmo Drah; Marcenaria e outros projetos musicais em que e ele e seu irmão, Elton Amorim estava a realizar e também sobre as atividades de sua oficina de Luthieria. Foi quando notei a pela da frente do seu bumbo, a ostentar uma pintura psicodélica, belíssima, inspirada fortemente no shamanismo e que fez a minha imaginação voar até aos livros de Carlos Castañeda, Foi quando o Renato Amorim, informou-me que tal arte fora executada por um amigo nosso em comum, Marcio Brandini. Conheço o Brandini desde 2001, sei que é um mecânico de automóveis, além de restaurador de carros antigos e especialista em preparação para carros de competição. Sabia que era um grande baterista, também, mas fiquei surpreso, positivamente por ter tomado conhecimento, ali, de mais um talento de sua parte, pois definitivamente tal pintura ficara muito bonita.

Eis que vejo adentrar o recinto, o meu velho amigo e ex-aluno, Carlos "Cali" Keller Rodrigues e sua esposa. Cali é amigo do Rodrigo Hid, pela mesma raiz, ou seja, a minha velha sala de aulas no bairro da Aclimação, nos anos noventa, onde tivemos uma convivência que sedimentou a nossa amizade. Bem, conheço toda a família dele, desde aquela época e o tempo voou mesmo, pois eis que em um dado instante dessa conversação travada nessa noite, ouço histórias a respeito de seu filho, que já completara dezoito anos de idade, sendo que o próprio Cali, eu conhecera quando seguramente teve menos idade, ou seja, envelhecemos, mesmo... fico feliz por saber que está a tocar com a sua banda e planeja gravar um disco no estúdio Orra Meu, dos irmãos Schevano, mais dois personagens notáveis que também conhecera na minha sala de aulas, nos anos noventa. Que privilégio o meu em ter reunido tanta gente boa em torno das minhas aulas e tantos anos depois, verificar que sedimentaram amizade e estão todos a produzir coisas boas. Mencionou-se também outros alunos que formam tal confraria até os dias atuais, mas ali não presentes naquele instante, como Edil Póstol & Marilu Postól; Zé Reis; Leco Peres; Pepe Bueno e Marcão Martinez. Em suma, que prazer levantar tal reminiscência.
Rodrigo Hid a testar o seu microfone. Hid Trio no Quina Bar do Ipiranga, em São Paulo, no dia 15 de setembro de 2018; Click : Luiz Domingues
 
E o que tocamos ? O cardápio natural para três músicos com as mesmas influências : Rock; Blues; baladas; Pop; R'n'B das décadas de cinquenta a setenta do século XX, isto é, só coisa boa. Improvisamos bastante, com o Rodrigo a propor músicas bem ritmadas em sua maioria e lá fomos nós a revisitar o material dos Rolling Stones a Ray Charles, a passar por Jimi Hendrix e Raul Seixas. Foram duas entradas recheadas por canções muito boas, com margem para improvisos, muito swing e atesto que saí suado do pequeno palco.
Rodrigo Hid em momento de soundcheck. Hid Trio no Quina Bar do Ipiranga, em São Paulo, no dia 15 de setembro de 2018; Click : Luiz Domingues
 
Como ponto negativo em meio a uma boa apresentação musical e a conversa super prazerosa entre amigos, devo atestar que o público presente esteve um tanto quanto alterado e inconveniente. Apesar de ser formado inteiramente por pessoas maduras e com nível social elevado, o alto teor etílico ali, foi patente, pois muitas pessoas gritavam a pedir músicas, mas de uma maneira deveras agressiva e até manifestação de desdém para conosco, tivemos o desprazer em ouvir, da parte de um rapaz que estava bem alterado. As vezes, esqueço-me que apresentações em bares revelam-se propícias para tais aborrecimentos... se é que o leitor permite a minha reflexão irônica... 
Renato Amorim e Rodrigo Hid a preparar o palco do Quina Bar. Hid Trio no Quina Bar do Ipiranga, em São Paulo, no dia 15 de setembro de 2018; Click : Luiz Domingues
 
Bem, a relevar-se os etílicos inconvenientes, foi uma noite prazerosa, a constituir-se na terceira oportunidade em que participei do Hid Trio em 2018 e desta feita, além do Rodrigo Hid, a tocar com o excelente baterista, Renato Amorim. Aproveito para deixar a indicação de duas resenhas que escrevi para o meu Blog 1, quando abordei um álbum do Cosmo Drah e outro do Marcenaria, trabalhos desenvolvidos pelos irmãos Amorim, e dos quais, recomendo, com bastante entusiasmo. 


Sobre o primeiro álbum do Cosmo Drah :

http://luiz-domingues.blogspot.com/2015/09/cosmo-drah-por-luiz-domingues.html

Sobre o primeiro álbum do Marcenaria :

http://luiz-domingues.blogspot.com/2017/07/marcenaria-1-album-por-luiz-domingues.html
Então foi isso, em 15 de setembro de 2018, um sábado com frio moderado na capital paulista, fui ao bairro do Ipiranga, na zona sudeste de São Paulo e mais uma vez no palco do Quina Bar, mas desta feita a tocar com Rodrigo Hid e Renato Amorim, no Hid Trio. 

Este foi o meu último trabalho avulso, até agora, mas este capítulo nunca fecha e mesmo sem premeditar nada, é quase certeza que outros capítulos serão escritos.

Portanto... continua...