quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pedra na Rádio CBN neste sábado, 1° de dezembro de 2012, às 21:30 h.


Sábado, 01/12 das 21:30 às 22:30 com reapresentação na madrugada de domingo para segunda feira às 01:30 hs.:


O Pedra estará na Rádio CBN, no programa "Sala de Música", apresentado por João Carlos Santana.

Luiz Domingues e Xando Zupo participarão falando sobre o retorno do Pedra às atividades, shows, novo álbum e claro, música. 


CBN - SP 90,5 FM - 780 AM

http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm
http://cbn.globoradio.globo.com/programas/sala-de-musica/SALA-DE-MUSICA.htm

terça-feira, 27 de novembro de 2012

General Grant e o Whisky - Por Juma Durski

O General Grant assumiu alguns exércitos durante a guerra da secessão americana, quando essa já havia iniciado há tempos.

Ao finalizar a guerra, Grant escreveu os termos da rendição ao General Lee, lhe dizendo que a pedido do Presidente Lincoln, não haveria humilhações aos derrotados, e cada soldado poderia pegar um cavalo e voltar às suas casas e lides no campo.
Isso foi num domingo de ramos, numa pequena aldeia da Virginia, chamada Appomattox.

Porém, antes disso, os Generais aliados de Lincoln, tinha inveja de Grant, e falaram ao Presidente: Grant bebe whisky
 todos os dias, é praticamente um bêbado.

E Lincoln respondeu: Qual a marca que ele bebe? Quero lhe enviar um barril, pois ele não perde uma batalha e vocês raramente ganham uma.



Juma Durski é colaborador do Blog Luiz Domingues 2. Nesta ligeira crônica, nos contou um episódio verdadeiro e que foi determinante para o desfecho da guerra da secessão dos Estados Unidos (ocorrida entre 1861 e 1865).

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 29 - Por Luiz Domingues

Eis abaixo Alguns manuscritos a conter letras de músicas compostas e incorporadas ao repertório do Boca do Céu, entre 1976 e 1977, período inicial das atividades da banda :


 

Letra da música, "E o que Resta é a Canção", de autoria do Osvaldo Vicino, nosso guitarrista, com um parceiro de fora da banda, chamado, Maciel.


Letra e Harmonia cifrada da canção, "Diva", do Laert Sarrumor.

Letra e Harmonia cifrada da canção, "Tudo Band", de autoria do Laert Sarrumor. 

Continua...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Espiritualidade Cristã - Por Marcelino Rodriguez

Uma vez li uma coisa muito bonita e muito singela numa biografia do Roberto Carlos.

Ele dizia que "não acha certo as pessoas colocarem
dúvidas com relação a Deus".


Também me incomoda a superficialidade com
que se tratam dessas coisas, principalmente as pessoas com "pendores intelectuais".


Sentem-se superiores a Deus. Perdôo ateísmo até os
vinte e poucos anos, depois disso é bobagem. Não perco tempo com quem não percebeu a única coisa óbvia: Deus.


Aliás, tem gente que pensa que a igreja se resume a missa aos domingos ou a um padre falando sermões.
A Tradição Cristã tem várias práticas de espiritualidade a serem
aplicadas no cotidiano e na transformação da Vida. A reza do terço, a contemplação dos mistérios, a meditação sobre as passagens da Biblía, o jejum, tudo isso são práticas que acompanham a espiritualidade católica, vamos dizer assim.

Ando pesquisando sobre a mística Cristã
tem algum tempo: Santa Tereza D'ávila, os Padres do Deserto, toda essa vertente da prática espiritual e não apenas da formalidade da Igreja.


Acho que meu esforço ainda que mínimo deveria ser seguido. Trazer o Deus de amor, de silêncio e de caridade mais para nosso cotidiano.
O ser humano que não tem Deus como fato é um problema social
de proporções imprevisíveis. Ainda que no deserto, quero estar com Deus, ainda que a propaganda o dê como morto ou exótico.


Um terço custa poucos centavos. Dá uma paz tremenda. Mas o maior pecado humano sempre foi a falta de imaginação.

Direitos Reservados
Marcelino Rodriguez é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta obra de muito sucesso, aqui nos traz uma crônica com preceitos espiritualistas irrefutáveis.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 28 - Por Luiz Domingues

Tempos românticos onde permitia-se esse exercício de imaginação, pois hoje em dia, bastaria consultar o "Google", e procurar o set list básico da turnê do artista, para saber precisamente, quais músicas ouviríamos. Mas, lembro-me que o freak acertou bastante, só a falhar com o Blues, "Saint James Infirmary", que ele cravou como certo, mas Cocker não o cantou. A abertura do show foi realizada pela banda de baile, "Placa Luminosa". Tremenda banda, formada por músicos com alto nível musical, mas que não tinha nada a ver com o público formado por hippies; freaks & rockers, alí presente. Foi um enorme erro da produção, não ter convidado alguma banda de rock autoral, como “Mutantes”, “O Terço”, ou “Rita Lee & Tutti-Frutti”.




Os artistas do Placa Luminosa tocaram covers variados, indo de Funk à MPB (lembro deles a tocar até, "Meus Caros Amigos", do Chico Buarque). Como resultado, adveio uma tremenda vaia do público. Então o baixista enervou-se, e a perder completamente a compostura, falou ao microfone : -"vocês querem Rock" ? O público aumentou a vaia pela atitude, certamente ao interpretá-la como um sinal de prepotência de sua parte, e aí, eles começaram a tocar, "The Ocean", do “Led Zeppelin”. Muito bem tocado por sinal, mas a antipatia estava caracterizada, e dessa forma, saíram do palco uma vaia incrível. Após esse entrevero, um enorme atraso, que irritou muito, mas eram os primeiros shows internacionais no Brasil, que ainda não tinha a estrutura de hoje em dia. 



Lembro-me do guitarrista argentino, Tony Osanah, a tentar acalmar os ânimos, e assim dizer ao microfone : -"pessoal, o Cocker já está aí"... com aquele seu sotaque porteño, bem característico. Todavia, compensou tudo, quando o Cocker entrou no palco !





Foi um show esfuziante, do começo ao final, com o Cocker ainda a usar cabelos longos, sob um visual "Woodstockeano". Era a tour do LP "Jamaica Say You Will", mas o show foi recheado com clássicos dos seus primeiros discos. Cocker teve como companhia,  Bob Keys no sax e Nicky Hopkins ao piano, como convidados especiais. Quando Chris Staiton, começou os primeiros acordes de "With a Little Help From my Friends", no órgão Hammond, o ginásio veio abaixo ! Pareceu a reação de torcedores em estádios de futebol, na hora do gol de seu time, tamanha a euforia gerada. Vale lembrar que em 1977, ainda vivíamos os ecos de Woodstock, fortemente por aqui. Bateu uma emoção forte nessa hora. O coração veio à boca e muita gente chorou de emoção, à minha volta. Como última lembrança, o Cocker mostrou-se bom de cerveja, pois durante o show, bebeu sozinho um engradado, que ficara à sua disposição, em cima do praticável da bateria. O show do Joe Cocker foi inesquecível, pois ainda possuía o frescor da sua boa forma artística, "Woodstockena". Foi inacreditável estar a testemunhar aquele mito do festival de Woodstock, e que só conhecíamos pelo filme (e também pelo documentário, “Mad Dogs and The Englishmen”) ali, a esgoelar-se no seu vocal super dramático. O repertório foi incrível. Ele cantou seus grandes clássicos e a banda, esteve espetacular.

Continua...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Autobiografia na Música - Terra no Asfalto - Capítulo 5 - Por Luiz Domingues

O que aconteceu, foi que o Sérgio Henriques tinha um nível muito alto como tecladista, e a sorte por ter uma esposa que possuía contatos fortes no mundo mainstream da música. Ela chamava-se, Celina Silva e era filha do radialista, Walter Silva, vulgo "Pica-Pau". Esse profissional foi muito famoso no meio radiofônico paulistano, nas décadas de 1950 a 1970, principalmente, e conhecia a nata da MPB, fossem artistas, fossem empresários.

E assim, ao estabelecer contatos, indicou o Sérgio para ser segundo tecladista da banda de uma diva da MPB : uma certa, Elis Regina...

Dessa maneira, estávamos a começar a ensaiar sob uma terça-feira tórrida de janeiro de 1980, quando vi entrar dois senhores a trajar terno e gravata, no Bar Opção. Não reparei na fisionomia deles, e continuei a tocar. Nunca esqueço-me, nesse instante tocávamos "Michelle", dos Beatles quando eu olhei para trás e reconheci um dos senhores : era Cesar Camargo Mariano, marido e tecladista da Elis Regina.
Esmoreci naquele instante, pois tratava-se de um músico de nível altíssimo a olhar-me a tocar ali, e eu com aquela minha técnica simplória à época...

O Sérgio conversou com eles, e cerca de quinze minutos depois, comunicou-nos que estava a desligar-se da banda, pois acabara de assinar contrato para ser segundo tecladista da banda da Elis Regina, na sua nova turnê. Desejamos boa sorte, claro, ficamos eufóricos com essa oportunidade para ele, e assim ele desmontou seu piano elétrico e evadiu-se do local, a acompanhar o Cesar, e o outro sujeito, que devia ser um advogado.


Na foto acima, Sérgio Henriques está debruçado sobre o piano acústico, enquanto Cesar Camargo Mariano toca. Elis ouve, e com mão no bolso, de barba e óculos, está o baixista, Luisão Maia. O rapaz com bigode e camisa branca, mais atrás, é o trompetista, Farias.
Acompanhamos de longe a rápida ascensão dele, Sérgio Henriques, com a Elis. Seria a turnê do álbum : "Saudade do Brasil", onde o Cesar Camargo Mariano montou uma banda enorme, com baixo; bateria; guitarra; dois tecladistas; e naipe de sopros. Por isso queria um segundo tecladista, para poder ficar mais absorto nos solos, enquanto o Sérgio cuidaria da harmonia das canções. E recebemos várias notícias dele, doravante. Não perdemos o contato, muito pelo contrário, pois ao final de 1980, ele teve férias da turnê da Elis Regina, e voltou à nossa banda, que vivia uma nova fase sob outra formação, quando somou muito, com sua técnica refinada. 

Nesse mesmo dia, conhecemos o Fernando "Mu". Ele era um sujeito estranho. Parecia um pistoleiro soturno de filmes de Westerns, com poucas palavras. Algo como os personagens vividos pelos atores, Clint Eastwood ou Lee Van Cleef, ao chegar em uma cidade do velho oeste norteamericano.

Ao demonstrar arrogância, mal entrou no estabelecimento e com cachimbo na boca, iniciou a distribuir ordens. O Sérgio e o Paulo Eugênio já conheciam-no, e não espantaram-se com seu comportamento temperamental, mas eu; Cido Trindade e Wilson Canalonga Junior, ficamos atônitos. Ele quis ver o Wilson tocar, e não gostou de seus poucos recursos à época. O Gereba não estava, pois pegara o seu cachet da festa na empresa de engenharia (onde fizéramos a primeira apresentação dessa banda e para tal aglutináramo-nos), e viajara para o nordeste, Rio Grande do Norte, para ser específico, para visitar seus familiares.

Foto de um show da turnê de Elis Regina, com o Sérgio ao fundo, a tocar em um piano Yamaha, enquanto Elis e Cesar Camargo Mariano cumprimentam o público. 

E com a perda repentina de Sérgio Henriques, aquela promissora banda formada poucos dias atrás, estava esfarelar-se... mas o Fernando "Mu" estava ali decidido a assumir o emprego, pois conhecia o Paulo Eugênio, e sabia que este tinha muitos contatos na noite paulistana, e por estar a precisar de dinheiro, porque nesse momento, tocava apenas com uma banda que pretendia fazer som autoral (com a presença do baixista, Roatã Duprat, filho do maestro Rogério Duprat e Luis"Bola", um baterista, nessa formação). Tal banda tinha um tremendo som, influenciado pelo King Crimson, mas não estava a ganhar nada naquele momento, infelizmente.
Então, disse ao Wilson que o ajudaria, ao passar-lhe a harmonia das canções, mas no primeiro show marcado, ele determinara que não tocaria por não confiar nele (o Wilson ficou muito indignado com essa franqueza gélida, e saiu do bar, muito bravo, mas voltou, a seguir, quando ponderou e aceitou a "ordem"). E no meu caso, escreveu rapidamente a harmonia de cerca de vinte músicas, e as letras para o Paulo Eugênio, ao dizer-nos que tocaríamos aquele repertório no show. Ele era extremamente arrogante, mas muito competente, pois sabia tudo de cor, como um maestro. E não deu para queixar-se do repertório por ele imposto... Beatles; Traffic; Ten Years After; Elton John; Santana; Jimi Hendrix; Led Zeppelin; Deep Purple, James Taylor... só a nata e o melhor de tudo : o Mu tocava muito !
Ficamos boquiabertos ao vê-lo executar o tema : "Star Splangled Banner" (o hino norte-americano), com todos os ruidos; distorções e alavancadas idênticas às que Jimi Hendrix executou no Festival de Woodstock, mas com um detalhe desconcertante : através de uma guitarra, Gibson Les Paul, sem alavanca.  Ou seja, ele fazia normalmente toda a parte de efeitos com microfonias, a  puxar, literalmente, o headstock da guitarra na mão !
Nessa foto acima, a foto de uma guitarra Gibson Les Paul, modelo Junior, idêntica à que o Fernando "Mu" possuía. A dele, era do ano de 1958, uma raridade na época e hoje em dia ainda mais valiosa pela ação do tempo entre as cotações de instrumentos vintage
 
Seus solos eram infernais ! Chegava a causar comoção entre nós nos ensaios, pois seu nível era estratosférico.

O mercado de covers era fortíssimo já naquela época em São Paulo.
Essa tradição com bandas cover era forte desde muito tempo. No âmbito do Rock, eu diria que desde o final dos anos cinquenta, pois havia uma enorme tradição forjada desde os conjuntos de bailes, festas em apresentações pelos clubes da cidade, boites, casas noturnas, festas particulares, festas colegiais e outras demandas daquela década remota. Ao final dos anos setenta, início dos oitenta, o mercado de covers era muito forte, com dúzias de bandas a disputar espaço para tocar, principalmente em bares.
A diferença brutal, foi que naquela época, isso não atrapalhava em nada os artistas focados na música autoral, pois havia espaços para eles. A música autoral era apresentada em teatros; casas de shows; ginásios de esportes etc. Nesse circuito de bares, só tocavam bandas covers e nenhum artista autoral interessava-se em tocar nesses espaços. 

De volta ao assunto primordial, os primeiros ensaios aconteceram sob uma forma normal, mesmo sem a presença do Gereba que estava a viajar, mas nessa específica terça-feira que descrevo, tudo mudou repentinamente, pois perdemos Sérgio Henriques e o Mu entrou na banda, a dar ordens e de certa forma, assustando-nos um pouco com seu gênio irascível. Gereba estava ausente, mas voltaria, e Wilson ficou bem chateado, mas tudo contornou-se adiante para ele.


Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 9 - Por Luiz Domingues



Infelizmente não tenho e desconheço quem tenha uma cópia dessa aparição no programa, Dárcio Campos. Isso porque ninguém tinha videocassete nessa época, praticamente. Inclusive, não havia disponível no mercado brasileiro na época (só começou a ser fabricado em 1982, aqui no Brasil). Talvez os mais abonados possuíssem-no, mediante aparelhos importados, mas isso era raríssimo.
A não ser que algum abnegado tenha gravado na época, realmente não existe esse registro. Mas essa hipótese é remota, mesmo por que, os poucos que tinham esse aparelho em casa, dificilmente assistiriam o programa Dárcio Campos em um sábado a tarde, e pior ainda, interessar-se-iam em gravar a participação de uma obscura banda como era o Língua de Trapo, naquela ocasião, a não ser que fosse um vidente...
E tenho dúvida se a TV Bandeirantes tenha esse material arquivado. Naquela época, as fitas de VT eram importadas e muito caras. As emissoras de TV costumavam regravar por cima, para otimizar o uso das fitas. É sabido por exemplo, que centenas de jogos de futebol foram apagados para que a extinta TV Tupi pudesse gravar novelas, por exemplo. Por isso que o acervo de gols do Pelé é tão pequeno, infelizmente. Fora dessa improvável hipótese, só na memória, mesmo. Bem, na minha com certeza, muito provavelmente na do Laert que tem excelente memória, e sempre foi minucioso com a preservação de tudo a respeito de sua carreira, mas quanto aos demais... não posso garantir nada.
E mesmo a estar sob um ridículo programa de calouros brega, no meu caso teve um sentido especial tocar naquele palco (para o Laert, também), pois ali aconteceu shows históricos do Rock e da MPB nos anos setenta. Tive esse momento de reflexão interna, enquanto tocava. Após essa primeira aparição em um programa de TV (com a devida ressalva que havíamos tido uma reportagem de um show ao vivo na estação São Bento do Metrô e já relatada anteriormente), a preocupação agora seria lançar a fita demo com um show a altura. Mas antes disso, começamos a vender a fita com aquele acabamento caseiro, que expliquei em capítulo anterior.
E foi um estouro de vendas...
Praticamente a nossa Faculdade inteira comprou, e muita gente de outras faculdades; amigos; parentes e conhecidos. Lembro-me que chegou-se em um ponto onde o Carlos não suportou a demanda para reproduzir em seu equipamento caseiro, e aí tivemos que encomendar cópias em estúdio, a encarecer um pouco a produção, mas a valer a pena, pela quantidade. Lançamos no início de dezembro de 1980. Eu saí da banda ao final de janeiro de 1981, e até quando permaneci, havíamos vendido mais de 1300 fitas. Um estouro total se levarmos em conta que fora uma produção amadora, sem divulgação, e sem respaldo algum. De forma artesanal e vendida no tète-a-tète, esse número pode ser considerado, fabuloso.
E quanto a produção no estúdio, não foi em um estúdio profissional de gravação, mas sim o estúdio de ensaio de uma banda cover que atuava na noite paulistana, chamada "Cia. Itda". E a quantidade de músicas foi enorme. Gravamos 18 músicas, o que tornou a missão cansativa. O resultado final, ao considerar-se que foi uma gravação ao vivo, com ambiente sem separações (a não ser alguns biombos, e portanto não evitou-se os vazamentos), ficou razoável. Em 4 canais, na mixagem foi inevitável o processo de redução. E no processo final, o estéreo armazenado sob uma arcaica fita K7, com seu indefectível chiado. Apesar disso tudo, a qualidade agradou-nos, e o sucesso de vendas comprovou a aprovação do trabalho. A base do repertório foi usada posteriormente na gravação do primeiro LP oficial do Língua. Isso ocorreu em 1982, mas eu não estaria mais na banda. Só voltei em 1983. Mas essa etapa, eu conto depois, na cronologia adequada...
O estúdio ficava localizado bem em frente a este observatório astronômico, da Av. Indianápolis, no bairro do Planalto Paulista, zona sul de São Paulo




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Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos - Capítulo 14 (Cínthia) - Por Luiz Domingues

Pareceu-nos uma bizarrice preparar músicas daquela forma precária, não ensaiar, e tocar ao vivo na mesma noite. Mas foi o que aconteceu, infelizmente. Durante nossa estada na residência do casal, o Gereba mal disfarçou que encantara-se pelos dotes físicos da cantora, apesar dela ser casada, e o marido estar ali na sala-de-estar, a observar tudo !

Ocorria que o Gereba era um "Casanova" incorrigível, e se havia uma coisa que o desnorteava, era ver uma bela mulher. Ao ser inconveniente, ele várias vezes falou entre os dentes, ao virar-se para eu e Luis Bola, suas impressões sobre o corpo da moça, a causar-nos o embaraço por quase o casal perceber. Então, superado esse constrangimento, fomos para a casa do Luis Bola, descansar e esperar pela Kombi da produção, que conduzir-nos-ia ao local da apresentação.
O Luis Bola tinha uma bateria Tama, com dois bumbos e quatro tons; dois surdos; e uma infinidade de pratos de excelente qualidade. Seu Kit era para tocar Rock progressivo em alto nível, certamente. Mas qual foi a minha surpresa quando a desmontou e eu notei que ele planejava levá-la inteira ! Perguntei-lhe então se aquilo não seria um enorme exagero para acompanhar uma cantora popular em um salão de subúrbio, mas sua resposta calou-me : se o som não seria o que sonhávamos tocar e ganhar a vida, que pelo menos ele o divertisse.

Na foto acima, o genial baterista, Bill Brufford, em momento de atuação ao vivo com o King Crimson, em 1974
 
E acrescentou que faria viradas de Bill Bruford nas canções prosaicas da Cínthia. Chegamos ao salão e percebemos que ficava muito próximo do quartel do exército de Quitaúna, um bairro daquela cidade e onde todo recruta temia ser designado, pois tinha a fama de ser um dos quartéis mais duros da corporação, para os recrutas compulsórios do serviço militar.

E ao entrarmos, já verificamos que o grosso do público era formado por soldados do exército em dia de folga, e completamente dispostos a arrumar bagunça. Bandas cover locais tocavam antes do show principal. Eram medonhas até para o padrão baixo nível do mundo brega. Nesta altura, eu já questionava se os mil cruzeiros prometidos estariam a valer mesmo a pena...
E o Gereba, alheio a tais percalços, começou a beber, ao perceber que o dono do salão o tratava como a uma grande estrela, afinal, éramos a banda da Cínthia...

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Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 27 - Por Luiz Domingues

Como já disse anteriormente, no dia da apresentação, quando despertei pela manhã, senti um calafrio. 
Seria uma apresentação para muita gente, e com palco verdadeiro; equipamento e luz. Mas vou contar-lhe, meu caro leitor : foi dessa vez, um pouco nas próximas, e logo controlei essa ansiedade. Rapidamente dominei esse nervosismo em subir ao palco. Conheço gente que é veterana, e até hoje sente calafrios para enfrentar o público, mas eu rapidamente dominei isso. Ainda bem, nunca sofri com o temível, “Stage Fright” (medo de palco). Ao falar do festival : houve um apresentador, sim. Foi um aluno do terceiro ano, desinibido e falante, com vocação para animador de auditório. O júri foi formado por vários professores. Fomos chamados, e o nervosismo foi grande. Começamos com "Serena". O retorno estava péssimo, pois mesmo com um equipamento razoável à disposição, o ambiente era o ginásio de esportes do colégio, portanto uma acomodação acústica inóspita para apresentações musicais, somado ao descaso dos técnicos e nossa inexperiência... dessa forma, sentíamo-nos inseguros e "Serena" saiu mais ou menos. Sim, o apresentador interveio novamente, e anunciou a próxima música, que foi "Revirada". Como ela começava com o Wilton Rentero, sozinho, ao tocar uma introdução bem nordestina (sob uma "pegada" de Pepeu Gomes), imediatamente despertou a atenção do público, que aplaudiu, e isso deu-nos maior confiança. Depois veio a parte Rock'n'Roll, que animou ainda mais. O público apreciou. Teve aplausos e assovios. E nós saímos contentes por termos tido essa boa receptividade. Havia cerca de trezentas pessoas presentes. Claro, nossos familiares estavam presentes e confesso que foi estranho tocar perante meus pais, mas como tinha um contingente grande na plateia, procurei não olhar muito para as cadeiras onde eles estavam sentados. E sem nenhum constrangimento, digo que o nível musical dos concorrentes era muito fraco e a única banda que mostrava-se superior à nossa, era a do guitarrista conhecido como, "Cri", que já descrevi anteriormente. Saímos rápido do colégio e guardamos os instrumentos em minha casa, pois estava em cima da hora para começar o show do Joe Cocker. Conseguimos classificar as duas músicas para a final, que ocorreu no dia seguinte, 14 de agosto de 1977.
Mas antes de falar sobre isso, preciso contar sobre o show de Joe Cocker, outra aventura Rocker na mesma noite... foi no ginásio da Portuguesa de Desportos. E com aquela atmosfera dos anos setenta, maravilhosa, claro. Logo que entramos no ginásio, encontramos um freak, que era conhecido nosso de tantos outros shows. Não lembro-me de seu nome, apenas que era uma presença sempre presente em portas de teatros; ginásios & afins. Ele sacou um caderninho de sua bolsa, e ali estava anotado o possível set list do show, que ele deduzia que o Cocker cantaria naquela noite.
Continua...