sábado, 4 de julho de 2020

Serenidade, Paz... - Por Telma Jábali Barretto

De onde vem a sua?

Respira lenta e profundamente e um processo absolutamente físico é capaz de começar a trazer eixo e centramento para qualquer um e... quase sempre, assim, repetimos quase que, também, no instinto, vemos alguém esbaforido, bravo ou muito cansado.
Sim! todo um mecanismo natural, se houver e havendo escuta atenta, numa sabedoria da própria Vida pulsando em nós tem o poder de mover para o equilíbrio que, nos tempos atuais, mais ainda sabemos valorizar esse básico “respirar”.
Pulsar da primeira inspiração, seguida de choro, quando bem adentramos num parto simples para essa novela que, no momento, estamos enredados, marca começo da existência à qual fomos brindados!
Perdemos o fôlego quando choramos compulsivamente, diante de beleza estupenda que fala por si, susto ou emoção intensa, podendo nos tirar o chão e o ar e... é o alento tranquilo quem demonstra que dormimos serenos pois, ao contrário, no descompasso, caracterizam que algo, do muito festivo ou ameaçador, diante de nós está.
Chamamos de alento o que abastece nossa esperança, fé... de um novo ar alimentamos ideias, “oxigenamos” conceitos ou reativamos a brasa adormecida... e de tão corriqueiro e instintivo, mecânico,  acontecendo automático em nós, mesmo descrito na Bíblia como sopro do Criador doador do starter à Sua criação humana.
Sem dúvida conhecemos sua importância quando, num resfriado passageiro, passamos por qualquer obstrução nasal e o desconforto trazido... Pensamos que clarearemos, dando outro valor, à sutilização e muito da maneira que lidamos com sentidos que, sendo marca da natureza primitiva de nossa existência, no detectar desses alertas sinalizadores básicos de cheiros, aromas , sabores incumbidos desde o convidar, rememorar, alimentar confortos e seguranças, cuidados... ou reconhecimento daquilo que traga ameaça ou tranquilidade, indo do aconchego do peito nutridor da mãe até às percepções extrapoladas percebidas por subjetividades que, construídas, num aprimoramento da alma nos levarão às grandes, transcendentes Iniciações Superiores. Jaya!!!
Tempo de revererências e reverenciar... o simples, o comum que costuma ser  essencial, muitas vezes, pouco percebidos, respeitadas e, menos ainda, humildemente, devidamente, agradecidos.
Nossa reverente rendição ao sol, ao ar, a água, a terra...  e Aquele, Aquilo, a nos brindar com suas dádivas e Vida!
NA MAS KA RAM!!!

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, harmonizadora para ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Nesta reflexão, a colunista fala sobre a questão da serennidade.  

terça-feira, 30 de junho de 2020

Luiz Domingues: Segunda Entrevista ao Programa Vitrola Verde / Cesar Gavin


Amigos: é com muita satisfação que eu anuncio o lançamento do segundo episódio da minha entrevista para o espetacular programa, Vitrola Verde, produzido e apresentado pelo músico e ativista cultural, Cesar Gavin! Neste capítulo, eu falo sobre A Chave do Sol, a minha querida banda nos anos oitenta e um pouco sobre uma outra banda que eu tive nessa década, The Key.
Eis o Link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=Te7228ublsM

terça-feira, 23 de junho de 2020

Luiz Domingues: Primeira Entrevista ao Programa Vitrola Verde / Cesar Gavin


Amigos: é com prazer que eu anuncio o lançamento do primeiro episódio da minha entrevista concedida ao amigo, músico e ativista cultural, Cesar Gavin, para o seu espetacular canal, Vitrola Verde! 

Neste episódio, eu contei histórias sobre a minha primeira banda em 1976, o Boca do Céu, as duas passagens que eu tive pelo grande Língua de Trapo, também sobre a banda cover, Terra no Asfalto em que fiz parte, além de um trabalho avulso que eu tive em 1980 e que gerou uma participação em disco.
Eis o link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=01zQDwxHWeE

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Entrevista de Luiz Domingues (Teaser) - Programa Vitrola Verde / Cesar Gavin



Amigos: este é o vídeo promocional da minha participação no programa: "Vitrola Verde", do grande músico e ativista cultural, Cesar Gavin. Trata-se de uma série de entrevistas divididas em capítulos, super caprichados, sob a produção do Blogger, radialista, ativista cultural e músico, Cesar Gavin!
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=b7HzOBs6gIc

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Crônicas da Autobio - A Coragem dos Idiotas - Por Luiz Domingues


     Aconteceu no tempo d'A Chave do Sol, em meados de 1985

Em meados dos anos 1980, a ligação umbilical que A Chave do Sol manteve com a loja/gravadora Baratos Afins, foi total. Não apenas pelo fato dessa empresa ter lançado os dois primeiros discos da nossa banda, mas por conta de que ali naqueles balcões e sobretudo pelas constantes conversas mantidas pelo telefone, o produtor fonográfico, Luiz Carlos Calanca, era bombardeado diuturnamente com sondagens, propostas, pedidos e consultas sobre os seus lançamentos e essa enorme gama de possibilidades eram repassadas de imediato aos artistas que faziam parte do seu elenco de contratados, incluso a nossa banda, certamente.
Exatamente por ser um polo de oportunidades para todos os artistas que lançava, e pelo fato da loja ser um espaço público e absolutamente adorável por reunir amantes da música de várias vertentes e notadamente Rockers, pois não de uma forma declarada, mas de uma forma velada, predominara o espírito Rocker ali dentro daquelas dependências. Nessas circunstâncias, foi normal estabelecer uma rotina em passar por ali, ao menos uma vez por semana, tamanha a quantidade de recados que surgiam para nós e todos os demais artistas, além de reuniões com produtores musicais de toda monta, com as mais variadas propostas de trabalho para a nossa banda. 
E um outro fenômeno costumava ser recorrente ali: apesar da frequência ali dentro ter sido feita com pessoas sob uma proporção em torno de 99.9% com ligação direta com a música, apareciam pessoas não exatamente comprometidas com a música em si. 

E foi exatamente em uma ocasião em que eu estive ali presente com o Luiz Calanca, sua esposa Vitória, alguns funcionários e um amigo fraterno, o guitarrista, Hélcio Aguirra, que nesta época ainda era componente da banda orientada pelo Heavy-Metal, Harppia, que um sujeito ali apareceu e pelo teor da conversa, pareceu ser amigo do Calanca, mas de uma outra conexão social fora da música, pois a sua conversa direcionou-se completamente fora desse contexto.
O sujeito falava sobre as suas proezas no campo das artes marciais e em tom de bravata, passou a elencar as mais diversas situações em que usara a sua força, em tom de autoelogio e ameaça velada. Foi quando ele passou a insistir em fazer demonstrações, mesmo que ninguém ali na roda de conversa houvesse esboçado sequer, duvidar de suas afirmativas. Ficara claro que o rapaz queria exibir-se e ao mesmo tempo, deixar no ar uma advertência sobre o quanto seria imprudente da parte de qualquer um, desafiá-lo, no alto de sua força brutal. 
Mesmo com todos os presentes a reafirmar que acreditavam em seus feitos ali relatados, ele insistiu muito em fazer demonstrações, pois obviamente, o seu ego pedia por esse clímax, onde naturalmente ele ansiara por sentir nos seus interlocutores, a sensação do medo e assim, regozijar-se de uma possível sensação de temor que geraria de forma subliminar, embora supostamente a sua fala fosse amistosa, mas em seu âmago, ficara claro que essa seria a sua segunda intenção.
E assim, na base da insistência a beirar o constrangimento desagradável, o rapaz impetuoso forçou a situação até conseguir o seu intento. A proposta que ele lançou, antes fosse para quebrar tijolos ou outros objetos sólidos dessa monta, no entanto, isso não satisfaria o seu ego inflado pela síndrome do super herói de HQ que ele devia ter consigo. Foi então que cada um ali presente, foi convidado a sentir o impacto de um golpe desferido pelo altivo rapaz, mesmo que ele garantisse que não colocaria nem 1% de sua força, a garantir que não geraria lesão alguma para ninguém. 
Ora, que desagradável, foi essa insistência por si só, que já fora longe demais. Éramos todos adultos ali, bastaria dizer que não aceitaríamos a demonstração, encerrar o assunto e partir, mas o clima gerado, ficou pernicioso e assim, para nos livrarmos da situação, aceitamos participar, como tolos que se submetem a um truque de ilusionismo em um teatro de pequeno porte.
Bem, de minha parte, devo dizer que o rapaz aplicou-me um golpe em meu peito, com apenas um dedo. Mas o impacto dessa força controlada que ele realmente detinha, foi tremendo, ao parecer um soco desferido por um homem normal, com o punho cerrado. De fato, ficou a latejar por alguns segundos, mas logo passou o incômodo e que eu saiba, jamais houve nenhuma consequência mais grave em termos de lesão. No entanto, a pergunta que ficou no ar, foi: por que nos submetemos a essa demonstração barata para inflar o ego desse rapaz? Subjugação? Preguiça? Temor por parecer mal-educado e evadirmo-nos da loja, simplesmente?
Creio que na verdade, o que foi determinante no saguão da loja, foi o sentimento não declarado, mas presente, por ser algo enraizado por todos, como um paradigma que todos trazemos desde a tenra infância, que é algo típico da cultura latina, regido pela ideia machista de que é uma desonra fugir de alguma situação que envolva dor física, para dar margem aos demais, a supor que você seja um covarde. Então, todos ali foram dominados por tal sentimento subliminar, como se fôssemos novamente alunos da 5ª série, durante a hora do recreio no pátio da escola, ao deixar-se submeter a absorver um golpe, só para satisfazer o ego de um sujeito que nem conhecíamos e que apenas por cinco minutos de conversa, já deixara patente ser um deslumbrado pela sua força e pior ainda, uma espécie de sádico a nutrir prazer por provocar o medo subliminar em outrem.
Conclusão: a melhor solução teria sido a debandada para a estação de metrô mais próxima da Baratos Afins (Anhangabaú ou República), a denotar falta de educação social ou mesmo a dar margem que se pensasse ser um ato de covardia infantil, a submeter-se a essa exibição gratuita, desagradável, desnecessária e o pior de tudo, subserviente à vontade alheia, apenas para justificar um paradigma tolo sobre alguém "considerar" que você seja covarde. Pois que pensasse isso...
 

sábado, 6 de junho de 2020

Liberdade - Por Telma Jábali Barretto


Qual sua medida, critério ou definição que melhor expresse a liberdade? Tema dos antigos rebeldes, desbravadores e como muito fizeram em tempos outros, como hoje olhamos ou valorizamos sua importância. Já a tratamos de muitas e diferentes maneiras, incomuns, similares, mas... não sendo mais em uma mesma e igual sociedade a co-habitar o planeta ou, até, da percepção que tenhamos da vida e, se por um lado temos acesso maior a ela, de qual modo aos nossos, também, atuais moldes, lidamos e entendemos. Bem supremo para o desenvolvimento e o desabrochar de quem somos como indivíduos únicos... embora vivamos como quem usufrua dela de forma ampla, do nosso olhar, as redes que nos ‘enredamos’ mostram com quantas amarras somos, sub-reptícia e literalmente, amestrados, domesticados debaixo daquele antigo ‘Maria (João ?!...) vai com as outras’... 

Muito a nos dizer o que é ou não ’politicamente correto’ trazendo variantes de um correto que nem sempre poderíamos chamar, no mínimo, de justo, coerente e... passeando por uma gama grande de variantes desde moda, alimentação, costumes de convivência coletiva, indo de coisas mais objetivas, materiais aos conceitos bem subjetivos, norteadores de comportamentos, e onde mesmo ela, a liberdade, está?!...?!... Até onde nos deixamos conduzir, orientar e inspirar por tanto que mais margeia medo que autenticidade, matéria-prima de sua sustentação, ficando submissa, não por algo ético, superior ou até espiritual, mas... pelo simples desconforto de não ser único!!! 

Hoje, até para ser você mesmo, com suas idiossincrasias e originalidades, é preciso se apoiar em tribos, minorias e “achar minha tchurma”?!... Como assim?!... E...?!... por aí é que voltamos ao início dessa reflexão, base deste texto. Que seria do Einstein, Picasso, ou bem mais próximos, e bem menos geniais que outros que poderíamos citar aqui, dos Beatles?!... às vezes, agora, o que vemos, assistimos, para ser diverso e genuíno, fica mais no campo do escandalizar... outra forma de ser incomum, bem mais perto de extravasar levantando as chamadas aberturas libertadoras do contexto social e sim! 

Muito mais aquilo que temos de mais grosseiro, irracional, pouco harmonioso e, menos ainda, quebra de regras que acresçam, produzam algum florescimento, mais escravizante que libertador, bastante fora de padrões até ditados pelos ‘politicamente corretos’ ou convencionais... esperando aceitação?!... ?!... Então, há que se questionar e muito esse bem supremo que nem o próprio Deus (VIDA, natureza ...) tolhe, simplesmente em Sua plena abundância, Verdadeira liberdade, Justiça em Sua plenitude amorosa permite, oferecendo autonomia para usufruirmos de Sua Manifestação, com Leis absolutamente justas e inexoráveis, funcionando numa Física Omnipotente, aproximadora ou distanciadora infinitamente d’Ele, numa Paz ou Dor, nesse co-habitar, co existir, co operar em Sua Grandiosa Obra!!! E... que nos sirvamos com aquilo que possamos SER, aprendendo a ser fiéis ao que nos mova genuinamente! Dharma!!!



Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Nesta reflexão, Telma nos fala sobre a questão da liberdade, no entanto, sob um prisma bastante peculiar.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 128 - Por Luiz Domingues

A pandemia decorrente do Coronavírus, obrigou-nos a observar a reclusão, mas em tempos de Internet, a banda não deixou de gerar novidades. Lembro-me bem, o nosso guitarrista, Kim Kehl, fez diversas apresentações ao vivo, via Redes Sociais, diretamente de seu QG, o estúdio "Mandioka", que todo arrumado como se fosse um mini Café Teatro, ficou charmoso como ambientação. E além disso, matérias em site e blogs, assim como a ocorrência de execuções de nossas músicas em Webradios, movimentaram as atenções em nosso favor, para gerar muitos comentários através das Redes Sociais.
Na semana entre 11 e 16 de maio de 2020, um depoimento pré-gravado de minha parte, Luiz Domingues, foi veiculado em sinal de apoio à emissora Webradio A.S. Brazil, sob um convite do poeta, escritor radialista e ativista cultural, Luiz "Barata Cichetto" e quatro músicas dos Kurandeiros, tocaram durante a programação: "Seja Feliz", "Último Blues"; "Faz Frio" e "Andando na Praia".  
Em 17 de maio de 2020, eu fui convidado pelo poeta, escritor radialista e ativista cultural, Luiz "Barata Cichetto" a elaborar uma lista com vinte músicas de artistas brasileiros diversos e nesse bojo, a incluir duas músicas dos Kurandeiros: "Seja Feliz" e "Andando na Praia", especialmente para o programa "Música dos Músicos", veiculado pela Webradio A.S. Brazil

Eis o link do podcasting para escutar o programa:
https://www.asbrazil.com/podcasts/?fbclid=IwAR3RhfAluPrqjAO384tAE01zVPhHfhI62vTCssnaV0mBFHrt4Z3cEyp1hd0

Uma execução foi programada para a música: "Hey, Gringo", na emissora Logo FM de Manaus, em 23 de maio de 2020.

Eis o Link para ouvir tal participação no podcasting da emissora:
https://soundcloud.com/marco-ant-nio-ribeiro-2/mib_230520_parte3?fbclid=IwAR2Zked2_Daoam2WfhMX6BabQfEZEGzMLRKcJrIhDZt8jx4xSat2dJF9mKc

Após o lançamento oficial do nosso clip filmado pelo estúdio V8, em março último, eis que a repercussão muito boa que ele obteve, gerou a indicação para figurar em uma seção denominada: "Drops' do portal "Dica do Rock", em 28 de maio de 2020.

Eis o Link para acessar a matéria:

Uma outra grande novidade no campo do marketing, foi em torno do protótipo que eu recebi de uma capa (ou fronha como queira), para travesseiro, com a capa e contracapa do CD "Seja Feliz, como estampa. Tal experimento foi projetado pela artista plástica, Amanda Fuccia, que também trouxe-me a máscara anti-pandemia com o logotipo dos Kurandeiros, no mesmo dia. Aprovado, tornou-se uma opção para a venda aos fãs, quando do fim da quarentena.
E para fechar o mês de maio em pleno transcorrer de quarentena, com mais uma notícia positiva, uma música dos Kurandeiros ("Hey, Mãe"), foi programada para fazer parte do programa: "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock, entre 30 de maio a 6 de junho de 2020. Ou seja, estávamos a nos resguardar da pandemia, mas a banda seguiu a gerar novidades nesses dias tão difíceis que vivemos em pleno isolamento sanitário.

Continua...

sábado, 23 de maio de 2020

Crônicas da Autobio - A História do Apelido Mal Compreendido - Por Luiz Domingues

Aconteceu em um momento da carreira entre 1976 e 1999, sob vários trabalhos realizados. Acervo: Luiz Domingues

Eis que por volta de 1974, eu estava inserido em uma informal roda de conversa formada por colegas da sétima série do primeiro grau, que eu cursava na ocasião, quando surgiu uma discussão sobre origens ascendentes, quando cada partícipe da reunião, discorreu sobre o seu caso em particular. Quando chegou a minha vez, esclareci aos demais que a minha era lusitana, com avós portugueses e de imediato, os colegas estigmatizaram-me como "português" e mais rapidamente ainda, corruptelas com intenções satíricas surgiram aos montes, tais como: "Portuga"; "Tuga", "Tigues"; "Tigueis", "Tiges", "Tiga", entre outros, até que fixou-se como "Tigueis", e grafado dessa forma, da mesma maneira com a qual é pronunciada.
Pelo lado emocional, não haveria problema algum em ser apelidado por minha origem, e pelo contrário, tenho orgulho da minha condição lusófana, da terra dos meus avós, suas tradições forjadas em Cantanhede, distrito de Coimbra, na província da Beira Litoral, caso do meu avô e de alguma remota aldeia medieval, pertencente ao distrito de Bragança, na província de Trás-os-Montes, de onde veio a vovó. Por conta de tais fatores, não enxerguei nenhum malefício em ser chamado pelo apelido.
O  aspecto ruim, no entanto, logo sobressaiu-se, pois a verdadeira intenção em atribuir-me o apelido, foi uma forma para estigmatizar-me de uma maneira desonrosa, no sentido de que a intenção camuflada foi atribuir-me a pecha de um rapaz dotado de pouca inteligência, a seguir a brincadeira maldosa e paradigmática de que todo português seria uma pessoa a deter pouca ou nenhuma inteligência. Mais do que irritar-me em assim ser considerado pelos demais e ter que ouvir as suas piadas descabidas, irritava-me ouvir tais pilhérias injustas, ao lembrar-me de meus avós, vilipendiados gratuitamente por extensão. 

É óbvio que eu nunca achei graça de piadas maldosas, nesses termos, aliás, nem apenas sobre a suposta falta de inteligência dos portugueses, mas também sobre outras pechas igualmente injustas, e impostas à outras colônias tais como: a ingenuidade dos japoneses, a frieza dos alemães, a arrogância dos ingleses, a ganância dos norte-americanos, a cólera dos espanhóis, o caráter bonachão dos italianos, a mesquinharia dos judeus, o mercantilismo exacerbado dos povos árabes, o maquiavelismo dos ciganos, a falta de escrúpulos dos indígenas ou a indolência dos africanos etc. Ou seja, estigmas negativos tão somente, como se tais povos fossem marcados por tais características e pior ainda, como se isso fosse uma verdade absoluta e generalizada a dar conta que "todo" cidadão com tal origem em específico, fosse regido por tal atribuição de cunho negativo.
Bem, a pensar no aspecto positivo em ser reconhecido com tal apelido, a revelar a minha origem, e não apenas baseado na segunda intenção explícita da parte dos outros colegas que estudavam comigo na mesma sala de aulas, eis que eu deixei que o apelido ganhasse uma proeminência além da alcunha e assim, não incomodei-me em ser assim chamado, a predominar e sobrepujar o meu nome real. Sei que foi por ingenuidade de minha parte, mas o fato é que o apelido marcou de uma forma tamanha, que quando eu comecei a tocar, o apelido tornou-se o meu nome artístico, por osmose. 

Ainda nos tempos iniciais do Boca do Céu, em 1976, a tratar-se da minha primeira banda, o apelido deu margem para a confusão, quando uma senhora ao saber do meu apelido, fez menção de que seria uma alusão a uma suposta homossexualidade de minha parte, visto eu ter aparência de Hippie, com o uso de cabelos longos, mas na compreensão dela, muito equivocada por sinal, a longa cabeleira a ser entendida como algo a evocar o aspecto feminino, somado ao apelido que ela interpretara como "Tigresa", deu-lhe essa falsa impressão, e assim, ao cantarolar a melodia da canção homônima do Caetano Veloso, ironizou-me, naqueles dias de 1977.
Foto promocional d'A Chave do Sol, de 1984. Acervo: Luiz Domingues

Foi nos tempos do Língua de Trapo e d'A Chave do Sol que outros problemas advieram. Com a exposição midiática a atingir-me mais fortemente, eis que a questão da fonética e da grafia, se tornaram questões proeminentes. O apelido gerou um sem-número de confusões, ao ser escrito ou falado das mais diversas maneiras e a gerar estupefação, algumas vezes. Além das variantes que eu já citei, outras surgiram, tais como: "Tigu", "Tigez", "Tigis", ou seja, percebi que a intenção inicial em torno da origem lusitana estava completamente obscurecida e as pessoas tendiam a pensar ser tal denominação, algum nome ou sobrenome de origem estrangeira, mas de alguma raiz exótica, não latina.
O famoso baixista e luthier, Antonio Carlos Lopes, popularmente conhecido como "Tiguez". Acervo: Internet

Eis que um problema extra surgiu, quando eu tomei conhecimento que um outro baixista, muito bom por sinal e que tornara-se um luthier famoso no meio musical paulistano, também usava o mesmo apelido e eu passei, por conseguinte, a ser constantemente confundido com ele e vice-versa. Diversos músicos, alguns bem famosos do mainstream da música profissional, inclusive, passaram a abordar-me para falar sobre reparos em seus respectivos instrumentos, exatamente por confundir-me com esse colega a usar o mesmo apelido, mesmo que no caso dele, a grafia por ele mesmo sugerida para designá-lo, fosse outra. Eu optara em seguir a fonética ao grafar "Tigueis", literalmente como se pronunciava, inclusive a usar a letra "i", intermediária como uma elevação coloquial do fonema verbalizado e ele, grafou como "Tiguez", com o uso da letra "Z", talvez a demarcar a origem espanhola, mas não tenho essa confirmação, apenas deduzo. Nunca perguntei-lhe diretamente, pois o conheço e o considero um grande músico e Luthier.
China Lee, vocalista da pesada, do grupo, Salário Mínimo, um luso-descendente com muito orgulho. Acervo: Internet

Houve até uma situação inusitada, nos anos oitenta, quando um famoso vocalista de uma banda pesada daquele cena e descendente de portugueses, perguntou-me com entusiasmo se eu também o seria. Surpreendido, achei que fora uma tentativa de brincadeira da parte dele e desconversei, ao não confirmar a minha origem. Entretanto, não foi essa a intenção dele e muito pelo contrário, ele estava animado com tal perspectiva e queria regozijar-se comigo, por termos a mesma origem lusitana. Arrependi-me muito em não ter compreendido a situação e fugido da verdade, por um temor que nem caberia mais, em plena idade adulta. Sim, sou descendente, com muito orgulho!
A Chave do Sol em ação em um show realizado em 1985. Acervo: Baratos Afins

Já bem aborrecido pelas confusões geradas pelo apelido, eis que eu tentei reduzir a sua estranheza ao assinar como: "Luiz Tigueis" ou "Luiz "Tigueis" Antonio, mas tal tentativa de indução não surtiu um grande efeito e assim, os aborrecimentos prosseguiram.
Isso sem deixar de mencionar que até no cotidiano, a questão do apelido causou-me constrangimentos, pois ao telefone, foram muitas as ocorrências desagradáveis com interlocutores. -"ti...o que"?
A minha foto para o encarte do álbum "Chronophagia", da Patrulha do Espaço, lançado em 2000, e a tratar-se do meu primeiro álbum a demarcar o meu nome verdadeiro e não o antigo apelido que eu usara anteriormente. Click de Moa Sitibaldi

Foi em 1999, que enfim, tomei a resolução em dar um basta à todas as confusões, mal-entendidos e assim, demarquei o fim do apelido. Adotei o nome duplo, típico de meio artístico, a usar o meu nome verdadeiro. Abreviado, como "Luiz Domingues", ficou objetivo, portanto, dentro do padrão de um típico nome artístico, embora custasse a supressão do meu segundo nome, Antonio, que particularmente eu gosto bastante e que foi o nome do meu avô português, querido e saudoso. 

Por força das circunstâncias, "Antonio" tornou-se desde sempre uma denominação bastante intimista, usado por poucos familiares, que me chamam como, Luiz Antonio, daí a opção em privilegiar o "Luiz" e o sobrenome, "Domingues", embora eu reafirme, gosto de chamar-me "Antonio", pela sonoridade da palavra e origem, além da homenagem ao meu vovô e também por ser um nome internacional, usado em várias línguas, a constar, Antonio para o português, espanhol e italiano, Anthony para os ingleses e norte-americanos, Antoine, para os franceses e cuja origem mais remota seria o Anton, que antecedera o Antonius, no latim clássico do Império Romano. Enfim, tive que abrir mão de um nome que gosto bastante, por uma questão de praticidade.
Inacreditável, a minha decisão provocou reações não muito favoráveis da parte de algumas pessoas, por conta de motivações diferentes. Tal decisão, de minha parte, teve por exemplo, a reação contrária da parte do Rolando Castello Junior, com o qual eu estava a trabalhar na ocasião, com a Patrulha do Espaço. A sua argumentação em desacordo, no entanto, teve fundamento, pois ele alegou que o nome artístico anterior que eu usava, estava sedimentado e portanto, seria contraproducente eu eliminá-lo, apesar de ser um incômodo em vários aspectos.
Mas houve também reações sem fundamento algum. Com pessoas a reclamar pela mudança, a alegar que não reconhecer-me-iam mais com um "novo" nome e engraçado, eu apenas quis ser chamado pelo meu próprio nome verdadeiro. 

E outras reações piores, com pessoas a afirmar que seria tal determinação de minha parte, como algo a denotar um ato de "arrogância" de minha parte, o que causou-me espanto pelo fator inusitado e completamente fora de propósito como uma hipótese plausível, ou seja, fiquei até curioso para entender a razão pela qual tais pessoas chegaram em estabelecer tal linha de raciocínio tão absurda, mas enfim, eis que aconteceu a bizarra reação da parte de algumas delas.
Eu, Luiz Domingues, a atuar ao vivo em um estúdio de São Paulo (V8), com Os Kurandeiros, em 2020. Click de Fausto Lopes


E assim, essa é a história do apelido que eu adquiri na adolescência, adotei indevidamente como o meu nome artístico a gerar-me dissabores, cortei veementemente em um ponto adiante (tardiamente até, eu reconheço), e que hoje em dia está erradicado, embora por conta do material fonográfico de trabalhos antigos e portfólio referente à tais ocorrências, tal velho apelido ficará marcado para sempre, como um pedaço da minha história na música, eu quero crer.