terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Os Kurandeiros - 1º/3/2018 - Quinta-Feira / 20 Horas - Entrada Gratuita - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP



Os Kurandeiros



1º de março de 2018 - Quinta-Feira - 20 Horas - Entrada Gratuita - Festival do Chopp Artesanal


Santa Sede Rock Bar

Avenida Luiz Dumont Villares, 2104

Tucuruvi

200 metros da Estação Parada Inglesa do Metrô

São Paulo - SP



Os Kurandeiros

Kim Kehl - Guitarra e Voz

Carlinhos Machado - Bateria e Voz

Nelson Ferraresso - Teclados

Luiz Domingues - Baixo

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Crônicas da Autobio - Garotos Emo a Vandalizar - Por Luiz Domingues



Aconteceu no tempo da Patrulha do Espaço, em algum momento do segundo semestre de 2003


Desde que entrei na banda, em 1999, eu assumi uma função na produção da mesma, como responsável pela divulgação de shows. Coordenava toda a parte de colocação de cartazes e distribuição de “filipetas” (flyers), a anunciar as nossas apresentações, a comandar uma equipe de colaboradores, e no caso das filipetas, contávamos com a sorte, invariavelmente em ter espetáculos com artistas do nosso espectro artístico, para aproveitar a movimentação, antes dos nossos shows e na contramão, incentivava equipes que trabalhavam a favor de outros artistas, a aproveitar a movimentação de nosso público, em nossas apresentações. Mas nem sempre a sorte era favorável aos nossos anseios e não tendo nada perto de nós com alguma similaridade comprovada na seara cultural / artística, muitas vezes forçamos campanhas de divulgação no autêntico campo minado das adversidades estéticas, no afã de aproveitar a oportunidade ao menos para estabelecer um contato fugaz com um público que nem sabia de nossa existência. Isso aconteceu algumas vezes em campanhas de divulgação e numa delas, algo exótico ocorreu e mesmo não tendo nada a ver conosco diretamente, chamou-nos a atenção.

Foi o seguinte : resolvemos distribuir filipetas em um evento ao ar livre, a ser realizado na Praça Charles Miller, e para quem não conhece São Paulo, trata-se de um imenso Boulevard que fica em frente ao portão principal do estádio do Pacaembu. Ali aconteceria um show patrocinado por uma emissora de rádio que dedicava-se exclusivamente ao fomento da cena do “Emocore”, uma ridícula cena de garotinhos muito mal formados e informados sobre a história do Rock, e que cultuavam uma espécie de New-Punk Rock dos anos 2000, com forte tendência pop, sob uma atroz ruindade inerente e tudo devidamente manipulado sob a meticulosa engenharia dessa emissora em conluio com empresários que fabricavam bandas nesses moldes na pior intenção possível. Ou seja, nem devíamos ter ido lá gastar o nosso material gráfico ali com tais garotos imberbes que gostavam dessas bandas de plástico, mas era gastar ali o material ou amargar fazer dele, papel de rascunho, pois não havia nada mais interessante antes da data do nosso próximo show.

Cheguei acompanhado do meu amigo, o baterista, Junior Muelas, que na época tocava na banda “Hare” e que havia aberto vários shows da Patrulha em cidades interioranas, desde 2001, e o roadie da nossa banda, Samuel Wagner, que sempre esteve presente nessas ações de divulgação, sendo meu fiel escudeiro nessas missões, além de mais alguns rapazes para o trabalho. Então, combinei com todos que infiltrassem-se, em meio à plateia, a distribuir uma rota para cada um agir pelos flancos dentro da multidão e na volta, encontrar-nos-íamos na famosa e enorme banca de jornais, que aliás era o ponto de encontro mais tradicional entre amigos, nas partidas de futebol no Pacaembu, no pós jogo, no caso de amigos que torciam para equipes rivais entre si e não podiam entrar juntos a ostentar camisetas antagônicas ou mesmo no caso de perderem-se uns dos outros. Eu sabia disso desde os anos setenta, quando comecei a frequentar o estádio para ver jogos de futebol.

Foi então que eu e Junior Muelas que estávamos perto da referida banca de jornais e ponto de encontro, vimos uma cena dantesca. O famoso jornalista da área de Rádio e TV, Nelson Rubens, que é famoso por protagonizar uma coluna de fofocas a abordar principalmente o universo habitado por atores e atrizes de novelas; cantores populares e subcelebridades em geral que habitam as emissoras de TV aberta, surgiu a caminhar em meio à multidão de molequinhos emo e até então, sendo abordado discretamente, mostrava-se tranquilo em direção ao seu automóvel, estacionado ali perto. Quando chegou perto do carro, teve que pedir licença para muitos jovens que estavam encostados em seu veículo, alguns até em clara postura de abuso, sentados sob o seu capô. Nesse mesmo instante, inevitavelmente algum engraçadinho gritou o famoso bordão que Nelson Rubens usava (usa) exaustivamente em suas reportagens televisivas : “eu aumento, mas não invento”...

Como um fósforo aceso perto de uma bomba de gasolina, aquilo gerou a chama imediata, ou seja, todos a sua volta passaram a compor um coro, com essa frase e tal como uma palavra de ordem, ganhou força entre outros que nem estavam perto, a aumentar o contingente. Até aí, tudo bem, Nelson ria e era nítido em seu semblante que regozijava-se com tal demonstração espontânea de sua popularidade, mas numa fração de segundos, alguém teve o ímpeto de empurrar o carro e contaminados pela energia bestial que move as multidões bovinas, outros seguiram a mesma ideia e começou um movimento físico intenso, a balançar o carro perigosamente. O coro engrossava e nesta altura, o jornalista que estava já sentado dentro do veículo, mudara completamente a sua postura e gritava para que parassem com isso e já não demonstrava estar a achar a brincadeira saudável e claro que nessa proporção, não o era mais e estava nas vias de fato do vandalismo e da agressão gratuita. Foi quando alguns policiais aproximaram-se e nem precisou intervirem com truculência, pois a molecada dispersou imediatamente e Nelson pode enfim engatar o seu carro e partir em segurança. Impressionante como a euforia desmedida gera violência sem sentido, numa fração de segundos e não por acaso, vemos cenas deprimentes em festas, que deveriam ser alegres pela sua motivação, mas que culminam em ocorrências policiais.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Bandeiras - Por Telma Jábali Barretto


Quase sempre precisamos, ou a grande maioria deseja, alguma espécie de abrigo, bandeira sob a qual sinta proteção e, mais que isso, viver aquela emoção de pertencimento, ser parte, da tribo...

Oposto a isso costuma ser outro sentimento, também e não menos importante, de que sejamos reconhecidos, não o simples reconhecido...não, não esse...

Adoramos, quase sempre, que  lembrem nosso nome, voz, o que fazemos ou alguma habilidade especial que tenhamos...aquelas coisas que nos dão a sensação que existimos para o outro e, como tal, temos lugar ali, reservado, cativo...o espaço num contexto que nos cabe, num perfeito encaixe! Isso traz a noção de sermos únicos, que nem sempre levamos a sério, valorizamos. Por isso, a importância de nosso intransferível papel...que igual fazemos, com aqueles que, dessa mesma forma lembramos.



Voltando àquele pertencimento do início, onde essa individualização não tem a mesma necessidade, valor, pois, ali, o que de fato importa são as similaridades que nos agrupam, nos fazem fraternos, irmanados numa só frequência, ideia, num ponto de comunhão, de comum união. Essa é a experiência do comungar, vestir a camisa debaixo daquilo que defendemos, acreditamos ou propagamos e em nome de que,,aí, forças sejam unidas e, assim, acontece, acontecerá!!! Perigo só julgamos ser, quando em/por tal agrupamento, perdemos aquilo que, individualmente, nos é caro, tal como a liberdade, respeito próprio e em razão de... vamos para uma forma de subserviência/omnipotência promulgadora de fanatismos, rigores, dando margem a abdicarmos daquilo que, pessoalmente, nos cabe cumprir...

Fato é que acontece por religião (?!...), times, marcas, partidos, família e por “miles” de coisas e circunstâncias que nos distanciam, separam e, se extremadas, são a base por onde nossos separatismos encontram apoio seguros, pensados, filosofados e, até, inflamados, geradores de muitos outros ‘ismos’ que serão justificados e justificáveis, aceitos e digeridos e vão sendo aos poucos absorvidos, criando uma espécie de empolgação inebriada, num envolvimento em que tudo vale... Pensamos que, por estão os estopins, primeiros sinais, por onde conflitos surgem, combates e mesmo guerras e...como estancar o que daí possa surgir, quando tomem corpo, força?



Deixarmo-nos ir, traindo a nós mesmos, talvez seja a mais séria traição que possamos praticar, abrindo mão do encontro mágico conosco, desvendador do encanto singular, onde floresce nosso compromisso esperado pelo processo cósmico, ad eternum...paciente e, acontecendo, agora e sim, paz ciente... Abrigado, refugiado, acolhido e, só então, também, acolhedor!


E que por nós, por ELE, pelos outros tantos iguais e diversos, sejamos !!!



Telma Jábali Barretto tem formação acadêmica como engenheira civil. É também uma experiente astróloga, consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Nesta reflexão, analisa a questão das bandeiras, que empunhamos ao longo da vida a seguir os ditos, "ismos".
 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Luiz Domingues - Entrevista para o Blog 2112 - Fevereiro 2018



Luiz Domingues em entrevista exclusiva para o Blog 2112

No ar, a partir de 10 de Fevereiro de 2018


Entrevistador : Carlos Antonio Retamero Dinunci

http://furia2112.blogspot.com.br/2018/02/entrevista-luiz-domingues.html?m=1

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Os Kurandeiros - 9/2/2018 - Sexta-Feira / 21 Hs. - Alkatraz Rock Bar - Bexiga - São Paulo / SP



Os Kurandeiros

9 de fevereiro de 2018 - Quinta-Feira - 21 Horas

Festival Carna-Rock com participação de :

Power Blues
Caio Durazzo Trio

Locução / apresentação : Rogério Utrila
Apoio : Webradio Stay Rock Brazil

Alkatraz Rock Bar

Rua Treze de Maio, 140

Bexiga

São Paulo - SP

Os Kurandeiros
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

sábado, 3 de fevereiro de 2018

A Alcova Secreta do Lord - Por Luiz Domingues



Como todos os jovens que formam-se na Universidade, Joe tinha muitos planos e sonhos. Graduado com méritos e por uma Universidade consagrada, havia recebido convites para empregar-se em boas empresas do mercado, mas o que ele queria mesmo era abrir seu próprio negócio. Na faculdade, conhecera outros amigos com os quais identificou-se e com a amizade solidificada, naturalmente ao verificar que compactuavam nos mesmos ideais, planejaram abrir sua própria empresa em sociedade.


Dessa maneira, Joe abriu a firma, tendo como sócios seus colegas de faculdade, Anthony; Bob e Rupert, mas claro, entre o sonho e a realidade do mercado, havia um abismo. Não importava se eram talentosos, criativos e cheios de vontade para trabalhar e vencer na vida, pois a pressão de uma sociedade construída sob mentalidade competitiva, fez com que seus pequenos progressos, que eram significativos se analisados pela ótica meramente teórica, por outro lado, na prática revelavam-se insípidos, a gerar a discussão interna de que o mais prudente seria ter um respaldo externo a dar-lhes um respaldo. Sendo assim, ao receberem um convite para trabalhar em parceria com uma empresa de maior porte e portanto mais estruturada, aceitaram a oportunidade prontamente. Logo nas primeiras reuniões com o presidente dessa empresa maior, notaram que ali poderiam crescer como sonhavam, tendo tal apoio de uma estrutura melhor preparada e animaram-se, normalmente.

E também notaram que esse senhor era um homem de educação refinada, a parecer-se um Lord inglês, tamanha a sua postura pessoal, na observação impecável da etiqueta e maneira em expressar-se, e a usar um vocabulário muito acima da média coloquial. Chamava-se Michael, o aristocrático empresário. Pensaram os rapazes que tendo um gentleman como interlocutor a representá-los, a tendência seria que em termos de relações públicas, no mínimo, a imagem do trabalho estaria assegurada.

Dentro da equipe de trabalho, além dos funcionários subalternos, havia a secretária pessoal de “Sir” Michael, que era uma mulher de meia idade, mas com aparência muito bem conservada, ao manter ainda um pouco do viço da juventude, quando a maioria das mulheres de sua idade já o haviam perdido. De fato, logo circulou a informação de bastidores que em sua juventude, Amelie, havia sido modelo fotográfico, portanto, dava para imaginar que quando adolescente, houvera sido muito bonita.


A vida seguiu o curso dentro da empresa e os quatro rapazes pareciam entusiasmados com a sua situação ali, mas logo a seguir, ocorreu um estranho distanciamento de Michael, que elegera assessores para tratar diretamente com os rapazes sobre as questões pertinentes ao trabalho, e isso fez com que o entusiasmo sofresse um abalo inicial. Mas independente dessa sutil queda de credibilidade, não havia dúvidas sobre o padrão educacional e cultural avantajado que Michael ostentava, até que um episódio fortuito, começou a mudar a opinião formada pelos quatro amigos. Num dia qualquer, Bob, um dos quatro mosqueteiros dessa trupe, foi à copa do escritório à cata de um copo d’água. Ao entrar subitamente no recinto, flagrou Michael a bulir com Amelie na pia do mesmo, enquanto a secretária empreendia uma simples lavagem de xícaras de chá. OK, Bob raciocinou que fora um momento íntimo e que não dizia-lhe respeito, mesmo porque, se Michael e Amelie tinham uma relação amorosa, não havia nada a reparar ou comentar, pois definitivamente, isso não era de sua alçada.

Talvez fossem casados ou comprometidos com outras pessoas e daí o caráter secreto de seu "affair". Ou simplesmente não queriam misturar as coisas, tratando de manter a extrema discrição dentro de um ambiente inadequado para demonstrações de afeto, caso do escritório. E ainda mais ao considerar-se a personalidade de Michael, toda moldada pela educação em alto padrão, claro que ele evitaria a todo custo ser flagrado em qualquer situação que poder-lhe-ia causar constrangimento. E de fato, Bob observara que quando Michael e Amelie notaram sua súbita chegada, esforçaram-se para disfarçar, numa espécie de sketch teatral improvisada e diga-se de passagem, medíocre, mais a parecer-se com uma cena de comédia soft pornô.

Passados alguns dias, desta feita outro fato testemunhado por Joe, tratou de reforçar a ideia de que Michael e Amelie tinham um relacionamento amoroso e secreto, o qual disfarçavam veementemente.Tal ocorrência deu-se quando Joe estava a passar a esmo por um corredor e verificara que a faxineira trabalhava nesse instante naqueles cômodos, visto que o barulho irritante de um aspirador de pó estava em curso e vários materiais de limpeza espalhados por ali. Foi quando ele viu que uma estranha porta estava aberta, num lugar onde jamais havia pensado que ela existisse, pois anteriormente ali havia um grande panô decorativo, a encobrir a existência de uma portinhola. Mas como a faxineira estava entretida com a limpeza de outros cômodos e deixara a portinhola desvelada e mais que isso, escancarada, Joe não resistiu e adentrou-a, e percebeu que dava acesso para uma escada bem estreita. 
Ao chegar ao patamar superior, Joe vislumbrou um quarto montado, com decoração igual à de um motel, a conter teto espelhado, decoração toda baseada em erotismo e a ostentar a cor vermelha como predominante em cortinas e objetos, além de uma aquarela com a imagem de um casal nu, ao afagarem-se numa cama.

Joe imediatamente ligou tal visão ao fato relatado por Bob dias antes. Era óbvio que tal quarto secreto era a alcova montada por Michael para recepcionar Amelie. Talvez não só ela, mas outras convidadas, também, mas claro, não cabia julgamentos de sua parte, tampouco de seus sócios.


Apenas a constatação de que uma educação refinada não coíbe os desejos recônditos de um homem, e nesse caso, ninguém melhor que Nelson Rodrigues, explorou tal temática, através de seu texto dramatúrgico audacioso.