quarta-feira, 31 de julho de 2013

A Inteligência Espiritual - Por Marcelino Rodriguez


Existe uma cultura espiritual, própria aos iniciados na inteligência do espírito. 
 
Ela não tem nada a ver com informação ou intelectualidade. Nem com uma religião específica.
Sábios e tontos existem em todas as religiões e até nos que se dizem espiritualistas.
 
Na verdade, essa cultura baseia-se na coragem do coração e do serviço ao próximo, e na atenção dos movimentos espontâneos da vida. Também a coragem e a sinceridade devem ser vitais no processo de iluminação.
Como trata-se de uma cultura dinâmica, posto que a mestra é a própria vida, não há um “status quo definitivo”; outras são as medições de tempo, espaço e valores. 
 
A vida passa a ser vista mais como um processo do que como um problema, porque o objetivo de quem busca a iluminação, amplia a percepção para além do corpo e dos fenômenos físicos.
Todo verdadeiro iniciado tem poderes elementares sobre sua vida e visa a estética do que é eterno. 
 
Nenhum assunto exclui o peregrino que busca a sabedoria, desde que dentro de sua percepção. Tudo que afeta a vida humana está dentro do esquema de estratégia do praticante espiritual, porque o ser humano e a sua evolução é o alicerce para o verdadeiro homem de espírito; e não as formas de devoções externas.
Ninguém chega a Deus sem passar pelo próximo. 
 
Se nascemos humanos, é para sermos humanos em toda sua plenitude. E ser verdadeiramente humano é ser interessado em tudo aquilo que nos afeta. 
 
Quem ignora a interdependência e a unidade do mundo, ainda que tenha os olhos abertos, não enxerga verdadeiramente.
Wiliam Blake, um iluminado poeta inglês, expôs isso de maneira genial quando disse “Vejo através dos olhos, mas não pelos olhos”. Creio que esse verso expõe melhor que mil palavras o que eu poderia dizer sobre a sabedoria ativa e a verdadeira cultura de devoção.

4/02/2002
 


 
 
Marcelino Rodriguez é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos apresenta uma crônica avulsa, onde exemplifica com propriedade, a questão da inteligência espiritual.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Quarteto...) - Capítulo 56 - Por Luiz Domingues

E uma segunda ocorrência surpreendeu-me em relação a tais garotos. Cerca de dois meses após o ocorrido em minha casa, recebo um telefonema a cobrar, vindo de uma cidade interior do Rio Grande do Sul. 

Tratou-se do guitarrista, que sob uma atitude desesperada, queria que eu fosse imediatamente socorrer a banda, lá no Rio Grande do Sul, pois o baixista que acompanhara-os, havia evadido-se... 

Desesperado, queria que eu fosse terminar a turnê e dizia-me, que eles pagariam todas as minhas despesas do bolso deles mesmos, visto que a turnê estava a ser um desastre, e que o baixista abandonara-os, justamente pelas péssimas condições que enfrentavam. Admirei a franqueza do rapaz em admitir que estava a ser uma catástrofe tudo aquilo, mas o que eu poderia fazer ? 
Ir até o Rio Grande do Sul mediante um ônibus de linha, a carregar baixo; amplificador e bagagem, com a garantia de sua promessa em ser ressarcido pelas despesas, tocar sob condições inóspitas, e em favor de uma banda onde eu não tinha nenhuma identificação musical e artística (fora a ruindade técnica deles, infelizmente) ? Fiquei com dó da situação dos meninos, mas realmente, seria um disparate aceitar participar de uma aventura amadorística dessas. Recusei, decerto. Após desligar o telefone, senti pena dos rapazes, mas foi o tal negócio : só existe um jeito para adquirir-se experiência na vida, e justamente trata-se do velho e infalível método de viver-se as experiências e extrair lições de cada uma. E como um último dado curioso, só realço que durante os ensaios que realizei com eles no estúdio localizado na redação da Revista Dynamite, toda a equipe da mesma, organizou um bolsão de apostas. A pergunta foi : quanto tempo aguentaria ensaiar com aqueles garotos ? Isso foi revelado-me, algum tempo depois, por pessoas daquela redação da Dynamite, mas evidentemente em tom de brincadeira. 

Nunca mais tive notícias desses rapazes. Que eu saiba, ao menos no métier do Rock pesado paulistano, nenhum deles fez nada significativo. Eram dois irmãos, baterista e guitarrista e o vocalista, destemperado e praguejador...

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Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Quarteto...) - Capítulo 55 - Por Luiz Domingues

O próximo convite que apareceu-me, foi logo após o do guitarrista, Lippo, que formava a banda, Viúva Negra. Neste caso, foi um quarteto orientado pelo Hard Rock oitentista, muito estranho. Nem lembro-me o nome da banda, infelizmente (ou felizmente !). O que posso dizer dessa rapaziada, é que eram três músicos muito jovens e bem fracos, tecnicamente. Sua escola musical era o Hard-Rock / Heavy Metal, oitentista, naturalmente. A mentalidade operacional dos rapazes também era revelava-se bem fraca, mediante sonhos fora da realidade, metas traçadas em torno de estratégias muito mal elaboradas etc. 
Entretanto, para não dizer que tive má vontade com esses garotos, cheguei a ensaiar duas ou três vezes com eles. E em uma ocasião, cheguei a acompanhá-los a um escritório de um empresário, onde supostamente estariam a fechar um acordo de trabalho. Essa visita foi a gota d´água, no entanto, pois o escritório era uma espelunca no centro velho de São Paulo, onde foi nítido tratar-se de um empresário para artistas popularescos e completamente desconhecidos, ou seja, o underground da música brega. E mesmo diante desse quadro tenebroso, esses meninos queriam fazer turnês organizadas por esse sujeito ? 
Aquilo bastou-me, anunciei a minha debandada do projeto. Contudo, duas situações desagradáveis ocorreram, posteriormente. Algum tempo depois de eu ter anunciado minha desistência, fui visitado repentinamente pelo guitarrista e pelo vocalista da banda. Os recebi com educação, mas mantive minha decisão firme. Contudo, eles insistiram muito que eu não deveria perder a oportunidade em participar de uma turnê que fariam pelo Rio Grande do Sul, em breve, e produzida pelo empresário que eu conhecera. 


Gato escaldado, sabia que a "tentadora" oferta não passava de um embuste e mantive-me firme. Foi aí que o vocalista ao verificar que eu manter-me-ia irredutível em minha decisão, começou a mudar o tom da conversa, ao ponto de obrigar-me que eu pedisse, por favor, para encerrar a visita, ao desejar-lhes boa sorte na turnê. Nessa época, eu havia recém mudado-me para um apartamento muito próximo ao Parque da Aclimação, no bairro de mesmo nome, e por ser um edifício com pequeno porte, a distância da minha janela para a rua, era relativamente pequena.
Algum tempo decorrido após a saída deles, ouvi o ruído de uma espécie de pedrinha a bater na minha janela. Fui verificar o que ocorrera, quando notei que o vocalista da tal banda, havia atirado-a, para chamar-me a atenção, e depois que este avistou-me, passou a  gesticular; xingar-me e jogar-me pragas que devem ter sido extraídas de algum manual prático de Voodoo...  foi tão patético, que nem cheguei a perturbar-me, apenas ri da situação, e fechei a janela ao vê-lo a gesticular e praguejar.
Continua...  

sábado, 27 de julho de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 35 - Por Luiz Domingues


O set list da estreia foi formado pelas seguintes músicas :

1) Pensamento Positivo

2) Je Suis Bresilien

3) Amor à Vista

4) Deve ser Bom

5) Benzinho

6) Samba do Inferno

7) Country os Brancos

8) Toada da Subcultura

9) Na Minha Boca (puro resgate, pois era do repertório do Boca do Céu, em 1977 !!)

10) Crocodilo

11) Conspurcália

12) Samba Enredo da TFP

13) Jogo Sujo


Além dessas canções, músicas como "Concheta"; "Xingu Disco"; "Vampiro S/A"; "Régui Spiritual"; "O que é isso companheiro" ?, e "Prazer", entre outras que eram bem conhecidas do público, e que faziam parte do primeiro LP, ficavam na manga, como opções de bis, em um primeiro instante, mas a partir do momento que a turnê começou, voltaram a fazer parte do set list do show, pois não dava para ficar de fora.
Fazer um show só com canções inéditas não seria confortável para o público, que tende a só gostar de músicas já absorvidas e decoradas na cabeça. E também músicas novas que funcionaram melhor, foram incorporadas paulatinamente, como "Fado da Falência", por exemplo, onde a mise-en-scenè era hilariante, e eu a relatarei com maiores detalhes no momento oportuno, pois essa música só entrou algum tempo depois no set list. Além das vinhetas de áudio disparadas, havia um elemento a mais na trupe, que foi o Marcelo Moraes (Lopes). Ele entrava em diversos momentos estratégicos, com intervenções sensacionais, e que levavam o público ao delírio.


Também mais para a frente, falarei sobre o papel do Marcelo, visto que tornar-se-ia um elemento importantíssimo para que ganhássemos mais dinheiro, de uma forma inusitada... quando for narrar sobre a temporada no Teatro Lira Paulistana, será o momento certo para abordar isso. 
Nota no jornal "Folha de São Paulo", a anunciar o show no Tuca, em 15 de novembro de 1983. Da esquerda para a direita : Fernando Marconi; Luiz Domingues; Nahame "Naminha" Casseb; Pituco Freitas; Laert Sarrumor; Sergio Gama; João Lucas e Lizoel Costa. Acervo e cortesia de Julio Revoredo

De volta ao show de estreia no Tuca, digo que todos erramos em algumas marcações, por conta de ser um show totalmente novo, mas eu, em específico, errei mais, pela inexperiência nesse formato de espetáculo teatralizado, onde só tocar e / ou cantar, não bastava, mas seria preciso uma noção "extra", com uma bagagem pregressa como ator, para poder atuar condizentemente.
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Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 34 - Por Luiz Domingues

E antes que eu prossiga, preciso salientar que nem tive tempo para dimensionar o que eu sentia ao estar no palco com meu velho amigo, Laert, novamente, pois a adrenalina daquele dia foi enorme, por todos os motivos que já expus. O que mostrou-se notória, fora a mudança radical que o Língua de Trapo havia tido em sua carreira. Quando eu saí da banda, no início de 1981, a banda fazia pequenas apresentações, sem nenhuma estrutura, ou no máximo, a participar como concorrente em festivais universitários de MPB. Agora, estava no palco do Tuca, inteiramente lotado, cheio de fãs do trabalho, jornalistas etc. Teve repercussão na mídia sobre o show etc. Foi uma diferença brutal, e sob um curto espaço de tempo.
Em relação à apreensão gerada, sim, claro que houve tensão. Tratou-se de uma situação que suscitou melindres por todos os lados, e tudo a girar em torno de minha pessoa, infelizmente. Eu precisava estar a atuar nas duas bandas, simultaneamente naquela época, e foi claro que isso provocava indisposições entre todos. Tirante isso, realmente, havia boatos de que certos setores do governo não estavam contentes com a reinauguração do TUCA. E o Língua de Trapo não despertava nenhuma simpatia desse pessoal que ocupava o poder.
Quando cheguei ao camarim do Tuca, estava atrasado, e logo na estreia... claro que não brigaram diretamente comigo, mas deu para sentir no ar a desaprovação geral. E nesse caso, eles tiveram razão, assim como os companheiros da Chave do Sol, que também incomodaram-se com os transtorno que causei-lhes, ao ter que pedir à direção do programa, "A Fábrica do Som ", para A Chave do Sol apresentar-se antes, e assim sair apressadamente do local da apresentação. Quanto ao trajeto, até que foi tranquilo, porque tratou-se de um feriado de 15 de novembro. A cidade estava vazia, e essa foi a minha sorte. Sinceramente, não lembro-me de quanto tempo demoramos para chegar. Acredito que foi menos de meia hora, e o grande problema foi mesmo ter saído atrasado do Circo Anhembi.
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Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 33 - Por Luiz Domingues

Consegui chegar em cima da hora no Tuca, após ter apresentado-me com A Chave do Sol, no programa da TV Cultura, "A Fábrica do Som". Essa parte. sob o ponto de vista da Chave do Sol, já contei lá no capítulo conveniente daquela banda. 
Esbaforido, e com a adrenalina do show para duas mil pessoas que acabara de realizar, eu precisava acalmar-me e entrar na energia do show do Língua de Trapo, e dar conta de todas aquelas marcações teatrais; trocas de figurinos; vinhetas etc. Começou o show, e a casa estava lotada. Não lembro-me do borderô oficial, mas os mil lugares liberados pelos bombeiros (a casa continha mil e oitocentos lugares, mas por motivo de segurança, os bombeiros só liberaram mil lugares, com a obra da reforma ainda inacabada), estavam preenchidos.


Havia uma certa tensão no camarim, pela estreia, algumas indisposições com os empresários (naquela época, tratava-se de um triunvirato formado por dois rapazes e uma moça, e cujo escritório chamava-se, "D.D.M.", provavelmente a inicial do nome de cada um desses jovens). E claro que não apreciaram constatar a minha  chegada em cima da hora, esbaforido e sob o impacto da adrenalina de um show realizado com outra banda... constrangimento pessoal a parte, eis que o momento chegou, então. Tocou o terceiro sinal da plateia; a luz de serviço apagou-se no teatro e começou a vinheta de super-8 que abria o show. 
Da coxia, ainda a esperar a hora para entrar no palco, já ouvíamos as primeiras risadas. No filme, havia uma colagem com cenas absurdas, protagonizadas pelos membros do próprio Língua de Trapo, e por vários agregados da banda, que foram usados como "atores", também. Como já mencionei algum tempo atrás, não havia cenas comigo, pois esse processo estava a ser preparado há meses, e não contavam com a saída da banda, do baixista, Luiz Lucas. O que fizeram de improviso, foi uma nova edição, onde o Louis Chilson cortou as cenas em que o Luiz Lucas aparecia, mas sem chance para produzir novas imagens com a minha pessoa, fiquei de fora dessas vinhetas audiovisuais. Esse começo do show foi bem estratégico, pois o público já ria intensamente, a quebrar qualquer tensão inicial. Quando entrávamos no palco, o público já havia rido muito, mas iria rir muito mais...

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terça-feira, 23 de julho de 2013

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 7 - Por Luiz Domingues

Então, marcamos alguns ensaios com o Percy, a visar esse show do dia 25 de setembro de 1982. O repertório, como já falei, foi recheado com covers de clássicos do Rock, 1960 / 1970, pois não dispúnhamos de tempo hábil para compor e arranjar músicas próprias.
Dessa forma, preparamos músicas de Jimi Hendrix; The Who; Rolling Stones; Queen; Neil Young; Deep Purple; Led Zeppelin; Ten Years After, e Jeff Beck, entre outros nomes.

Com exceção de "18 Horas", que foi a nossa única música própria, e instrumental, e as do Jimi Hendrix que o Rubens fez questão de cantar, todas as demais seriam conduzidas pelo vocal de Percy Weiss. Nos ensaios, Percy agiu profissionalmente, embora com aquele distanciamento típico. Tratava-nos como garotos e ele, impunha-se como uma estrela. Lembro-me certa vez, inclusive, que chegou a comentar comigo e Rubens, que achava o Zé Luiz Dinola, um "baterista ortodoxo"... eu e Rubens estávamos preocupados contudo, com a produção desse 1° show. Eu havia ficado com uma parte do equipamento da minha antiga banda de covers, o "Terra no Asfalto", e esse pequeno P.A. era o suficiente para ensaiarmos, mas inadequado para tocarmos ao vivo. 
Então o Rubens teve a ideia de pedir emprestado um pouco do P.A. da Patrulha do Espaço. Nesse aspecto, devo reconhecer que o Rolando Castelo Júnior foi gentil em emprestar-nos. Dessa forma, apanhamos em sua residência, um multicabo; microfones e pedestais; e algumas caixas com potências, que acopladas ao nosso modesto P.A., garantiu a dignidade para o nosso 1° show. E no tocante à luz, o Deixa Falar ainda tinha uma estrutura dos seus tempos áureos como "Be Bop-a-Lula" que houvera sido nos anos setenta. Claro, nem todos os spots funcionavam, muitas gelatinas estavam pálidas, pois eram dos anos setenta ainda, mas deu para servir-nos. Quanto à divulgação, resolvemos não gastar dinheiro com cartazes, e só preparamos poucas filipetas, pois éramos uma banda na estaca zero, e isso não surtiria efeito algum, na prática. Sabíamos que teríamos um público inicial formado por parentes e amigos, predominantemente. E vale destacar também, que Dona Sabine, a dona do Café Teatro Deixa Falar, deixou-nos ensaiar no teatro, gentilmente.
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Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 6 - Por Luiz Domingues

Antes de falar sobre essa fase de ensaios com o vocalista, Percy Weiss, preciso falar sobre como surgiu o nome da banda.
Realmente, o nome "A Chave do Sol" foi criado pelo Rubens, e ele já o tinha usado em bandas de garagem que tivera anteriormente, tendo feito pequenas apresentações, mas sem relevância artística, alguma. Por isso, ele o sugeriu, quando apelou à nossa consciência, para que o aceitássemos sem reservas, pois fora um nome com grande significado afetivo para ele, um sonho da infância etc. 
Não deveríamos ter aceitado assim um argumento meramente sentimental, como definitivo. O nome "A Chave do Sol" era / é composto; enorme; com preposição e artigo; dúbio, portanto sujeito à interpretações errôneas, fora o fato de ser um tanto quanto piegas.
Pensei muito nesses aspectos acima elencados, nos anos seguintes, em todas as ocasiões em que ele trouxe-nos algum tipo de constrangimento, como por exemplo na mídia, onde várias vezes foi grafado errado, ou mesmo pronunciado equivocadamente, caso de emissoras de rádio e TV.
"A clave de Sol" (nome de escola de música ? ); "A Chave de Ouro" (joalheria ?), e mesmo quando acertavam, ficava às vezes aquela estranheza no ar, pois convenhamos : soava como uma certa estranheza como nome para banda de Rock ? Um problema inicial com o nome, foi gerado logo depois dos primeiros shows, mas falo sobre isso, oportunamente.


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Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 5 - Por Luiz Domingues

O Rubens sugeriu que contratássemos o vocalista, Percy Weiss, ex-Made in Brazil e Patrulha do Espaço. Após relutarmos, eu e o Zé Luiz aceitamos, pois àquela altura, não seria possível acharmos outro vocalista para entrar definitivamente na banda, devido à proximidade da data do primeiro show. 

Sendo assim, o Rubens fez o contato telefônico, e nós marcamos um encontro no apartamento dele, para explicarmos o nosso desejo, e assim formular uma oferta financeira para o famoso vocalista. Nessa época, ele estava sem um trabalho autoral, mas apenas a cantar covers pela noite, para ganhar um dinheiro. Fomos ao apartamento dele, que ficava na esquina da Av. Paulista, com a Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Ao chegarmos lá, ele recebeu-nos com sua altivez típica, ainda mais naquela época onde éramos muito jovens, inexperientes, e por adotarmos uma postura subserviente diante de alguém que admirávamos.
O Rubens lançou uma proposta de cachet bem mais alta do que havíamos combinado entre nós três, anteriormente, e depois, reservadamente, alegou para eu e Zé Luiz, ter feito aquilo para assegurar-se que ele, Percy, não recusasse a nossa oferta. Nessas circunstâncias, claro que o Percy aceitou, e estava feita ali a nossa primeira dívida... na saída da residência do Percy, já na rua, vimos que o trânsito estava muito carregado, e tivemos a ideia para batizarmos a nossa primeira composição própria, com o nome de "rush", mas aí observamos o cronômetro da avenida, a cravar seis horas da tarde, e resolvemos imediatamente mudar o nome para "Dezoito Horas".
Então foi assim que surgiu o nome de nossa primeira música, em num dia útil qualquer, da última semana de agosto de 1982. Com o Percy, definimos um repertório formado por clássicos, a deixar três músicas do Jimi Hendrix para o Rubens cantar, e "18 Horas", instrumental. Estávamos empolgados com a proximidade do show, por termos arrumado um vocalista (ainda que a peso de ouro...), e por já termos uma música própria, pois os covers seriam só para preencher espaço e nesse caso, quase todo o espaço, e só porque estávamos a começar a nossa trajetória como banda recém fundada e nunca por querermos isso, aliás, muito pelo contrário. A seguir, falarei sobre os ensaios com Percy Weiss, e a proximidade do primeiro show. 
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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Autobiografia na Música - Terra no Asfalto - Capítulo 31 - Por Luiz Domingues



Os primeiros ensaios dessa reestruturação do Terra no Asfalto foram preparatórios para aprender a harmonia das músicas escolhidas, checar algumas convenções entre os instrumentistas, além de decorar letras, e estabelecer os arranjos vocais entre os vocalistas. Com a entrada do Aru Junior, tudo direcionou-se ao seu gosto pessoal, basicamente, exatamente como houvera sido no tempo do Fernando "Mu". Passamos a tocar várias músicas do Led Zeppelin, mais dos Beatles e várias da carreira solo de cada ex-beatle. 
E também algumas pérolas do Rock Progressivo, e quando essas canções ficaram bem ensaiadas, chamariam muito a atenção, nas apresentações da banda. Tem até uma história engraçada sobre isso, que relatarei no momento oportuno da cronologia. O Aru Junior, por possuir uma formação erudita sólida, era minucioso, e tornou-se de forma natural, o maestro da banda, ao orientar-nos na parte teórica. O Wilson cresceu demais como guitarrista, quando essa fase com o Aru Junior iniciou-se, ao aprender a harmonizar cada vez melhor, e assim começar a soltar-se em solos, apesar do Aru ser o solista oficial da formação. 
E também investimos em um set list com peças da MPB, muito boas, com canções do Milton Nascimento; Gilberto Gil; Caetano Veloso, e Novos Baianos, principalmente, no repertório, além de algumas surpresas, tais como , "Malacaxeta", do Pepeu Gomes em sua carreira solo, e "Hino de Duran" do Chico Buarque. Eu gostava demais em tocar "Malacaxeta", por ser praticamente um Jazz Rock complexo, cheio de partes difíceis para tocar-se, mas extremamente prazerosa como música empolgante a ser tocada.

Na hora decisiva, o Cido Trindade anunciou que repensara, e preferia não participar dessa volta da banda. OK, vida que seguiu, precisávamos de um novo baterista, então. Ensaiamos bastante a parte de harmonia, e para a bateria, eu indiquei um rapaz que eu conhecera em uma recente ocasião e apenas superficialmente, mas havia achado-o um bom músico, e com uma personalidade boa. 
O rapaz chamava-se Edson, mas era apelidado, como : "Kiko". Eu o conhecera um pouco tempo antes, por fazer parte da banda de apoio do vocalista, Pituco Freitas, do Língua de Trapo, quando este fez um show solo no Teatro Objetivo, em 1980, e eu estive em sua  banda de apoio, juntamente. Apesar de mal conhecê-lo, ele aceitou o meu convite para entrar na banda, mesmo com a deixar clara a ressalva sincera de que o Rock e o Pop, não soava-lhe familiares, como o eram para nós. E eu nem sabia disso... mas com a ausência do Cido Trindade, que mais uma vez abandonara-nos, foi a melhor solução. 

Continua...