quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Crônicas da Autobio - Sobre a Gibson Firebird; Johnny Winter e o Eterno Loki - Por Luiz Domingues



Luiz Domingues & José Luiz Dinola em ação com A Chave do Sol no início de 1983, no Victória Pub de São Paulo. Foto : Seiji Ogawa

Aconteceu no tempo da Chave do Sol, entre fevereiro e abril de 1983  

Sem dúvida alguma, a temporada que A Chave do Sol fez na badalada casa de espetáculos, “Victoria Pub”, entre fevereiro e abril de 1983, marcou o primeiro ponto de ascensão na trajetória da banda, sendo o pico dessa primeira fase de onde saímos da inércia absoluta, em setembro de 1982, quando do nosso primeiro show. E no texto da minha autobiografia, relato com detalhes como tudo ocorreu para a banda nesse instante, contando alguns casos pitorescos ali ocorridos, mas muitas histórias ficaram de fora do livro, primeiro por uma questão de espaço, visando não alongar mais do que já ficou o texto final e segundo, também para poder contar agora tais ocorrências, separadamente. E ali no Victória Pub, dada a badalação que acontecia a cada noite, por múltiplos fatores, era comum a presença de pessoas proeminentes do mundo artístico em geral, de atores famosos do mundo do Teatro; Cinema & TV a personalidades do mundo esportivo; dos playboys da dita “High Society” a  jornalistas; empresários & empreendedores culturais dos mais diversos ramos e pasmem, até políticos, que enxergavam ali a oportunidade de expandir seus conchavos com empresários e a jovem burguesia paulistana.
Era essa a formação do Tutti Frutti que atuava como atração fixa do Victória Pub em 1983, e com a qual interagimos muitas vezes


Numa dessas tantas noitadas em que ali vivemos, nossa missão nessa noite fora abrir o show do "Tutti Frutti" (revezámos toda noite, abrindo o Tutti-Frutti ou o "Fickle Pickle"), e mesmo não sendo a atração principal, para efeito de espetáculo, tocávamos em igualdade de condições, com o mesmo equipamento e sem diferenciação na potência sonora e uso da iluminação, uma prática comum no mundo do show business, portanto, independente do óbvio maior status e curriculum do velho Tutti-Frutti, quando tocávamos, a pista estava sempre cheia de gente dançando e o som e luz eram de primeira qualidade.

Nessa noite em específico, a que refiro-me, tivemos uma surpresa especial, quando vimos uma pessoa famosa, mas muito mais próxima da nossa relação afetiva Rocker, do que os atores de novelas e jogadores de futebol, que ali costumavam aparecer. Ainda convalescendo do grave acidente que tivera em 1981, eis que surge à nossa frente, a figura de Arnaldo Baptista, instalado numa cadeira de rodas e amparado por pessoas de seu staff. Sua aparência denotava claramente que ainda estava recuperando-se e inspirava cuidados, mas como foi prazeroso para nós, tocar e ver sua alegria em estar diante de uma banda de Rock tocando ao vivo ali, e a cada música que encerrávamos, sua demonstração de carinho aplaudindo e sorrindo para nós, foi um bálsamo para todos os envolvidos nessa comoção que a sua presença gerou, mesmo porque nem todo mundo (é claro), mas os Rockers ali presentes ligaram-se nessa situação e vibraram em ver o Arnaldo em processo de franca recuperação.

Ainda naquela noite, fui testemunha de um momento bonito nos bastidores, quando o grande Luiz Carlini fez questão de mostrar a sua recém adquirida nova guitarra, uma bela Gibson, modelo “Firebird” e exibindo-a para o Arnaldo, nunca esqueço-me dele afirmando com ênfase : - Olha Arnaldo, minha nova guitarra, igualzinha à do Johnny Winter”... e ainda mais esfuziante, Arnaldo abriu um sorriso largo, como falava o Guilherme Arantes e com a guitarra em seu colo, fazia ali a sua reinserção afetiva ao mundo do Rock, um fato que todos ao seu redor torciam muito para ocorrer, desde a notícia de seu acidente, dois anos antes. Maravilhoso momento ocorrido ali numa daquelas câmaras labirínticas do Victória Pub, dando-nos a certeza de que o grande Loki do Rock brasuca estava a voltar.


E não deu outra, no show do Tutti Frutti, Carlini tocou “Bonie Morony”, evocando o som e a aura do genial albino texano, Johnny Winter, jogando fagulhas de fogo ao público, através dos solos a bordo de uma Gibson Firebird... para a alegria dos Rockers ali presentes, incluso nós da Chave do Sol e Arnaldo Baptista.

Os Kurandeiros - 30/11/2017 - Quinta-Feira / 20 hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

30 de novembro de 2017 - Quinta-Feira - 20 Horas

Festival do Chopp Artesanal / Entrada Gratuita

Santa Sede Rock Bar
Av. Luiz Dumont Villares, 2104 - 200 metros da Estação Parada Inglesa do Metrô - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Aula de Tarô - Por Marcelino Rodriguez

Dando aula de tarô para Bernadete, conversamos uns assuntos que creio ser válido, não só para tarólogos, como para qualquer outro tipo de profissional. Aqui parte de nossa conversa, ao telefone:
-- Boa Noite, querida, como vai?
-- Bem, e você?
-- Bem, mas eu quero seus detalhes.
-- Ah, Marcelino! Vamos começar.
-- Já começamos. Saber de você faz parte da aula. Assim como ao atender pessoas, você terá que saber delas, ao máximo. Você sabia que em geral as pessoas escutam, mas não ouvem? Se você falar que é Flamengo, logo a outra fala que é Vasco. Os egos querem sempre se impor e disputar espaço. Mas ninguém escuta ninguém e para atender pessoas, você tem que pensar primeiro nelas, segundo nelas e terceiro nelas. Na verdade, quando alguém disser que é Flamengo, temos que perguntar se isso é bacana, o que ela sente, deixar a pessoa florir suas emoções. Ser um bom ouvinte é que faz um bom terapeuta. Então, atendendo pessoas, temos que estar completamente atentos e delicados com elas, e pra isso é preciso deixar de lado o ego impaciente. Na verdade, em tudo, primeiro precisamos ser delicados, para depois sermos profissionais. Era isso que Vinicius de Morais queria dizer com ser um "monstro de delicadeza". Ao ouvir uma pessoa, ou uma cliente, devemos deixar que ela se sinta a Barbra Streisand. Uma pessoa espiritualmente madura, se coloca sempre em segundo plano.
--- Nossa, não tinha pensado nisso tudo.
--- Claro que não. O professor serve para fazer o aluno alcançar a outra margem da mente. Mais importante ainda do que saber o que significam as cartas, precisamos saber como tratar as pessoas que recebemos. Não só para dar consultas, como em tudo mais. A sensibilidade é mais importante que o conhecimento em si. O mago é sempre aquele que puxa a cadeira para o outro.
Marcelino Rodriguez é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Escritor com vasta e consagrada obra, aqui oferece-nos uma crônica curta, mas intensa, falando sobre a delicadeza que é, ouvir as pessoas, uma qualidade rara, infelizmente. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Os Kurandeiros - 23/11/2017 - Quinta-Feira / 20 Hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

23 de novembro de 2017 - Quinta-Feira - 20 Horas

Festival do Chopp Artesanal / Entrada Gratuita

Santa Sede Rock Bar
Av. Luiz Dumont Villares, 2104 - 200 metros da Estação Parada Inglesa do Metrô - Tucuruvi - São Paulo / SP

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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Autorias e... Anonimato - Por Telma Jábali Barretto

Momento de todas as possibilidades de informação e quanto com isso crescemos, expandimos, ganhamos... mas, inevitável quanto também promotor de dispersão... 

Quanto necessário, nos dias atuais mais, que tenhamos foco naquilo que, de fato, importa, não num contexto amplo da vida em si, mas, e principalmente, a cada tarefa em meio as tantas outras solicitações que, de maneira tão múltipla somos chamados, convidados e... que venham, convidem sem que percamos o fio da meada... ... ... afinal, e dessa sequência de pequenos afazeres que construímos nossa história.
Essa facilidade de tanta informação, quanto de gratidão pelo acesso simples e rápido, embora, muito tom dessa modernidade ágil é a questão das autorias ?!...e quanto de anonimatos lidamos.
Com essa avalanche popularizada e de forma genérica, muito conhecimento por aí difundido, nem sempre sabemos a quem dirigir agradecimento, reconhecimento ou crítica ?!...a tudo que circula contínuo pelas veias e artérias dessa internet, proporcionadora desse milagre da comunicação abundante e por onde autorias são dissolvidas, trocadas e... vão cumprindo a máxima de sua função de chegar em mais cabeças e mais longe, mesmo que desconhecidas suas raízes, origens ou porquês. Encantador tanta oportunidade de contato com essa multiplicidade de ideias e conceitos e, se o importante é que circulem, aí estão aos borbulhões... jorrando em alta voz!

Fato é que boas e más notícias (sempre dependerão da premissa de cada um...) encontrarão abrigo, útero para acolher e, daí mesmo, multiplicarão, fazendo e oportunizando perda / posse de belas, inusitadas e impactantes frases, teorias num campo fértil para o aparecer / desaparecer, no brilho e no anonimato...
Se, por um lado uma bênção, tanto conhecimento disponibilizado, de outra perspectiva, quanto de critério a desenvolver para a todo instante discernir, o que valha absorver, filtrando, num entendimento único daquilo que devamos priorizar, valorizar e enaltecer e muitas vezes deletar, conscientes daquilo que entendamos riqueza / desperdício que nutra nossa alma, mente, com noção atenta que venham de onde ou quem venham, possamos transitar harmoniosa e maduramente pela existência, usufruindo com uma permeabilidade do bom uso com tanto adquirido, entre ganhos / perdas advindos desse alvorecer, despertar da humanidade em que, cada qual, com seus feitos facilmente expostos, partilhados, divulgados, multiplicados, com quanta responsabilidade exercemos esse reverberar, saídos, surgidos de nós ou de quem nem saibamos ?!...
 
Muito necessária e imperiosa nossa individualização, transpassando batalhas internas de autoestima pouco elaborada, onde possamos fluir a partir das próprias escolhas, além cartilhas tribais, pensando por si, com uma independência corajosa, de quem pode usar a comunicação, respeitando, vencendo  e indo além das próprias dores e troféus, como quem admira o outro em seu esforço de Ser, tal como aprendeu  a valorizar em Si, em sua jornada para vir à luz, em seu próprio parto !!!


Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga; consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga
Nesta reflexão, fala sobre a questão da autoria, mas sob um prisma diferente, aludindo às particularidades sutis do ego versus desapego e compartilhamento da informação sem preocupação egoísta.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Os Kurandeiros - 16/11/2017 - Quinta-Feira / 20 Hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

16 de novembro de 2017 - Quinta-Feira - 20 Horas

Festival do Chopp Artesanal / Entrada Gratuita

Santa Sede Rock Bar


Av. Luiz Dumont Villares, 2104 - 200 metros da Estação Parada Inglesa do Metrô - Tucuruvi - São Paulo / SP

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Os Kurandeiros - 15/11/2017 - Quarta-Feira (Feriado) - Hamburgueria Rock Beer - Vila Arriete (Próximo ao Shopping Interlagos) - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

15 de novembro de 2017  -  Quarta-Feira (Feriado)  -  Das 18 às 22 Horas

Hamburgueria Rock Beer
Avenida Nossa Senhora do Sabará, 3030  -  Vila Arriete (Próximo ao Shopping Interlagos)  -  São Paulo / SP


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Kim Kehl : Guitarra e Voz
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Luiz Domingues : Baixo

sábado, 11 de novembro de 2017

Crônicas da Autobio - O Rock Morreu em 1975 ? Não, foi em 1969... - Por Luiz Domingues



                 Pitbulls on Crack em ação, em foto de 1994...

Aconteceu no tempo do Pitbulls on Crack, por volta do segundo semestre de 1994... 

Desde meados dos anos oitenta, eu havia cunhado uma frase de efeito, que repetia em rodas de conversa com amigos, sob título de brincadeira, mas desvelando na verdade uma opinião forte e polêmica para a maioria, a descrever a minha profunda contrariedade com os rumos que o Rock, enquanto instituição em geral, havia adotado ao final dos anos setenta, e que tal desvio de curso ditou normas nas décadas de oitenta e noventa inteiras, praticamente. Respondendo aos meus interlocutores que inquiriam minha opinião sobre o panorama do Rock na ocasião, minha explanação sobre o desalento que sentia, sempre tinha o reforço dessa frase de efeito que criei : -“o Rock morreu em 1975”. Não havia nenhuma demarcação inspirada por algum fato histórico concreto em tal afirmação, mas tão somente era baseada num cálculo aleatório de minha parte, raciocinando que em 1975, os sopros contrários ao Rock ainda eram confusos e insignificantes, portanto, vivia-se em tese uma continuidade da normalidade do Rock setentista, sob suas múltiplas vertentes, com artistas produzindo normalmente suas obras inéditas, tocando a carreira e sem demonstrar, naquele instante, nenhum temor por uma reviravolta que os ameaçasse, até sobre sua própria sobrevivência, pois o que veio logo a seguir foi virulento nesse ponto e com tal intenção destrutiva e declarada.

E assim, atravessei tais décadas citadas e entre amigos, minha afirmação mais provocava risadas, enxergando exagero e comicidade de minha parte, mas a despeito da pilhéria, no fundo, havia um fundo de verdade e que fazia sentido para explicar como transcorreram as décadas de oitenta e noventa no mundo do Rock. Mas um dia, eu que era ironizado por alguns ao ser acusado de portar-me como um saudosista radical, fui surpreendido por alguém que tinha uma visão ainda mais dura do que a minha.

Luiz Domingues em ação no ano de 1994, tocando com o Pitbulls on Crack. Foto : Marcelo Rossi 

Eu tocava no Pitbulls on Crack nessa ocasião, uma banda que estava tendo uma oportunidade de exposição bem interessante naquele instante, metade de 1994, tanto que negociava naquele momento, um contrato de gravação com uma gravadora de pequeno porte internacional, mas que acabara de abrir um escritório de representação em São Paulo, visando investir em artistas brasileiros, visto que um dos seus contratados era a banda de Heavy Metal, "Sepultura", que nessa altura já estava consagrada mundialmente nesse nicho e isso motivara os holandeses, donos da gravadora, a investir mais em artistas do mesmo país dos rapazes dessa banda e assim, uma nova porta abria-se. Independente disso, também motivado pela expansão que nossa banda demonstrava, e por ser amigo de pessoas do staff dessa gravadora com a qual negociávamos, eis que surgiu o interesse de um empresário que também vivia seu momento de crescimento em sua carreira, um inglês radicado no Brasil, chamado, Ray Ward. Ele era empresário de uma banda Punk, que fazia grande sucesso na ocasião, conhecida como “Os Raimundos” e naturalmente sentindo que estava em ascensão, planejou expandir seu escritório, contratando mais artistas emergentes e nessas circunstâncias, quis conversar conosco. Em tal reunião, passada a conversação mais formal sobre nossa banda e seus planos para o trabalho empresarial com ela, uma conversa informal e amistosa ocorreu, tratando logicamente sobre música e o Rock em específico, tendo a obviedade do fato dele ser inglês e mais velho que eu e Chris Skepis éramos na ocasião e sendo assim, evidentemente que haveria de ter suas reminiscências sobre o Rock britânico sessenta / setentista. Claro que foi agradável e gerou momentos muito eufóricos até, e num dado instante, senti-me a vontade para acrescentar a minha polêmica opinião e ao ouvir-me, Ray respondeu de pronto : -“discordo... o Rock morreu em 1969, no Festival de Woodstock. Ali foi seu último suspiro de criatividade e relevância”.

Lógico que parei para pensar nesse ponto de vista ainda mais radical do que o meu e, mesmo discordando pois na minha percepção o início dos anos setenta ainda teve uma produção viva, criativa, além de comprometida fortemente com a contracultura e particularmente tem meu apreço, o que ele afirmou tinha também seu fundo de verdade. Pois se levarmos em conta detalhadamente que “Woodstock” teve um papel simbólico, como marco de uma Era, dá para imaginar que dali em diante o sopro da novidade e a força da sua mensagem inerente começou a diluir e assim, tudo que adveio, foi mera continuidade motivada pela força empregada e que fora despendida anteriormente, tal qual um carro que continua andando rápido, mesmo com o motorista tirando o pé de seu acelerador e sendo assim, como consequência lógica, demora um pouco para a velocidade diminuir e chegar ao ponto da completa inércia.

"Ending Theme Tune", o improviso final de Jimi Hendrix no documentário sobre o Festival de Woodstock, em agosto de 1969, embalando as imagens do fim do sonho Hippie de um mundo fraterno, baseado na premissa do conceito de "Paz & Amor", quiçá final dessa utopia... 


Nesse aspecto, o que o Ray afirmou faz sentido, sim, e o Rock morreu em 1969, portanto, ver o documentário, com Jimi Hendrix tocando "Ending Theme Tune", intercalado com a imagem melancólica do fim do Festival de Woodstock, com o grande público já evadindo-se e uma montanha de sujeira acumulada, pode mesmo ser computada como uma espécie de premonição metafórica, um prenúncio do porvir... e que infelizmente confirmou-se a seguir.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Os Kurandeiros - 11/11/2017 - Sábado / 20 Horas - Espaço Cultural Rock na Padoka - Jardim Brasília (Zona Leste) - São Paulo / SP-

Os Kurandeiros

11 de novembro de 2017  -  Sábado  -  20 Horas
Entrada Gratuita

Espaço Cultural Rock na Padoka

Praça Valdemar Bassi, 78
Jardim Brasília (Zona Leste)  -  São Paulo / SP

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Luiz Domingues : Baixo

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 75 - Por Luiz Domingues

Então chegou o dia de dizer adeus a um espaço que representou muito na história dos Kurandeiros. Mais que isso, o Magnólia Villa Bar foi seguramente o palco onde a banda mais apresentou-se, ao menos nesse período em que tornei-me seu componente, desde agosto de 2011, e de forma emblemática, foi ali mesmo a minha estreia na ocasião citada.

Uma grande pena, mas o proprietário, Alexandre Rioli driblou as dificuldades o quanto pode, contudo a crise instaurada no Brasil, há anos, acabou decretando a impossibilidade da casa prosseguir em sua normalidade e assim, com pesar, mas ao mesmo tempo honrados, recebemos o convite para fazermos o show de encerramento das atividades e convenhamos, nada mais justo e significativo, visto que entre tantos artistas que ali apresentaram-se ao longo de 12 anos de atividades (e acrescentando o dado adicional de ter tido um leque enorme de vertentes e não circunscrito ao espectro do Rock e do Blues, apenas, mas com variadíssimas manifestações musicais), que fôssemos nós, Os Kurandeiros a fechar a noite. Indo além, a nossa parceria era tão forte ali dentro que é sabido, pública e notoriamente que ali tivemos uma dupla atividade, ao assumirmos a identidade como "Magnólia Blues Band", por dois anos e para tanto, o trio base dos Kurandeiros, acrescido do próprio dono da casa e tecladista, Alexandre Rioli, passou por mais de cem apresentações naquela palco, recebendo artistas convidados da cena do Blues, inicialmente, mas aos poucos o leque foi alastrando-se e muita gente do Rock, também compareceu. Isso sem contar um período em que a Magnólia Blues Band tornou-se um quinteto com a presença do vocalista carioca, Bruno Mello em nossa formação.

Então, convocados para tocar nessa noite de despedida, a ideia seria fazer um show dos Kurandeiros, com set list autoral em 100%, e uma breve inserção da Magnólia Blues Band, marcando sua presença, igualmente. No entanto, estava marcada uma terceira atração, no caso uma banda cover denominada "Old Boys Band", com repertório igualmente calcado no Blues-Rock e com pitadas de Pop, e que estava agendada previamente como atração sazonal, mas com a decisão do Alexandre em fechar o estabelecimento, ele decidiu manter a data dos rapazes normalmente e claro, sem problemas para nós, inclusive, em se tratando de uma noite festiva, embora o mote da reunião fosse triste, em tese. Então foi assim, na noite de 27 de outubro de 2017, o Old Boys Band subiu ao palco e fez seu set, inclusive tocando várias músicas internacionais habituais do repertório cover dos Kurandeiros e da Magnólia Blues Band, numa boa apresentação, arrancando aplausos da plateia.

Os Kurandeiros recebendo o amigo, Cesar Gavin, figura simpaticíssima. Magnólia Villa Bar de São Paulo, em 27 de outubro de 2017. Acervo e cortesia de Cesar Gavin. Click de Adriana, sua namorada

E por falar em plateia, foi com alegria que recebemos a visita do Cesar Gavin, amigo de longa data da banda. Gavin é baixista e teve no início dos anos noventa, banda com o nosso baterista, Carlinhos Machado. Desde muito tempo, Gavin tornou-se um dos maiores agitadores culturais do Brasil, mantendo um site, mais uma Blog e um canal de You Tube, tudo isso trabalhando fortemente pelo Rock brasileiro. Gavin acompanha shows constantemente, escreve resenhas dos espetáculos que acompanha, anuncia lançamentos e mantém um talk show sensacional, no qual entrevista músicos ligados ao Rock Brasileiro de todos os tempos, e nessa altura, o acervo é tão impressionante que tornou-se a meu ver um museu vivo com depoimentos ricos, alinhavando histórias e reminiscências trazidas pelos seus convidados. Eu mesmo já havia gravado minha entrevista e que rendeu dois programas. A gravação ocorreu em agosto de 2017, mas até este momento de outubro, Gavin não deu-me uma data definida para o seu lançamento. Tudo bem, sei que ele filma muitos artistas e a fila tornou-se grande. Mais para a frente, mencionarei esse fato com um amplo registro do acontecimento e certamente acrescentando o link para o leitor assistir no You Tube.
Os Kurandeiros em ação ! Magnólia Villa Bar, 27 de outubro de 2017. Clicks, acervo e cortesia de Cesar Gavin
 
Então chegou a hora e Os Kurandeiros subiram ao palco do Magnólia Villa Bar, sendo a derradeira apresentação no famoso palco dessa simpática casa. Fizemos um set autoral e bastante animado, com a plateia respondendo com entusiasmo. Não percebi tristeza no ar, apesar dos pesares e sinceramente, achei que o show seria um tanto quanto tristonho pelos fatos já mencionados, mas pelo contrário, o clima ali, de forma generalizada, era sobretudo pautado pelo agradecimento da parte de todos. Foi um show marcado por tal sentimento, devo salientar, e ao menos na minha percepção isso foi bastante marcante ali, não só durante o nosso show, mas na noite inteira de uma forma geral.

Os Kurandeiros com a inclusão do tecladista, Alexandre Rioli, transformando-se automaticamente na Magnólia Blues Band. Noite de 27 de outubro de 2017. Click : Lara Pap

Ao final, sim, houve uma inserção da Magnólia Blues Band e foi bacana tocar alguns clássicos do Blues e do Blues-Rock, além de duas músicas que eram praticamente obrigatórias pelas circunstâncias, a meu ver : "Magnolia" e "I Got my Mojo, Working". E claro que foi bacana tocar tais canções que muito representaram para Os Kurandeiros e também para a Magnólia Blues Band. 



Confraternização final ao final da última noitada da casa de espetáculos, Magnólia Villa Bar, em 27 de outubro de 2017. Da esquerda para a direita : Caio Gouveia (vocalista da banda "Old Boys Band"); Kim Kehl; Carlinhos Machado; Patrícia Araújo (essa moça foi a responsável por indicar Os Kurandeiros à casa, em 2009, iniciando assim a longa parceria); Alexandre Rioli (tecladista e proprietário da casa); Luiz Domingues; o baterista do "Old Boys Band" (foge-me o seu nome) e o tecladista do "Old Boys Band", Eduardo Castro. Click de Lara Pap

"Pro Raul", no show de encerramento das atividades da casa de espetáculos, "Magnólia Villa Bar, de São Paulo. 27 de outubro de 2017.

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=N-5gaB7UYlY&t=65s
"Anjo", no show de encerramento da casa de espetáculos, "Magnólia Villa Bar", de São Paulo, em 27 de outubro de 2017.

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=Xm7TBmRpl64  


Finito para a famosa casa da Lapa, na zona oeste de São Paulo, mas a vida seguia para Os Kurandeiros e dois dias depois estávamos escalados para voltar, curiosamente, ao mesmo bairro de São Paulo, mas desta feita para tocar num evento ao ar livre, tratando-se da 8ª Feira de Artes & Cultura da Lapa.

Realizada pelo Centro Cultural Pompeia, o bairro vizinho, a Feira da Lapa é bem menor que a tradicional Feira da Vila Pompeia e isto é um paradoxo, em se considerando que o bairro da Lapa é muitíssimo maior em extensão territorial e densidade populacional, mas salvo alguma explicação lógica sobre tal fenômeno e da qual desconheço, o fato é que assim acontece anualmente. Mas mesmo dessa forma, fechando apenas um quarteirão de um bairro imenso, a festa apresenta atrações bacanas para os moradores e atrai gente de bairros vizinhos e até longínquos, mesmo porque os artistas que ali apresentam-se, acabam por atrair seus fãs, e isso encorpa bem o contingente. E havia ainda um componente pessoal, no meu caso,  pois naquele quarteirão da Rua Faustolo, entre as ruas transversais, Sabaúna e Tibério, eu tinha minhas lembranças pessoais, visto que morei na rua paralela (Rua Clélia), exatamente na mesma altura, nos idos de 1966 e 1967, portanto, que bacana ter um evento ali nas imediações bem próximas de onde morei, há 50 anos atrás e com o palco virado para o muro da escola estadual onde quase estudei no ano de 1967 e só não iniciei meus estudos primários ali por conta de uma burocracia de ocasião, que a secretaria de educação estadual criou e por força do destino, com a minha família mudando-se para um bairro da zona sul, ao final desse ano de 1967, só fui começar a estudar de fato, em 1968, em outra escola desse outro bairro. Mas foi divertido tocar ali, por tudo que mencionei acima.

O dia amanheceu nublado e a previsão meteorológica era bem pessimista pelos dados fornecidos por parte dos meios tradicionais da mídia e na internet, mas na realidade, a ameaça de uma chuva torrencial não confirmou-se. Ficou apenas manifestada em poucos pingos e que nem chegou a abalar a animação das pessoas e predisposição dos organizadores. Ótimo, quando Os Kurandeiros subiram ao palco, o tempo mostrava-se firme e a empolgação muito boa.

Antes, assistimos várias bandas que precederam-nos, com boa performance. Gostei do trabalho dessa rapaziada, embora a maioria tivesse tocado covers em excesso, o que num festival ao ar livre é um pouco decepcionante, visto que ali era um espaço ideal para a música autoral. Espero que os organizadores pensem nisso com carinho em futuras edições, não digo proibindo, mas abrindo mais espaço para quem cria e digo isso também para essas bandas que tocam covers predominantemente, pois sendo boas bandas, gostaria de revê-las mostrando seus trabalhos próprios, em outra oportunidade.  

Os Kurandeiros a tocar em cima de um caminhão de trio elétrico, em plena Rua Faustolo, na Lapa, bairro da zona oeste de São Paulo, durante a 8ª Feira de Artes & Cultura da Lapa, em 29 de outubro de 2017... Click, acervo e cortesia de Rogério Utrila

O palco em questão foi montado em cima de um caminhão de trio elétrico e quando subimos a fim de prepararmos o nosso set, notamos que balançava muito. Todavia, essa percepção não era clara quando vimos as outras bandas atuando, ali da plateia. Bem, a despeito desse incômodo, fizemos um show de choque bastante animado. Confesso, foi estranho ter que tomar um cuidado extra no tocante ao equilíbrio e realmente o balanço causava um desconforto ao ponto de sugerir a vertigem. O Kim disse-me que tocou estático e preocupado com isso. Para o Carlinhos foi ainda pior, visto que tocar bateria nessas circunstâncias é realmente um sacrifício, com as peças do instrumento saindo de suas posições básicas e fora a sensação de labirintite e não estou a exagerar. A minha impressão foi a de ter tocado em pé, numa canoa em alto mar...

 
Fotos dos bastidores do show que realizamos na 8ª Feira de Artes & Cultura da Lapa, no dia 29 de outubro de 2017. Esquina das Ruas Faustolo e Tibério, no bairro homônimo da zona oeste de São Paulo. Foto 1 : Fora do enquadramento à esquerda, Luiz Domingues, com Carlinhos Machado; Lara Pap, Paula Simone Iannone (amiga) e Kim Kehl e fora do quadro à direita, Duck Strada. Foto 2 : o casal Kurandeiro em destaque, Kim Kehl & Lara Pap, com Duck Strada e Carlinhos Machado ao fundo no lado esquerdo e Luiz Domingues por detalhe no canto direito. Foto 3 : Kim Kehl em destaque, com Lara Pap por detalhes e de costas. Foto 4 : da esquerda para adireita, Duck Strada; casal desconhecido; Áureo Alessandri (guitarrista dos Blues Riders e escritor); João Pirovic (músico e fotógrafo); Luiz Domingues; Carlinhos Machado; Kim Kehl; Carlos Dutra (fotógrafo); Geraldo "Gegê" Guimarães (guitarrista do "Pompeia 72" e coorganizador do evento), a na frente, o radialista / agitador cultural e coorganizador do evento, Rogério Utrila. Fotos 1; 2 & 3 : Acervo e cortesia de Paula Simone Iannone. Foto 4 : Lara Pap      

Todavia, falta de estabilidade física a parte, foi um show divertido e pela boa quantidade de amigos queridos que ali compareceu e tornaram o bastidor, muito agradável.
Os Kurandeiros a tocar em cima de um caminhão de trio elétrico, em plena Rua Faustolo, na Lapa, bairro da zona oeste de São Paulo, durante a 8ª Feira de Artes & Cultura da Lapa, em 29 de outubro de 2017... Click, acervo e cortesia de Paula Simone Iannone

"Anjo" (Kim Kehl), na 8ª Feira de Artes & Cultura da Lapa, em São Paulo, no dia 29 de outubro de 2017

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=q4j45Hjxp8w

"Oh Rita" (Kim Kehl), na 8ª Feira de Arte & Cultura da Lapa, em São Paulo, no dia 29 de outubro de 2017

Eis o Link para assistir no You Tube : 
https://www.youtube.com/watch?v=DaumUKhiIUo

Nossa próxima missão dar-se-ia poucos dias depois e na verdade, inaugurava uma mini temporada que prometia ser animada ! 

Continua...