sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sabores e Saberes - Por Telma Jábali Barretto



De quantos saberes, nuances, gostos, cheiros, cores, fragrâncias e tanto mais são construídas as bases de conhecimento, memória...

Todo nosso saber (consciente, já trazido à superfície!) vem das informações recolhidas desde sempre, nessa ou nas muitas e anteriores ‘encadernações’, personagens que  vestimos e, ao longo de um processo de composição, viemos dando forma ao que aqui, agora, compõe saberes adquiridos.

Pelas muitas vias acessamos informações, aprendendo entre doçuras, amargores, belas e constrangedoras visões, entre harmonias e dissonâncias, uma escola estamos cursando. Alguns de nós experimentando como convidativa aventura, outros sentindo e degustando em meio a ‘sofrências’ valorizadas e enaltecidas e tem, ainda, aqueles que passeiam entre altos e baixos, sem muito entender a que vieram... mas, mergulhando no mar e fluxo, oscilando entre dor e prazer naquilo que parece chegar aleatoriamente. 

Como não (re) conhecer, identificar que, em meio a nostalgias e anseios, que almejam (re) avivar ou experimentar tempos que não mais voltam, moradores em nossos registros e arquivos cuidadosamente (cientes ou não...?!) selecionados por vivências eleitas (também conscientemente ou não...?!...) que, quando forjadas, marcaram e tatuaram a alma! Lembranças que são verdadeiros quadros, paladar (re) avivador de histórias confortáveis, toques e perfumes capazes de fazer sentir antigos sentimentos trazidos à superfície e, quando submergem, produzem apegos, saudades, traumas... Quantas músicas e sons remontam a significativos, inesquecíveis momentos de determinado e transformador marco vivido.  Também aqui, alguns dos quais nos orgulhamos no melhor sentido que isso signifique, caracterizando nosso ganho, sucesso; outros bem confusos em meio a culpas e remorsos e...se sabiamente absorvidos, abençoados, todos serão pelo que nos ensinaram, amadureceram, deixando seu conhecimento nessa abundante e sagrada bagagem transportada. Entre staters e gran finales seguimos, repetindo a natureza com seus pit stops, estabelecidos em suas próprias e inexoráveis leis, que eternamente nos regem e convidam a conhecê-las!!!

E...de quantas sutilezas, compenetradas pelos sentidos todos, são tecidas vidas, coletivas e individuais, multiplicadoras daquilo que a nós vem e de nós sai, nesse replicar de trocas e contatos, plasmando a Vida em forma e contexto, entre células, átomos e cenários, continuamente emissores e receptores, produzindo e refletindo, captando e emitindo ondas, vibrações, indistinta e indiscriminadamente, fazendo uso da comidinha com cheiro e gosto, até tratados filosóficos, pequenas, passageiras e informais escutas sanadoras de sofrimento, oferecimento de um olhar apaziguador ou incisivo que desperta, acorda, nessa ebulição sempre presente, que deveríamos agradecer, reverenciando nossas antenas arquiancestrais e inspiradora dessa internautizada, quântica forma que, atualmente, usufruímos embevecidos, às vezes  submetidos a essa informatização, que sempre foi, é e será formato de crescimento e desenvolvimento como proposta intrínseca  do generoso Uni Verso de que somos parte!!! Jaya!!!

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira Civil, é também uma experiente astróloga, consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga.
Nesta reflexão, fala-nos sobre a importância dos sentidos que ativam percepções e estabelecem associações múltiplas e que no seu bojo, denominamos : sabedoria acumulada. Mas que por outro lado, se não bem interpretadas, podem gerar erros inadmissíveis

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Os Kurandeiros - 11/8/2017 - Sexta-Feira / 21:00 Hs. - Santa Sede Rock Bar / Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

11 de agosto de 2017 - Sexta-Feira - 21:00 Hs.

Santa Sede Rock Bar 

Avenida Luiz Dumont Villares, 2104

Tucuruvi

Estação Parada Inglesa do Metrô

São Paulo / SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 56 - Por Luiz Domingues

Recebemos então o convite do salão "Fofinho Rock Bar" (talvez o mais antigo salão destinado ao Rock em São Paulo, em contínua atividade, remontando sua inauguração ao remoto ano de 1971), para um projeto fixo, e do qual Os Kurandeiros já tinham experiência pregressa. Explico : o fato, é que a proposta ventilada pelo estabelecimento seria a de que fôssemos atração fixa da casa, numa serie de shows em princípio com periodicidade mensal, e a cada edição, que nós convidássemos outra banda para fazer uma participação especial.

Os Kurandeiros em ação no Fofinho Rock Bar, de São Paulo, na primeira edição do Projeto "Sunday Rock", dia 16 de outubro de 2016. Clicks, acervo e cortesia de Alê Machado
 
Ora, havíamos criado a Magnólia Blues Band como banda derivada dos Kurandeiros, no ano de 2014, com a mesma prerrogativa, em moldes ligeiramente diferentes, pois a ideia ali era a de realizar shows semanais na casa de espetáculos, Magnólia Villa Bar, e convidando artistas individualmente a tocar conosco a cada semana, e em princípio oriundos do universo do Blues. Já no início de 2016, Os Kurandeiros também protagonizaram projeto semelhante e desta feita ainda mais parecido de fato, sendo banda fixa do "Templo Club" (experiência já relatada em capítulos anteriores), e também tendo a incumbência de convidar artistas a participar conosco, num projeto denominado, "Sunday Blues". Agora, o Fofinho sinalizava com projeto idêntico, mas com uma diferença básica : sendo uma banda convidada a cada edição, perfazendo dois shows.
Mais fotos dos Kurandeiros no Fofinho Rock Bar, de São Paulo,  em 16 de outubro de 2016. Clicks de Jani Santana Morales 

Não era exatamente uma novidade para nós, e pelo contrário, sabíamos o caminho das pedras nesse tipo de projeto, portanto, aceitamos, mas sem elaborar grande ilusão sobre tal, pois matinê dominical nos tempos então atuais com bandas de Rock clássico, não seria certamente fácil de manter-se com o sucesso desejado etc e tal...
Mas fomos de peito aberto encarar o desafio e na primeira edição convidamos a boa banda, "Cobra Criada", que tem uma história no circuito paulistano, tendo sido banda de abertura do "Golpe de Estado" por muitos anos e por ter em suas fileiras músicos conhecidos nossos de bom nível técnico e amizade conosco, caso do baterista, Binho "Batera" (também integrante do "Vento Motivo"), e com histórico de apresentações sazonais na condição de baterista "sub", dos Kurandeiros, ajudando-nos em algumas ocasiões onde nosso baterista, Carlinhos Machado, teve problemas pessoais e não pode estar presente.
Os Kurandeiros em ação no Fofinho Rock Bar, de São Paulo, na primeira edição do Projeto "Sunday Rock", dia 16 de outubro de 2016. Clicks, acervo e cortesia de Alê Machado, com ele em pessoa sentado conosco, na mesa (última foto), sendo o segundo da esquerda para a direita, usando camiseta amarela com estampa retratando Jimi Hendrix

Sobre o Fofinho, já havia apresentado-me ali algumas vezes. Nos anos oitenta com A Chave do Sol e no ano de 1999, com a Patrulha do Espaço, sendo esse show histórico, por ter marcado a estreia da nossa formação "Chronophágica". Mas desta vez, não usaríamos o palco principal, situado no salão, mas um mini palco "lounge" no patamar térreo da casa. OK, Os Kurandeiros estavam acostumados a tocar em palcos mais comedidos e de fato, não seria problema, inicialmente para nós. Mas se por um lado a predisposição da casa em não abrir mão de sua matinê de música mecânica no andar superior era previsível, em se considerando sua forma habitual de trabalhar, por outro, o que não contávamos agora era com o fato de que além de não haver vedação entre os dois salões, em nenhum momento a casa abriria mão de manter sua longa sessão dominical em atividade contínua e geralmente dominada por um repertório calcado no Heavy Metal internacional. Portanto, levando-se em consideração que o PA desse salão era de porte grande, com enorme pressão sonora, a perspectiva de tocarmos embaixo, com um outro PA (nós tocando nosso set normal e acima, o som mecânico executando Heavy Metal, concomitantemente), era no mínimo algo bizarro. Pior que isso, a concorrência sonora ia além do incômodo sonoro atordoante, mas atrapalharia decisivamente a nossa performance, mesmo observando que no nosso palco, a casa disponibilizaria um PA bastante fidedigno. 

Os Kurandeiros em ação no Fofinho Rock Bar, de São Paulo, na primeira edição do Projeto "Sunday Rock", dia 16 de outubro de 2016. Clicks, acervo e cortesia de Alê Machado

Mas havia outra agravante... na frente do estabelecimento, em comunicação com a rua, no caso a Avenida Celso Garcia, eles tinham em anexo, um botequim próprio, também alimentado por um P.A. com potência forte e ali, um DJ comandava uma sessão de Classic Rock e MPB setentista. Se por um lado o repertório ali executado era agradabilíssimo, como se estivéssemos escolhendo discos de nossas respectivas coleções particulares, apesar disso, naquele volume ensurdecedor e também na determinação de não parar das 16 às 23 horas, o panorama para as nossas apresentações seria estranho ao extremo, com nossa performance concorrendo com outros dois PA's simultâneos e ensurdecedores. Valeria a pena, arriscar algo tão insalubre ? Bem, sendo tratados com bastante simpatia pelos mandatários da casa e estes mostrando-se animados com o projeto, e não enxergando problemas nas condições que elenquei anteriormente, estufamos o peito e fomos encarar a primeira edição.


"A Noite Inteira ao vivo no Fofinho Rock Bar" - 16 de outubro de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=DKkem6azthY

"O Filho do Vodu", ao vivo no Fofinho Rock Bar, em 16 de outubro de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=o2PY4WduqBY


"Faz Frio" ao vivo no Fofinho Rock Bar", em 16 de outubro de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=6a4XXDLf_K0


"Os Brutos Também Amam" no Fofinho Rock Bar, em 16 de outubro de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=HVrNtehpuCU

Mas antes de nós, o "Cobra Criada" fez seu show, mesclando algumas canções autorais com diversos covers do Rock nacional e internacional, em boas interpretações. Vendo-os tocar, gostamos muito da performance, mas a guerra de PA's ali dentro do estabelecimento, realmente prejudicava muito a boa condução do espetáculo, é óbvio, fora o fato de não haver nenhuma torre de iluminação, mínima que fosse, fazendo com que a banda tocasse sob luz de serviço e claro que era um mais um fator a atrapalhar a performance. Foi quando chegou nossa vez e nessa primeira oportunidade, nossa apresentação evitou releituras de clássicos e calcou-se no show autoral. Apesar de todas as dificuldades já esperadas e que confirmaram-se assim que iniciamos nosso show, fizemos o nosso show com o melhor que pudemos oferecer ali e foi surpreendente, pois mesmo sendo massacrados por verdadeiras serras elétricas travestidas de guitarras e vocais esganiçados das bandas de Heavy-Metal, vindas do patamar de cima, e atrapalhados pelo Robert Plant e Zé Ramalho, entre outros, que cantaram bem alto no patamar abaixo virado para a Avenida Celso Garcia, muitas pessoas apareceram para assistir; dançar & cantar, e mesmo porque, se em cima o público "headbanger" não interessava-se em descer para nos ver e ouvir, a clientela que preferia ficar escutando Rock e MPB setentista, abaixo, certamente haveria de identificar-se com a nossa postura e proposta sonora. Foi assim na primeira edição, ainda que não agraciada com uma enorme multidão, mas apesar dos pesares, foi animador.

Os Kurandeiros posando informalmente no Fofinho Rock Bar, de São Paulo, na primeira edição do Projeto "Sunday Rock", dia 16 de outubro de 2016. Da esquerda para a direita : Carlinhos Machado; Luiz Domingues & Kim Kehl. Click, acervo e cortesia de Jani Santana Morales

Um verdadeiro show em regime de "guerrilha", como diz-se no jargão dos músicos a designar apresentações feitas sob condições inóspitas, em se tratando dos Kurandeiros que é uma banda que não tem vaidades e / ou estrelismos, acho que nem sentimos muito a aspereza da guerra nas trincheiras... para incomodar-nos para valer, saraivada de tiros; granadas & gás mostarda não basta... ocorreu em 16 de outubro de 2016, e é difícil mensurar o público presente corretamente, pois as atrações eram diferentes ali. Digamos que ali no salão onde tocamos e sem considerar os hippies do botequim externo e os metaleiros do patamar acima, creio que cerca de 35 pessoas aglomeraram-se a nossa frente, em momentos de pico do nosso show. Em termos de continuidade do Projeto "Sunday Rock", dessa forma, pulando o mês de novembro, uma nova data foi marcada para dezembro, e da qual falo na cronologia adequada.  

Fruto do bom relacionamento que mantínhamos com o staff da emissora, "Stay Rock Brazil", uma importante Webradio do meio Rocker, outra boa oportunidade para divulgar nosso recém lançado álbum ocorreu numa festa organizada por eles e melhor ainda que receber tal convite para figurar nessa celebração, foi o fato de que fora marcada para uma casa de espetáculos onde nós tínhamos uma familiaridade bem grande e simpatia, sobretudo, o Santa Sede Rock Bar. E assim, com a casa apresentando ótimo público, fizemos uma apresentação de muita energia, gerando até uma euforia além da esperada e claro que isso animou-nos bastante.
Os Kurandeiros na festa da Webradio, Stay Rock Brazil. Santa Sede Rock Bar, 30 de outubro de 2016. Fotos de Cristina Piratininga Jatobá 


Nesse mini festival da emissora, tocaram outras bandas e ali o ambiente foi 100% familiar para nós, com bandas amigas e da qual apreciávamos seus respectivos trabalhos. Casos do "Vento Motivo" e "8080", das quais inclusive já tive o prazer de elaborar resenhas de seus respectivos discos, em meu Blog nº 1. 
Mais fotos dos Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar, comemorando o 8º aniversário da webradio, Stay Rock Brazil. 30 de outubro de 2016. Clicks de João Pirovic

E também a agradável apresentação do "Delinquentes de Saturno", um simpático combo derivado do "Apokalypsis", igualmente liderado pelo veterano Rocker aquariano, Zé Brasil e apresentando um surpreendente repertório com forte dose de experimentalismo "Prog", lembrando muito a escola do "Krautrock" setentista. Isso reforçou-se em muito pela presença do baixista superb, Gabriel Costa, atuando com a banda, e meu amigo desde 2001, quando o conheci durante minhas andanças com a Patrulha do Espaço em turnês por cidades interioranas paulistas. 
Mais fotos dos Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar, comemorando o 8º aniversário da webradio, Stay Rock Brazil. 30 de outubro de 2016. Clicks de Leandro Almeida

E também uma banda com orientação mais Hard-Rock oitentista, seara que não agrada-me normalmente, mas devo reconhecer, gostei do trabalho dos rapazes e o fato de serem extremamente gentis e solícitos, naturalmente cativou-me, tratando-se do "Mr. Huddy". Enfim, uma noitada muito agradável pela festa em si, presença de bandas boas, todas amigas e pela simpatia habitual da casa, além do pessoal da emissora, muito cortês com Os Kurandeiros, sempre. Aconteceu no dia 30 de outubro de 2016.


Mais fotos dos Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar, comemorando o 8º aniversário da webradio, Stay Rock Brazil. 30 de outubro de 2016. Na primeira foto, Kim Kehl entre membros da webradio e componentes da banda "Vento Motivo". Abaixo, a produtora musical Gigi Jardim colocando os "Ya-yas" para fora, perto de Luiz Domingues. Na terceira foto, o grande músico e escritor, Walter Possibom, com Luiz Domingues. E na última, Kim Kehl e Walter Possibom. Clicks de Leandro Almeida e Tânia Regina
 
Próxima parada : Santa Sede Rock Bar e desta feita sendo tratado como de fato, show de lançamento do novo álbum dos Kurandeiros.
Luiz Domingues em ação! Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar, comemorando o 8º aniversário da webradio, Stay Rock Brazil. 30 de outubro de 2016. Click de Leandro Almeida

Continua... 
    

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Os Kurandeiros - 3/8/2017 - Quinta-Feira - Cervejaria da Granja - Granja Viana - São Paulo / SP


Os Kurandeiros

3 de agosto de 2017 - Quinta-Feira - 19:30 Horas

2º Encontro de Motocicletas

Cervejaria da Granja

Rua José Féliz de Oliveira, 1205

Granja Viana


São Paulo - SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl - Guitarra
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo

domingo, 30 de julho de 2017

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 55 - Por Luiz Domingues


Após o início das gravações do EP Seja Feliz, ao final de julho de 2016, a banda naturalmente imbuiu-se dessa missão com grande entusiasmo. Todavia, sendo uma banda ativa em termos de agenda e mesmo em meio a uma crise institucional sem fim no Brasil, driblando assim a escassez de oportunidades que acometia a todos os setores da vida artística e cultural em geral (fato concreto, em tempos de crise, o primeiro setor da sociedade que sente o recrudescimento da recessão econômica é o ligado a cultura, quando a mentalidade reinante é cortar compra de livros; discos e idas ao cinema; teatro e shows musicais...), Os Kurandeiros comemoravam o fato de que mesmo sentindo na pele os efeitos da diminuição de oportunidades generalizada, no caso, ainda assim, elas apareciam para a banda.

Ótimo, vamos em frente, então, mesmo quando as oportunidades que surgissem, não fossem exatamente dentro de nossos anseios. Foi o que ocorreu em 19 de agosto de 2016, quando a banda teve apresentação agendada num curioso espaço cultural, encravado num ótimo ponto de um bairro nobre da zona sul de São Paulo, mas mesmo assim, diante de tal localização privilegiada, ostentava uma estrutura absolutamente underground, mais parecendo com espaços decadentes do centro da cidade, reutilizados como equipamentos culturais "modernosos" e usando a crueza das suas instalações precárias como um tipo de trunfo cultural ao passar a ideia de uma espécie de "élan avantgarde". Espaços assim geridos por jovens cuja identidade cultural apontam para tendências preocupadas (muitas vezes obcecadas), em apontar para o "futuro", geralmente esbarram em idiossincrasias que muito fazem com que eu recorde-me da mentalidade Pós Punk que dominou a cena oitentista. O aspecto da rudeza desoladora com ares pós apocalípticos, era uma constante naquela década e a decadência dos escombros, tratada como um cenário ideal para fomentar tais ideais dessa gente, e claro que minha formação cultural ou melhor dizendo, contracultural sempre apontou para o inverso disso tudo. Nos anos 1990, mesmo não fechados mais com o Pós Punk, explicitamente, muitos jovens flertaram com a continuidade (ou continuísmo, como queiram), dessa mentalidade e isso refletia-se em dúzias de casas noturnas espalhadas por São Paulo e sobretudo como paradigma monolítico de quase todas as bandas de Rock da cena underground paulistana e com a qual convivi muito no meu tempo a bordo do Pitbulls on Crack).


Pois foi exatamente o que eu senti quando adentrei as dependências do espaço onde tocaríamos, denominado "Feeling Music Bar", um misto de sala de ensaios para bandas / salas de aulas de música e espaço cultural para apresentações musicais. Suas dependências rústicas e multiuso lembraram-me o espaço que a revista Dynamite manteve ao final dos anos oitenta e início dos noventa, na Rua Dr. Vila Nova, pelas mesmas características. Gerenciado por gente jovem e certamente antenada na movimentação cultural contemporânea de segunda década de século XXI, posso afirmar que a orientação ali era a do "Indie Rock", e claro que absolutamente coadunada na realidade com a qual o Rock atual investe-se em seu micro nicho da atualidade, no panorama artístico brasileiro, ou seja, numa Era de absoluto sucateamento do espaço para a cena off-mainstream, dita "independente", o que considera-se "Rock" na atualidade, remonta aos pequenos nichos destinados ao Indie Rock e o Heavy-Metal. Numa terceira via, ainda de menor expressão, saudosistas de sonoridades do passado, e não necessariamente fechadas em apreciadores das estéticas sessenta-setentistas, mas dividindo espaço com oitentistas e noventistas ou seja, para artistas como nós, o micro espaço fica restrito aos jurássicos dos jurássicos... por isso também, uma banda como Os Kurandeiros merece a menção honrosa, pois mantém-se com vida ativa e mais que isso, com alta rotatividade, levando-se em consideração todas as condições adversas, acima mencionadas.


Mas falando do espaço citado, além das precariedades inerentes, a mentalidade da casa em programar shows coletivos, como se fossem mini festivais, com muitas bandas absolutamente desconhecidas, numa programação "off do off do underground", precisa ser analisada sob dois aspectos, um bom e outro mau. O lado bom, é que numa época tão árida, uma casa que propõe-se a abrir espaço para bandas dessa natureza, merece aplauso, pois a despeito de qualquer adversidade, onde essas bandas de garotos vão apresentar-se e dar seus primeiros passos ? Antigamente havia uma profusão de oportunidades para artistas iniciantes, a começar pelos festivais colegiais, incluso as redes públicas, estadual e municipal. Lembro com carinho, inclusive, de que minha primeira banda nos anos setenta ("Boca do Céu", com história inteiramente relatada no início deste texto autobiográfico e à disposição neste Blog e também no meu Blog 3, além do livro impresso), teve duas oportunidades dessa monta e foi o grande "debut" dela, enquanto banda; da minha carreira em particular e para os companheiros de então, incluso o hoje renomado, Laert Sarrumor. Mas nos tempos atuais, isso não ocorre mais, portanto, parabéns ao "Feeling Music Bar" por ter essa predisposição.



Já o aspecto negativo, é que por programar tantas bandas para uma noite só, a bagunça na organização era inevitável e sendo assim, para uma banda com a nossa história e pelo nosso curriculum, assim que entramos e vimos a vibração ali reinante, é claro que questionamos internamente o que aquela apresentação agregar-nos-ia artisticamente. No entanto, banda resiliente e sem nenhuma vaidade como a nossa, não haveria de ter constrangimentos. Em outras bandas por onde passei, talvez a atitude fomentada por outros membros fosse a de insistir em cancelar e evadir-se do local sumariamente, mas Os Kurandeiros não são assim e dessa forma, mesmo diante de um panorama bastante questionável em termos de dividendos a ser capitalizados, artisticamente falando, subimos ao palco e demos o nosso recado. Bem, o equipamento não ajudou em nada. Era um palco até razoável em termos de dimensão, lembrando o de casas mais bem aprumadas por onde já havíamos tocado, mas a sonoridade ali, apesar da existência de um PA e backline aceitáveis, deixou a desejar. Dá para ver no vídeo existente com um resumo da nossa apresentação, que foi sofrido para a banda, mas levamos com dignidade até o final, é claro.

Sobre as outras bandas, eram todas completamente desconhecidas e achei engraçado quando um rapaz da produção citou-as para nós, como se fossem reconhecidas por um grande público. Talvez num circuito off do off do qual nem consigo conceber, tenham seus seguidores, tomara que sim, mas realmente, nunca havia ouvido falar de nenhuma sequer e apesar dos pesares, eu costumo ter uma noção do que ocorre na cena underground pelos contatos que tenho em diversos setores da música, incluso amizade com jornalistas bem informados sobre os seus subterrâneos, mas o fato de não fazer nem ideia de quem eram aquelas bandas, realmente espantou-me. Bem, boa sorte para todos que ali apresentaram-se e que sonham com o êxito na vida artística.


Sobre o som dessa garotada, algumas eram formadas por bons músicos, devo reconhecer pelo que vi e ouvi, mas a orientação da maioria era pelo Heavy Metal ou pelo Indie Rock, portanto, não despertou nenhuma comoção da minha parte. Somente um duo acústico, formado por dois violonistas com tendência "Folk", agradou-me mais pela obviedade de ser algo mais palatável à minha formação musical. Mas por não ter anotado os nomes de todos para a minha ficha pessoal do show, não recordo-me quem eram, para cita-los, agora.

Um resumo do show que fizemos no Feeling Music Bar, em 19 de agosto de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=diOTpVKM-Cs

Passada essa apresentação todos os esforços foram concentrados no arremate da produção do novo álbum e de fato, ele logo finalizou-se e apresentou-se para lançamento. Nesse ínterim uma casa tradicional da zona leste de São Paulo, sinalizou com a ideia de um projeto para os Kurandeiros. Falo disso a seguir.

Continua...