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terça-feira, 26 de maio de 2026

Autobiografia na música - Boca do Céu - Capítulo 203 - Por Luiz Domingues

Em frente a um grafite no muro da escola onde eu (Luiz Domingues), cursei a 8ª série do então chamado "primeiro grau", hoje em dia, "ensino fundamental", a Escola Municipal de 1º Grau Professora Maria Antonieta D'Alckimin Basto, localizada na Rua Casa do Ator, no bairro da Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. Nessa escola, em 1976, nasceu o Boca do Céu. Filmagem do documentário do Boca do Céu. 10 de maio de 2026. Click, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")/Produtora Bicho Raro

Desde que foi lançado o documentário sobre a gravação da música "1969", em 2023, foi cogitado se produzir um documentário ainda maior, a conter os bastidores da gravação das outras músicas que haveriam de compor o disco completo do Boca do Céu e naturalmente, ideias surgiram a buscar sofisticar tal produção, ou seja, a incluir também imagens de ensaios,  shows ao vivo que advieram e mais depoimentos.

No campo dos depoimentos, ficou decidido que incluiríamos reminiscências sobre a história da banda nos anos 1970, e nesse caso, com a possibilidade de haver a filmagem in loco de ambientes que fizeram parte da trajetória da banda. 

No entanto entretidos com a gravação que se revelou muito morosa, muitas vezes travada por questão de conflito de agenda, deixamos de lado esse projeto paralelo por um bom tempo, até que a parte da gravação estivesse a se encaminhar para o seu desfecho. 

Mais ou menos em março de 2026, enquanto esperávamos as gravações dos últimos convidados para fechar a fase de captura das músicas, foi que eu prepararei uma lista de possíveis locações e coloquei à vista dos companheiros, para que eles opinassem sobre esse esqueleto primordial e também sugerissem modificações ou adendos.

Na verdade, preparei duas listas, pois foi importante estabelecer duas fases distintas para se compor os depoimentos. A primeira, com uma lista de locações bem específicas sobre as ações da nossa banda e outra, sobre locais que frequentamos juntos na mesma época a absorver a cultura e a contracultura, certamente, ou seja, locais de shows de grandes artistas nacionais e internacionais que vimos ao vivo, salas de cinema, teatros, e outros equipamentos culturais que frequentamos com enorme entusiasmo naquela década.

A priori, todos gostaram e dessa forma, resolvemos que apenas o quarteto original dos anos setenta e eventualmente o baterista Fran Sérpico, falassem nessa etapa, pois não fazia muito sentido o Carlinhos Machado participar dessa específica abordagem, pelo simples fato dele não ter vivido essa fase conosco. Mas claro, por ser contemporâneo e de fato ter visitado com assiduidade, todos os locais citados na segunda lista, aí sim ele participaria a anexar as suas lembranças pessoais e incrivelmente coincidentes com as nossas, sobre os anos setenta.

Eis as duas listas que eu elaborei como um roteiro básico:


Filmagens de apoio para o DOC do Boca do Céu


Proposta de locações para colher depoimentos e roteiro de depoimentos.


Locais diretamente ligados à história da banda


1) Colégio Maria A. D’alkimin Basto - Rua Casa do Ator - Vila Olímpia

A) Osvaldo e Luiz falam sobre como se conheceram e formaram a banda em abril de 1976.

B) Laert fala sobre como conheceu Osvaldo e Laert, ali na mesma escola, e como entrou para a banda.

2) Residência de Osvaldo - Rua Inhambu - Moema

A) Depoimentos de Osvaldo, Laert e Luiz sobre as primeiras reuniões e ensaios ali realizados.

3) Residência de Fran Sérpico - Rua Barão do Triunfo - Campo Belo

A) Depoimentos de Osvaldo, Laert, Wilton e Luiz sobre os ensaios ali promovidos, 1º show da banda em fevereiro de 1977, menção à filmagem de Super-8 de 1977 (na edição o Moah, mescla com imagens da mesma), e lembrança do show malogrado de fevereiro de 1978.

4) Residência de Luiz Domingues - Rua Jacirendi - Tatuapé

A) Depoimentos de Osvaldo, Laert, Wilton e Luiz sobre os ensaios ali promovidos.

5) Colégio Oswaldo Catalano - Tatuapé

A) Depoimentos de Osvaldo, Laert, Wilton e Luiz sobre a participação da banda no festival I Femoc dessa escola, estadual em agosto de 1977.  

6) Parque Antarctica/Palmeiras - Rua Palestra Itália - Vila Pompeia (pelas dificuldades logísticas inerentes, sugiro que os depoimentos sobre o Fico sejam feitos em local neutro e na edição, o Moah use cards para ilustrar.

A) Depoimentos de Osvaldo, Laert, Wilton e Luiz sobre a participação da banda no Festival II Fico de 1977.

7) Colégio Claretiano - Rua Jaguaribe - Santa Cecília

A) Depoimentos de Osvaldo, Laert e Luiz sobre o show de junho de 1978.

8) Residência da cantora Pollyana Alves - Ponto final do ônibus Santo Amaro/Bairro do Limão - Bairro do Limão

A) Depoimentos de Osvaldo, Laert e Luiz sobre essa fase da banda. Menção às visitas à casa de Adelaide e Sidnei no bairro da Casa Verde para ouvirmos discos.

Obs: essa tomada também pode ser feita em outro local qualquer e apoiada pelo uso de cards a ilustrar o bairro citado.


E abaixo, a lista de locais que frequentamos nos anos setenta:


Filmagens de apoio - lugares que frequentamos juntos na época


1) Colégio Equipe - Rua Martiniano de Carvalho - Bexiga

2) Ginásio da Portuguesa de Desportos - Canindé

3) Sede social do Corinthians - Rua São Jorge - Tatuapé

4) Teatro Bandeirantes - Av. Brigadeiro Luiz Antônio - Bexiga

5) Teatro Aquarius - Rua Rui Barbosa - Bexiga

6) Teatro 13 de maio - Rua 13 de maio - Bexiga

7) Teatro Tenda do Calvário - Rua Cardeal Arcoverde - Pinheiros

8) Tuca - Rua Monte Alegre - Perdizes

9) Teatro Municipal - Praça Ramos de Azevedo - Centro

10) Cusp - Rua Arthur Prado, 637  - Bexiga

11) Cine Bijou - Praça Roosevelt

12) Ginásio do Ibirapuera - Rua Abilío Soares - Jardim Paulista

13) Bar Riviera - Rua da Consolação - Consolação 

14) Cine Majestic - Rua Brigadeiro Luiz Antônio - Bexiga

15) Shopping Ibirapuera - Avenida Ibirapuera - Moema

16) Be-bop a Lula - Avenida Santo Amaro - Vila Nova Conceição

17) Cine Gazeta - Av Paulista


Continua... 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 66 - Por Luiz Domingues

A pandemia de 2020 não deu trégua, ao nos atrapalhar de uma maneira contumaz, no entanto, o que seriam alguns dias, semanas e quiçá, meses, para quem simplesmente nem cogitava mais reunir a formação clássica de uma banda que atuara há quarenta e quatro anos atrás? 

Pois é, com esse sentimento mais grandiloquente, conseguimos coibir a ansiedade por nos encontrarmos, para resgatar o material antigo da banda, o sonho que acalentamos quando nos reunimos no começo de 2020 para uma confraternização tão festiva e que gerou tal meta mais ambiciosa. 

Tentamos prosseguir com ensaios virtuais, mas esbarramos em dificuldades técnicas para que eles fossem produtivos, uma grande pena. Então, só nos restou ter paciência para que a situação sanitária periclitante fosse superada na sociedade em geral, para que pudéssemos nos reagrupar e formalizar assim uma série de ensaios de composição e arranjo das velhas canções e certamente pensar em novas peças que Wilton e Osvaldo anunciavam ter em mãos. 

Nesta foto acima, vê-se o recorte primordial para o recorte das almofadas confeccionadas por Ana Fuccia através de sua empresa, Ecoarte/Almophodas (esse é o nome, não errei a grafia).

Enquanto isso, por volta de agosto de 2020, uma ação de marketing saiu do projeto e se materializou através de uma parceria com a artesã e artista plástica, Amanda Fuccia, quando ela confeccionou uma capa de almofada a conter em seu verso, a foto clássica do Boca do Céu com o quinteto reunido no corredor lateral da minha então residência, em março ou abril de 1977 (foto que acreditamos ter sido clicada por Adelaide Giantomaso). 

Devidamente montada, eis a versão da almofada do Boca do Céu, com as fotos de 1977 (preto e branco) e 2020 (colorida)

E na sua parte posterior, a almofada foi montada com a foto da banda reunida, na mesma configuração, em 2020, quando da festiva reunião/ensaio promovida em fevereiro de 2020, com foto de Marcos Kishi.

Acima, alguns exemplos das camisetas que o Osvaldo Vicino preparou para o Boca do Céu e chama a atenção a bela concepção de design do logotipo que ele criou, o ótimo contraste obtido, principalmente no modelo de cor azul marinho e a inserção de uma frase de efeito a afirmar: "Grupo de Rock- Desde 1976". A denominação "grupo" estivera muito em voga nos anos setenta, em detrimento do termo, "banda", ter se tornado mais popular para designar um conjunto musical orientado pelo Rock. Daí, ser mesmo proposital para homenagear a nossa origem setentista.

Em setembro, Osvaldo Vicino levou adiante o seu esforço empreendido em torno da criação de um logotipo para a banda e assim, ele anunciou a confecção de camisetas, para incrementar ainda mais as ações de marketing, ou seja, estivemos impedidos de avançar no trabalho de resgate das canções por conta do isolamento motivado pela pandemia da Covid-19, no entanto, geramos mais ações de marketing em 2020, do que jamais chegamos perto nos anos setenta quando da origem e atuação do grupo, por conta da nossa inexperiência para saber lidar com tais trâmites e falta de recursos para investirmos naquela ocasião.

Continua... 

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 65 - Por Luiz Domingues

A pandemia de 2020 obrigou-nos a refrear levemente a euforia gerada entre fevereiro e março, quando ganhara corpo a ideia de resgatarmos as músicas antigas da nossa banda e quiçá entrarmos em estúdio para promover a gravação de um disco, enfim. Todavia, como eu já salientei, foi algo ameno, apenas a conter o ímpeto inicial, porém, jamais ao ponto de cogitar-se engavetar o projeto, ainda bem!

Nesses termos, os meses em que mantivemo-nos isolados em casa, prontos para cumprir a quarentena sanitária, foram marcados por conversas via internet e planos traçados, inclusive a gerar ideias de marketing, quando o Osvaldo Vicino propôs a criação de um logotipo e a confecção de camisetas promocionais. Então, eis que ele mostrou-nos muitos esboços a buscar uma formatação que lembrasse de certa forma o nosso espírito de 1976, digamos assim, em torno dos nossos signos contraculturais dessa época.
Osvaldo Vicino pôs-se a criar livremente para busca um logotipo que de alguma forma contivesse algo de influência setentista em seus traços. Junho de 2020

Ele pôs-se a trabalhar nessa ideia, a elaborar diversos esboços, que particularmente em alguns casos, remeteu a minha impressão, no sentido de lembrar-me do trabalho do caricaturista, Juarez Machado, nos anos setenta, muito embora este artista plástico tivesse nítida influência da art-déco vintista.
Mais alguns esboços que Osvaldo Vicino criou e neste caso ficou bastante saliente o estilo do caricaturista, Juarez Machado, em tais ideias. Junho de 2020

Esse processo foi articulado a partir de junho de 2020 e no mês subsequente, eu também empreendi esforços para apresentar uma novidade no campo do marketing para a banda, quando pude encomendar com a minha amiga, Amanda Fuccia, artesã de primeira linha, a confecção de uma almofada de sofá & poltrona, com a estampa de nossa histórica foto de 1977, e com a parte reversa a conter a banda na mesmo tipo de enquadramento, em foto recente, clicada em 2020, pelo amigo, Marcos Kishi.

Ao final de julho, no dia 27, para ser preciso, realizamos enfim um primeiro ensaio virtual, onde conseguimos resgatar a canção, "Diva" do Laert, ao propormos um mapa atualizado para ela e com diversas ideias para arranjos em diversos trechos. Eu (Luiz), Osvaldo e Wilton trabalhamos e Fran Sérpico participou em dado instante, como um visitante. Laert manifestou-se a posteriori, ao perguntar sobre como transcorrera esse trabalho inicial. 
Em 28 de julho de 2020, Osvaldo Vicino e Luiz Domingues a postos para um ensaio virtual do Boca do Céu. Wil Rentero entrou em seguida.

Novos ensaios foram combinados e dessa forma, mesmo com pandemia ainda muito intensa, a nossa animação para resgatar o legado de nossa banda, intensificou-se.

Continua...

terça-feira, 3 de março de 2020

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 63 - Por Luiz Domingues

Eis que o grande dia chegou! Após quatro décadas, a formação mais clássica do Boca do Céu estaria novamente reunida, enfim, para uma grande confraternização. 

Foi por volta das 15 horas do dia 15 de fevereiro de 2020, que eu encontrei o guitarrista, Wilton Rentero, em uma estação do metrô e de lá, fomos juntos ao estúdio que alugáramos para encontrarmo-nos com os demais companheiros. No caminho, falamos sobre mais reminiscências a envolver a nossa banda e igualmente a respeito de tantas aventuras "freaks" que compartilhamos no tempo em que convivemos como companheiros de banda & sonhos, e sobretudo pela amizade que ali vivenciamos. 

Chegamos com uma boa antecedência ao estúdio e continuamos a conversar animadamente, quando eis que vemos adentrar o salão lounge/bar do estúdio, a persona de Osvaldo Vicino. Foi muito bom estar com ambos a conversar enquanto aguardávamos os demais e eu observei com alegria, o fato de nós três estarmos a segurarmos instrumentos em mãos, um fator que não cumpríamos juntos, desde 1978, quando da saída do Wilton da nossa banda.

Eu mal podia acreditar, Wilton Rentero e Osvaldo Vicino, juntos novamente, após um longo hiato a contabilizar 42 anos (1978-2020)! Ensaio/Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click e acervo: Luiz Domingues 

Uma vez já instalados na sala de ensaio, que fora liberada para iniciarmos os nossos preparativos pessoais, eis que surgiu o nosso baterista, Fran Sérpico, no recinto. 

Que alegria, não o via desde 1978, igualmente! Pois conversamos animadamente por alguns minutos, enquanto o seu cunhado, o simpático, Nelson Laranjeira, chegou, convidado que fora para participar do nosso ensaio informal.

Fran Sérpico e Luiz Domingues a conversar, após tantos anos! Ensaio/Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi

Laert Sarrumor, o nosso genial cantor e compositor, foi o último a chegar. 

"Consummatum est", o Boca do Céu estava finalmente reunido, após tantos anos. Muitas histórias para relembrar e celebrar, teríamos a confabular, certamente, e assim procedeu-se, mesmo que estivéssemos a cumprir igualmente a nossa tentativa de relembrarmos as nossas antigas composições e também empreendêssemos a recreação, ao tocarmos as músicas do Joelho de Porco, previamente combinadas entre nós.

Nas duas primeiras fotos, Fran Sérpico e Laert Sarrumor a conversar novamente, após 42 anos (1978-2020). Na segunda foto, o baterista, Nelson Laranjeira, que cooperou com o nosso ensaio informal. Ensaio/Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click e acervo: Luiz Domingues 

Tocamos as músicas do Joelho de Porco e divertimo-nos muito, pois além da nossa recreação pura e simples, há por considerar-se que estávamos todos felizes pelo reencontro em si, portanto, o prazer em estarmos a tocar novamente como uma banda, foi muito acentuado. 

E houve mais um fator importante, pois o Joelho de Porco, foi, entre outras tantas, uma forte inspiração para a nossa banda nos anos setenta, no calor dos acontecimentos que cercava-nos culturalmente naquela ocasião, portanto, este valor adicional esteve contido em tocarmos tais canções. 

Melhor ainda, foi lembrarmos diversos trechos de nossas canções e que prazer foi tocar e cantar, a dar suporte com backing vocals, a canções que eu não nutria mais esperança de resgatá-las.

Na primeira foto, o guitarrista, Osvaldo Vicino, o mais primordial elo da formação do nosso grupo. Na segunda foto, Laert Sarrumor a cantar e expressar a sua alegria pelo reencontro. Na terceira foto, o guitarrista, Wilton Rentero, em claro momento de satisfação em meio ao ensaio. Ensaio/Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Clicks, acervo e cortesia: Marcos Kishi                       

E assim foi, lembramo-nos de "Serena", "Astrais Altíssimos", "Diva", "Mina de Escola", "O Mundo de Hoje" e alguns fragmentos de "Instante de Ser". 

O baterista, Nelson Laranjeira, fora avisado que tratar-se-ia mais de uma confraternização e que a configurar-se como um ensaio truncado, visto que o objetivo seria tentar relembrar e tornar tais fragmentos de memória, passíveis em serem tocados, sob uma primeira instância. Simpático, ele logicamente queria tocar sem interrupções e mesmo assim, teve a devida paciência para entender o caráter excepcional do nosso reencontro.

O guitarrista, Wilton Rentero, na primeira foto. Eu, Luiz Domingues a usar um baixo bem parecido com o "Gianinni" que usava em 1977, na foto 2! Na foto 3, eu (Luiz Domingues), Laert Sarrumor e Wilton Rentero. Na quarta foto, Osvaldo Vicino e Wilton Rentero no primeiro plano, com Laert Sarrumor ao fundo e eu (Luiz Domingues) sentado, mas visível apenas por detalhe. Ensaio/Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Clicks, acervo e cortesia: Marcos Kishi

Encerramos a parte musical e antes de partirmos para o restaurante Degas, onde jantaríamos e continuaríamos a nossa confraternização, mediante a ajuda providencial do meu amigo, o fotógrafo superb, Marcos Kishi. Pois Kishi ajudou-nos a concretizar uma ideia lançada pelo Laert, em conversação travada no grupo de Whatsapp do Boca do Céu, previamente, e assim, eis que fizemos um foto comemorativa, com os cinco membros da formação mais clássica de 1977, a simular a foto promocional que tiramos nesse mesmo ano. 

Sob a orientação de Kishi, eis que posamos no corredor do estúdio, a imitar a foto de 1977 e tal documentação tornou-se histórica, igualmente, para a nossa banda!

A foto promocional de 1977, em comparação com a recriação de 2020! Ensaio/Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Foto 1: Acervo Boca do Céu. Click: Adelaide Giantomaso (possivelmente). Foto 2: Click. acervo e cortesia: Marcos Kishi 

Incrível, a banda reunida, a empreender a mesma postura fotogênica. Em 1977, éramos adolescentes e naturalmente, quando preparamo-nos para a foto, não poderíamos imaginar que repetiríamos a mesma configuração, quarenta e três anos depois. 

Em 2020, mais robustos e bem grisalhos, naturalmente, mas eis os cinco componentes do Boca do Céu, ali novamente reunidos e felizes, certamente, por tal oportunidade.

Nas duas primeiras fotos, a confraternização pós-ensaio. Da esquerda para a direita: Wilton Rentero, o convidado especial, Nelson Laranjeira, Fran Sérpico, eu (Luiz Domingues) e Osvaldo Vicino, com Laert Sarrumor à frente. No lounge/bar do estúdio, na primeira: Wilton Rentero, eu (Luiz Domingues), Laert Sarrumor e Osvaldo Vicino. Na foto quatro: Marcos Kish, Wilton Rentero, eu (Luiz Domingues), Laert Sarrumor e Osvaldo Vicino. Ensaio/Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Clicks acervo e cortesia : Marcos Kishi. Foto 4: Click automático. 

Bem, Fran Sérpico teve um compromisso pessoal e o seu cunhado, Nelson Laranjeira também despediu-se e partiu. Fomos então para o restaurante Degas e ali, com a companhia de Marcos Kishi, seguimos a conversar, relembrar inúmeras passagens ocorridas com a nossa banda e fatos análogos que vivemos na época. Ao final, Marcia Oliveira, esposa do Laert Sarrumor e empresária do Língua de Trapo, juntou-se à nós.
No restaurante Degas, localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Na ala esquerda, eu (Luiz Domingues), Marcia Oliveira e Laert Sarrumor. Ao lado direito, Osvaldo Vicino no canto superior e Wilton Rentero. Ensaio/Reencontro do Boca do Céu no Estúdio Som de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2020. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi 

Após tal encontro, fortaleceu-se o sentimento e mais do que isso, a predisposição de promovermos novas reuniões/ensaios para resgatarmos as nossas músicas e ficarmos abertos para até imaginar uma apresentação ao vivo e quiçá, a gravação do máximo de músicas que pudéssemos relembrar e assim, enfim, legarmos um registro sonoro do Boca do Céu ao mundo.

Continua...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 62 - Por Luiz Domingues

Na semana em que antecedeu o reencontro do Boca do Céu, surgiu a ideia de relembrarmos as músicas que compunham o nosso velho repertório e nesse sentido, todos exerceram individualmente, um exercício de memória notável para relembrar ao máximo o que foi possível. 

Fiquei até surpreendido, pois no esforço coletivo, muitos trechos de canções foram recordados. Na ausência de algum apoio com material gravado, seria um esforço hercúleo, visto que as poucas canções que tínhamos registradas, através de gravações caseiras e armazenadas nas arcaicas fitas K7, foram irremediavelmente perdidas ainda nos anos setenta. Portanto, quando eu notei que os companheiros, Laert, Osvaldo & Wilton, conseguiram relembrar diversos trechos a tocar e cantarolar pedaços de músicas, eu fiquei muito feliz.

E mais reminiscências maravilhosas foram feitas, com todos a relembrarem as atividades culturais que presenciamos em companhia mútua a contabilizar shows de Rock e MPB, cinema, teatro, exposições e inúmeras outras atividades culturais em que estivemos juntos nos anos setenta. Para tal, além do meu Blog e o relato dos capítulos escritos sobre o Boca do Céu em minha autobiografia, outros companheiros postaram fotos da época, caso do Wilton, que disponibilizou-nos diversas fotos clicadas pelo seu primo, Nelson Rentero, sobre shows que ambos assistiram entre 1974 e 1976, antes até dele, Wilton, ingressar em nossa banda.

O nosso guitarrista, Wilton Rentero, ao lado de Rita Lee (primeira foto), e Gilberto Gil (segunda foto), no camarim do Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, no dia 26 de junho de 1976, por ocasião do show do super grupo da MPB, "Doces Bárbaros". Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: Nelson Rentero

Quando eu vi tais fotos do Wilton, eu notei que todo o relato da minha vivência pessoal com o Boca do Céu e por conseguinte, toda a minha percepção sobre a ambientação cultural e sobretudo, contracultural que envolvera-me nos anos setenta, estava incrivelmente reforçada, pois a energia contida em tais fotos, corroborou de uma força absurda com o bojo das minhas colocações expressas em texto.
O nosso guitarrista, Wilton Rentero, presenciou, na companhia de seu primo, Nelson Rentero, um show de Caetano Veloso, nos idos de 1975. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: Nelson Rentero

Pois muito bem, estávamos prontos para o reencontro, com todos animados e com um adendo, pois o companheiro, Fran Sérpico alegou que perdera o traquejo com o instrumento e assim, ele mesmo tomou a dianteira e convidou o seu cunhado, que
era (é) baterista e que toca regularmente na noite paulistana com bandas cover, desde os anos sessenta, portanto, a mostrar-se bem experiente. 
O nosso guitarrista, Wilton Rentero, presenciou, na companhia de seu primo, Nelson Rentero, um show de Jorge Mautner, nos idos de 1976. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: Nelson Rentero

Nelson Laranjeira era (é) o nome do rapaz e ele aceitara participar do nosso reencontro. Eu roguei ao Fran Sérpico, que explicasse ao seu cunhado que seria um ensaio truncado, pois tirante as músicas do Joelho de Porco que combinamos tocar por recreação, a ideia seria tentar executar pequenos trechos de músicas do nosso velho repertório, que lembráramos durante aquelas duas semanas anteriores, pela via do aplicativo, Whatsapp. 
O nosso guitarrista, Wilton Rentero, presenciou, na companhia de seu primo, Nelson Rentero, o show de lançamento do LP "Tudo Foi Feito Pelo Sol" dos Mutantes, no Teatro Bandeirantes de São Paulo, em 1974. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: Nelson Rentero

Que viesse então o dia 15 de fevereiro de 2020, o dia do grande reencontro do Boca do Céu e curiosamente, quarenta e três anos após o nosso primeiro show, realizado em 12 de fevereiro de 1977!

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 61 - Por Luiz Domingues

O guitarrista Osvaldo Vicino e a sua amiga, Cristiane Ewel, nos idos de 1978, pouco tempo após ele ter deixado o Boca do Céu. Acervo de Osvaldo Vicino

Após a criação do grupo de ex-componentes do Boca do Céu, no aplicativo virtual, "Whatsapp", a conversação básica inicial enveredou por dois pontos básicos: as reminiscências de cada um sobre o nosso convívio na década de setenta e um apanhado sobre o que cada um fez da vida, doravante, inclusive a envolver a criação de família e a enumerar filhos e a trajetória deles, visto que falamos sobre filhos que hoje em dia são adultos e em alguns casos, com mais de trinta anos de idade. 

Em suma, uma grande atualização e que foi mais que prazerosa, mas elucidativa sobre como cada um construíra a sua respectiva vida.

Osvaldo Vicino a tocar guitarra nos dias atuais e nas fotos subsequentes, a tocar baixo com duas bandas tributo ao "Whitesnake". Acervo de Osvaldo Vicino

Sobre o Osvaldo, que eu já havia reencontrado algumas vezes após 2015, eu sabia que ele mesmo ao ter uma vida forjada no mundo corporativo do trabalho formal, jamais houvera abandonado a música e que muito pelo contrário, desenvolvera-se também como baixista nesses anos. 

Portanto, polivalente, a tocar guitarra ou baixo, esteve envolvido com bandas cover como o "Love Hunter" e "Snakebite", ambas a revelarem-se como bandas tributo ao grupo britânico, Whitesnake.

Wilton Rentero em sua residência, a praticar o violão. Acervo de Wilton Rentero

Já no caso do Wilton, que eu não tive notícias desde 1978, diretamente e apenas por volta de 2012, soube de algumas informações mais superficiais, graças ao Laert, também foi bom tomar conhecimento que ele jamais abandonou a música, inteiramente. 

Ao ter investido na música erudita, Wilton contou-nos que já em 1979, tornara-se um professor de violão erudito e que vivera efetivamente de suas aulas, até a metade dos anos oitenta, pelo menos. Ele enviou-nos alguns vídeos caseiros para o vermos a tocar no ambiente de sua residência e foi ótimo vê-lo a tocar tão bem.

Fran Sérpico contou-nos que vendera a sua bateria, cerca de dois anos após deixar a nossa banda em 1978 e que não se desenvolvera mais. Ele optou por focar em seus estudos, formou-se e tornou-se um homem de negócios a gerir uma empresa orientada pela instalação de equipamentos para gerar energia solar em parques industriais, residências e instituições as mais diversas. Muito bem sucedido, vivia nessa ocasião no Rio, mas mantinha uma base em São Paulo e ele nos disse que visitava a cidade para trabalhar, pelo menos uma vez por mês.

Marcamos enfim um ensaio/reencontro/confraternização para o dia 15 de fevereiro de 2020 e previamente, combinamos de resgatar todas as músicas que pudéssemos relembrar e também quatro canções do Joelho de Porco, para deixarmos fluir a parte musical do encontro, a contabilizar: "Mardito Fiapo de Manga", Boeing 723897", "México Lindo" e "São Paulo By Day". 

Em princípio, foi cogitada a hipótese de convidarmos agregados que tivemos na ocasião, amigos e membros com participação menor, mas não menos importante, caso da cantora, Pollyana Alves, por exemplo. Mas ao ponderar, resolvemos manter esse primeiro encontro, mais reservado e quem sabe em outros encontros posteriores, abrir espaço para algo mais expansivo, a agregar não somente ex-membros, porém, amigos que interagiram com a nossa banda nos idos de 1976-1979.

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