segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 27 - Por Luiz Domingues

Como já disse anteriormente, no dia da apresentação, quando despertei pela manhã, senti um frio na barriga. 
Era uma apresentação para muita gente, e com palco, equipamento e luz. Mas vou lhe contar, meu caro leitor : foi dessa vez, um pouco nas próximas, e logo controlei essa ansiedade. Rapidamente dominei esse nervosismo de subir ao palco. Conheço gente que é "raposa velha", e até hoje sente calafrios para enfrentar o público, mas eu rapidamente dominei isso. Ainda bem, nunca sofri com o temível “Stage Fright” (medo de palco). Falando do festival : havia um apresentador, sim. Era um aluno do terceiro ano, desinibido e falante, com vocação para animador de auditório. O júri era formado por vários professores. Fomos chamados, e o nervosismo era grande. Começamos com "Serena". O retorno estava péssimo, pois mesmo com um equipamento razoável à disposição, o ambiente era o ginásio de esportes do colégio, portanto uma acomodação acústica inóspita para apresentações musicais, somado ao descaso dos técnicos e nossa inexperiência...dessa forma, sentíamo-nos inseguros e "Serena" saiu mais ou menos. Sim, o apresentador interveio novamente, e anunciou a próxima música, que era "Revirada". Como ela começava com o Wilton Rentero sozinho, fazendo uma introdução bem nordestina (numa "pegada" de Pepeu Gomes), imediatamente despertou a atenção do público, que aplaudiu, e isso deu-nos maior confiança. Depois havia a parte Rock'n'Roll, que animou ainda mais. O público apreciou. Teve aplausos e assovios. E nós saímos contentes por termos tido essa boa receptividade. Haviam cerca de trezentas pessoas presentes. Claro, nossos familiares estavam presentes e confesso que foi estranho tocar perante meus pais, mas como tinha um contingente grande na plateia, procurei não olhar muito para as cadeiras onde eles estavam sentados. E sem nenhum constrangimento, digo que o nível musical dos concorrentes era muito fraco e a única banda que era superior à nossa, era a do guitarrista conhecido como "Cri", que já descrevi anteriormente. Saímos voando do colégio e guardamos os instrumentos em minha casa, pois estava em cima da hora para começar o show do Joe Cocker. Conseguimos classificar as duas músicas para a final, que ocorreu no dia seguinte, 14 de agosto de 1977.
Mas antes de falar disso, preciso contar sobre o show de Joe Cocker, outra aventura Rocker na mesma noite... foi no ginásio da Portuguesa de Desportos. E com aquela atmosfera de anos setenta, maravilhosa, claro. Logo que entramos no ginásio, encontramos um freak, que era conhecido nosso de tantos outros shows. Não lembro-me de seu nome, apenas que era “figura carimbada” em portas de teatros; ginásios & afins. Ele sacou um caderninho de sua bolsa, e ali estava anotado o possível set list do show que ele deduzia que o Cocker cantaria naquela noite.
 
Continua...

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