sábado, 16 de julho de 2016

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos - Capítulo 84 - Rolling Stones Live Cover - Por Luiz Domingues

Rolling Stones Live Cover no Milwaukee de Ribeirão Preto /SP, em 18 de junho de 2016. Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Alexandre Mandaliou; Angelo Salinas; Luis Antonio Melantonio e Kim Kehl

Meu último trabalho avulso, realizado fora de bandas oficiais e autorais onde sou componente, fora em 2014, quando tive o prazer e a honra de atuar em um show do cantor Edy Star, e fato devidamente registrado em capítulo neste Blog 2 (Trabalhos Avulsos  / Capítulo 83, publicado em maio de 2015), e republicado no meu Blog 3. Desde então, estava atuando em quatro bandas autorais ao mesmo tempo e duas delas encerraram atividades, aliviando-me a carga de trabalho. Casos do Pedra, onde eu cheguei a sair antes do anúncio oficial de seu término, em maio de 2015, e a Magnólia Blues Band que anunciou seu encerramento em abril de 2016. Atuando portanto com Os Kurandeiros de Kim Kehl e com o Nu Descendo a Escada de Ciro Pessoa, recebi no início de junho de 2016 o convite para suprir uma data de uma banda cover onde o Kim também atua esporadicamente, que tem característica temática, como banda tributo dos Rolling Stones.

Ao leitor mais atento da minha autobiografia, mesmo em se tratando de trabalhos avulsos realizados fora das bandas autorais por onde passei, foram poucas as ocasiões onde atuei em bandas cover, com exceção da minha passagem pelo Terra no Asfalto, que foi assumidamente uma banda cover, mas não temática, tendo repertório bem mesclado e com a agravante de ter ocorrido no longínquo período de 1979 / 1982. Fora disso, foram poucas as ocasiões em que fiz apresentações avulsas com bandas cover, e todas devidamente retratadas nos capítulos sobre os trabalhos avulsos. Foram poucas apresentações com a banda "Electric Funeral", tributo ao Black Sabbath, uma sazonal apresentação de uma banda formada por componentes da Chave do Sol e do Golpe de Estado executando músicas das bandas britânicas "UFO" e "Michael Schenker Group"; um tributo a Janis Joplin; e outro ao baterista do "The Who", Keith Moon. Ou seja, em 40 anos de carreira, não representa nada em relação à minha dedicação aos trabalhos de bandas autorais em que fui membro. Desta feita, o convite seria para substituir o baixista ausente de uma banda tributo aos Rolling Stones, chamada "Rolling Stones Live Cover".

Aceita a missão, recebi pelo inbox do Facebook, o set list padrão e comemorei o fato de que o grande grosso do material era formado por clássicos do repertório dos Stones e poucas músicas mais "modernas" que eu até conhecia, mas não tinha grande familiaridade, visto que como os leitores atentos da minha autobiografia sabem, o meu negócio, em linhas gerais é anos 1960 / 1970. Um ensaio foi realizado na quarta feira anterior a essa apresentação, e tranquilizei-me em dois aspectos : 
1) sabia a maioria esmagadora das canções e; 
2) Além da presença do amigo Kim Kehl nessa banda, eu já conhecia parcialmente o segundo guitarrista, Alexandre Mandaliou, e no ensaio, verifiquei que o baterista Luis Antonio Melantonio e o vocalista Angelo Salinas, eram gente boa, portanto, o convívio seria legal.

Encerrado o ensaio, que foi produtivo e realizado num estúdio no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, cujo dono é o empresário dessa banda, chamado Marco Grecco (que também é baixista e já tocou nessa banda várias vezes e também dedica-se a ser vocalista numa banda tributo ao "U2"), nossa missão era viajar para Ribeirão Preto / SP, no sábado posterior, onde seria a apresentação.

Naquela semana, eu vi na mídia, que a cidade de Ribeirão Preto receberia um evento de porte, um festival com produção peso pesado, reunindo nomes do Rock mainstream, tais como "Paralamas do Sucesso", "Titãs"; Nando Reis; "Planet Hemp" e outros. Achei até que seria nesse festival a apresentação desse Tributo aos Stones, talvez num palco menor, como entretenimento "off" do festival etc e tal.
Foto do salão interno de onde tocamos, e com o palco ao fundo no canto direito da foto. sob iluminação roxa.
 
Mas não era... a apresentação estava marcada para um bar temático da Harley Davidson, montado dentro de uma concessionária dessa marca de motocicletas, mas não necessariamente sendo ambientação de motoclube, mas sim uma casa noturna aberta ao público em geral e segundo contaram-me, atraindo a jovem burguesia da cidade. Viagem sob o calor interiorano apesar do fim de outono, mas muito agradável, no carro do baterista Luis Antonio Melantonio, sob sua condução muito segura, foi prazerosa pela conversação que ali desenvolveu-se entre os cinco ocupantes do automóvel e nesse quesito, senti-me bastante a vontade pelo clima amistoso gerado.

Paramos para um "pit stop" perto de Ribeirão Preto, num posto de gasolina um pouco além da pequena cidade de Cravinhos, última localidade antes de nosso destino e no posto, haviam muitas vans vindas de diversas outras cidades interioranas paulistas, com destino a Ribeirão Preto, com jovens indo ao tal festival de Rock nacional mainstream que citei ("João Rock"). Alheios a essa movimentação, fomos ao nosso destino, na referida casa noturna e realizamos o soundcheck com tranquilidade. A casa era bem montada e o palco bem razoável, com um P.A. compatível para o ambiente, um camarim decente e o técnico solícito a atender-nos.

Missão inicial cumprida, fomos ao hotel para o "relax" pré-apresentação e uma confusão que seria muito engraçada numa comédia pastelão, mas que ali foi desagradável, aguardava-nos... 
Simplesmente a nossa reserva não existia, pois estávamos no hotel errado... após vários telefonemas para São Paulo a fim de colocar o empresário a par da situação, a confirmação do hotel em que a reserva estava assegurada veio afinal, e este ficava longe dali, mas também mais perto do local do show. Nesse segundo hotel, onde realmente hospedamo-nos, muitas equipes técnicas dos artistas que apresentar-se-iam no tal festival que citei, estavam ali hospedados e muitas carretas de equipamentos e ônibus desses artistas estavam ali estacionadas.

Após o reconfortante banho e descanso da viagem, lá fomos nós para a casa noturna em questão, chamada "Milwaukee". O Kim, que é um especialista em cultura norte-americana, foi falando que tal cidade era capital do estado de Wisconsin, e discorreu sobre suas características regionais e culturais. Não tenho essa cultura toda que ele tem sobre a América, nem de longe aliás, mas disso eu sabia também e cheguei a comentar no carro de que lembrava-me do filme "Wayne's World" dos anos noventa, onde os personagens protagonistas vão parar no camarim do Alice Cooper que faria show nessa cidade e ele, Alice, interpretando a si mesmo (himself), profere discurso em tom de aula de geografia, ao explicar que "Milwaukee" é uma palavra de origem indígena e que foi incorporada culturalmente pelos americanos etc etc. O Kim acrescentou que é como acontece no Brasil em relação a muitas coisas, como "Anhangabaú", "Ibirapuera", "Anhembi", "Catumbi"; "Cambuci"; "Caxingui", só para citar alguns ícones paulistanos etc. É vero...

A casa estava com uma boa lotação a meu ver, com todas as mesas preenchidas, mas segundo funcionários, estava aquém do seu movimento "normal", e atribuíam isso ao "frio" (na alta madrugada, fez 16 graus, e eu conheço bem a cidade de Ribeirão Preto, portanto, para o padrão local é uma temperatura considerada muito baixa), e certamente ao tal festival, sobre o qual nós chegamos a ver chamadas com Link ao vivo no "Jornal Nacional" da Rede Globo, em rede nacional, ou seja, era um evento de grande porte e pelas imagens, devia ter ali cerca de 50 mil pessoas.

Enfim, para nós a casa estava com bom público e ali tocamos mais de 20 músicas do repertório dos Rolling Stones, por 2 horas e 40 minutos ininterruptos.
Set List que executamos no Milwaukee de Ribeirão Preto, em 18 de junho de 2016. As músicas assinaladas com caneta e com títulos abreviados, são : "Start me Up" e "Let's Spend the Night Togheter".
 
Sobre o Kim e o quanto ele conhece a carreira dos Rolling Stones na ponta da língua, sem trocadilhos, nem preciso explicar. Mas gostei da performance de todos. O vocalista Angelo Salinas demonstrou fôlego, com movimentação intensa de palco, além da boa voz e comunicação com o público; toquei ao lado do guitarrista Alexandre Mandaliou, que apresentou um bom repertório de solos e bases com sua guitarra Fender Telecaster, mas o que mais surpreendeu-me positivamente, foi o baterista Luis Antonio Melantonio, que demonstrando pegada forte e bastante técnica na bateria, tinha / tem um trunfo a mais, demonstrando ótima voz. Seu potencial vocal é bem grande e graças às suas intervenções muito bem colocadas, fazendo com facilidade segunda voz, modulando, deu colorido às canções. Com um falsete forte e afinado, também, surpreendeu fazendo vozes femininas de apoio de canções dos Stones, notadamente "Gimme Shelter", sendo portanto, uma grata surpresa, apesar do Kim já ter alertado-me que Luis cantava muito bem.

Encerrado, o gerente da casa esboçou reclamar por nós não termos tocado mais, mas convenhamos, eram mais de três horas da manhã e já havíamos tocado por quase três horas, e além do mais, o público estava evadindo-se em clima de fim de balada. Fomos para o hotel descansar e na manhã de domingo entramos na Via Anhanguera, realizando ótima viagem de regresso a São Paulo.

Bem, cover não é minha praia, nunca foi e nunca será, mas diante da perspectiva de tocar cerca de trinta músicas dos Rolling Stones, divertindo-me portanto, e ainda ganhar um cachet por isso, creio que além de não ter arrancado-me um pedaço, foi positivo, fora a convivência e o bom papo com essa rapaziada. Noite de 18 de junho de 2016, no "Milwaukee", de Ribeirão Preto / SP, com cerca de 200 pessoas na plateia.

Missão cumprida... You Can't Always Get What you Want...
"Selfie" no camarim do Milwaukee de Ribeirão Preto / SP em 18 de junho de 2016. Rolling Stones Live Cover, da esquerda para a direita : Kim Kehl (guitarra e voz); Angelo Salinas (voz); Luis Antonio Melantonio (bateria e voz), Luiz Domingues (baixo) e Alexandre Mandaliou (guitarra) 
 
Capítulo sobre "Trabalhos Avulsos" sempre em aberto, a qualquer momento uma nova história pode chegar... e de fato, já tenho mais histórias dessa natureza para relatar. Aguarde !

Nenhum comentário:

Postar um comentário