sábado, 7 de janeiro de 2023

Inspiração - Por Telma Jábali Barretto

De onde vem a sua... ou, as suas? Sempre quando a vida cobra mais do que esteja familiarizada? Diante de algo muito lindo? Exemplo edificante ou ante dor extrema de alguém ou das próprias? Da natureza em sua abundância ou... quando desrespeitada? 

Fato é que a maioria de nós, muitas vezes, tem ideias diferentes, borbulhos na cabeça quando presenciamos algo fora do mundinho corriqueiro que habitamos gerador de estímulos, impulsos e ímpetos e... bom que assim seja. 

De uma perspectiva nos sensibilizam e trocamos, abrimos olhares, aprendemos ou descobrimos outras e novas realidades além daquela da zona de conforto que costumamos viver... Mais além dessas abundantes fora de nós (somos todos mais ou menos curiosos...?!..) e, por vezes somos surpreendidos por essas revelações surgidas de dentro nós mesmos e... uauuuu... Aí estão os verdadeiros mananciais. 

Como absorver, valorizar e respeitar tais sugestões apresentadas por nossas emoções, sensações, pensamentos?! ... e lá vamos nós para os embates que tanto nos fazem crescer, ressignificar e dar passinhos rumo ao que aqui nos trouxe: entender o porque, razão e motivo de aqui estarmos. De nosso lugar da arquibancada, aqui e agora, pensamos ser esse ‘a que viemos’ fundamento de cada existir, florescendo naquilo que ninguém no infinito processo cósmico poderá substituir; nosso Dharma, nossa contribuição única e intransferível com a percepção, habilidade, belezuras e feiuras que nos fazem singulares que, tangenciando, acalentando, sangrando ou sanando, faremos parte daquilo tecerá o tecido maior onde cada qual tem sua parcela, sua pitada e pitaco dando cor ao cenário desse nosso existir. 

E... que mágico existir: começamos esse direito à vida, Vida, VIDA aqui, no formato que conhecemos nesse planeta azul, absolutamente nas mesmas e iguais condições: quando do primeiro alento, inspiração, início de uma jornada que mais que o privilégio do aqui estar, buscar quais outros e infinitos alentos precisaremos forjar, dar à luz, parir para de fato honrarmos nossa passagem no mundo, para aqueles que nos cercam servindo e retribuindo o que também de todos recebemos. 

Ainda que precisemos inspirar muitas e infinitas vezes para novamente lembrarmos, reavivarmos assim nossa força e, em meio a muita transpiração também, seguirmos... renascendo sempre, acreditando na semente a ser cultivada, regada e alimentada para experimentar os mais gradativos floresceres que o Eterno em nós e fora de nós não cansa de oferecer, surpreender... revelar... Jaya!!!

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 336 - Por Luiz Domingues

Como eu sempre saliento, entre todas as minhas ex-bandas, a Patrulha do Espaço é sem dúvida a banda que mais apresenta novidades póstumas a respeito da minha extinta formação "chronophágica" e mesmo de diversas outras formações anteriores e posteriores, pelo fato do cofundador e decano da banda, Rolando Castello Junior, estar sempre empenhado em produzir o lançamento de materiais raros, em termos de coletâneas ou mesmo a relançar os discos oficiais mediante a presença de faixas bônus raras, como um atrativo irresistível aos fãs da banda e colecionadores em geral.

Portanto, eis que como eu já havia comentado em capítulo anterior, o Rolando anunciou o lançamento de uma edição de luxo, comemorativa pelos quarenta anos do lançamento do primeiro disco da banda (pós-Arnaldo Baptista na formação da banda, bem entendido), a demarcar a data de 2020, ou seja, 1980-2020.

Para tal nova edição, além da embalagem luxuosa (a conter um espetacular livreto recheado com fotos e um belo texto escrito pelo próprio Junior para contar muitas particularidades sobre o lançamento desse disco em 1980), algumas faixas bônus foram acrescentadas e entre elas, a nossa performance ao vivo para a clássica balada, "Arrepiado", defendida pela nossa clássica formação chronophágica e com o acréscimo super valioso do ótimo Xande Saraiva, guitarrista e vocalista da banda Hard-Rock, "Baranga", como copartícipe dessa atuação. 

Em capítulo anterior, eu já havia comentado sobre tal lançamento e a existência dessa faixa bônus da qual a nossa formação compareceu com uma faixa ao vivo (gravada no Sesc Belenzinho de São Paulo em 3 de novembro de 2018), mas nesse ponto, só existia a versão disponibilizada do disco na íntegra. Como posteriormente surgiu a publicação individualizada da faixa na qual participamos, eis abaixo tal vídeo e o seu respectivo link para escutar diretamente no YouTube:

"Arrepiado" ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo em 3 de novembro de 2018 - Faixa bônus do relançamento do CD homônimo da Patrulha do Espaço, mas apelidado como: "capa preta", edição especial de 40 anos do seu lançamento original - 1980-2020.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=sYzxam5yIcE

Como por ocasião de um capítulo anterior correspondente ao fato, eu já teci comentários sobre essa performance ao vivo da balada "Arrepiado" sob a nossa responsabilidade, não serei repetitivo agora. 

Continua...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 41 - Por Luiz Domingues

Esse é mais um caso no qual a presença de muitas publicações individuais de cada faixa e mesmo do disco em sua íntegra, já acontecia no YouTube há bastante tempo. Contudo, é óbvio que eu precisava providenciar os links sob o meu domínio, igualmente ao organizar os meus canais e assim procedi nesse ano de 2022.

Há de se registrar, no entanto, que todas as publicações que eu tinha conhecimento, que haviam sido perpetradas por terceiros (inclusive da parte de canais especializados em armazenamento de discos com o intuito de preservar a história do Rock brasileiro, ou seja, no bom intuito de se colocarem como arquivistas e isso precisa ser muito enaltecido), na prática, todavia, cometeram dois enganos primários.

O primeiro engano e praticamente inevitável ao se tratar da confusa história dessa banda, se dera com a questão de se considerar ser este o quarto trabalho da banda "A Chave do Sol" e como é bem sabido dos leitores da minha autobiografia, apesar de ter nascido das cinzas d'A Chave do Sol, o The Key foi na realidade uma outra banda, com a sua identidade própria, sonoridade completamente diferente e por conseguinte, a constituir a sua própria história. 

E a segunda questão, que eu vinha a observar, se dera com a falta de separação entre as faixas "Welcome" e "We Hear the Call", pelo fato da desatenção generalizada a considerar que uma ("Welcome"), era a introdução da outra ("We Hear the Call"). De fato, "Welcome" é uma vinheta e nós a usávamos como tema de abertura dos shows naquele período de 1988-1989, enquanto a formação original dessa banda se manteve unida.

"Welcome" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=EPBjjk7ss9U

"We Hear the Call" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=redy_Qk9kak

"Before the Bridge Falls Down" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=DflS_8N5jv4

"Storm Clouds" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=jo1x2Cway4Q

"Pretty Old Lover" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=gesAASZuJ_

"Empty Bed" - LP Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=p5Uj9e1K-S8

"Waiting for Tomorrow" - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=g93oW_hDtjA

"This is my Way" - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=NXaj_ug3gPc

"A New Revolution" - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=Ibk3Xsomv20

Bem, é improvável que doravante surja mais algum material obscuro sobre essa banda, dada a constatação de que tal grupo teve uma curta carreira e gerou pouco material por conseguinte, mas é claro, se um fato novo ocorrer, certamente que irá constar no meu Blog 3, que é de fato o meu museu virtual de carreira. Se por acaso se tratar de alguma novidade mais robusta, abre a possibilidade de que eu escreva mais um capítulo sobre essa banda.

Por enquanto, está encerrado este adendo à minha história com o The Key! 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 40 - Por Luiz Domingues

Nesses termos, o que pode ser ouvido nessas gravações é na prática um som embrionário em construção, mas interessante, tanto como documento de época, quanto na prospecção dessas músicas em pormenores, se revela como um interessante achado, ou seja, com aquele sentido arqueológico em que não importa o tamanho da peça em si, mas o que ela representa, ainda que apresentada como um fragmento, para a história dessa banda.

"Pretty Old Lover" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=oHLz9d6EMBE

É interessante notar que não apenas para o caso dessa faixa, "Pretty Old Lover", mas como uma constante para as demais gravações, que é nítida a presença de uma reverberação natural muito acentuada de uma forma generalizada e ainda mais perceptível nas peças da bateria, por uma questão natural da ambientação caseira e nada preparada para uma gravação profissional. 

Como consta na história narrada ao longo de capítulos anteriores, a gravação dessa demo-tape foi feita na residência do Beto Cruz na ocasião e assim, a bateria foi gravada na cozinha da sua habitação, que era ampla por natureza arquitetônica e no caso, foi somente amparada por biombos improvisados para conter ruídos indesejáveis produzidos pela vizinhança durante um domingo vespertino. E sobre os amplificadores de baixo e guitarra, estes ficaram colocados na sala de estar do imóvel e também protegidos precariamente por biombos bem improvisados mediante almofadas e cobertores, ou seja, tudo muito inadequado.

Portanto, ouve-se a reverberação natural rebatida pelos azulejos da cozinha e isso realçou os agudos dos pratos, chimbau e caixa, principalmente e o bumbo e tambores ficaram com os seus graves prejudicados, com a esperança ali no calor do momento, de que o equilíbrio seria alcançado na mixagem, mas mediante um gravador de quatro pistas, é claro que isso não ficaria saliente de forma alguma e de fato não ficou, ainda mais com a inevitável obrigatoriedade do recurso da "redução", no qual a bateria inteira e o baixo foram mixados em um único canal.

"We Hear the Call" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ryWGTGxORPo

Sobre a música, "We Hear the Call", nesta gravação que obviamente não valeu para o cômputo final da conclusão da demo-tape, se notam algumas falhas de pulsação na linha de baixo e bateria, certamente ocasionadas pela dificuldade de se estabelecer um padrão de monitoração minimamente plausível para se gravar com segurança. De fato, com um maquinário inadequado, não haveria como os fones de ouvido nos ajudarem nesse sentido tão básico.

"Stole my Heart" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=z5xkFtEjg9g

Outra característica dessas gravações foi o fato de que para preservar ao máximo o espírito da gravação original, eu não editei a cortar pequenos trechos com tentativas de gravação antes da música prosseguir enfim, do começo ao final, ao se estabelecer em tese uma outra "tomada". Se fosse uma produção audiovisual de cinema, eu diria que deixei que constassem as tentativas anteriores, mesmo separadas pela claquete a configurar um material "bruto", ou como se diz nesse meio cinematográfico, o "copião".

"The Wind Blows Chill and Cold" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=i9XdmxdIJ4s

E também deixei a conversa preliminar e posterior a cada gravação, ao menos por alguns segundos, para também preservar o caráter bruto da gravação, sem edição e a conter as nossas vozes em muitas ocasiões a conter avisos de contagem, e outros comentários análogos, além de constar também a voz do baixista, Claudio Cruz, irmão do Beto, que comandou a gravação ao operar a máquina "Fostex", ou como a apelidávamos pejorativamente na ocasião, "Tostex", para se criar uma alusão em tom de pilhéria sobre uma torradeira de pão.

"This is My Way" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ZeFjsXLYa_0

Algumas dessas músicas foram gravadas em 1989 para compor o LP "A New Revolution", único álbum que essa banda lançou em sua curta carreira, mas outras não foram aproveitadas e assim, a sua presença nestas faixas aqui a representar o embrião da demo-tape de 1988, representam um adendo para a memória dessa banda e por conseguinte, do meu acervo pessoal.

E no bojo dessas novidades, houve também o armazenamento das músicas do LP "A New Revolution" a seguir a predisposição que eu havia adotado em relação a obter o domínio de "endereços" próprios de todos os trabalhos dos quais eu participei. 

Continua...

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 39 - Por Luiz Domingues

Exatamente na mesma predisposição ocorrida com outras ex-bandas minhas ao longo de 2022, o The Key também entrou no radar das oportunidades geradas pela digitalização de muitas fitas K7 que eu armazenei por anos a fio, fechadas em armários. 

De fato, bandas como "A Chave do Sol", "Patrulha do Espaço" e o "Sidharta" foram agraciadas com o maior acervo disponibilizado nesse sentido, enquanto em menor proporção, todavia de uma forma significativa, o "Pitbulls on Crack" também teve material resgatado e devidamente alojado no YouTube em uma primeira instância e a manter igualmente sob perspectiva a planificação que eu estabelecera desde o final de 2019, isto é, a projetar a produção de um ou dois discos em caráter "bootleg" dessa banda em específico.

Eu também conseguira resgatar três músicas da demo-tape do Língua de Trapo, gravada em 1980, que o Laert Sarrumor mantinha restrito ao âmbito limitado de uma nuvem de armazenamento e assim, eu pude publicar tais faixas no YouTube. Essa ação não foi algo relacionado às fitas K7 que eu armazenei, mas que somado ao esforço geral, abrilhantou ainda mais essa mobilização massiva para reforçar o meu acervo geral de carreira e claro a repercutir para essa banda, em específico. 

Da esquerda para direita, na parte mais alta: Fabio Ribeiro, eu (Luiz Domingues), José Luiz Rapolli e Beto Cruz. Agachado: Eduardo Ardanuy. Foto promocional do The Key em 1988. Click, acervo e cortesia: Carlos Muniz Ventura 

E foi nesse contexto que eu deparei-me com um achado interessante, bastante raro do material do grupo, ¨The Key", ou seja, que bacana a descoberta e consequente oportunidade. 

Mais que essa constatação, houve então o acréscimo da raridade em si e eu explico: em junho de 1988, a nossa banda, "The Key", se mobilizou para gravar uma demo-tape. Toda a narrativa sobre essa ação ocorrida dentro da história do grupo, está registrada naturalmente nos seus capítulos adequados à cronologia dos fatos, basta ler ou reler e basta ao interessado procurar o ponto em questão através dos respectivos arquivos dos meus Blogs 2 e 3 alojados na internet, ou nas páginas do livro impresso, "Quatro Décadas de Rock".

Sobre esta fita que eu resgatei, especificamente, se trata de uma gravação preliminar e não da demo-tape em sua íntegra e devidamente mixada, mas a registrar uma etapa das gravações com a presença apenas da guitarra, baixo e bateria, portanto sem os teclados do Fabio Ribeiro e sem a voz do Beto Cruz, sequer como guia provisória. 

Tal gravação com a qual eu me deparei, continha seis músicas então nesse estágio embrionário, a se descrever: "Pretty Old Lover", "We Hear the Call", "Stole my Heart", "The Wind Blows Chill and Cold", "Storm Cloud" e "This is my Way".

Continua...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 432 - Por Luiz Domingues

E assim, foi quando eu tomei conhecimento de que havia mais uma entrevista gravada, quando inicialmente eu havia considerado ter esgotado tal tipo de ação da parte da nossa banda, preservada em fitas K7. Fiquei feliz ao escutar e constatar que a entrevista se encontrava em sua íntegra e incrível, pois eu realmente não me lembrava de um detalhe, mas dentro dessa entrevista, havia a presença de três músicas gravadas ao vivo em show realizado dias antes e registradas pelo próprio radialista. No caso, ele executou tais canções gravadas desse show no ar, durante o próprio programa no qual participamos a posteriori.

Explico: o programa em questão, "Riff Raff" foi uma produção do comunicador, Richard Nacif, que também o apresentava pelas ondas da 97 FM de Santo André-SP, e assim, em 14 de setembro de 1986, um show comemorativo pelo aniversário do programa, foi marcado para um exótico espaço localizado na zona norte de São Paulo, chamado: "Ácido Plástico" e a nossa banda foi convidada a participar, juntamente a uma banda Heavy-Metal, denominada como: "Destroyer".

A orientação desse programa era baseada no apreço às estéticas do Hard-Rock e do Heavy-Metal então em voga, mas como todo leitor da minha autobiografia sabe, A Chave do Sol se aproximou dessa cena por falta de um espaço mais confortável ao que professávamos realmente em termos de sonoridade e espaço artístico adequado e assim, foi um fato da nossa história que nesse meio nós sempre fomos bem recebidos pelos entusiastas dessa estéticas, apesar de não nos adequarmos inteiramente nesse nicho e sobretudo, de uma forma natural.

Bem, toda a história sobre esse show em específico está bem narrada em seu capítulo correspondente à cronologia dos fatos citados, não vou repetir tal narrativa, no entanto, devo dizer que ao ouvir a gravação de nossa entrevista, fiquei surpreendido com a qualidade das músicas gravadas ao vivo durante esse show de 14/9/1986, e que foram preservadas na fita K7 por ocasião da nossa entrevista concedida ao programa citado, diretamente nos estúdios da 97 FM de Santo André-SP em 21 de setembro de 1986.

Dessa forma, eu preparei inicialmente a publicação da entrevista na íntegra, a conter as músicas ao vivo ali ouvidas no contexto do programa "Riff Raff" e a seguir, separei as músicas e providenciei a publicação individualizada de cada faixa. Pena que foram apenas três músicas gravadas, no entanto, eu devo salientar a minha alegria por acrescentá-las ao acervo, pois doravante, "habemus" registro d'A Chave do Sol ao vivo no Ácido Plástico em 14/9/1986!

A Chave do Sol - Entrevista no Programa "Riff Raff" da 97 FM de Santo André-SP em 14/9/1986 - Apresentação: Richard Nacif

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=Ow-mpcMV0BU

Sobre as músicas preservadas desse show ocorrido no "Ácido Plástico", passamos a contar com as performances de "Pesadelos", "Ufos" e "Que Falta me Faz, Baby". A respeito de "Ufos", se trata de uma rara gravação, pois nessa fase da banda, praticamente não tocávamos mais as músicas do EP de 1985, por conta da não adaptação adequada dessas peças pelo então novo vocalista, Beto Cruz, mas também por termos iniciado uma ampla reformulação do repertório, a amenizar o peso e sobretudo a minimizar os arranjos mais sofisticados a fim de produzirmos um som mais próximo do Hard-Rock oitentista em voga, todavia pelo viés Pop. Portanto, ouvir "Ufos" com a voz do Beto no comando, é realmente uma raridade. 

"Pesadelos" ao vivo no "Ácido Plástico" de São Paulo em 14 de setembro de 1986

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=fwIowdEEusw

"Ufos" ao vivo no "Ácido Plástico" de São Paulo em 14 de setembro de 1986

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ONZ-sxi6YIo

"Que Falta me Faz, Baby" ao vivo no "Ácido Plástico" de São Paulo em 14 de setembro de 1986 

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=E4Tge5_es0Y

Feliz com tais achados que agregaram muito para o acervo, alvíssaras, havia mais material a ser preparado para ingressar em nosso museu virtual!

Continua...

domingo, 1 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 431 - Por Luiz Domingues

Acima, eis a foto que o fã, Thiago Fajardo, publicou no seu perfil da rede social, Facebook, em 25 de setembro de 2022, Click, acervo e cortesia: Thiago Fajardo

Foi então que no dia 25 de setembro de 2022, a nossa banda completou quarenta anos de seu primeiro show. Eu havia me lembrado da data, um dia antes, e pensei em publicar uma mensagem nas redes sociais a repercutir tal efeméride, no entanto, inicialmente pensei em algo simples, sem muito alarde.

Ocorreu que no domingo, dia 25, um fã da nossa banda (Thiago Fajardo), publicou na rede social "Facebook", uma foto da capa do nosso compacto de 1984, que ele possuía em sua coleção, perto de um bonito equipamento de som com aspecto "vintage" e com um depoimento carinhoso sobre o trabalho em anexo. Ele me marcou na sua publicação e quando eu escrevi uma mensagem de agradecimento pela lembrança gentil da parte dele, aproveitei para comentar que a data em que estávamos, marcava uma efeméride importante sobre a nossa banda e ele respondeu que não sabia desse detalhe, portanto, houvera sido uma coincidência ele ter feito essa publicação tão carinhosa sobre a nossa banda e em específico sobre o compacto de 1984.

Foi muito natural então que tal acontecimento provocasse uma reação inevitável no meu campo emocional e assim, da pequena nota que eu planejara escrever e publicar, se precipitou um texto bem mais robusto, mediante a contextualização sobre a formação da nossa banda e a inerente importância do primeiro show que realizamos, como a demarcar a fundação do nosso grupo. 

Abaixo, eis a íntegra do texto que eu publiquei em duas redes sociais: Facebook e Instagram e com alguns dados que surpreenderam muitas pessoas, como por exemplo a pré-história da nossa banda pelo ponto de vista do Rubens, algo não citado no texto da minha autobiografia, exatamente por eu não ter feito parte dessa movimentação que ocorreu na vida dele entre 1977 e 1981, aproximadamente. E ao citar algumas pessoas com as quais eu não convivi e que chegaram a se apresentar junto com o Rubens a usar o nome da nossa banda, eu tomei o cuidado para não menosprezar de maneira alguma a importância delas como pessoas e como músicos e tampouco desmerecer tais esforços que eles empreenderam, ao deixar claro que consideramos a fundação da nossa banda, efetivamente a partir da nossa formação e nessa data de 25 de setembro de 1982. Ocorre que tais formações pregressas foram efêmeras em termos de continuidade e as poucas apresentações que fizeram, se revelaram como sazonais, sem caracterizar uma ação concreta de uma banda formada e imbuída de trabalhar de forma contínua e mais um detalhe, sem a intenção de criar material autoral próprio.

Amigos: neste domingo, dia 25 de setembro há uma efeméride importante para A Chave do Sol, banda pela qual eu atuei ao lado de valorosos companheiros e com orgulho, por cinco intensos e inesquecíveis anos.
 
Foi exatamente no dia 25 de setembro de 1982, um sábado, que a nossa banda realizou o seu primeiro show e daí, convencionamos demarcar como a data de fundação oficial do grupo, embora tenhamos realmente iniciado as atividades por volta de julho do mesmo ano, com os ensaios preliminares. 
 
A banda foi fundada com o firme propósito de exercer a música autoral, mas como também estabelecemos a meta de irmos rápido para os palcos, não houve tempo hábil para criarmos um repertório suficiente para tal no curto prazo e assim, nos primeiros shows, tivemos o suporte de um repertório formado por alguns clássicos do Rock internacional e nacional, oriundo das décadas de 1950, 1960 e 1970, ou seja, a nossa base afetiva de influências.
 
É importante frisar que o nosso saudoso cofundador, Rubens Gióia, foi o criador do nome da banda, por se tratar de uma idealização que ele teve em sua imaginação desde a sua tenra infância e já por volta de 1968, ele tinha em mente tal denominação. E quando atingiu a adolescência, esboçou esforços para a banda existir concretamente desde 1977, e a partir de 1978, até 1981, aproximadamente, chegou a realizar apresentações sazonais mediante apoio de outros companheiros, a usar tal nome, como o guitarrista Dedé e o baterista Silvio Sisudo entre outros. Todavia, como não houve uma continuidade ordenada e tampouco ficou coletado algum material para registrar tais esforços, consideramos a nossa formação a partir de 1982, como a oficial da fundação da banda, por conta da periodicidade do trabalho, a constituir o compromisso formado mutuamente. 
 
Rubens e eu, Luiz Domingues, iniciamos os trabalhos e logo convidamos o baterista Edmundo Gusso, que chegou a realizar um ensaio conosco, todavia, ele não pode assumir o compromisso e assim, convidamos José Luiz Dinola para fechar o Power-Trio básico que formatou a nossa banda e posteriormente, contamos com cinco vocalistas ao longo da nossa carreira para configurar a formação da nossa banda como um quarteto.
 
E assim, com esse trio base, logo nos primeiros ensaios nós compusemos em parceria a nossa primeira música, o tema instrumental: "18 horas", que ficou bastante celebrado em nossos shows e esta foi a primeira música própria que apresentamos no primeiro show, ao lado dos clássicos que eu já mencionei.
Convidamos um vocalista que já era uma grande estrela no cenário do Rock brasileiro, há bastante tempo na ocasião, na persona de Percy Weiss. 
 
Ele gostou tanto da química que forjamos nessa apresentação que a seguir participou de um segundo show, alguns dias depois, no entanto, apesar dessa empolgação mútua ali gerada, Percy já estava comprometido com outros trabalhos e não pode se fixar em nossa banda como membro oficial, que pena.
 
Nesse primeiro show em específico, ficamos honrados e empolgados em realizar a nossa estreia em um palco que fora na década de setenta, um dos mais requisitados e badalados de São Paulo, aliás com repercussão nacional. Nos anos 1970, ali funcionara o histórico "Be Bop a Lula", casa que protagonizara shows com os maiores nomes do Rock nacional da ocasião. Infelizmente, nos anos 1980, a casa não tinha mais o mesmo glamour e nem mesmo o mesmo nome, ao se chamar então "Café Teatro Deixa Falar", embora a sua proprietária fosse a mesma pessoa, a simpática e acolhedora Dona Sabine, um senhora francesa, que nos ajudou muito nesses primeiros tempos de vida da nossa banda, haja vista que ali também foi o nosso espaço de ensaios nos primeiros meses de nossas atividades.
 
É óbvio que o Percy não gostou nada do seu nome ter sido grafado erroneamente na filipeta que foi produzida para divulgar esse primeiro show. Ele chegou a brincar com esse fato em publicação que fez nesta mesma rede Facebook, pouco antes de falecer, infelizmente, em 2015. Através da entrevista concedida ao programa "Vitrola Verde" do valoroso comunicador, Cesar Gavin, Percy Weiss falou com carinho de sua rápida passagem pela nossa banda.
 
Contamos com um bom público formado por familiares e amigos que nos prestigiaram nesse dia 25 de setembro de 1982, para nos ver desfilar Rocks que todos gostamos e já a nossa primeira música, a instrumental, "18 Horas". Destaco entre tantos amigos queridos que ali estiveram presentes, o poeta Julio Revoredo que já em um curtíssimo período depois, tornar-se-ia um parceiro da banda com seus poemas musicados por nós, além do apoio dele em muitas ações positivas para a banda nos bastidores.
 
E assim foi, 40 anos se passaram desse primeiro show, que hoje comemoramos. O idealizador-mor desse sonho nos deixou em 2021, mas o seu sonho vive e com ele, a sua memória, certamente. Fico feliz por constatar que A Chave do Sol ainda seja reverenciada pela sua obra e dedicação, nos dias atuais, portanto, Rubens Gióia vive, mais do que nunca.
 
Em nome do trio-base dessa banda, Rubens Gióia (in memoriam), José Luiz Dinola e eu, Luiz Domingues, além, dos cinco vocalistas que também contribuíram muito com a história da nossa banda, embora com passagens mais curtas na formação (Percy Weiss- in memoriam, Verônica Luhr, Chico Dias, Fran Alves-in memoriam e Beto Cruz), eu agradeço muito o carinho de todos os fãs, amigos, colaboradores e profissionais que nos apoiaram entre 1982 e 1987.
 
Faço a menção muito honrosa para Ivan Busic, que gentilmente gravou o LP "The Key" quase inteiro, após a saída de José Luiz Dinola em junho de 1987 e chegou a cumprir dois shows conosco, como um convidado, pois apesar de ter marcado presença nas fotos do disco, não foi membro da banda. Fábio Ribeiro também fez um show como convidado e assim cabe registrar e sobretudo esclarecer que a formação da banda "The Key", com dois egressos d'A Chave do Sol (Beto Cruz e eu, Luiz Domingues), acrescidas do Fabio Ribeiro, José Luiz Rapolli e Eduardo Ardanuy (neste caso, cabe a menção para Theo Godinho-in memoriam-, igualmente), apesar de ter surgido das cinzas d'A Chave do Sol se constituiu de uma banda diferente, com a sua trajetória própria e portanto distinta dentro da história. 
 
Aproveito para convidar os admiradores d'A Chave do Sol para visitar o meu Blog 3, no qual eu publiquei o texto completo da minha autobiografia musical e os capítulos concernentes à minha passagem pel'A Chave do Sol, se encontram alojados nos meses de maio, junho e julho de 2015, no arquivo. E no arquivo de 2016, o leitor encontra no mês de dezembro, vasto material (vídeos, fotos, áudios, portfólio e dados) sobre a carreira da nossa banda. E sobre os desdobramentos da história da banda (o lançamento do kit de discos bootlegs em 2020/2021, por exemplo), também podem ser consultados em arquivos posteriores no mesmo arquivo do Blog. 
 
Mais um aviso adicional: recentemente (2022), eu tenho feito esforços para organizar os meus três canais no YouTube e nesse aspecto, já tenho publicado vídeos raros de todas as bandas pelas quais atuei e ainda atuo, portanto, há bastante material raro sobre A Chave do Sol ali presente e ainda mais novidades surgirão. Fica o convite então para a visita de todos que apreciam o trabalho dessa banda.
 
Luiz Domingues - Canal 2:
A Chave do Sol - 25 de setembro - 1982/2022 - 40 anos
Rubens Gióia (in memoriam): Guitarra e voz
José Luiz Dinola: Bateria e voz
Luiz Domingues: Baixo e voz
Percy Weiss (in memoriam): Voz
Verônica Luhr: Voz
Chico Dias: Voz
Fran Alves (in memoriam): Voz
Beto Cruz: Voz e guitarra
E com o apoio fundamental de:
Rosana Gióia: Backing vocals em alguns shows de 1982 e no compacto de 1984
Ivan Busic: Bateria em várias faixas do LP The Key de 1987
Soraya Orenga: Backing vocals no compacto de 1984
Daril Parisi: Teclados no EP de 1985
Andria Busic: Backing vocals no LP The Key de 1987
Fernando Costa ("The Crow"): Teclados no LP The Key de 1987
Edgard Puccinelli Filho: Roadie e autor da letra de "Anjo Rebelde"
Eduardo Russomano (in memoriam): Roadie
Claudio "Capetoide": Roadie
Eliane Daic: Produção
Julio Revoredo: Produção e autor das letras de "Segredos", "Ufos", "Vestido Branco" (esta não foi gravada)
Renato Ogawa, Fabio Rubinato, Carlos Muniz Ventura, Rodolpho Tedeschi, Mauricio Abões: Fotos
Luiz Carlos Calanca: Produção fonográfica (Compacto de 1984 e EP de 1985)
Toninho Pirani: Produção fonográfica (LP The Key de 1987)
Antonio Celso Barbieri: Produção de shows
Cida Ayres: Produção
Ricardo Aszmann: Produção
Rolando Castello Junior: apoio irrestrito nos primeiros tempos da nossa banda
Antonio Carlos Monteiro: Assessoria de imprensa
Robson TS: Produção de estúdio (compacto de 1984)
José Luiz: Produção de estúdio (EP de 1985)
Edy Bianchi: Produção de estúdio (LP The Key de 1987)
Canrobert Marques: Técnico de som ao vivo
Kim Kehl: Digitalização de áudio e produção dos Bootlegs de 2020/2021

Bem, a minha publicação gerou uma comoção no Facebook, não tão grande como a gerada por ocasião da morte do Rubens Gióia, mas não muito atrás disso, a gerar uma enxurrada de sinais de apreço ("curti") e comentários (338 e 238, respectivamente), além de 17 compartilhamentos. Foram muitos comentários emocionantes, muitas lembranças pessoais a relatar shows que tais pessoas assistiram, além de observações sobre os álbuns que gravamos e a repercutir a data em si, ao se falar do primeiro show.

No "Instagram", foi igual, embora com um volume menor de comentários e mais sinalizações com "emojis" para expressar o contentamento de cada um.

Entre tantas manifestações, fiquei feliz pela sinalização discreta, porém significativa da mãe do Rubens, Dona Dinorah, ainda abalada pela perda de seu filho, naturalmente e uma surpresa, a cantora, Soraya Orenga, que gravara backing vocals no nosso compacto de 1984, que por uma coincidência incrível, era amiga pessoal do técnico de áudio e produtor musical, Renato Carneiro, com o qual eu trabalhei bastante nos meus tempos a bordo do "Pedra". Pois eles eram amigos de longa data e segundo o Renato, trabalharam juntos por oito anos, portanto ele a avisou e ela se manifestou com muito carinho na minha publicação.

Bem, tal acontecimento corroborou mais uma vez a minha percepção de que essa banda foi vitoriosa em sua trajetória, apesar de nunca ter alcançado o mainstream da música profissional e tal carinho, expresso quarenta anos depois de sua fundação oficial, prova que emocionamos muita gente na época e tal marca ficou indelével na vida dessas pessoas que impactamos, por quarenta anos e com perspectiva de que levem tal sentimento até o final das suas respectivas vidas.

Portanto, acho que eu fui feliz ao seguir a intuição e publicar o chamado "textão" de rede social para repercutir a efeméride.

E paralelamente, dentro daquela perspectiva de estar a publicar raridades em meus canais de YouTube, eu constatei um achado em uma nova inspeção em tom de decupagem do material digitalizado em 2020 e fiquei contente por poder providenciar a sua publicação logo a seguir.

Continua...