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quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 41 - Por Luiz Domingues

Esse é mais um caso no qual a presença de muitas publicações individuais de cada faixa e mesmo do disco em sua íntegra, já acontecia no YouTube há bastante tempo. Contudo, é óbvio que eu precisava providenciar os links sob o meu domínio, igualmente ao organizar os meus canais e assim procedi nesse ano de 2022.

Há de se registrar, no entanto, que todas as publicações que eu tinha conhecimento, que haviam sido perpetradas por terceiros (inclusive da parte de canais especializados em armazenamento de discos com o intuito de preservar a história do Rock brasileiro, ou seja, no bom intuito de se colocarem como arquivistas e isso precisa ser muito enaltecido), na prática, todavia, cometeram dois enganos primários.

O primeiro engano e praticamente inevitável ao se tratar da confusa história dessa banda, se dera com a questão de se considerar ser este o quarto trabalho da banda "A Chave do Sol" e como é bem sabido dos leitores da minha autobiografia, apesar de ter nascido das cinzas d'A Chave do Sol, o The Key foi na realidade uma outra banda, com a sua identidade própria, sonoridade completamente diferente e por conseguinte, a constituir a sua própria história. 

E a segunda questão, que eu vinha a observar, se dera com a falta de separação entre as faixas "Welcome" e "We Hear the Call", pelo fato da desatenção generalizada a considerar que uma ("Welcome"), era a introdução da outra ("We Hear the Call"). De fato, "Welcome" é uma vinheta e nós a usávamos como tema de abertura dos shows naquele período de 1988-1989, enquanto a formação original dessa banda se manteve unida.

"Welcome" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=EPBjjk7ss9U

"We Hear the Call" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=redy_Qk9kak

"Before the Bridge Falls Down" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=DflS_8N5jv4

"Storm Clouds" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=jo1x2Cway4Q

"Pretty Old Lover" - The Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=gesAASZuJ_

"Empty Bed" - LP Key - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=p5Uj9e1K-S8

"Waiting for Tomorrow" - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=g93oW_hDtjA

"This is my Way" - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=NXaj_ug3gPc

"A New Revolution" - LP A New Revolution - 1990 - Gravadora Devil's Discos

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=Ibk3Xsomv20

Bem, é improvável que doravante surja mais algum material obscuro sobre essa banda, dada a constatação de que tal grupo teve uma curta carreira e gerou pouco material por conseguinte, mas é claro, se um fato novo ocorrer, certamente que irá constar no meu Blog 3, que é de fato o meu museu virtual de carreira. Se por acaso se tratar de alguma novidade mais robusta, abre a possibilidade de que eu escreva mais um capítulo sobre essa banda.

Por enquanto, está encerrado este adendo à minha história com o The Key! 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 40 - Por Luiz Domingues

Nesses termos, o que pode ser ouvido nessas gravações é na prática um som embrionário em construção, mas interessante, tanto como documento de época, quanto na prospecção dessas músicas em pormenores, se revela como um interessante achado, ou seja, com aquele sentido arqueológico em que não importa o tamanho da peça em si, mas o que ela representa, ainda que apresentada como um fragmento, para a história dessa banda.

"Pretty Old Lover" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=oHLz9d6EMBE

É interessante notar que não apenas para o caso dessa faixa, "Pretty Old Lover", mas como uma constante para as demais gravações, que é nítida a presença de uma reverberação natural muito acentuada de uma forma generalizada e ainda mais perceptível nas peças da bateria, por uma questão natural da ambientação caseira e nada preparada para uma gravação profissional. 

Como consta na história narrada ao longo de capítulos anteriores, a gravação dessa demo-tape foi feita na residência do Beto Cruz na ocasião e assim, a bateria foi gravada na cozinha da sua habitação, que era ampla por natureza arquitetônica e no caso, foi somente amparada por biombos improvisados para conter ruídos indesejáveis produzidos pela vizinhança durante um domingo vespertino. E sobre os amplificadores de baixo e guitarra, estes ficaram colocados na sala de estar do imóvel e também protegidos precariamente por biombos bem improvisados mediante almofadas e cobertores, ou seja, tudo muito inadequado.

Portanto, ouve-se a reverberação natural rebatida pelos azulejos da cozinha e isso realçou os agudos dos pratos, chimbau e caixa, principalmente e o bumbo e tambores ficaram com os seus graves prejudicados, com a esperança ali no calor do momento, de que o equilíbrio seria alcançado na mixagem, mas mediante um gravador de quatro pistas, é claro que isso não ficaria saliente de forma alguma e de fato não ficou, ainda mais com a inevitável obrigatoriedade do recurso da "redução", no qual a bateria inteira e o baixo foram mixados em um único canal.

"We Hear the Call" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ryWGTGxORPo

Sobre a música, "We Hear the Call", nesta gravação que obviamente não valeu para o cômputo final da conclusão da demo-tape, se notam algumas falhas de pulsação na linha de baixo e bateria, certamente ocasionadas pela dificuldade de se estabelecer um padrão de monitoração minimamente plausível para se gravar com segurança. De fato, com um maquinário inadequado, não haveria como os fones de ouvido nos ajudarem nesse sentido tão básico.

"Stole my Heart" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=z5xkFtEjg9g

Outra característica dessas gravações foi o fato de que para preservar ao máximo o espírito da gravação original, eu não editei a cortar pequenos trechos com tentativas de gravação antes da música prosseguir enfim, do começo ao final, ao se estabelecer em tese uma outra "tomada". Se fosse uma produção audiovisual de cinema, eu diria que deixei que constassem as tentativas anteriores, mesmo separadas pela claquete a configurar um material "bruto", ou como se diz nesse meio cinematográfico, o "copião".

"The Wind Blows Chill and Cold" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=i9XdmxdIJ4s

E também deixei a conversa preliminar e posterior a cada gravação, ao menos por alguns segundos, para também preservar o caráter bruto da gravação, sem edição e a conter as nossas vozes em muitas ocasiões a conter avisos de contagem, e outros comentários análogos, além de constar também a voz do baixista, Claudio Cruz, irmão do Beto, que comandou a gravação ao operar a máquina "Fostex", ou como a apelidávamos pejorativamente na ocasião, "Tostex", para se criar uma alusão em tom de pilhéria sobre uma torradeira de pão.

"This is My Way" em fase de gravação da demo-tape de junho de 1988 - The Key

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ZeFjsXLYa_0

Algumas dessas músicas foram gravadas em 1989 para compor o LP "A New Revolution", único álbum que essa banda lançou em sua curta carreira, mas outras não foram aproveitadas e assim, a sua presença nestas faixas aqui a representar o embrião da demo-tape de 1988, representam um adendo para a memória dessa banda e por conseguinte, do meu acervo pessoal.

E no bojo dessas novidades, houve também o armazenamento das músicas do LP "A New Revolution" a seguir a predisposição que eu havia adotado em relação a obter o domínio de "endereços" próprios de todos os trabalhos dos quais eu participei. 

Continua...

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 39 - Por Luiz Domingues

Exatamente na mesma predisposição ocorrida com outras ex-bandas minhas ao longo de 2022, o The Key também entrou no radar das oportunidades geradas pela digitalização de muitas fitas K7 que eu armazenei por anos a fio, fechadas em armários. 

De fato, bandas como "A Chave do Sol", "Patrulha do Espaço" e o "Sidharta" foram agraciadas com o maior acervo disponibilizado nesse sentido, enquanto em menor proporção, todavia de uma forma significativa, o "Pitbulls on Crack" também teve material resgatado e devidamente alojado no YouTube em uma primeira instância e a manter igualmente sob perspectiva a planificação que eu estabelecera desde o final de 2019, isto é, a projetar a produção de um ou dois discos em caráter "bootleg" dessa banda em específico.

Eu também conseguira resgatar três músicas da demo-tape do Língua de Trapo, gravada em 1980, que o Laert Sarrumor mantinha restrito ao âmbito limitado de uma nuvem de armazenamento e assim, eu pude publicar tais faixas no YouTube. Essa ação não foi algo relacionado às fitas K7 que eu armazenei, mas que somado ao esforço geral, abrilhantou ainda mais essa mobilização massiva para reforçar o meu acervo geral de carreira e claro a repercutir para essa banda, em específico. 

Da esquerda para direita, na parte mais alta: Fabio Ribeiro, eu (Luiz Domingues), José Luiz Rapolli e Beto Cruz. Agachado: Eduardo Ardanuy. Foto promocional do The Key em 1988. Click, acervo e cortesia: Carlos Muniz Ventura 

E foi nesse contexto que eu deparei-me com um achado interessante, bastante raro do material do grupo, ¨The Key", ou seja, que bacana a descoberta e consequente oportunidade. 

Mais que essa constatação, houve então o acréscimo da raridade em si e eu explico: em junho de 1988, a nossa banda, "The Key", se mobilizou para gravar uma demo-tape. Toda a narrativa sobre essa ação ocorrida dentro da história do grupo, está registrada naturalmente nos seus capítulos adequados à cronologia dos fatos, basta ler ou reler e basta ao interessado procurar o ponto em questão através dos respectivos arquivos dos meus Blogs 2 e 3 alojados na internet, ou nas páginas do livro impresso, "Quatro Décadas de Rock".

Sobre esta fita que eu resgatei, especificamente, se trata de uma gravação preliminar e não da demo-tape em sua íntegra e devidamente mixada, mas a registrar uma etapa das gravações com a presença apenas da guitarra, baixo e bateria, portanto sem os teclados do Fabio Ribeiro e sem a voz do Beto Cruz, sequer como guia provisória. 

Tal gravação com a qual eu me deparei, continha seis músicas então nesse estágio embrionário, a se descrever: "Pretty Old Lover", "We Hear the Call", "Stole my Heart", "The Wind Blows Chill and Cold", "Storm Cloud" e "This is my Way".

Continua...

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 38 - Por Luiz Domingues


A falar sobre os companheiros dessa jornada:

Theo Godinho


Theo Godinho foi guitarrista da banda Hard-Rock oitentista, "Jaguar", ao lado do baterista, José Luiz Rapolli. Ótimo guitarrista, tinha uma orientação pesada, mas certamente vinha de escola setentista.

A sua participação na banda foi curtíssima, apenas pelo fato de que em comum acordo, verificamos que um sexteto seria inviável pela massa sonora envolvida. Ele poderia ter ficado tranquilamente se não houvesse também a presença do Edu Ardanuy.

Pessoa de ótima índole, apesar de sua super curta participação, a impressão que deixou para mim, foi a melhor possível. Depois dessa curta participação em nosso conjunto, foi membro de muitas bandas nos anos posteriores, e também se envolveu com produção de audiovisuais.

Infelizmente Theo Godinho nos deixou em 2012, muito precocemente por sinal, e a deixar uma grande lacuna para a cena.

Atualmente (2015), a sua filha, Thais Godinho, que é jornalista, está a fazer pesquisa de campo para reunir elementos para fazer uma biografia de seu pai, e quem sabe até um documentário para resgatar a sua história e legado artístico. Acho tal atitude dela, belíssima como filha, e certamente que merecida por parte do Theo.


José Luiz Rapolli 

Eu o conhecia superficialmente desde 1985, mais ou menos, por conta de ter visto a sua banda, "Jaguar", a atuar, mas só nos cumprimentávamos nessa época, sem estabelecer amizade.
Quando o Beto anunciou que ele seria o baterista da nova banda, fiquei contente com a escolha e a sua aceitação, e não me desapontei, posteriormente.

Rapolli não tinha a mesma técnica de José Luiz Dinola, com o qual trabalhei por cinco anos através d'A Chave do Sol, mas era (é) um ótimo baterista. 

Por outro lado, ao contrário do Dinola que era muito fechado no conceito do Jazz-Rock, Rapolli era muito mais próximo do meu espectro musical, no quesito das preferências musicais, a demonstrar um grande apreço pelo som das décadas de sessenta e setenta, itens proibitivos em tempos xiitas de pregação niilista, naquela década de oitenta.

Dessa forma, ficamos rapidamente amigos e sem dúvida, as conversas que tivemos, principalmente em viagens de ônibus onde dividimos os assentos, representaram os poucos momentos agradáveis que guardo na memória sobre o período dessa banda.

Tal impressão favorável, motivou-me a procurá-lo, cerca de nove anos depois, em 1997, para integrar o projeto de uma nova banda que eu estava a criar, chamada Sidharta (história inteiramente contada em capítulo específico na minha autobiografia), mas não deu certo, pois eu interpretara mal essa situação de 1988, e anos depois, tal projeção não faria sentido algum, conforme está explicado na história daquela outra banda.

Independente disso, Rapolli é um sujeito calmo, gentil e solícito, com o qual gostei de ter contado nesse período difícil que foi esse de 1988-1989, na trajetória curta d'A Chave/The Key.

Anos depois, eu soube que ele estava a tocar em bandas cover pela noite paulistana, e que se firmara com um "Pink Floyd Cover", que tornou-se uma dessas bandas tributo que primava pela perfeição em executar o repertório da banda homenageada etc. e tal.

E também foi membro do "Big Balls", banda do guitarrista, Xando Zupo, com o qual eu toquei no "Pedra", anos depois.



Fabio Ribeiro


Desde meados de 1986, eu ouvia pessoas a falar de um jovem tecladista que despontava no cenário do Rock underground, chamado: Fábio Ribeiro. Tais comentários, inicialmente vieram do meu amigo e roadie d'A Chave do Sol, Eduardo Russomano, hoje saudoso, e que o conhecia e admirava.

Ao final de 1987, ele foi convidado pelo Beto Cruz e fez uma participação especial com A Chave do Sol, no Teatro Mambembe e caprichosamente, foi o último show dessa banda que dissolveria-se poucos dias depois graças a um desentendimento entre os seus membros remanescentes: eu, Luiz Domingues, Rubens Gióia e Beto Cruz.

Quando uma nova banda foi criada emergencialmente para suprir a agenda d'A Chave do Sol, recém implodida, Beto não teve dúvidas e convidou, Fábio Ribeiro para fazer parte. Tecladista dotado de uma sólida formação teórica, ele gostava, e isso foi raro naquela época, do Rock Progressivo setentista, apesar de estar bem antenado nas sonoridades modernas e oitentistas, também.   

Muito técnico, trata-se de um solista virtuose e piloto de vários sintetizadores, à moda antiga dos tecladistas setentistas clássicos.

Como pessoa, é um rapaz muito educado, simples e isso foi fruto dele ter sido criado por pais extremamente bondosos, que inclusive eu já citei bastante na história desta banda.

Muito jovem, versátil, muito técnico, com vasta bagagem teórica, e virtuose como solista, tornou-se inevitável que ele chamasse muito a atenção, e recebesse muitos convites para outros trabalhos.
Portanto, ainda a fazer parte de nossa banda, estava também envolvido com muitas outras bandas de Hard-Rock e Heavy-Metal, onde gravou discos, tocou ao vivo com tais artistas, e manteve sempre uma banda autoral e sob orientação progressiva setentista chamada:"Desequilíbrios", além de um projeto solo e experimental, "Blezki Zatsaz".

Nos anos 1990 e 2000 foi membro de bandas como "Angra" e "Shaman" do mundo do Heavy Metal, e do Violeta de Outono, além de abrir o seu estúdio particular. Toca com muita gente hoje em dia e é representante de várias marcas de teclados internacionais no Brasil, além de ser um experiente professor de música e programação de teclados/tecnologia.


Eduardo Ardanuy

Descoberto pelo Beto Cruz, Edu Ardanuy chegou para esta nova banda com fama de virtuose, e de fato o era. Toca com uma técnica absurda, e sempre foi obcecado por tocar muito mais ainda, a estudar com muito afinco.

Circunspecto e calado, passou-me a impressão inicial de que era obcecado pela técnica e se esta não era a minha visão da música e nunca será, ao menos eu o respeitava em sua determinação e o admirava por ser focado no seu objetivo, fato raro para um menino de vinte anos de idade, e que geralmente tem dificuldade para focar em um objetivo. Foi por sua mentalidade que a banda se pautou doravante, e construiu a sua curta carreira e isso não foi o que eu desejaria, certamente.

Mas claro que sou-lhe grato pela sua participação, e se não foi som que desejaria trabalhar com aquela sonoridade, isso não foi nem de longe por sua culpa, mas apenas foi um arranjo do acaso que nos uniu ali naquela situação.

Não nos comunicávamos muito nesse período em que trabalhamos juntos. O seu diálogo mais direto sempre foi com o Beto e o Fábio, musicalmente a falar. Mas sempre houve bastante respeito mútuo e lhe sou grato por ter nos socorrido naquele momento inicial muito difícil e pela persistência, também.

Dentro do mundo do Rock pesado e em específico das vertentes do Hard e Heavy oitentistas/noventistas e com orientação virtuose, Edu é uma referência e certamente é considerado um dos maiores guitarristas do mundo, e isso é extraordinário, é claro. Ele é reverenciado em publicações especializadas internacionais, citado por guitarristas do nível de Steve Vai, e tudo isso é muito merecido, logicamente.

Edu Ardanuy tocou por muitos anos no super trio: "Dr. Sin", uma das mais significativas bandas brasileiras do mundo pesado e ultra técnico, além de ter participado muitos trabalhos solo.

Tornou-se um dos maiores professores do Brasil e recentemente abriu com os seus irmãos uma escola de música que é referência nesse mundo dos apreciadores do Rock pesado e do virtuosismo, chamada: "Clã Ardanuy".

Apesar de na época não termos ficado muito próximos, sei que ele é um rapaz de boa índole, e em muitas ocasiões em que nos encontramos em bastidores de shows, nos anos 1990, e 2000 em diante, ele sempre foi muito cordial e simpático comigo.

Beto Cruz

Considero a persona de Beto Cruz, como a força motriz dessa banda chamada: A Chave/The Key. a sua determinação para achar uma solução que parecia impossível de ser encontrada, foi extraordinária no início.

Ao agir como um verdadeiro produtor executivo, ele não mediu esforços para criar uma banda de uma forma instantânea, e fazer com que ela se tornasse apta a competir no difícil mercado da música, em tempo recorde. Sou-lhe muito grato por todo o esforço empreendido, pela solidariedade, pela garra, pela luta, pelos sacrifícios pessoais que teve, pela mão na massa, e tudo mais que eu puder elencar em termos de trabalho árduo e obstinado.

Peço-lhe desculpas se de minha parte, eu não correspondi na mesma intensidade, mas creio que está bem explicado neste relato, os motivos de minhas contrariedades e acentuada perda de energia no decorrer do processo, que esvaiu-me as forças.

Seu prêmio por esse esforço hercúleo, é o disco que registrou tal momento e a descoberta de valores artísticos que muito brilharam, brilham e brilharão ainda, graças ao seu olhar arguto.

Sobre sua personalidade, o que ele fez depois dessa banda, e faz atualmente em termos artísticos, eu já descrevi ao final do capítulo sobre A Chave do Sol, portanto, é só consultar ali.

Está encerrada essa etapa da minha trajetória na música.  

Agradeço aos companheiros dessa jornada e mais uma vez lhes peço desculpas por ter sido excessivamente franco em relação às minhas impressões contra o trabalho em si, na minha ótica e gosto pessoal, e reitero, nenhuma contrariedade de minha parte tem caráter pessoal contra quem quer que seja, e pelo contrário, eu sou grato a todos pelo companheirismo, em uma etapa que foi muito difícil particularmente para mim.

De todos os capítulos que eu escrevi na minha autobiografia na música, este foi sem dúvida o mais difícil, pela complexidade de escrever e não deixar margem de dúvida a alimentar melindres para ninguém envolvido, seja o Beto Cruz, os membros novos, e tampouco o Rubens Gióia. Espero sinceramente que todos entendam as colocações com a máxima clareza.

E agradeço também aos fãs do trabalho, que não são muitos, devido às circunstâncias que essa banda enfrentou e pela maneira que se expressou artisticamente.  

Para efeito de cronologia desta minha autobiografia, daqui em diante, vem a minha história com o Pitbulls on Crack, iniciada em janeiro de 1992, contudo, do período em que saí desta banda, 1989, até o início do Pitbulls on Crcak, há muitas histórias sobre projetos e tentativas de formação de bandas autorais, além de trabalhos alternativos que eu fiz, e que estão relatados nos capítulos dos "Trabalhos Avulsos". Basta consultar ou reler, por ali.

Um agradecimento ao saudoso, Theo Godinho, pela força inicial nos dois primeiros shows emergenciais de 1988!

Muito obrigado aos amigos Fabio Ribeiro, Eduardo Ardanuy e José Luiz Rapolli! 

Muito obrigado, Beto Cruz, por absolutamente tudo o que envolveu essa banda!

Grato, A Chave/The Key, pelo esforço em tentar manter uma chama viva!

Muito obrigado, amigo leitor, por ter acompanhado esta etapa da minha autobiografia na música!

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 37 - Por Luiz Domingues


Inicio a falar sobre quem apoiou essa banda. Claro que por ter nascido das cinzas d'A Chave do Sol, infelizmente e diga-se de passagem, muitas pessoas que eram apoiadoras da antiga banda extinta, deram o seu apoio à essa nova banda criada.

Eu sou grato portanto à Carlos Muniz Ventura, que entendeu perfeitamente as circunstâncias com as quais ela foi criada, e a continuar normalmente a sua amizade com Rubens Gióia, soube entender e separar as divergências que nos separaram e assim  acompanhou a trajetória curta desta nova banda, e participou, a produzir fotos promocionais, e até um catálogo para patrocinador, caso do poster para a Revista Rock Brigade, com propaganda da luthieria Tajima.

Eduardo Russomano, que muito nos ajudou nos momentos iniciais e dramáticos, e que por ter sido roadie e colaborador d'A Chave do Sol, compreendeu bem a situação que precipitou a criação dessa nova banda.

Ricardo Aszmann, o nosso colaborador e amigo no Rio de Janeiro, que entrou junto nessa luta, e muito nos apoiou. Grato por tudo, incluso as tentativas feitas em 1989, quando eu mesmo já estava praticamente de saída, mas ele continuou a insisitir e tentar abrir frentes e me acompanhando pessoalmente a fazer contatos no Rio e Niterói, a visar shows e entrevistas.

Chicão, o dono da loja/selo Devil Discos, que acreditou nesse trabalho e foi muito prestativo na produção do LP "A New Revolution". Ele era inexperiente na ocasião como produtor, mas foi de um entusiasmo e força de vontade exemplares, por não medir esforços para colocar nas prateleiras o melhor resultado possível e dele, não tenho queixa alguma, e pelo contrário, só tenho elogios e guardo um pequeno constrangimento pessoal, pois acho que ele me conheceu em um momento ruim de minha trajetória pessoal, e deve ter ficado com a impressão de que eu desprezei tal produção, e na verdade, a minha contrariedade foi outra, e está bem explicada a razão nos capítulos anteriores. Portanto, deixo claro que a minha impressão sobre o seu papel na história dessa banda é a melhor possível.

Cesar Cardoso, meu aluno, que foi roadie e muito entusiasmado por essa banda, meu muito obrigado por tudo!  

Paulo Toledo e Fernando Costa, ex-membros do "Inox", e que foram os donos do Bar Black Jack, e que abriu as suas portas para muitos shows nossos.

João Cucci Neto, que tentou ajudar, a intermediar contatos internacionais.

Antonio Carlos Monteiro, Sergio Martorelli e André "Pomba" Cagni que assinaram várias resenhas e matérias em suas respectivas publicações na imprensa escrita.

Os irmãos do Beto Cruz, principalmente Claudio e Marcos Cruz, por inúmeras manifestações de ajuda em shows e nos bastidores. E a não esquecer de Mario Sodré, sócio do Claudio na ocasião, que também foi solícito conosco.

Tibério Correa, que também nos ajudou em várias indicações e produções de shows.

Todo a equipe do estúdio Big Bang pela gentileza, hospitalidade e profissionalismo.

Os irmãos do José Luiz Rapolli: Fernando, que também é um ótimo baterista, e Sueli Rapolli.

Os pais do Fábio Ribeiro, pessoas amabilíssimas e cuja bondade e solidariedade, até mereceu capítulo específico na narrativa sobre a história desta banda.

Os irmãos e primos do Eduardo Ardanuy, que também ajudaram bastante.

E as namoradas de todos na época, que foram presentes, também. Lembro-me de que a namorada do Rapolli, ficou grávida em 1988, portanto, a sua filha Rebeca, hoje uma mulher madura, foi concebida durante a existência dessa banda.

Hora para falar dos componentes...
Continua...

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 36 - Por Luiz Domingues


Como foi amplamente explicado desde o início deste específico capítulo, "A Chave"/"The Key"/"A Chhave", uma banda com três mudanças de nome em sua curta trajetória, nunca foi a continuação natural d'A Chave do Sol como muitos acreditam.

Ela nasceu sim, das cinzas d'A Chave do Sol, mas por pura necessidade proveniente de uma situação dramática, onde por um lado, a súbita e triste dissolução da velha, A Chave do Sol mostrou-se implacavelmente incontrolável para os seus membros remanescentes (eu, Luiz Domingues, Rubens Gióia e Beto Cruz), e por outro lado, por ter havido concomitantemente o lançamento do disco, "The Key", para ser trabalhado enquanto divulgação, mas bem pior que isso, por lidar com dívidas pesadas para administrar-se, contraídas pela produção do disco, e com a qual não tivemos apoio externo algum.  

Portanto, nesse cenário dramático, não houve uma outra solução a não ser montar uma banda em caráter de emergência, para suprir compromissos inadiáveis que A Chave do Sol já tinha firmado, e a duras penas, estabelecer a divulgação do disco que fora lançado poucos dias antes da discussão que fulminou a banda, de forma triste. O ideal, reitero, teria sido nós conversarmos dias depois dessa fatídica reunião tensa, e com a cabeça mais fria, termos colocado os nervos no lugar e dado prosseguimento à carreira d'A Chave do Sol, normalmente.

Muito provavelmente teríamos inclusive a volta do nosso baterista original, José Luiz Dinola, que havia anunciado a sua saída da banda no início do segundo semestre de 1987, mas que ao final desse mesmo ano, já havia desistido da ideia de estudar odontologia e abandonar a música. Essa teria sido a melhor das soluções para a crise que a nossa banda atravessou nesse final de 1987, mas infelizmente não foi o que ocorreu.  

Rompidos com nosso cofundador, Rubens Gióia, e sem nenhuma possibilidade de cogitar não cumprir os compromissos firmados e divulgar e vender desesperadamente o LP The Key, eu e Beto não tivemos alternativa.

Quando eu comecei a escrever a minha autobiografia, em junho de 2011, ainda a usar a plataforma da saudosa Rede Social Orkut, através de uma comunidade chamada: "Luiz Domingues", aberta pelo meu amigo, Luiz Albano, a minha proposta foi em escrever tal relato focado em capítulos exclusivos dedicados a cada trabalho que fiz na minha carreira. E no caso específico d'A Chave do Sol, eu sabia desde o início que essa etapa final, onde teria que descrever o seu final abrupto e triste (e consequente início de atividades forçadas de uma outra banda com outro nome, mas a gravitar em sua órbita, então denominada: "A Chave"), teria que obrigar-me a ser muito claro para construir tal narrativa, e tomar muitos cuidados para não magoar ninguém.

Isso por que é óbvio que o Rubens Gióia, eu, Luiz Domingues, e Beto Cruz, saímos muito magoados dessa história, e mesmo ao termos resgatado a nossa amizade, ele, Rubens, ainda raciocina que a formação dessa nova banda foi um ato de traição de minha parte, e do Beto. E da parte do Beto, e a estender aos três componentes que fizeram parte dessa nova banda formada em 1988, poderia ficar a impressão de que eu desprezo essa banda chamada "A Chave".

Portanto, tomei todos os cuidados para deixar claro os motivos dessa banda ter sido formada, para que os fãs do trabalho da antiga, A Chave do Sol e principalmente, da parte do Rubens Gióia, saiba o leitor, que eu jamais quis que ele fosse substituído por um outro guitarrista, e para ir além, jamais desejei que A Chave do Sol terminasse um dia, aliás, pior ainda do jeito que aconteceu.

E para o Beto, Ardanuy, Ribeiro, e Rapolli, que a minha contrariedade com o trabalho dessa nova banda formada em 1988, foi algo meramente motivado por uma questão estética, e que jamais teve algo de ordem pessoal com qualquer um deles.

No caso do Beto, muito pelo contrário, sou-lhe eternamente grato pela sua luta, determinação e forte poder de iniciativa, para que em um cenário de hecatombe nuclear, saísse a correr para buscar a salvação, quando a reação normal da maioria das pessoas nessa situação, seria a de apenas resmungar pelos cantos, a lamuriar e chorar pelo leite derramado.

Portanto, realço a força de vontade e garra do Beto Cruz, que reputo ser o grande artífice da criação desse trabalho, para fazer com que tivesse vida, visibilidade, notoriedade e também lhe credito o descobrimento de três talentos jovens que após essa passagem pela banda, cresceram uma barbaridade nas suas carreiras, individualmente a citar-se: Eduardo Ardanuy, Fábio Ribeiro e Pedro "Kiko" Loureiro, sendo este último citado, em meio a uma etapa em que eu nem estava mais presente na formação da banda.

De fato, o Beto tinha/tem talento de "garimpeiro de talentos", e poderia até ter se colocado no mercado musical como um executivo de gravadora, ou mesmo um "manager", para ganhar dinheiro nessa específica função, que requer um talento quase extra-sensorial, eu diria. 

Sobre a banda, especificamente, acho que ela cumpriu a sua função inicial que era de suprir necessidades prementes.  

Posteriormente, quando se assumiu como um novo trabalho e buscou a sua identidade, pecou por vários motivos e escolhas ao meu ver. Faço a minha mea culpa, é claro, pois eu nada fiz para exercer a minha influência para coibir aspectos que me desagradavam, mas mesmo ao não querer justificar, mas apenas constatar, não teria sido o momento adequado para eu forçar mudanças que me aproximassem do que eu realmente gostaria de fazer como estética artística.

Eu nunca enxerguei clima algum para propor uma guinada para sonoridades sessenta-setentistas em 1988, e apesar de eu estar a começar a ter vontade de voltar às minhas raízes, naquela época em específico, isso ainda não se tornara forte o suficiente dentro de minhas possibilidades e principalmente pelo ambiente externo que foi totalmente avesso, é claro. Fora isso tudo, os meus novos colegas jamais aceitariam tais ideias, pois a sua mentalidade estava em outra esfera, pura e simplesmente.

E por fim, a "situação financeira da época versus dívidas", não nos permitiriam devaneios estéticos. O negócio foi tocar o máximo possível, promover o novo trabalho e vender o disco "The Key", que nem pertencia diretamente à essa banda, mas foi a única forma de livrar-nos de dívidas contraídas para que ele, o próprio LP, pudesse ter sido lançado. Portanto, foi uma condição estranha e muito incômoda.

Pelo aspecto da exposição pública, esse novo trabalho gerou inúmeras confusões, é claro. Para muitos fãs e jornalistas, tal banda foi a continuação simples d'A Chave do Sol, mas isso não é uma avaliação correta. Tal confusão também somente serviu para acirrar melindres, e isso me entristece até hoje, é claro.

Portanto, quando comecei a escrever a minha autobiografia, tomei a decisão de separar os respectivos capítulos, para firmar na história a clara divisão que existe entre uma banda, A Chave do Sol, e a outra, A Chave/The Key.

Para efeito biográfico, lamento possuir poucas fotos desse trabalho, por isso a escassez de opções para ilustrar os capítulos. Foram poucos shows entre 1988 e 1989, e também não produzimos muitas peças de portfólio.

Conforme eu descrevi ao longo dos capítulos, também foram poucos os momentos felizes que eu tive, ou ocorrências amenas e divertidas, pois além de eu não ter me afeiçoado ao trabalho, o clima nesses meses foi marcado mais pela presença da apreensão em torno das dívidas contraídas, portanto, a minha visão desse trabalho é mais taciturna, aliás, e assim, posso afirmar que foi o trabalho mais sombrio sob esse aspecto, da minha carreira. No entanto, eu isento os companheiros dessa jornada de qualquer culpa nesse processo, é claro!  

É bastante controverso o resultado sonoro do LP "A New Revolution", não apenas pela estética adotada, mas pelo áudio que foi bastante prejudicado pela mixagem, que achatou os instrumentos, para privilegiar os solos de guitarra. De minha parte, não posso me queixar, pois tão aborrecido que estava por não gravar da forma que desejava, a criar as minhas linhas de baixo livremente, não acompanhei as sessões e assim, moralmente a falar, não tenho o direito de reclamar a posteriori, contudo, o resultado é decepcionante, ao meu ver.

Todavia, ao ver pelo lado heroico com o qual o Beto Cruz tanto lutou para isso ser alcançado, é uma conquista, é claro. Não tenho absolutamente nada contra os companheiros dessa jornada e pelo contrário, lhes agradeço muito por terem aceito a proposta insalubre que o Beto lhes fez para segurar um explosivo nas mãos, naquele início de 1988! Agradeço-lhe também pelo esforço em dar dignidade para essa banda nascida em condições tão inóspitas, tão inadequadas pelas circunstâncias.  

Apesar de tudo, acho que o esforço de todos valeu a pena, e fico contente por verificar que eles demonstram carinho por esse momento de suas carreiras, em entrevistas que concedem na mídia, e que de certa forma, foi o estopim de suas carreiras, caso dos mais jovens na ocasião, Edu e Fábio, e mesmo em uma situação posterior até à minha participação, da parte de Kiko Loureiro. E ao Beto, principalmente, por ter sido a força motriz dessa banda.

 Chegou a hora para falar de seus membros e dos agregados que gravitaram na sua órbita.
Continua...

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 35 - Por Luiz Domingues

Eu já estava em outra sintonia há meses, a me envolver em vários projetos musicais novos e simultâneos, principalmente a partir do segundo semestre de 1990 (tudo contado com detalhes nos capítulos dos "Trabalhos Avulsos"), quando no início de outubro de 1990, recebi um telefonema do Beto Cruz.

Ele desejou inicialmente me comunicar que finalmente o Chicão da loja/selo Devils Discos, sinalizara que o disco: "A New Revolution", do "The Key", havia chegado da fábrica, e que começaria a trabalhar a sua devida divulgação & distribuição, e que a banda poderia fazer a sua parte, para efetuar os shows de lançamento.  
 -"Ótimo, muito bem, estou muito grato por me avisar, parabéns e guarde minhas cópias de recordação, que eu pego assim que possível", lhe respondi. No entanto ele teve algo a me pedir além desse comunicado.

Segundo me contou, quando soube que o disco sairia, marcara dois shows a ser cumpridos em uma casa noturna chamada: "Woodstock"(localizada na rua da Consolação, perto da avenida Paulista), e que serviriam como os shows oficiais de lançamento, e que a nova banda que havia montado, estava toda animada e ensaiada, mas nessa proximidades das datas anunciadas, o baixista que entrara no meu lugar, um rapaz chamado, Hermes (ele havia sido baixista de uma banda de Heavy-Metal oitentista chamada: "Sabotagem", e que havia aberto alguns shows d'A Chave do Sol no Teatro Lira Paulistana, no ano de 1985), houvera abandonado a banda, seduzido por um convite de última hora que sinalizara um cachê melhor para participar de uma apresentação com uma banda cover.  

Ora, com tudo marcado, mesmo a saber que eu já estava em outra sintonia há meses, e que não gostava daquela sonoridade, de minha parte, ele não teve como pensar em recorrer a um outro baixista, com o pouquíssimo tempo de antecedência que teve para cumprir tais datas. O Beto nem precisou pedir duas vezes, pela amizade e total consideração ao fato de que ele fora o responsável por ter mantido a chama acesa, desde a dissolução abrupta e sofrida da nossa, A Chave do Sol, portanto, é claro que eu me comprometi a colaborar.

Apesar de ter esquecido aquele material, bastou um audição para eu retomar tudo e não seria por falta de um baixista que a sua nova e renovada banda deixaria de se apresentar dignamente, e fazer o lançamento do disco. 

Então, foi uma das situações mais bizarras da minha carreira, pois eu fui tocar como convidado de uma banda que eu não pertencia mais, no entanto, houvera sido membro de sua, digamos, "encarnação anterior", mas que reformulara-se inteiramente e até um novo nome ostentava, e que por sua vez, em sua origem, fora uma banda montada emergencialmente para suprir as necessidades inadiáveis de uma banda recém dissolvida, chamada: A Chave do Sol! Em suma, foi para dar um nó na cabeça de qualquer um...

Bem, a nova formação dessa, "The Key", na verdade rebatizada pela terceira vez como: "A Chhave" (assim mesmo, com dos "H"...), consistia de Beto Cruz, como o único remanescente original d'A Chave de 1988. Pedro Loureiro (que pouco tempo mais tarde ficaria conhecido no mundo do Heavy-Metal, como "Kiko" Loureiro, guitarrista do Angra, e hoje em dia, membro da banda norte-americana, "Megadeth"), Gustavo Winkelmann, baterista (ex-aluno e roadie de Ivan Busic), e Marcelo Castilha, nos teclados.

Eu já tinha um compromisso no Rio de Janeiro para tais datas, mas o Beto ofereceu-me um arranjo pelo qual eu não perdi o meu apontamento, a viajar através da ponte-aérea, após a conclusão do segundo show, quando normalmente em outras circunstâncias, eu faria o trajeto de ônibus.  
Rara foto desse show de outubro de 1990, de autoria desconhecida, mas que uma amiga minha da época, Índia Dias, que era amiga da namorada do Edu Ardanuy, disponibilizou-me via Facebook

Bem, eu toquei nos dias 5 e 6 de outubro de 1990 (com público respectivo de setenta e cento e cento e cinquenta pessoas presentes), a ajudar o meu amigo, Beto, e os seus novos colegas, e certamente para confundir a percepção de muitos fãs ali presentes com a minha inesperada presença naquele palco. Foi bastante estranho estar ali presente e sobretudo pelas circunstâncias, por tudo o que já expus, naturalmente.  
O jovem e então desconhecido, guitarrista, Pedro "Kiko" Loureiro", outro menino prodígio que o Beto descobriu e projetou para o Rock brasileiro, mais detidamente a respeito do mundo do Rock pesado 


Todavia, também foi prazeroso poder ajudar o Beto e os seus novos companheiros, sem dúvida alguma. Sobre essa turma, aliás, não tenho grandes lembranças por ter estabelecido um convívio tão curto. Eu só conhecia muito superficialmente o baterista, Gustavo Winkelmann, por vê-lo em algumas ocasiões a acompanhar o Ivan Busic, com quem estudara e trabalhara como seu roadie, mas nunca havíamos conversado mais detidamente até então. Pareceu-me na hora que tinha uma boa técnica ao instrumento e poderia crescer como músico. 

Sobre o tecladista Marcelo Castilha, no pouco que conversamos, ele me disse que aquele som não era da sua predileção, e que a sua formação era mais jazzistica, em princípio.  

E sobre o Pedro "Kiko" Loureiro, pareceu-me muito determinado sobre o desejava da sua vida e ao aparentar ser ainda mais jovem que o Eduardo Ardanuy, quando este entrara naquela, "A Chave", de 1988, Kiko demonstrou também uma técnica impressionante, e totalmente calcada em guitarristas virtuoses da egrégora de Yngwie Malmsteen, Steve Vai e congêneres. Na sua performance pessoal, ele demonstrou uma postura de palco frenética, ao assemelhar-se ao Eddie Van Halen, a correr e pular o tempo todo, para demonstrar condição atlética, diferente do Edu que era bem comedido nesse aspecto, pois costumava tocar de forma estática, focado no instrumento.

Bem, para os propósitos da banda e no intuito de dar continuidade àquele trabalho, que foi o projeto do Beto, creio que mais uma vez ele descobrira um garoto prodígio para suprir tal necessidade de alto grau de excelência técnica. 

Um outro fato, o Beto havia mudado o seu nome artístico, aliás saíra grafado assim no LP "A New Revolution", cuja capa eu só fui conhecer ali nos bastidores da casa de shows, "Woodstock". Dentro dessa nova realidade, ele assinara como Roberto Malltauro, a suprimir o Cruz, sobrenome do pai. Malltauro segundo me contou, era o sobrenome da avó materna, e a troca de nome atendera a orientação de uma numeróloga que consultara, recentemente. Aliás, a banda também não era mais conhecida como: "The Key", mas doravante, "A Chhave", assim com dois "H", também por obra da orientação dessa estudiosa.

Um poster com a formação dessa nova fase da banda, com tais membros e nome renovado, chegou a ser publicado na Revista Rock Brigade, em 1990, mas logo de início, o novo baixista já havia saído, sem ao menos ter feito um show sequer.  

O poster citado acima, a mostrar a derradeira tentativa do Beto em manter a banda na ativa, com formação inteiramente renovada e até com mudança ortográfica no seu nome, publicado na Revista Rock Brigade, em 1990. Da esquerda para a direita em pé: Hermes, Pedro "Kiko" Loureiro, Marcelo Castilha, e Gustavo Winkelmann. Sentado: Beto Malltauro (Cruz) 

Tais agruras não me diziam mais respeito, é claro, mas eu torcia para o Beto obter sucesso, pois sabia de sua luta, que eu achava extraordinária, e certamente que ele merecia ter chegado a algum lugar melhor. Não sei dizer o que lhes aconteceu detalhadamente após esses dois shows que cumpri a título de ajuda fraternal. Sei apenas que logo após esses shows de lançamento do LP "A New Revolution", ainda ao final de 1990, o Beto recrutou um novo baixista para ser membro definitivo, chamado: Carlos Zara Filho, que era conhecido como "Zarinha", e este rapaz era filho do famoso, e já falecido ator, Carlos Zara.

Mas logo a seguir, essa banda dissolveu-se definitivamente, e ele, Beto, se mudou para os Estados Unidos em 1991, onde passou a viver desde então.  

Em meu caso, o fim houvera sido ainda em 1989, com a minha saída após a gravação do LP "A New Revolution", e essa participação em 1990, fora meramente ocasional, sem vínculos profissionais, e apenas por amizade.

Portanto, dou por encerrada a história dessa banda surgida nos primeiros dias de 1988, e que na sua curta trajetória, teve poucos momentos bons, mas que apesar das diferenças e incômodos inerentes, fica na minha memória como um exercício de luta pela sobrevivência e respeito pelas pessoas que se dispuseram a tentar manter uma chama acesa.

A seguir, faço as últimas considerações...
Continua...

Autobiografia na Música - A Chave/The Key - Capítulo 34 - Por Luiz Domingues


Entramos em processo de gravação do álbum, em julho de 1989. O Chicão, produtor, fechou acordo com um estúdio de bom nível, mas que não era badalado no meio, por ser novo no mercado. E exatamente por estar a iniciar as suas atividades, praticava um padrão de precificação mais acessível. Contudo, continha uma maquinário de primeira qualidade e as suas instalações cheiravam a tinta, com tudo novo em folha e instalado em um belo e amplo sobrado localizado no bairro do Alto de Pinheiros, que é um quadrante extremamente residencial do bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, e com a maioria das casas a se constituir de alto padrão, ou mesmo a tratar-se de mansões. Tal estúdio chamava-se: "Big Bang".

Um dos sócios foi Marcelo Galbetti, membro do grupo de sátira e humor, "Premeditando o Breque", banda contemporânea do Língua de Trapo, egressa portanto daquela cena da "Vanguarda Paulista", surgida entre 1979 e 1982, mais ou menos. O outro sócio, e que era o dono do imóvel, chamava-se, Marco Mattioli. 

Não ensaiamos muito, mas aquelas músicas eram bem rodadas, sendo que as tocávamos desde 1988, nos shows, portanto, não haveria o que temer em termos de perda de tempo nas tomadas básicas de gravação. A metodologia foi na base do um-por-um, portanto fizemos a captura da bateria mediante a guia no primeiro e segundo dia, com o Rapolli a gravar a sua parte com bastante eficiência.

De última hora, resolvemos gravar a canção: "No Quarter" do Led Zeppelin, e claro que seria inviável inseri-la no disco por conta da fortuna que seria ter que pagar as taxas à editora que controla tal canção, mas gostamos de ter uma versão nossa dessa canção épica, talvez pelo simples prazer de ouvir em casa, secretamente. Contudo, na hora da mixagem, claro que tal devaneio foi descartado e muito provavelmente essa versão foi apagada ali mesmo em 1989, assim que deixamos o estúdio e o próximo cliente precisou usar usar as fitas, prática comum em estúdios profissionais, diante da tecnologia analógica ainda em curso.

A música: "Before the Bridge Falls Down", era uma versão com outra letra de "Sun City", do repertório d'A Chave do Sol, e acho hoje em dia muito constrangedor que tal canção forjada nesses termos, tenha sido inserida no LP, embora muitas modificações na melodia principal houvessem sido efetuadas. Deveríamos na verdade, ter gravado uma música inédita e de fato, haviam várias que acabaram por ficar de fora da seleção final, caso de "Paralell Paradise", que era um tema instrumental do Fábio Ribeiro, muito inspirado no Prog-Rock setentista e bem bonito tema, na minha opinião.

Algum tempo depois, já em agosto, eu passei cerca de três horas da minha vida a gravar a minha parte, sozinho com o técnico, Michael Angel, em uma noite de sexta-feira, quando me lembro que ficamos a trabalhar e conversarmos animadamente sobre os anos setenta.

E nessa altura, foi tudo o que eu quis, ou seja, voltar para as minhas raízes e me livrar da década de oitenta. 

O clip da música: "When We Was Fab", do então mais recente disco do George Harrison, havia acabado de ser lançado, e aquele mergulho na nostalgia da psicodelia sessentista começou a me fazer crer que, sim, seria possível resgatar a minha verdade, e ela contrastava com o mundo oitentista hostil.
"Muito tempo atrás quando éramos fabulosos"... pois é, isso deu-me o "click" que eu precisava para dar um chute no pesadelo oitentista, e voltar a sonhar com minhas raízes 1960 & 1970. Apesar de que na letra da canção, Harrison não falar em nostalgia pelos anos sessenta, propriamente dita, para o meu aspecto emocional teve esse efeito, e daí, minha vida começou a mudar, de volta às minhas raízes. Não que as tivesse abandonado, isso jamais. Mas por um longo período (a década de oitenta inteira), convivi com a ideia de que tudo o que eu amava houvera sido destruído de uma forma irreversível 


Tal música em específico e o então novo disco inteiro do George Harrison ("Cloud Nine"), e mais o LP solo do Keith Richards também recém lançado em 1989 ("Talk is Cheap"), representaram um fio de esperança em meu combalido coração sessentista e o descarte do ranço oitentista em que me inseri por absoluta falta de escolha, estava prestes a ocorrer.

Um dissabor ainda na gravação da guia do disco d'A Chave/The Key, reforçara tudo o que enfatizo. Ao ouvir as convenções que eu e Rapolli havíamos criado para enriquecer algumas canções, o Edu pediu para não as gravarmos, mas fazermos uma base simples, pois julgava que aquelas frases o atrapalhavam nos seus solos. Bem, reduzido a um baixo reto, quase sem frases, a gravação do disco tornou-se ainda mais penosa para a minha participação. Portanto, esse trabalho é certamente o mais simples que eu fiz em minha carreira inteira, com uma participação pífia, a tocar baixo contínuo, em uma nota só, na maior parte do tempo, de forma medíocre.

Aborreci-me tanto com isso e somado à toda a insatisfação acumulada desde 1988, que desliguei-me completamente dessa produção, fato raro e que me entristece, pois eu sempre gostei de acompanhar todo o processo, da pré-produção à mixagem final. Mesmo alheio e chateado, ainda acompanhei a gravação dos companheiros, para lhes ofertar uma dose de apoio moral, mas nessa altura, o Beto já sabia que eu estava desligado da banda.

Aliás, esse comunicado já havia sido feito antes mesmo de entrarmos no estúdio, quando ele pediu-me para eu gravar o disco. É claro que não o deixaria desamparado, tampouco os companheiros e o produtor, Chicão, que estava super entusiasmado e a gastar muito dinheiro.  

Lembro-me de ter visto o esforço que o Fabio fez para gravar várias camadas de teclados, inclusive ao alugar um órgão Hammond e a sua respectiva caixa Leslie, do Fernando Costa, o "The Crow", que deu um trabalho incrível para ser levado à sala de gravação, que só era acessada mediante uma ínfima e perigosa escada espiral. Portanto, o entendo perfeitamente quando concede entrevistas e se sente contrariado pela mixagem ter arruinado quase que inteiramente os seus esforços, a transformar a participação dos teclados nesse disco, em uma mera base harmônica chinfrim, que não condiz com a técnica e criatividade de um músico de seu nível.

De minha parte, eu nem teria como me queixar da mixagem, pois não participei de suas sessões, já a me considerar fora da banda. De fato, o baixo está obscurecido, mas não importou-me muito, visto que as linhas que eu gravei são burocráticas, simples e sem grandes atrativos.

Todo o trabalho de produção da capa e encarte foi feito pelo Beto e pelo Chicão. A escolha da ordem das músicas, o texto da ficha técnica e escolha das fotos, e até mesmo o título do álbum, por eles escolhido. "A New Revolution" foi o nome escolhido para esse álbum.  
A capa foi obra de um rapaz chamado: Marcos Aurélio, com o logotipo a cargo de Sandra Regina Gonçalves Jacinto
 
Fotos da capa, de Eric de Haas, extraídas de dois shows no Dama Xoc, em São Paulo, em 1988 e 1989

Por problemas que eu nem sei dizer quais foram, pois eu já não fora mais membro da banda, esse disco só foi lançado no mercado, muitos meses depois, ao final de 1990, a tornar a sua divulgação, extremamente confusa.  Não tenho um recorte sequer de jornal ou revista com uma nota ou resenha sobre o seu lançamento. Nem sei se saiu algo de fato, mas claro que deve ter saído.

Não sei dizer quanto tempo mais os demais membros ainda ficaram com essa banda, pois a partir dessa obrigação moral de gravar o disco, eu me despedi. Creio no entanto, que ninguém ficou, pois eu soube a posteriori que o Beto iniciou logo a seguir, uma imediata reformulação da banda. Mas por motivos dos quais também desconheço, que eu saiba, tal nova formação não chegou a fazer shows ao final de 1989, tampouco no decorrer de 1990.

Contudo, por incrível que pareça, em outubro de 1990, quando finalmente o disco ficou pronto, o Beto me ligou para formular-me um pedido que soou como algo inacreditável pelas circunstâncias, mas que eu não poderia recusar em consideração à todo o esforço e sofrimento que esse amigo teve para manter a chama acesa...
Eis o link para ouvir tal álbum, "A New Revolution", em sua versão integral, pelo YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ZWpSUkxbthY

Continua...