sábado, 20 de agosto de 2022

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 77 - Por Luiz Domingues

Foi em 6 de abril de 2022 que Osvaldo Vicino e Wilton Rentero foram visitar o Laert Sarrumor em sua residência na cidade de São Vicente, no litoral de São Paulo e uma vez no aconchego de seu apartamento, além da boa conversa social e também a versar sobre as ações do resgate que o trio de cordas empreendera durante os anos de 2020 e 2021, tiveram a oportunidade de avançar, ao criarem um ensaio informal ali mesmo e grata surpresa, eles trabalharam com duas músicas do velho repertório que foram incorporadas ao esforço geral.

Em uma praia de São Vicente-SP, eis os três Boca's: Laert Sarrumor, Osvaldo Vicino e Wilton Rentero. 6 de abril de 2022. Click (selfie), acervo e cortesia: Wilton Rentero 

No caso, eis que os companheiros trabalharam com a música: "Astrais Altíssimos" e esta já era prevista no sentido de que estava programada para entrar no esforço da dita fase B do projeto. No entanto, a surpresa veio quando eu ouvi o áudio proveniente desse esforço, a dar conta de uma outra música com a qual trabalharam, no caso, a se tratar da peça: "Rock do Cometa". Confesso que não me lembrava da sua melodia, tampouco de sua harmonia, mas assim que ouvi a gravação que os companheiros registraram durante esse ensaio informal realizado na residência do Laert, eu relembrei, sim, da sua melodia e da letra, esta, plena de ironia, já a demonstrar a genialidade nata que ele, Laert, possuía nos idos de 1976, quando entrou para a nossa banda e nos mostrou essa, entre outras composições de sua autoria.

Da esquerda para a direita: Laert Sarrumor, Wilton Rentero e Osvaldo Vicino. Na residência de Laert Sarrumor em São Vicente-SP, em 6 de abril de 2022. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: Marcia Oliveira 

Então eu comentei no grupo de "Whatsapp" da nossa banda que estava muito feliz por esse acréscimo ao repertório e nesta altura já pudemos contabilizar a soma de oito canções recuperadas e prontas para serem preparadas com arranjos definitivos e portanto, a se tornarem aptas para uma possível gravação.

Laert Sarrumor sinaliza positivamente para a lente, com Wilton Rentero de costas no primeiro plano. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Lumen de São Paulo em 15 de abril de 2022. Click e acervo: Luiz Domingues

Para animar ainda mais, o Laert anunciou que no feriado que se aproximava (sexta-feira santa), ele teria uma entrevista para conceder à TV Sesc, a ser filmada no estúdio de São Paulo e que gostaria de enfim participar de um ensaio elétrico com a banda (incluso a participação do baterista, Nelson Laranjeira), a aproveitar a sua vinda à capital.

Na primeira foto, Wilton Rentero e Osvaldo Vicino e na segunda, Nelson Laranjeira, a preparar a bateria para o seu uso. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Lumen de São Paulo em 15 de abril de 2022. Click e acervo: Luiz Domingues  

Dessa maneira, conseguimos adaptar o ensaio ao compromisso midiático do Laert e marcamos no estúdio Lumen do bairro da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, às 16 horas. 

Nessa ocasião, foi fantástico termos o Laert conosco a participar, até que enfim, após tantos ensaios que realizamos reduzidos a um trio e alguns poucos com o apoio do baterista, Nelson Laranjeira.

Confraternização pós-ensaio. Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues), Nelson Laranjeira, Laert Sarrumor e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Lumen de São Paulo em 15 de abril de 2022. Acervo e cortesia: Osvaldo Vicino. Click: Mara

Claro, em um ensaio mediante apenas duas horas, não seria possível passarmos as seis músicas com as quais trabalhávamos e com o acréscimo de mais duas recentemente anexadas conforme eu expliquei acima. Portanto, passamos apenas as seguintes peças: "Serena", "Centro de Loucos", "O Mundo de Hoje", "Mina de Escola" e "Rock do Cometa".

Em "Centro de Loucos", o Laert propôs uma sutil mudança, ao sugerir que o solo do meio fosse um pouco encurtado e assim, mediante dois módulos e não quatro como estávamos a ensaiar anteriormente, houvesse uma volta para a parte A e não diretamente à B, do refrão. Dessa maneira, conforme prevíamos e está relatado nesta autobiografia em capítulos anteriores, já esperávamos que o Laert solicitasse tal modificação, pois de fato, a parte cantada estava curta no mapa anterior, em detrimento de um solo muito longo.

Já em "O Mundo de Hoje", a modulação que ele criou na melodia ficou tão sensacional que realmente enriqueceu a música de uma maneira significativa, inclusive com direito à vocalises na interpretação, a evocar a linha de interpretação de cantores de Blues e Blues-Rock com muita desenvoltura. 

E houve o acréscimo dele também haver sugerido uma modificação no arranjo, ao criar de improviso uma declamação na parte final em compasso 6/8, com direito a incrementar a dinâmica, para crescer com ênfase e terminar a música no clímax. Ótima ideia, gostamos muito da sugestão e já providenciamos a modificação com direito a uma filmagem dessa tomada.

No corredor das salas do estúdio Lumen, no momento pós-ensaio. Da esquerda para a direita: Nelson Laranjeira, Laert Sarrumor, eu (Luiz Domingues), Osvaldo Vicino e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Lumen de São Paulo em 15 de abril de 2022. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: Mara

Outra ideia que pairou, foi criarmos uma introdução mais longa para "Serena", ao acrescentarmos um elemento Prog-Rock à canção. Deixamos para pensar nessa possibilidade posteriormente para não desperdiçarmos tempo de ensaio, mas a ideia pareceu que agradou a todos sob uma primeira instância.

Filmamos uma tomada de "Mina de Escola" e o Laert recordou de alguns versos que escrevera em 1976, e do qual nós não havíamos nos lembrado até então. Ótimo, quanto mais próximo da originalidade da criação setentista, melhor.

E finalmente, gravamos uma versão livre do "Rock do Cometa", ainda sem um mapa estabelecido, mas pela filmagem, ficamos muito contentes por verificarmos o potencial da música, fortemente baseada no Blues-Rock sessenta-setentista, com influência dos Rolling Stones em alguns aspectos e do Led Zeppelin em outros.

Muito bem, a ideia doravante foi seguirmos em frente na fase B do projeto e já de antemão a assumirmos que a fase A teria uma parte 2, adicional, ao incorporarmos as modificações sugeridas pelo Laert e partirmos para a elaboração do arranjo definitivo das seis primeiras canções. Em suma, trabalho a se intensificar e a nos motivar ainda mais.

Continua...

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