Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
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sábado, 9 de novembro de 2013
Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 129 - Por Luiz Domingues
Ocorreu que na ida ao Teatro Clara Nunes (em Diadema / SP), quando estávamos na Kombi, uma conversa surgiu sobre ensaios com o novo baixista que substituir-me-ia, e o Laert, exaltou-se.
Não falou-me diretamente, mas em volume alto para que eu ouvisse, disse para outro interlocutor, que eu merecia receber meio cachet nos últimos shows que faria, pelo transtorno que estava por causar-lhes. Claro que fiquei chateado, mas permaneci em silêncio, para não conturbar ainda mais o ambiente.
Ele teve razão em estar aborrecido comigo, por que eu estava a repetir um padrão. Foi a segunda vez que eu deixei a banda; e apenas dez meses haviam transcorrido, desde que eles convidaram-me a voltar. Foi certamente, muito desagradável o que eu estava a cometer, reincidentemente.
Por outro lado, eu havia deixado muito claro, desde a primeira conversa, ocorrida ao final de setembro de 1983, que eu que tinha uma banda autoral, e não estava disposto a deixá-la. Pelo contrário, pesava ao seu favor, o fato de que era uma banda de Rock, e o Laert sabia bem que esse sempre foi o meu objetivo primordial de carreira. Além do fato de que tal banda estava em fase de crescimento, e com o primeiro disco prestes a ser lançado, ficara inevitável provocar essa minha decisão em deixar o Língua de Trapo. Enfim, eu entendia o sentimento do Laert, pois mais ainda que os outros membros, o Laert devia estar bem aborrecido comigo. Isso só aumentava a minha angústia nesses dias finais, por conta dessa minha ligação de amizade com ele, mas também pela banda, em si. Se o Língua de Trapo não foi a possibilidade para estar em uma banda de Rock com a qual eu sempre sonhara, eu tinha raízes profundas com ela, por conseguinte. Dessa formação de 1984, eu, Luiz Domingues; Laert Sarrumor e Pituco Freitas, éramos as mais remotas sementes da banda. Portanto, eu também fui um membro fundador e original dos primeiros tempos, de 1979. Paciência...
Essa foi uma situação que jamais quis ter vivido, todavia, pela força das circunstâncias, infelizmente, tive que passar. Aproximava-se o próximo final de semana, e esse seria o meu último com a banda. O epílogo seria no Centro Cultural São Paulo, três shows, sob uma mini temporada...
Continua...
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