sábado, 9 de novembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 129 - Por Luiz Domingues


Ocorreu que na ida ao Teatro Clara Nunes, quando estávamos na Kombi, uma conversa surgiu sobre ensaios com o novo baixista que me substituiria, e o Laert exaltou-se. 

Não falando diretamente para mim, mas em volume alto para que eu ouvisse, dizia que eu merecia receber meio cachet nos últimos shows que faria, pelo transtorno que estava causando.

Claro que fiquei chateado, mas permaneci em silêncio, para não conturbar ainda mais o ambiente. 


Ele tinha razão em estar aborrecido comigo, por que eu estava repetindo um padrão. Era a segunda vez que eu deixava a banda; e apenas 10 meses haviam transcorrido, desde que eles haviam me convidado a voltar.

Era de fato, muito chato o que eu estava fazendo. 


Por outro lado, eu havia deixado muito claro, desde a primeira conversa, eu que tinha uma banda autoral, e não estava disposto a deixá-la. 

Pelo contrário, pesava a favor dela, o fato de que era uma banda de Rock, e o Laert sabia bem que esse era o meu objetivo primordial de carreira. 

Fora o fato de que a banda estava em fase de crescimento, e com o primeiro disco saindo do forno, ficava inevitável provocar essa minha decisão de deixar o Língua de Trapo.

Enfim, eu entendia o sentimento do Laert, pois mais ainda que os outros membros, o Laert devia estar bem aborrecido comigo.

Isso só aumentava a minha angústia nesses dias finais, por conta dessa minha ligação de amizade com ele, mas também pela banda, em si. 


Se o Língua de Trapo não era a possibilidade de estar numa banda de Rock com a qual sempre sonhara, eu tinha raízes profundas com ela.

Dessa formação de 1984, eu, Laert e Pituco éramos as mais remotas sementes da banda. Portanto, eu também era um membro fundador e original dos primeiros tempos, de 1979.

Paciência...

Essa foi uma situação que jamais quis ter vivido, mas pela força das circunstâncias, infelizmente, tive que passar.

Aproximava-se o próximo final de semana, e esse seria o meu último com a banda.

O epílogo seria no Centro Cultural São Paulo, três shows, numa mini temporada...



Continua... 

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