terça-feira, 19 de novembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 139 - Por Luiz Domingues

Serginho Gama
Sergio Gama e Silva, o popular Serginho Gama, entrou na banda praticamente quando eu saí pela primeira vez, em 1981. Ele é hoje, o segundo membro mais antigo da banda, só perdendo para o Laert nessa longevidade. É igual à parceria do Ian Anderson, com o Martin Barre, no Jethro Tull, ou seja, um verdadeiro fiel escudeiro do Laert.

Serginho é um grande músico; arranjador e maestro da banda, desde então. E aprendeu a ser um elemento cômico, apurando sua performance ao longo do tempo, e tornando-se assim, um músico importantíssimo para a banda, mas também importante como um ator de apoio às sketchs. Calmo, sensato e brincalhão nos bastidores, sempre foi um colega agradável comigo, ajudando-me com dúvidas de harmonia, logo que voltei. Também nos vemos sazonalmente, mas estamos conectados nas Redes Sociais. 


Além do Língua de Trapo, na atualidade, o Serginho mantém trabalhos paralelos, incluso um duo espetacular de violões com o baixista atual do Língua, Cacá Lima, onde fazem releituras sensacionais para clássicos do Rock 60 / 70, de forma instrumental e muito criativa e técnica.

Nahame "Naminha" Casseb


O Nahame Casseb, popular "Naminha", é um baita baterista, técnico e muito preciso. Sempre que detectava erro de andamento, ficava muito bravo no palco, pois não se conformava com os demais músicos da banda, por não terem essa percepção tão precisa quanto a dele. Mas fora esse perfeccionismo compreensível, era / é, um tremendo cara do bem, super brincalhão, alto astral.

Descendente de árabes, mas com olhos azuis, era muitas vezes chamado de "Lawrence da Arábia", uma brincadeira óbvia, e de cunho cinematográfico, aliás, um mote algum. à quase todos os "Línguas", incluso eu, éramos uma banda de cinéfilos, sem dúvida.

Algumas vezes, eu; ele e Serginho gama brincávamos de Rock Progressivo, nos momentos de soudcheck, paixão mútua entre nós três. Muitas vezes tocamos trechos de músicas do Yes, para equalizar a banda no soundcheck. Desinibido, contribuída também com a parte cênica, dentro do possível, pois para os bateristas sempre fica muito difícil fazer coisas além de sua função vital.


Naminha morou muitos anos no Japão, onde acompanhou grandes artistas da MPB, em shows naquele país. Nos encontramos em 1996, por ocasião do Show Tributo à Janis Joplin, organizado pelo Laert, e foi a última vez em que tocamos juntos. Nos falamos pouco atualmente, mas estamos conectados no Facebook. Naminha é fera  como side man de artistas da pesada da MPB, tendo acompanhado vários astros, incluso o grande Cauby Peixoto, com o qual tocou até os últimos dias desse grande cantor.

João Lucas

João Lucas é um grande músico; compositor; arranjador, e tem também uma veia de humor, muito legal. Enquanto os demais eram mais escrachados, o João trazia à banda, o elemento do humor sarcástico, de verve britânica.

Quando eu voltei à banda, em 1983, temia que pudesse ter um relacionamento difícil com ele, pelo fato de eu estar substituindo o seu próprio irmão. Ledo engano e grata surpresa, tornamo-nos muito amigos e ele foi um dos que mais sentiu a minha saída, em 1984.

Um homem muito culto, educado e de memória incrível, fora a paixão pelo rock; anos 60 e cinema, era óbvio que ficaríamos muito amigos. Morador do bairro da Vila Olímpia, há muitos anos, morava na mesma rua da escola onde estudei, de 1968 a 1976. Não nos conhecemos nessa época, mas tínhamos as mesmas raízes, lembranças, e só quem conhece bem aquele bairro da zona sul de São Paulo, sabe o que é o barulho de um Boeing passando a menos de 200 metros de nossas cabeças...

Outra paixão mútua nossa, era a cidade de São Paulo. Contrariando a média normal das pessoas que adoram odiar São Paulo, eu e João Lucas somos apaixonados pela Pauliceia. Essa paixão da parte dele, expressava-se às vezes de forma muito engraçada. Nunca esqueço-me de uma ocasião indo à uma cidade do interior, estávamos chegando na referida localidade, ainda sob a escuridão da madrugada, e com as ruas completamente desertas. Dormindo na poltrona da "janelinha" do ônibus, acordou quando alguém exclamou que estávamos chegando, e sonolento, olhou pela janela. Só havia um gato andando preguiçosamente pela rua deserta e ele disse : -"o que acontece numa cidade dessas : Veja a grande novidade...um gato acabou de passar"...
Essa piada nos acompanhou durante o dia inteiro...


O João Lucas deve tomar banho de formol. Fiquei anos sem vê-lo, e quando nos encontramos em 2005, no camarim do Sesc Pompeia, ele parecia ser o mesmo colega que tocava comigo em 1984 ! Falei-lhe isso, claro...
Recentemente (cerca de 2012), nos conectamos no Facebook e conversamos bastante. Geralmente sobre política, mas a música e o Rock em específico, também são objetos de nossas animadas conversas. Um grande cara !

Tenho visto o João Lucas anunciando composições suas sensacionais na Internet, fortemente influenciadas por compositores como Burt Bacharah; Henry Mancini e Ennio Morricone, entre outros. São temas instrumentais perfeitos para tornarem-se trilhas de filmes, uma de suas paixões e aliás, minha também.



Continua...

2 comentários:

  1. Oi, Luiz, tudo bem? Obrigado por colocar minha foto no lugar da do Marcelo Moraes, grande amigo de colégio e de Cásper. Também participei um pouquinho dessa história, pois os fundadores eram todos meus colegas de faculdade e eu vivia tocando violão pelos corredores com o Carlos, colega de classe. Na foto, sou eu: Wagner Amorosino...

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    1. Fala, Wagner !

      Antes de mais nada, peço desculpas pelo lapso, é claro. Quando procurei fotos de Cassiano Roda e Marcelo Moraes para ilustrar o capítulo, simplesmente não encontrei nenhuma do Marcelo e só encontrei o nome dele, estilizado como logotipo.

      E no caso do Cassiano, me confundi totalmente, achando ser ele na foto com o violão.

      Mas como deixo claro na minha autobiografia, estou 100 % aberto para fazer correções, adendos etc.

      Claro que nesse caso específico de sua foto, tomo providências imediatas.

      E lhe agradeço pela oportuna correção, enriquecendo o texto.

      Grande abraço !!

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