quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 126 - Por Luiz Domingues


O clima nesses dias finais para mim, era de melancolia por estar deixando de novo o Língua de Trapo, e causando uma mágoa pessoal ao amigo Laert.
 

Mas também haveriam tensões nesses últimos momentos, que intensificavam a necessidade urgente de interromper esse processo de estar em duas bandas autorais, simultaneamente. 

Por exemplo, no final de semana que sucedeu o show que fizéramos em Ribeirão Preto, tive problemas com as duas bandas.

O show de Ribeirão Preto, que relatei no capítulo 125, caiu numa quarta-feira. Na noite anterior, eu havia gravado participação no programa "A Fábrica do Som", da TV Cultura (já relatado no capítulo da Chave do Sol, e que se trata daquela aparição onde joguei o compacto recém lançado da banda, para alguém da plateia, e ele planou, e foi parar no teto do teatro do Sesc Pompeia).

E no final de semana, haveriam dois shows da Chave do Sol : um na sexta, e outro no sábado. 


Eu tinha consultado o nosso empresário, Jerome Vonk, bem antes, para poder confirmar os shows da Chave nessas datas, e ele confirmara que só tinha o show de Ribeirão Preto com o Língua de Trapo, naquela quarta-feira citada, e depois disso, só no final de semana seguinte, teríamos uma mini temporada no Centro Cultural São Paulo.

Mas quando se aproximou a semana do show de Ribeirão Preto, recebi a comunicação de que ele fechara um show de última hora, na cidade de Jundiaí, no sábado, mesmo dia em que já estava fechado um show da Chave do Sol, em São Paulo.

Apesar de todos os melindres de lado a lado, nunca nesses meses todos em que estive nessa corda bamba, houvera ocorrido uma situação limítrofe desse porte, e ironicamente, acabou ocorrendo
justamente nesse momento tenso, onde estava de saída do Língua de Trapo, e com um clima pesado no ar, devido à minha decisão de partir. 


O Jerome sabia de minha situação delicada, mas justificou falando que não teria cabimento não marcar esse show, só porque eu tinha esse conflito pessoal, e que isso eram os ossos do ofício.

Bem, ele tinha razão, era completamente fora de cogitação para a banda, recusar um show, ainda que marcado em cima da hora, pois a data estava livre e sua obrigação como empresário, era buscar o máximo de oportunidades para a banda. Perfeito, sem questionamentos.

Por outro lado, também seria uma absurdo eu dizer aos companheiros da Chave do Sol, que precisávamos cancelar o nosso show, devido ao fato de que teria que cumprir um compromisso com o Língua de Trapo, sendo que esse show da Chave fora fechado mediante consulta prévia de disponibilidade de minha parte.


Chata demais essa situação, mas por outro lado, confirmava a minha decisão de não mais equilibrar-me numa corda bamba, gerando insatisfações dos dois lados em que estava comprometido. 

Bem, havia uma possibilidade de conciliar esse conflito, e dessa forma, negociei com o Jerome, e também com meus companheiros da Chave do Sol, uma saída que minimizasse esse desastre logístico, onde cumpriria meu compromisso com ambas as bandas, com um mínimo de prejuízo para todos.

Isso vislumbrou-se na medida em que o show do Língua de Trapo em Jundiaí, seria num horário clássico (21:00 h), e o show da Chave, seria no horário "maldito" de meia-noite, portanto, havendo um esforço colaborativo entre as bandas, era possível fazer os dois shows.

No caso da Chave do Sol, seria um show no "Morro da Lua", aquela pista de motocross, onde houvéramos tocado em junho de 1983 (história que está contada nos capítulos sobre "A Chave do Sol"). 


Como não era um teatro, tampouco casa noturna, nesse caráter de show livre, numa área inóspita, haveria uma flexibilidade de horário. 

Então, consegui com o Jerome, um acerto, no qual um carro me traria antes dos demais Línguas, como carona informal, adiantando-me na chegada à São Paulo. 

E da parte da Chave, o Rubens Gióia prontificou-se a buscar-me no ponto onde o carro me deixaria, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, a fim de levar-me para o "Morro da Lua, no Morumbi, zona sul de São Paulo.

Com esse esforço colaborativo mútuo, viabilizei cumprir os dois compromissos, ainda que dando margem à atrasos e pessoas das duas bandas se irritando com a minha manobra...



Continua... 

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