terça-feira, 19 de novembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 140 - Por Luiz Domingues

Lizoel Costa

Lizoel Costa era o mais engajado na música, quando o conhecemos no segundo semestre de 1979. Enquanto os demais eram estudantes envolvendo-se com a música, ele já colocava-se como músico profissional que estudava jornalismo. Através dele, tive oportunidades de ganhar dinheiro como músico, impulsionando-me por diversos trabalhos avulsos que realizei, através de suas indicações. tais histórias malucas que vivemos juntos nesses trabalhos, estão relatadas nos capítulos dos "Trabalhos Avulsos".

O Lizoel era uma figura muito legal no convívio, e certamente entre todos os membros, o que mais ligava-se em questões estratégicas de construção de carreira. Enquanto os demais "viajavam' sonhando com o sucesso, mas sem planificação objetiva alguma, ele enxergava na frente, sempre pensando na estratégia, aproveitamento de oportunidades, contatos etc.


Nessa época em que o conheci, décadas antes da Internet se tornar aberta e popular, ele carregava na bolsa um caderno com centenas de nomes e números de telefones de músicos. Era um cadastro que organizara, e de onde vivia indicando instrumentistas e cantores para diversos trabalhos. Sempre o procuravam lhe perguntando : -"Lizoel, preciso de um guitarrista para tocar tal estilo de música"...; -"preciso de um saxofonista para tocar Jazz"; "preciso de uma cantora de MPB"...
 

Ele parecia uma agência de empregos ambulante...e assim, ajudou muita gente a se colocar no mercado e garantir o pão nosso de cada dia.

Quando voltei à banda em 1983, sua veia natural para a logística e construção de carreira, estava ainda mais aguçada. Tivemos muitas conversas nesse sentido, e certamente que aprendi muito com ele.

Depois que o Língua de Trapo deu uma parada, por volta de 1988, ele engatilhou um trabalho com o ex-Secos & Molhados, Gerson Conrad, na verdade, formaram uma banda : "Banda Nacional", mas que não teve longa carreira, infelizmente. Na volta do Língua de Trapo, no início dos anos noventa, ele já não fazia parte da nova formação, e estava de volta à sua cidade natal, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde por muitos anos foi radialista de sucesso. Inclusive, falei com ele em 2006, visando divulgar o CD de estreia do Pedra, recém lançado na ocasião.

Com minha entrada na vida virtual em 2010, reativamos o contato através da extinta Rede Social Orkut, de onde soube que havia mudado-se para Brasília e trabalhava na ocasião como assessor de imprensa do Conselho Federal de Odontologia.


Infelizmente, tivemos uma péssima notícia sobre o Lizoel em 2014. Com muito pesar, anuncio que ele faleceu no dia 7 de maio desse ano, em sua cidade natal, campo Grande / MS, aos 58 anos de idade, vítima de uma aneurisma cerebral. 

Fico com as lembranças boas do tempo em que  trabalhamos juntos no Língua de Trapo, além de alguns trabalhos paralelos em que ele mesmo encaixou-me, dentro daquela prerrogativa citada anteriormente, exaltando sua capacidade de abrir portas para diversos músicos poderem trabalhar e ganhar dinheiro. 

Em 9 de maio de 2014, o programa "Rádio Matraca" realizou um programa especial em sua homenagem, que está disponível em arquivo permanente na Internet, através do Link abaixo, no site da emissora USP FM / 93.7 de São Paulo. 

http://www.radio.usp.br/programa.php?id=20

Abaixo, o Link da Folha de São Paulo, falando sobre o seu falecimento :

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/05/1451596-morre-aos-58-anos-o-musico-lizoel-costa-da-banda-lingua-de-trapo.shtml

Abaixo, o Link da Revista Rolling Stone noticiando também o falecimento do Lizoel :

http://rollingstone.uol.com.br/noticia/morre-lizoel-costa-da-banda-lingua-de-trapo/

Vá em paz, velho amigo e muito obrigado por tudo, "Bitcho" !! 

Pituco Freitas

Antonio "Pituco" Freitas, era um rapaz com potencial vocal espetacular quando o conheci em 1979. Mas no início, mostrava-se sério, compenetrado. Assim foi apresentado-nos nos primeiros difíceis da banda, até que um fato inusitado do destino mudou sua perspectiva artística. Graças ao nervosismo em enfrentar cinco mil pessoas num festival universitário de MPB, na cidade de Bauru / SP, em 1980, transformou-se completamente, e dali em diante, explodiu como um frontman de enorme desenvoltura cênica, praticamente um ator.

Como pessoa, um colega excepcional; amigo; prestativo e solidário. Por meio indireto, foi o responsável por eu ter conhecido o baterista José Luiz Dinola (por conta de seu irmão, o guitarrista Pitico Freitas), com o qual fundei e atuei com A Chave do Sol. 

Pituco vive no Japão há muitos anos, onde sedimentou uma carreira como cantor / violonista e compositor, voltando às suas raízes como um intérprete "sério", deixando o humor de lado, mas encantando os nipônicos com sua Bossa Nova muito bem tocada e cantada. 

Laert Sarrumor

Laert "Sarrumor", claro, sempre foi o centro irradiador, o grande dínamo de energia criativa da banda, e assim, tem sido até hoje, e sempre será.

Agradeço-o por ter levado-me ao "Grupo de Poesia e Arte Faculdade Cásper Líbero", inserindo-me num novo núcleo, de onde eu supostamente não fazia parte inicialmente. De certa forma, graças a esse gesto de amizade, garantiu que a semente do Boca do Céu germinasse, dando início à uma nova cria, que só um ano mais tarde, tornaria-se assim o Língua de Trapo. 


Como já disse, fomos nos encontrando posteriormente nesses anos todos, após a minha saída do Língua de Trapo em 1984, em muitas circunstâncias. Divulgando trabalhos meus de outras bandas em que fui componente, no seu programa de Rádio (Rádio Matraca - USP FM); encontros fortuitos em lugares inusitados (encontros de rua, como até numa papelaria certa vez); bastidores de shows; e pelo fato dele ter afeiçoado-se ao Pedra e ter assistido muitos shows dessa banda da qual fui componente, de 2004 a 2011 e 2012 a 2015. Fui à festas de aniversário dele, e mantemos um ótimo contato permanente, pelas Redes Sociais da Internet.

Quando encerrei o texto bruto da minha autobiografia referente ao Boca do Céu, aqui no meu Blog 2, mandei-lhe imediatamente o Link para que ele lesse tudo. Vivo instigando-lhe a escrever a sua autobiografia também. Ele, que já escreveu livros de sucesso (foi best-seller absoluto por várias semanas, inclusive), e tem o traquejo, faria / fará um trabalho magnífico. 

Todavia, em conversa reservada, disse-me que ainda reluta em dar início. De minha parte, tem meu apoio total, e nas partes onde nossas respectivas trajetórias cruzam-se, eu adorarei ter o ponto de vista dele sobre o Boca do Céu e o Língua de Trapo, bandas onde atuamos juntos. E revelo um dado que considero pertinente, e sei que isso não o aborreceria : na época do Boca do Céu, ele mantinha o hábito de manter um diário. Portanto, munido dessas anotações, ele tem tudo para escrever tal história com muito maior riqueza de detalhes do que eu fiz, pois minhas anotações de apoio resumiram-se a datas de shows; locais e respectivo público presente, além de formação da banda e uma ou outra ocorrência especial.

Bem, é isso...

Falei de todos os músicos das duas passagens em que estive na banda, os membros honorários que muito contribuíram para o sucesso dela, e de todos os que estiveram mais diretamente ligados à sua produção. Agradeço a cada um pela oportunidade de ter feito parte dessa história.

Último capítulo dessa importante etapa de minha trajetória musical.

Encerrando, pelo desculpas pelas saídas que tive de efetuar, e pelas mágoas e transtornos decorrentes desses dois atos desagradáveis que cometi contra a instituição Língua de Trapo. Sinto orgulho de ter feito parte dessa história. 


A banda está em atividade até os dias atuais (no ano de 2016, quando encerrei o texto bruto da autobiografia, o Língua estava prestes a participar da premiação do Grammy Latino, nomeado em várias categorias pelo seu último e ótimo álbum, lançado nesse ano, denominado "O Último CD da Terra"), espero que assim prossiga por muitos anos, arrancando as gargalhadas sinceras do público, e também o fazendo pensar, pois o humor do Língua não é o popularesco, mas sim o de poder reflexivo.
Quando o Língua de Trapo provoca risadas nas pessoas, elas riem de si mesmas, refletidas no espelho, vendo que a sociedade e o poder político e econômico, são meramente reflexos da nossa própria mentalidade. Riem, mas pensam a seguir. 


Meu muito obrigado à todos que estiveram comigo nessas duas etapas de minha carreira. 

Meu muito obrigado ao Laert "Sarrumor" Julio Pedro Jesus Falci, um artista genial que conheci num dia em 1976, e que graças ao seu talento e perseverança, deu-me a mão, e puxou-me de um sonho impossível para a realidade da música e da arte.

Vida longa ao Língua de Trapo !!

Daqui em diante, a minha autobiografia na música segue com os capítulos dos Trabalhos Avulsos.

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