terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 80 - Por Luiz Domingues

Quase véspera de natal e Os Kurandeiros ainda em atividade a coroar o ótimo ano em que 2017, revelou-se para a nossa banda, dada a profusão de apresentações a formatar uma agenda robusta e de certa forma a contrastar com a crise generalizada pelo qual o país ainda atravessava como um todo e com seu reflexo imediato no show business. Portanto, fomos com alegria novamente ao palco do Santa Sede Rock Bar, para mais uma quinta especial, desta feita em 21 de dezembro de 2017.
Os Kurandeiros em ação no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 21 de dezembro de 2017. Clicks : Lara Pap

E coroando a ótima temporada que realizamos nessa casa em novembro, com direito a dois shows extras em dezembro, o show do dia 21 de dezembro foi espetacular pelo quesito da "animação". Casa muito cheia e com momentos de euforia  bem proeminentes, deu-nos assim a sensação boa da reverberação perfeita que provocamos e cujo eco veio forte da parte do público, isto é, aquela decantada "sinergia" que sempre gostamos em estabelecer e nem sempre acontece, mas desta feita, veio forte, posso garantir e guardo na memória essa feliz conjunção de fatores que levaram-nos a tal resultado.
O tradicional "Walk Solo" de Kim Kehl pelas dependências da casa. Foto 1 : Kim Kehl. o guitarrista, Adilson Oliveira (Lee Recorda), e sua esposa sentada a gesticular. Foto 2 : A artista plástica e artesã, Pat Freire e Kim Kehl, além de estranhos nas imediações. Foto 3 : Da esquerda para a direita : Rogério Utrila (radialista e produtor musical); Sandra Marque (produtora musical); Gigi Jardim (produtora musical); Kim Kehl e mais afastados, Jani Santana Morales (produtora musical) e Adilson Oliveira (guitarrista e radialista. Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 21 dedezembro de 2017. Clicks : Lara Pap

Prestigiado por muitos amigos, foi também o show de natal rocker que veio a calhar para uma confraternização tão especial.
Uma boa nova, ainda nessa semana, Kim Kehl comunicara à banda que estava trabalhando numa nova compilação, desta a selecionar tracks ao vivo de diversos shows e assim, abriu-se a perspectiva concreta para o lançamento de um álbum ao estilo "bootleg", contendo material ao vivo oriundo de várias ocasiões e não necessariamente tendo grande apuro no áudio. Pois no espírito de disco pirata, o que importa é a energia da banda, tornando-se facilmente um item colecionável e importante para todo fã. Portanto, ficaria para o começo de 2018, tal novidade alvissareira.

O Power Trio base dos Kurandeiros em ação no show de 21 de dezembro de 2017, no Santa Sede Rock Bar de São Paulo. Click, acervo e cortesia de Rogério Utrila
 
Mas o ano ainda teria um último compromisso e que realizar-se-ia num simpático espaço noturno onde apresentáramo-nos anteriormente por três vezes, nesse ano de 2017, que findava-se. O Tchê Café...
E assim, fechamos o ano de 2017 com um show no Tchê Café, simpática casa administrada por gaúchos radicados em São Paulo, próximo ao aeroporto de Congonhas. Clima de fim de ano, com a cidade vazia a ostentar uma facilidade incomum para a locomoção, foi fácil ao extremo chegar no endereço em questão, quando em outras ocasiões, normalmente geraria um certo cansaço pelo trânsito pesado em avenidas como a Rubem Berta e Washington Luiz.
A banda em ação no palco do Tchê Café. Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017. Foto : Lara Pap

Fizemos o soundcheck com tranquilidade e logo a seguir, iniciamos a apresentação. No entanto, assim que iniciamos a primeira entrada, o Kim sofreu com o amplificador ali disponibilizado, que apresentava problemas, mas após efetuarmos uma troca, com um outro aparelho, desta feita em ordem, foi incrível, mas o som no palco e via PA ficou bem encorpado e a preservar timbres com bastante qualidade, portanto, tal fator técnico aliado ao fato de que a casa lotou e mediante um tipo de público animado que interagiu bastante conosco o tempo todo, empolgamo-nos e fizemos um show bastante inspirado.
Outra foto da banda sob panorâmica geral. Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017. Foto : Lara Pap

Tivemos as presenças ilustres de Fulvio Siciliano e do também guitarrista, Vander Bourbon, a prestigiar-nos, além do vocalista Alexandre Ruger, que sendo um especialista em Rolling Stones / Mick Jagger, atua há anos em bandas tributos dos Stones (naquela atualidade em ação com a banda cover / tributo, "Rockinstones"), e este subiu ao palco para cantar conosco, duas canções dos Glimmer Twins : "Honk Tonk Women" e "Jumpin' Jack Flash", com uma atuação vocal e sobretudo pelo mise-en-scené, muito parecida com a performance do Mick Jagger, a demonstrar que realmente esmera-se em suas apresentações regulares, em bandas Tributo aos Stones. Mais que isso, Kim Kehl relatou-nos que Ruger era um músico com profunda formação erudita, tendo estudado composição e regência na Universidade e por ter nascido numa família com muitos músicos ligados à música erudita, daí sua sólida formação musical. Além de tudo isso, era um multi-instrumentista brilhante, portanto, mais um desses talentos incríveis que o Brasil não valoriza em detrimento em fomentar uma horrenda ode à subcultura e anticultura de massa no patamar mainstream. Acostumamo-nos a conviver com tal realidade atroz, mas um dia essa inversão de valores há de cair... 
A banda a posar na parte externa da casa, minutos antes de dar início ao espetáculo. Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017. Foto : Lara Pap

Foi uma noitada memorável pela euforia gerada e certamente coroou a última apresentação dos Kurandeiros em 2017, a poucas horas do encerramento desse ano e a anunciar o novo ano, 2018, que tinha tudo para manter a boa fase em que nossa banda estava. Como se não bastasse tudo isso, ainda tivemos o requinte em executar a releitura de uma canção do "Mixto Quente", banda pregressa da carreira do Kim, chamada "Desprevenida".
"Desprevenida" (Mixto Quente), ao vivo no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017.

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=41PFEl02-QA 

Os Kurandeiros no Tchê Café de São Paulo, em 30 de dezembro de 2017, com cerca de 50 pessoas presentes na casa. E assim, encerrou-se o ano de 2017, e cabe uma análise sobre tal período, que revelou-se tão fértil na carreira de nossa banda. 
Bem, o ano de 2017 mostrou-se muito produtivo para a nossa banda, não só pela agenda promissora que arregimentou 42 shows ao longo do ano, o que foi um expressivo resultado a levar-se em conta a nossa condição como artista a militar no patamar underground da música. Sem medo de cometer exagero algum, esse número foi tão extraordinário, que não tenho dúvida que ultrapassou a marca de muito artista de médio porte, com infraestrutura muito maior do que a nossa, portanto, foi extraordinário ter tido uma agenda tão boa, em meio a uma crise institucional e crônica que assolava o Brasil como um todo e com o dramático reflexo no âmbito do show business / área musical e cultural em geral e a amplificar-se ainda mais se considerar-se que especificamente, o funil cruel estreitava o nosso nicho de maneira a sermos tratados como outsiders dentro do minúsculo universo do Rock underground. Portanto, ser rocker atuante no panorama da avassaladora crise e da política de difusão completamente dominada pelos artífices da anticultura, representava uma morte lenta por inanição para qualquer artista, mas ante tal resultado, Os Kurandeiros tinham que comemorar e muito, por ter tocado ao vivo, tantas vezes, a alcançar uma média impressionante em contraste com as dificuldades imensas que desenhavam-se à nossa frente.
Mas não foi só pela construção de uma agenda histórica que deveríamos comemorar o ano de 2017. O fato de termos conseguido lançar mais dois álbuns, tratando-se de um CD com inéditas com formações anteriores ("Sete Anos"), e o outro sendo uma coletânea a mesclar material antigo e/ou engavetado e inéditas / ao vivo de nossa formação, incluso ("O Baú dos Kurandeiros"), também foi um ato heroico, a seguir a mesma linha de raciocínio anterior, ou seja, ante a crise geral; a derrocada da indústria fonográfica; a dispersão completa do público pela pulverização fútil proposta pela internet e principalmente pela massacrante formação de opinião a favor da anticultura etc. E ainda tivemos o convite a participar de uma coletânea coletiva produzida por terceiros, outra boa nova, via "Quem Sabe Faz Autoral / Volume 2". 

No campo do merchandising, graças ao dinamismo da produtora Lara Pap e com o total apoio incisivo de Kim Kehl, também foi um ano promissor, com muitos lançamentos a movimentar bastante não só o caixa da banda, como a produzir fatos novos em ritmo constante, portanto a agregar enquanto notícias geradas e bem comentadas pelas redes sociais da Internet.
Em suma, foi um ano muito bom para Os Kurandeiros e fora tudo isso que arrolei para ser comemorado, já abriu por conseguinte uma perspectiva alvissareira para 2018 ser igual, quiçá melhor, assim desejávamos, certamente. E a reforçar tal conceito com um dado concreto, ao final de 2017, os esforços por parte de Kim Kehl a produzir um novo álbum a ser lançado no início de 2018, a conter material gravado ao vivo pela nossa formação e com acréscimos de material mais antigo, a apresentar também gravações perpetradas por formações anteriores. Sendo assim, em 2017, levamos ao pé da letra a máxima proferida em 2016, quando a banda bradou aos quatro ventos : Seja Feliz ! Pois não só cumprimos tal profecia e passamos a revirar o Baú dos Kurandeiros com bastante vigor, mas também fomos tocar muitas vezes pelos palcos da Grande São Paulo, em 2017, ou seja, como dizia o Sérgio Sampaio : "botamos o nosso bloco na rua"...
Que viesse 2018, com mais um ano de labuta & realizações para Os Kurandeiros !!  

Continua...
 

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