sábado, 10 de setembro de 2022

Ponto, Vírgula e...Reticências... - Por Telma Jábali Barretto

Aprendemos após a alfabetização as pontuações que regem nossa escrita que, provavelmente, foram interpretações daquilo bem anterior já aconteciam na comunicação oral... pensamos ser assim muito daquilo que nos rege nas mais diversas áreas da vida humana acontece no processo civilizatório. E quão importantes são tais regrinhas na nossa vidinha... 

O viver em conjunto, em agrupamento, à medida que saímos do individual avançamos para dois e seguimos tomando mais e mais numerosos convívios, muitas acabam sendo as formas buscadas para harmoniosamente fluirmos entre nós, dessa forma que orgânica e naturalmente seguimos num passo a passo chamado evolução. E quanto mais complexas as individualidades mais complexas tendem a ser as negociações e acordos a conduzir nosso crescer...

O crescer, quebra da semente, origem, para florir, pode doer... Sabemos de regras mais concretas onde a força física já trouxe o tom de ‘acordos’ que à proporção que as conquistas mais subjetivas e carregadas de maior importância apareciam, seguimos nessa jornada, a todo momento, convidados pelas sagradas e importantes abrangências que as tais pontuações de qualquer convívio foram e serão percebidas. 

Aprendemos dessa maneira absolutamente instintiva, pela força da própria vida a nos superar criando e fabricando linguagens, marcações que, em nome de estar juntos, trocar, levar e receber, a dar e absorver num fluxo muitas vezes nem nomeado ou até consciente.

Necessidade do próprio existir nos insere criando mágicas tão intrínsecas da natureza em si mesma que sempre sábia, solene e transformadora começamos a estar no jogo, grande jogo, Maha Lila, que faz seu curso perene regido pela energia maior levando muitos e floreados nomes. Existe em cada um de nós um idioma, linguajar, música de acontecer que buscamos visceralmente encontrar para contribuir, comandar, servir, acrescer, dividir, multiplicar, abstrair, materializar e ... ... tantos e infinitos outros verbos proporcionais aos números de habitantes sejamos em cada contexto do menor até os mais complexos como planeta, processo cósmico etc ... que a Vida segue em nos sugerir, autorizar, estimular e inspirar ininterrupta, sem trégua e com as mais incríveis novidades que cada um terá que interpretar para fazer uso de seu espaço intransferível, único e com essa participação dar o tom numa imensa sinfonia, sempre harmoniosa de uma perspectiva grandiosa, atemporal e transcendente e pouco nítida para nós. 

Muitas vezes no enorme cenário observamos, somos ou intuímos o que parece como um ponto, encerrando um processo. Já, em outro lugar, percebemos a contribuição de uma vírgula que traz uma parada não conclusiva e só necessária ali a um fôlego e... ainda e muitas vezes... um tempo mais longo de reflexão, silêncio que, nem sendo fecho e nem intervalo, cria um respiro mais, talvez, misterioso que pesa, avalia, causa, sugere quase sempre mais interrogações, suspiros e indagações a depender do curso daquela comunicação, acontecimento ou fato. Parece essa ser a linguagem da vida, VIDA, que imitamos, melhor, por trazer em nosso DNA, nossa ancestralidade, nomeada ou não, fazemos uso, com ou sem critério, num processo em si mesmo organizado, ordenado, estruturado por onde avançamos no desvendar da própria individualidade gerindo, interferindo e acessando caminhos às vezes por vias bem tranquilas, serenas e claras e, em outras, nebulosas, lapidando e doendo bastante para entender quais sinais, símbolos ali estão... 

Seguimos e seguiremos, com mais ou menos discernimento, interpretando, subjetivando, ampliando olhares que vão criando marcas e deixando nossa impressão naqueles que convivem conosco e nas muitas pontuações que em nós fizeram nos múltiplos retalhos forjando quem somos nesse incessante fluir de respiros, tempos, paradas e continuidade aprendidos, respeitando os nossos intervalos (que nem sempre nós mesmos entendemos?!...?!) e de todos os demais (menos ainda sabemos porquês... e... ?!...), da vida ou trazidos pelas circunstâncias. Loongooo, encantador e desafiador esse alfabetizar proposto pela Vida e voi-là ...

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Sudha Raja Yoga.

7 comentários:

  1. Crescer não é evoluir, crescer é ficar maior. Evoluir é ficar melhor. Nem sempre vale a pena evoluir. Andar pra trás é o único jeito de te encontrar.Desconhecido

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    1. Evoluir penso que sempre vale...ainda que passemos, para isso, por dificuldades e dores em meio as descobertas. Inevitáveis são as quebras de paradigmas e?!... não costumamos gostar dessa etapa da jornada. Ainda e assim mesmo... da minha perspectiva, prefiro!
      Valeu mais uma vez por seu sempre atento comentário_/!\_

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  2. Temos a eternidade para darmos sequência em nossas reticências, virgulas, ponto e virgulas, só não temos ou teremos ponto final,. Belo texto. Abraços Adriano.

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    1. Honrada com seu "belo texto" sr. escritor!
      Sim! nunca ponto final. Só mesmo fechos de etapas que terão seu novo início a seguir com mais experiência acumulada.
      Grata demais por sua leitura e comentário. Na mas tê!

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  3. Foi somente a partir do século sétimo que a separação das palavras se tornou frequente e a partir do século nono que a acentuação e a pontuação, muito irregularmente aliás, foram postas em prática e ainda no século 13 aparecem manuscritos sem elas. Só no século 17 elas entram plenamente em uso. Os acentos não aparecem ainda nas primeiras gramáticas portuguesas, como as de João de Barros (1540) e Fernão de Oliveira (1536).... - Veja mais em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/sinais-de-pontuacao-origem-historica-dos-sinais.htm?cmpid=copiaecola

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  4. Olhe que interessante, Telma! Os sinais gráficos também foram evoluindo na história. Mais ou menos da forma que os conhecemos hoje, na língua portuguesa, tem menos de 500 anos. Para a civilização humana, de mais de 5.000 anos, no mínimo, apareceu somente ontem. Poderíamos pensar que caminhamos no processo evolutivo no mesmo passo que a língua? As formas de expressão mais antigas eram mais rústicas ou involuídas mesmo? Refletiam o que era a própria humanidade à época? A história conta nossa evolução... N A M A S T Ê _/\_

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    1. Que bela aula trouxe com esses esclarecimentos.
      Gracias, gracias hermano. E, sim!!! caminhamos a lentos e titubeantes passos, tomando posse de linguagens e tanto mais que envolva nossa autonomia.
      Seguimos, seguimos e SEGUIREMOS como costumo repetir.
      Valeu demais sua leitura, contribuição.
      Sempre e do coração NA MAS TÊ!

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