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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 4 - Por Luiz Domingues

Já havia notado o nível técnico do Zé Luiz, desde a primeira vez em que o vi tocar, por ocasião da gravação da demo, para a música do Pituco Freitas. Como já narrei anteriormente, isso ocorreu na sala de ensaios da banda, "Contrabando", que costumava abrir os shows do Made in Brazil, naquele período entre 1978 e 1981. 

O guitarrista do Contrabando, era o Tony Babalú, que tocou também no Made in Brazil, e nos dias atuais, é o dono do selo Amellis, onde o "Pedra" lançou o seu primeiro CD, no ano de 2006.
E mesmo ao saber desse nível técnico muito bom, eu só não o chamei antes do Edmundo, porque não o conhecia suficientemente. 
Como tinha mais liberdade com o Edmundo, por ele gravitar na órbita do "Terra no Asfalto", ao emprestar-nos a sua residência para os nossos ensaios; por ir aos shows, e até por ter tocado percussão com a banda, em um show realizado na cidade de Campinas, em 1980, pareceu-me uma escolha natural. Mas o Zé Luiz entrou, e se impôs automaticamente como membro oficial, pois eu e o Rubens não tivemos nenhuma dúvida, desde o primeiro ensaio. 
Nos primeiros ensaios, tocamos o nosso primeiro Riff composto pelos três, em parceria, que demorou alguns dias para obter um título oficial, e logo mais eu revelo qual foi...

E para montarmos um repertório rápido, tocamos sim, alguns clássicos do Rock. Tocávamos Jimi Hendrix (o Rubens desempenhava bem nesse quesito); Deep Purple; Queen; Ten Years After; Neil Young; Jeff Beck; Mutantes; Rolling Stones; e The Who, em um primeiro instante. O Rubens então tomou uma iniciativa inusitada e temerária: Marcou com a Dona Sabine, uma data no Café Teatro Deixa Falar, para o nosso show de estreia. Com a banda a engatinhar, passamos a correr contra o relógio para formar um repertório; ensaiar, e promover esse show debut e histórico.

A data marcada foi : 25 de setembro de 1982. Dessa forma, chegamos ante um dilema : O Rubens cantava de uma forma afinada, mas queríamos achar um vocalista com maior poderio, além apresentar naturalmente, uma desenvoltura de palco, ao estilo de um "frontman". Então, esbarrávamos em uma grande dificuldade : se mal conseguiríamos preparar a banda a tempo para esse show, como achar um vocalista adequado para dar conta desse recado ? Foi então, que o Rubens lançou uma ideia radical que gerou polêmica em princípio, mas que tornou-se a solução para esse primeiro show...
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Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 2 - Por Luiz Domingues

Então, mais ou menos em julho de 1982, marcamos um ensaio nas dependências do Café Teatro Deixa Falar, sob um oferecimento da Dona Sabine, que era mãe da namorada do Rubens à época (Mônica Maya). Cabe aqui um parêntese, o Café Teatro Deixa Falar tratava-se de uma casa noturna localizada na Av. Santo Amaro, em São Paulo, no bairro do Itaim-Bibi, na zona sul.
Ali, anos antes, funcionara o badalado, "Be Bop A-Lula", uma das casas mais Rockers da cidade. Praticamente todas as bandas da cena setentista, tocaram ali. Nas páginas das Revistas,"Rock, a História e a Glória" e "Pop", foram publicadas muitas matérias a enfocar shows com bandas da época, incluso gente de fora do universo Rocker, como Alceu Valença. A Dona Sabine, fora a proprietária do Be Bop a Lula, e com sua decadência, no início dos anos 1980, transformou-o em um bar, mas sem o mesmo glamour de outrora. 
Em 1981, eu apresentei-me ali com minha banda cover, "Terra no Asfalto", inúmeras vezes, e daí surgiu a oportunidade para conhecermos o Rubens, via Dona Sabine. Como ela era antiquária (possuía um enorme antiquário localizado na Av. Brigadeiro Luiz Antonio, quase esquina com a Rua Tutóia, no bairro do Paraíso, zona sul de São Paulo), costumava então decorar o bar com coisas muito exóticas extraídas de seu acervo da loja de antiguidades. E por ser enorme, o Café Teatro Deixa Falar possuía câmaras e ante-câmaras, labirínticas.
Entre tantos objetos exóticos, mantinha armaduras medievais; quadros com imagens de pessoas desconhecidas oriundas de séculos anteriores, e até uma múmia Inca. Isso mesmo, você não leu errado...  era mesmo uma múmia verdadeira, com aproximadamente mil e trezentos anos de idade. Na verdade, eram duas, pois dava para perceber que havia sido uma mãe que morreu ao tentar proteger o seu bebê. Aquelas duas múmias mostravam-se muito perturbadoras, e por isso, deixavam o clima do local, bem soturno, ainda mais se considerarmos que as paredes eram constituídas por simulações de formações rochosas, e a iluminação ambiente, provida por tochas, com fogo natural. 

Apesar dessa atmosfera fantasmagórica, o Deixa Falar foi uma casa que mesmo decadente, tinha boa infraestrutura de palco, e camarim, com iluminação de um teatro convencional, e essa atmosfera a assemelhar-se com um set de filme de terror. E para a minha percepção pessoal, havia a lembrança do Be Bop-A Lula, um ícone setentista, em minha imaginação.
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terça-feira, 25 de junho de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Jam com Jamaica Band) - Capítulo 47 - Por Luiz Domingues

Então ele pegou um violão, e passou a tocar diversas músicas do cancioneiro clássico da Bossa Nova, com uma destreza incrível, ao fazer aqueles malabarismos todos, típicos da Bossa Nova, para reproduzir acordes difíceis e sofisticados etc. Ao final, ironizou-me por eu ser "brasileño", e não tocar Bossa Nova, isso em meio aos gritos de regozijo de seus compatriotas. Confesso que fiquei chateado, não por não saber tocar Bossa Nova, cujo meu interesse pessoal sempre foi nulo, ou ser tecnicamente fraco ao violão, mas por essa demonstração desnecessária de escárnio, sob tom de desdém. Para que ? Era quase cinco da manhã, quando saí com meu baixo a perambular pela Av. Santo Amaro, a pé e muito receoso, pois o meu Fender Jazz Bass era meu "filho único" naquela época...
A sorte foi que não havia nenhum meliante no ponto do ônibus, e logo os comerciantes começaram a abrir seus estabelecimentos e o trânsito a aumentar, para amenizar um pouco o perigo iminente das madrugadas. E assim foi a minha apresentação única com a Jamaica Band, de Rudy e Nacho Smilari...


Abaixo, algumas informações sobre Nacho Smilari :

http://www.taringa.net/comunidades/losmismosdesiempre73/1304401/Nacho-Smilari-(el-violero-de-Equot;PoderEquot;).html

Achei essa informação em uma rede social argentino (Taringa), onde um release fala sobre a carreira do Nacho. Começa na banda "La Barra de Chocolate", onde o Nacho tocou em 1969, na Argentina.
 
Em seguida, tocou com o vocalista, Billy Bond em : "Billy Bond y La Pesada del Rock'n'Roll". Uma banda muito famosa na Argentina do início dos anos setenta.
Passou para o "Cuero" e depois formou a Jamaica Band. Recentemente, nesse show tributo ao Aeroblues realizado em Buenos Aires (a referir-me a um evento ocorrido em Buenos Aires, no ano de 2011 e com a presença do Rolando Castello Júnior, na bateria), Nacho participou, conforme vídeos anexos nesse link, postado acima.

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domingo, 23 de junho de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Jam com Jamaica Band) - Capítulo 46 - Por Luiz Domingues


Eu tinha desenvolvido um pouco de técnica à bateria nessa época, pois costumava tocar sob título de brincadeira nos ensaios, ou durante a passagem de som das apresentações do Terra no Asfalto, e sempre apreciei tocar bateria. Para falar friamente, se tivesse a oportunidade em voltar no tempo e mudar o passado, talvez tivesse optado pela bateria, e não pelo baixo, para você, ver, amigo leitor,  o quanto eu gosto de tal instrumento.
Então, ele propôs trocar comigo, e passou para o baixo, enquanto eu toquei muitas músicas na bateria. Claro, ao empreender ritmos simples e viradas discretas, pois não arriscaria nenhuma ousadia acima da minha pouca capacidade, principalmente por estar a tocar ao vivo, e com ingressos sendo cobrados, ainda que as pessoas não estivessem nem um pouco interessadas em nosso som totalmente improvisado. Havia cerca de vinte pessoas presentes, mas mesmo assim, quando sentei-me no banco da bateria, e apanhei as baquetas, olhei para as mesas e tive uma estranha sensação. Senti-me deslocado a tocar ao vivo, em público, com um instrumento que eu não dominava direito.

Eu tinha passado por uma experiência semelhante em 1981, quando toquei violão em algumas apresentações do Terra no Asfalto, ao executar uma parte imprescindível da música, "Two of Us", dos Beatles, onde os guitarristas, Wilson Canalonga Junior  e Aru Júnior não conseguiriam executar tal detalhe, por ter outros arranjos a cumprir na canção, em suas guitarras. Mas foi bem  diferente, pois nesse caso eu ensaiei bastante, e violão, pelo menos tratava-se de um instrumento mais familiar, por ser de cordas. Mas daí a tocar bateria, havia uma diferença. Tudo correu bem, apesar do cachet não ter sido uma maravilha e ao final, tive uma surpresa extra.


Cerca de cinquenta argentinos, rapazes e moças, que moravam no em São Paulo, apareceram quando já desmontávamos o equipamento. Então eles esqueceram-se de minha presença e passaram a falar muito rápido entre eles, para quebrar toda a minha ilusão de que o "portunhol" seria um caminho para entender o idioma castellaño...

E um dos amigos deles, tocava baixo. Emprestei o meu instrumento para ele tocar com seus compatriotas, mas ao final, ele estava bastante embriagado e saliente, quis provocar-me acintosamente.
Perguntou-me se eu tocava violão, e eu lhe disse que não, pois o meu desenvolvimento era mínimo nesse instrumento.

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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Jam-Session com Jamaica Band) - Capítulo 45 - Por Luiz Domingues

O Terra no Asfalto havia fechado as suas portas, em maio de 1982, todavia, ainda houve uma última tentativa de reformulação. Em princípio, eu (Luiz Domingues); Paulo Eugênio, e Gereba, tentamos de uma maneira bem insípida, continuar, e assim, com a missão de arrumarmos um novo baterista e mais um guitarrista, tentarmos remontar a banda. Através da Dona Sabine, uma senhora de origem, judaico-francesa, que era proprietária do Café Teatro Deixa Falar, fomos apresentados ao noivo de sua filha, um guitarrista chamado : Rubens Gióia. O Paulo Eugênio saiu do projeto dessa remontagem, logo a seguir, e após duas ou três reuniões de repertório com o Gereba, este também desistiu. Foi então que eu e o Rubens decidimos deixar para lá o projeto de uma banda cover e fundamos, A Chave do Sol, com o objetivo em fazer música autoral e batalhar por uma carreira. Mas nesse ínterim, enquanto A Chave do Sol fazia seus primeiros movimentos (ainda nem tínhamos chamado o músico, Edmundo, para ser nosso possível baterista e ele não o foi, de fato), a Dona Sabine formulou-me uma oferta : convidou-me a tocar com dois músicos argentinos, em uma noitada de sábado, e a oferecer-nos a bilheteria integral da noite, para dividir com los hermanos.

Eu questionei quem eram, o que tocaríamos e se haveria ensaios, mas ela disse que não sabia de nada. À medida que a data  aproximava-se, caí na realidade de que não haveria ensaios, e seria uma Jam-session, e não adiantava preocupar-me. A precisar ganhar um dinheiro urgente, não pude recusar a oferta, e assim, no dia 9 de julho de 1982, toquei com a "Jamaica Band", um duo formado pelos argentinos, Rudy (não recordo-me de seu sobrenome), e Nacho Smilari. Os hermanos chegaram ao Deixa Falar, bem falantes, e a mostrar-se simpáticos, pois logo disseram-me que faríamos vários temas, em torno do Rock; Blues; Funk; Reggae etc.
E só fui descobrir que o Nacho tinha fama, sob uma carreira bem significativa na história do Rock argentino setentista, bem depois...

Muito bem, montamos o equipamento, e começamos a tocar. Ambos tocavam bem e de improviso em improviso, fomos a conduzir a noite, sem grandes sustos ou constrangimentos, mesmo por que havia poucas pessoas a assistir-nos, e em sua maioria, formada por casais de namorados interessados em outro tipo de emoções, que não a nossa música feita por improviso... então, o baterista, Rudy, perguntou-me se eu tocava um pouco de bateria...


Continua...