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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Namoro de Gente Inteligente - Marcelino Rodriguez

Uma crônica com esse título, imagino, deve fazer as pessoas otimistas se espreguiçarem achando que é escrita para elas, com toda certeza.
 
Mulheres que estão buscando príncipes "bem sucedidos"
não sabem porque acabam ficando sozinhas, perplexas de nem desconfiarem do porque os tais príncipes não as enxergam.
Digo que essas mulheres devem começar a fazer uma avaliação
de que se os príncipes não as andam enxergando, quem sabe que é porque elas mesmas não são a realeza que pensam que são.
 
Só os idiotas acreditam em aparências. Só os bizarros buscam tesouros onde tudo está pronto.
Os cavaleiros da Távola Redonda nunca disseram onde se encontram, não fazem propaganda em lugar nenhum e desconfio até que andam por ai se fingindo de homens problemáticos e , claro, sem dinheiro.
 
Os filhos de Deus sabem que tem pai e mãe e reconhecem seus irmãos até dormindo. Até ligam de vez em quando para eles.
Minha namorada joga duro comigo. Disse-me que antes de terminar de ler Anna Karerina, nada de beijo na boca.
Faltava esse Tolstoi na minha formação. O todo poderoso é implacável. São as princesas que fazem os príncipes.


Marcelino Rodriguez é esporádico fixo do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos apresenta uma crônica onde faz importantes considerações sobre a expectativa das mulheres sobre os relacionamentos amorosos.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Para Viver um Grande Amor - Por Marcelino Rodriguez

As pessoas em geral , quase todas, sonham em viver um grande amor. Dia desses, um amigo meu solteirão que já andou quebrando a cara, disse-me com ar melancólico que gostaria de estar casado. Na primeira tentativa ele viu que sua amada falava, quando zangada, muitos nomes feios, como se fosse o Teodoro do bar.

Não fomos feito no projeto original para solidão. Adão se queixou no paraíso, suspirando, e Deus criou a mulher. O mundo de hoje, porém, anda perigosamente subvertendo a ordem natural das coisas e isso tem causado muita frustração em ambos os sexos ortodoxos e mesmo nos novos sexos modernos que estão surgindo.
A internet também criou o fenômeno dos cérebros e seres sem profundidade. Temos que ter cuidado com isso. Para viver um grande amor é preciso ir além dos cliks e das curtidas. Para viver um grande amor é preciso viajar para o coração do outro. Ai é que começa a ruir o castelo dos amantes modernos. Eles só querem receber do outro lado da tela, da linha, da ponte, da cidade, do país. Os amantes modernos são consumistas. Falta-lhes a grandeza literária e poética do ideal. O amor verdadeiro, que vai além mesmo do instinto, tem a ver com dar, não com receber.

As mulheres querem ser amadas, mas não se preocupam mais em agradar os homens. Existem até aquelas que nem pintam as unhas, o que é uma aberração. Já vi amigos meus em Copacabana chorando por seus travestis ultra-femininos.

Os homens estão perdidos. As mulheres de mercado não conhecem a grandeza do amor nos seus prejuízos e renúncias. São programadas para o falso sucesso das vitrines e slogans.

Os intelectuais ficam esperando encontrar a amada que dirá que seu poeta preferido é esse ou aquele, ou então que a amada aprendeu domar sua mente e sabe aplicar um reiki ou uma massagem. Ou que fale razoavelmente dois idiomas.
 
Uma mulher que não saiba cozinhar é um homem. O amor, acreditem, está acima da mediocridade. Quem não for capaz de matar ou morrer por amor, demita-se da pretensão de viver uma grande e verdadeira história. Não é coisa para covardes e acomodados. Viver um grande amor é coisa para quem tem um coração valente.

Para viver um grande amor é preciso estar comprometido com a vida do ser amado. O amor não é um acústico. Trata-se de coisa épica.


Marcelino Rodriguez é colunista sazonal do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica sobre um assunto que mexe profundamente com as pessoas, mas o foco nem sempre é o mais adequado para se lidar com a problemática...

Ilustração final: Carl Moroder