sábado, 13 de maio de 2023

O parto nosso de cada dia - Por Telma Jábali Barretto

Sempre lembramos da ciranda didática proposta pela vida que empurra para recomeços, novos inícios, após fecharmos ciclos quando deparamos com circunstâncias que já vimos não mais se sustentam, mantêm e... aí... quer estejam em nossos planos ou não?!... tudo conspira e se impõe. E mais um parto, mais uma etapa, mais um engatinhar e mais uma escola e sequência de aprendizados são alinhados e desafios seguem se apresentando num abecedário que, a depender de quão conscientes estejamos, tomam conta da vidinha corriqueira que, muitas vezes, simplesmente, exclamamos enfáticos “coisas da vida”. 

E sim! são mesmo coisas da vida mas, um olhar mais atento pode ou...?!... poderá aprender a tratar essas ‘coisas da vida’ como um curso, lição de casa, tarefa cotidiana que talvez nem sempre precisemos que se imponham, obriguem ou será que só mesmo assim, quando inevitável, damos passinhos, avançamos no caminhar desse aqui estar?!...?!... 

Por essa razão costumamos dizer que a vida, Vida, VIDA, tem sim uma proposta para nós, um projeto ou propósito, missão que, por vezes, preferimos não aceitar, encarar nem mesmo buscar, ou... buscamos ainda que, amedrontados, queiramos manter nossas sagradas seguranças no piloto automático (talvez e até inconscientemente?!...). Viver com esse enfado de ‘coisas da vida’, situações compulsórias conspiradoras ou inspiradoras para nosso crescimento, também parecem ser da agenda diária, mesmo quando não precisemos chegar a crises, impactos ou sacudidas que só assim, carregados pelos fatos, enfrentamos. 

Dessa forma ouvimos e repetimos para nós mesmos, ‘escuta o canto da Vida’ e esteja atenta a tons e semitons. Ouça com ouvidos, escute com atenção de quem aguça os sentidos, dos mais densos aos mais subjetivos para que didáticas não precisem gritar, chacoalhar para que despertemos com mais sutilezas e menos impactos parecendo bruscos. 

E, assim, por essa percepção que estamos em curso continuado, eterno aprimoramento, dizemos que essa jornada tem e sim um diário de bordo, norte e bússola... e que agucemos as antenas aos fluxos e convites que chegam em nossos mails, mensagens, avisos abundantes que ela, Ela, sábia envia seguidamente intuindo, inspirando para que os olhares, instintos da alma sejam ampliados, maximizados, extrapolados e as sintonias refinadas e acessadas das mais diversas maneiras usando o melhor de nossas possibilidades nesse se auto-parir constante, perene, nesse mar de existir e descobrir-se na Escola da Vida. E que assim seja, assim é, É, e sempre será... nos encontrando por aí, por aqui...

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga 

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 93 - Por Luiz Domingues

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, Wilton Rentero e o nosso convidado, Carlinhos Machado, na bateria. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. 23 de abril de 2023. Click e acervo: Luiz Domingues 

Foi então que nós demos mais um passo concreto ao marcarmos um ensaio com o baterista convidado, Carlinhos Machado, meu velho amigo d'Os Kurandeiros. Com o objetivo dele conhecer a música e se ambientar para criar a sua linha de bateria, tal apontamento ocorreu no dia 23 de abril de 2023, em um estúdio localizado no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.  

E não poderia ter sido melhor esse primeiro contato do nosso  convidado com a canção, pois o Carlinhos já havia se preparado previamente, mediante um vídeo de ensaio residencial perpetrado pelo trio de cordas anteriormente e que eu mesmo havia enviado para ele conhecer a canção. 

Carlinhos Machado, meu querido amigo d'Os Kurandeiros veio nos auxiliar nessa missão do resgate. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. 23 de abril de 2023. Click e acervo: Luiz Domingues

Dessa forma, já com esse conhecimento prévio, foi fácil para ele já sair tocando conosco e melhor ainda, já a criar a sua linha de bateria com bastante desenvoltura, a acrescentar sutilezas muito interessantes no seu arranjo pessoal, viradas bem bacanas e dinâmicas condizentes com o espírito da canção.

Satisfeitos com esse ótimo desempenho da parte do nosso convidado, passamos a música algumas vezes com bastante tranquilidade e filmamos três tomadas da canção através de diversos telefones celulares. 

Uma tomada da música: "1969" em ensaio realizado no dia 23 de abril de 2023. Boca do Céu no Estúdio Red Star de São Paulo. Filmagem e acervo de Wilton Rentero.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=u-v8FltlX88

Sob as bênçãos de Janis Joplin, da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues), Wilton Rentero e Carlinhos Machado, nosso convidado especial. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. 23 de abril de 2023. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: funcionária do estúdio

Felizes por tal resultado prático inicial tão bom, já tínhamos um novo ensaio marcado com antecedência, para o dia 7 de maio, desta feita com a presença do Laert e quem sabe de alguns outros convidados.

Antes disso, porém, após assistirmos os vídeos produzidos no dia 23 de abril, percebemos que talvez a música soasse melhor se estivesse um ponto atrás no beat. Havíamos testado o bpm 61, mas pairou no ar a possibilidade de testarmos o padrão 60 para o próximo ensaio.

Mais uma tomada da música "1969" em ensaio realizado no dia 23 de abril de 2023. Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para ver no YouTube: 

https://www.youtube.com/watch?v=up9_9rPScvQ

E também no decorrer dos dias posteriores, eu mesmo travei contato com os outros convidados para atualizar informações com todos e assim, avançamos sobre essa preparação prévia da participação deles como contribuintes dessa produção do Boca do Céu.

Da esquerda para a direita: o nosso convidado, Carlinhos Machado, Wilton Rentero, Luiz Domingues e Osvaldo Vicino. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Red Star de São Paulo. 23 de abril de 2023. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: funcionária do estúdio 

Com bastante tempo para focarmos em uma única música, eu penso que foi a melhor solução possível para fazermos o projeto ganhar um impulso extraordinário, a garantir imediatismo, empolgação e certamente a promover um choque de energia para que o resgate completo ganhasse enfim uma perspectiva concreta.

Sob a minha perspectiva pessoal, eu posso dizer que estive muito feliz nesses dias por enxergar enfim um passo adiante para o projeto.

Continua...

domingo, 7 de maio de 2023

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Caio Durazzo Trio) - Capítulo 122 - "Uma tarde de 2023, com sensação de 1957" - Por Luiz Domingues

Foi em meados de fevereiro de 2023, que eu recebi um recado do excelente guitarrista, Caio Durazzo, a me formular um convite para que eu participasse de uma apresentação do seu ótimo grupo de Rock'n' Roll/Rockabilly, "Caio Durazzo Trio" em um evento a ser realizado em abril do mesmo ano. Na ocasião, ele me dissera que a sua banda estaria desfalcada de seus dois companheiros fixos da formação por algum problema de agenda conflitante dos rapazes e que convocara a "cozinha" d'Os Kurandeiros, ou seja, eu (Luiz Domingues) e Carlinhos Machado para suprir a ausência de seus colegas e assim cumprir o compromisso.

Na mesma ocasião desse recado que eu recebera, inclusive, encontrei-me por coincidência com o Carlinhos Machado nos bastidores de um show do Língua de Trapo no Sesc Belenzinho de São Paulo e comentei com ele que tocaríamos juntos com o Caio, brevemente. Um mês depois, durante a ocasião de um ensaio d'Os Kurandeiros, o Carlinhos avisou-me que o Caio sinalizara que o baterista titular da sua banda, Rick Vecchione, tocaria normalmente e assim, somente eu seria o convidado especial desse aventado compromisso.

Dada a constatação de que o repertório escolhido seria formado por uma série de Rocks, Country-Rocks e Rockabillys de origem cinquentista, mediante harmonia simples, a dita "quadrada" em torno dos três acordes no padrão do Rock primordial, o Caio resolveu cancelar o ensaio previamente marcado e assim, só me passou a lista e a respectiva seleção de canções anotadas em uma "playlist" por ele elaborada para que eu a ouvisse durante a semana que precedeu o show.

O meu set de baixo pronto para ser usado na Cervejaria Madalena de Santo André-SP, a favor do "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click e acervo: Luiz Domingues

Muito bem, fui confiante para a casa de espetáculos, "Cervejaria Madalena" de Santo André-SP, baseado na certeza de que apesar da falta de ensaio, não teria problema de tocar o longo repertório, mesmo por que, teria total respaldo do Caio e do Rick para me guiar no palco em algum momento de dúvida sobre algum arranjo das canções escolhidas.

Fui o primeiro a chegar e fiquei impressionado positivamente com o fato de que a instalação da casa se mostrara muito grande. De fato, como sugerira o cartaz do evento, se tratou de uma ambientação em torno dos aficionados de motos, principalmente as antigas, com caráter "retrô" ou "vintage" como queira o leitor e além do mais, fora a grande quantidade de pessoas devidamente paramentadas a sinalizar o seu comprometimento com escuderias de moto-clubes & afins, impressionou-me também a quantidade grande de fãs da cultura cinquentista, homens e mulheres inclusive vestidos à moda dos anos cinquenta, a denotar ser um público cultuador de Rockabilly, sobretudo. Em suma, como diz uma letra de uma canção autoral do Caio Durazzo (e que inclusive nós tocamos nesse dia), "estou me sentindo em 1957".

Um casal com nítida predileção cinquentista acentuada, dança embalado pelos nossos Rocks clássicos direto dessa década primordial da história do estilo musical que defendemos. "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click, acervo e cortesia: Kadu Castro

E sob um forte calor, tocamos aquela seleção proposta pelo Caio Durazzo e de fato, devo confessar que me diverti muito ao interpretar um repertório tão raiz do Rock, algo inclusive inédito na minha carreira, pois eu já havia tocado clássicos cinquentistas muitas vezes em diversos momentos anteriores e com bandas e circunstâncias diferentes, mas jamais havia participado de uma apresentação temática desse porte a tocar exclusivamente um repertório tão centrado nessa década em específico.

A banda em ação. "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click, acervo e cortesia: Kadu Castro 

Outro ponto interessante dessa experiência, deu-se ao se constatar que nem só de clássicos genuinamente oriundos de astros cinquentistas nós tocamos, pois eu notei que algumas canções eram de artistas mais "modernos", dos anos oitenta em diante e que tinham ou tem essa característica como mote de suas respectivas obras, o que foi interessante.

A receptividade do bom público presente foi ótima, muito além do que eu esperava, aliás, no sentido de que eu dimensionei inicialmente que as pessoas ali presentes estariam mais interessadas em motos do que prestar atenção em uma banda e nesse sentido a se considerar o fato de que tenderiam a tratar a banda como uma atração de "lounge" e não como o centro das atenções da festa. Claro que muita gente agiu dessa forma e de fato, o ambiente era enorme e induzia as pessoas à dispersão. No entanto, fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que se aglomerou para nos assistir a tocar de perto e que não se furtou de prestar atenção, se divertir, dançar e aplaudir a apresentação.

A banda em ação. "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click, acervo e cortesia: Kadu Castro

O calor se mostrou muito forte. Da primeira para a segunda entrada, eu me senti cansado e desidratado, apesar de ter bebido bastante água. Não que tal fato tenha me surpreendido, pois eu sei que a idade já estava a pesar nos meus ombros nessa altura da carreira e vida, e isso fora uma constatação paulatina e não súbita a grosso modo. 

Todavia, tirante o efeito do calor e o fato de estar com uma agenda mais fraca em relação aos anos anteriores e com isso sem o devido traquejo natural para suportar a regularidade de apresentações constantes, eu sabia que o efeito da idade a avançar chegara como uma nova realidade para a minha carreira e dessa forma, eu precisava aprender a dosar a energia do palco, para não ficar sem forças em cima de qualquer palco. 

Bem, sentei-me no intervalo em um local mais arejado, bebi mais água ainda e na segunda entrada, me movimentei com maior precaução, a driblar o instinto juvenil de vibrar naturalmente com o Rock, mas a preservar o sexagenário que eu já era nessa ocasião, a caminhar rápido para a idade septuagenária naquele instante.

Mais um flagrante do espetáculo. "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click, acervo e cortesia: Kadu Castro

Tudo foi perfeito nessa apresentação, inclusive no tocante ao equipamento que usamos, bastante comedido em termos de potência sonora na teoria, mas que na prática, supriu de uma forma muito surpreendente e agradável a demanda. Tocamos confortavelmente e sem forçar o equipamento, apesar do ambiente ser enorme e a dispersão do som, ter sido inevitável.     

Só houve uma ocorrência desastrosa e que se revelou como um acidente. Ainda na primeira entrada e empolgado com tantos Rocks vibrantes e com reposta ótima do público, eis que eu fiz um movimento de "mise-en-scène" cuja resolução foi com o braço do instrumento apontado para baixo e por azar, uma mulher que estava bem perto do palco foi atingida no seu rosto pelo "headstock" do meu baixo. Bem, não foi por minha culpa, claro que eu não a atingi de propósito, e nem dela em tese, embora neste momento ela tenha sido um pouco imprudente ao colocar o seu copo de cerveja sobre o palco e estar ali naquele momento a apanhá-lo para beber. 

Assim que o choque ocorreu, eu vi que ela sentiu o impacto e se contrariou bastante, logicamente. Ainda a tocar, fiz contato visual com ela para lhe pedir desculpas e perguntar se havia se machucado com maior seriedade, mas ele evitou fitar-me, talvez constrangida ou com raiva da situação em si, acredito. Ninguém mais percebeu o acidente e logo a avistei a se divertir novamente, inclusive a dançar na frente do palco, portanto, deduzi que não se ferira com gravidade e que já esquecera do ocorrido.

Da esquerda para a direita: Caio Durazzo, Rick Vecchione e eu (Luiz Domingues). "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click (selfie), acervo e cortesia: Caio Durazzo

Encerrada a apresentação, eu estava bem cansado, contudo, menos debilitado do que ao término da primeira parte da apresentação, ou seja, acho que entendi o recado da natureza e ao economizar o dispêndio da energia, me preservei melhor. Ficou o recado do meu próprio corpo para estabelecer a postura a ser usada doravante, certamente.

Sobre o convívio e atuação com Caio e Rick, foi algo magnífico. Além de me ajudarem o tempo todo com sinalizações sobre o arranjo das músicas, foi um prazer enorme tocar com ambos. Eu já havia tocado com o Caio por sete ou oito vezes a bordo do grupo "Uncle & Friends", a defender o trabalho do nosso amigo em comum, Lincoln Baraccat, e em uma dessas ocasiões inclusive, com o Rick Vecchione na bateria. Portanto não foi uma novidade atuar com ambos, mas desta feita foi uma apresentação bem mais longa e recheada por clássicos cinquentistas, inclusive com algumas peças autorais do "Caio Durazzo Trio" que são centradas tematicamente nessa cultura da década de cinquenta. 

Foto da banda antes do show. Na ordem, da esquerda para a direita: Caio Durazzo, Rick Vecchione e eu (Luiz Domingues). "Caio Durazzo Trio" durante o evento "Retro Wheel's/Carburator Day". 2 de abril de 2023. Click (selfie) e acervo: Luiz Domingues

E assim foi essa minha boa experiência de tocar por mais de duas horas um repertório mergulhado na produção cinquentista e como diz uma das letras das músicas do Caio Durazzo Trio, algo como: "estar vendo as meninas dançarem para fazer a suas saias rodadas levantarem, os rapazes a balançar os longos topetes no afã de se parecerem com o Elvis Presley e os Cadillacs imensos e reluzentes a passar pelas ruas, como se estivéssemos em uma noite de sábado de 1957"...

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Noite de autógrafos de livros de Luiz Domingues + Show d'Os Kurandeiros - Instituto Cultural Bolívia Rock (ICBR) - 6/5/2023 - 19 horas

Noite de autógrafos dos livros: "Luz; Câmera & Rock'n' Roll" (três volumes) e "Humanos Pitorescos", de Luiz Domingues

Show d'Os Kurandeiros e lançamento da versão digipack do CD "Cidade Fantasma"

Dia 6 de maio de 2023 - Sábado - 19 horas (noite de autógrafos) e 21 horas (show)

Instituto Cultural Bolívia Rock (ICBR)

Rua Dr. Suzano Brandão, 537/543

Penha

São Paulo - SP

300 metros da estação Penha do metrô

Apoio: Matilda Produções/ Clube de Autores, Instituto Cultural Bolívia Rock, Webradio Stay Rock Brazil

terça-feira, 2 de maio de 2023

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 92 - Por Luiz Domingues

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu na residência do Osvaldo Vicino. 3 de abril de 2023. Click (selfie), acervo e cortesia: Wilton Rentero.  

Muitas questões foram debatidas no âmbito interno da banda, através do grupo do "Whatsapp", entre o final de março e início de abril de 2023. Ponderou-se sobre muitos detalhes pertinentes à produção desse primeiro "single" e claro que a animação foi geral por conta da obviedade desse projeto e quero crer, nem preciso explicar ao leitor que acompanha a minha autobiografia, sobre o significado simbólico dessa ocasião. Para definir bem o sentimento que experimentamos, basta avaliar que para qualquer banda, chegar em um momento de gravação de uma música isolada ou de um álbum completo, é sempre uma grande marca e assim, o que dizer desta banda que estava prestes a passar pela primeira vez por tal experiência, no entanto sob uma defasagem de quase cinquenta anos?

Emocionante, portanto, para se dizer o mínimo, foi esse momento de abril de 2023, com essa perspectiva concreta a bater na porta da nossa banda formada por "adolescentes sexagenários", como o Laert observou tão bem. 

Enfim, animação juvenil/geriátrica a parte, por ser eu o componente mais experiente neste caso de se empreender uma gravação, tomei a dianteira e comecei a organizar a pré-produção, inclusive a pesquisar estúdios. Fiz uma lista com mais de dez estúdios de amigos meus, cuja excelência musical eu tinha plena confiança e ao colher os orçamentos, muitos desses ofereceram espontaneamente desconto significativo em torno de suas tarifas costumeiras em prol da nossa amizade, mas mesmo assim, dada a realidade de que o patamar com o qual trabalhavam era alto, normalmente, ficou pesado para a nossa condição.

Somente um desses estúdios foi muito além da amizade quando ofereceu espontaneamente um desconto, que na verdade sinalizou vir a ser uma oferta inacreditável, a demarcar praticamente uma "bolsa de gravação", ultra generosa, e assim, ao passar a situação para os amigos, não houve dúvida de que deveríamos fechar negócio com esse estabelecimento. Tal resposta generosa partiu do estúdio Prismathias, no qual eu havia tido a ótima experiência de ter gravado um single em 2018 e um CD completo em 2021, com Os Kurandeiros e dali em diante, a amizade e a confiança no trabalho do seu proprietário e técnico de áudio, Danilo Gomes Santos se estabeleceu. 

Da esquerda para a direita: Wilton Rentero, Osvaldo Vicino e eu (Luiz Domingues). Ensaio do Boca do Céu na residência do Osvaldo Vicino. 3 de abril de 2023. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click (selfie): Luiz Domingues 

Fechado com o Danilo, entramos no processo da pré-produção para a gravação da música: "1969" e assim, mediante um último ensaio caseiro do trio de cordas, ajustamos mais alguns detalhes do arranjo das guitarras.

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu na residência do Osvaldo Vicino. 3 de abril de 2023. Click (selfie), acervo e cortesia: Wilton Rentero.

Em termos de pré-produção, fechamos com a ideia então de convocarmos o Carlinhos Machado, meu amigo e companheiro n'Os Kurandeiros, a seguirmos uma ideia lançada pelo Laert, que sugerira em reunião anterior que o disco fosse gravado por muitos bateristas em face ao fato do nosso baterista original, Fran Sérpico, não tocar mais há muitos anos. 

Sabíamos que o cunhado do Fran, Nelson Laranjeira, havia participado de alguns ensaios conosco anteriormente em 2020 e 2022 e que se tornara um candidato a ocupar a vaga de baterista para se gravar possivelmente o álbum inteiro, mas quando o Laert lançou essa ideia alternativa em uma das nossas conversações mais recentes, ponderou-se que nesta primeira gravação de um single isolado, talvez fosse mais conveniente se convidar um baterista mais experiente em termos de gravação de estúdio e dessa forma, chegou-se no nome do Carlinhos Machado com o qual eu já havia gravado vários discos em favor d'Os Kurandeiros e pelo fato dele ser amigo do Laert há décadas, também. Com essa configuração fechamos o "núcleo duro" para realizar tal gravação da base primordial, mas haveria a presença de outros convidados para colaborar, igualmente.

Continua...

domingo, 30 de abril de 2023

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 446 - Por Luiz Domingues

Na mesma predisposição, eis que eu também preparei o promo de duas músicas jamais gravadas de forma oficial em álbuns, porém presentes na segunda demo-tape que gravamos em outubro de 1986.

Ambas são canções que refletem bem a preocupação que tivemos na ocasião, a refletir a intenção com a qual as gravamos para a demo, ou seja, buscarmos o caminho Pop midiático e fonográfico que almejávamos, mas que não foi possível atingir, infelizmente.

Falo sobre "Desilusões" e "Trago você em meu coração", ambas com seus méritos pelos atributos, devo destacar. "Desilusões" chegou a entrar para a programação da rádio 97 FM de Santo André-SP, que era a mais importante rádio Rock de São Paulo, apesar de operar em uma cidade vizinha. A canção, "Trago você em meu coração" também tocou na programação dessa emissora, mas não com igual constância. Isso prova que se nós tivéssemos assegurado um contrato com uma gravadora "major" na ocasião e as tivéssemos gravado, elas teriam potencial para o sucesso comercial, em tese.

Bem, eis abaixo as versões dessas músicas para "promo" ou "clip". Primeiro: "Desilusões".

"Desilusões" - A Chave do Sol - Clip 2023  

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=zn8qmAIUPeg 

"Trago você em meu coração" - A Chave do Sol - Clip 2023

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=qmRxjZyx2Fs

Ao dar prosseguimento nesse esforço adicional, eu também providenciei clips para mais duas músicas cujas faixas já compunham os discos "bootlegs" lançados em 2020/2021, e cujos áudios já estavam representado pela capa desses discos, nos meus canais de vídeo.

"Intenções" - Ao vivo em 1985 - Clip 2023

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=I1ej-chZETU

E para encerrar essa fase dos clips adicionais mediante painéis com imagem fixa, eu escolhi a música: "O Cometa", um Hard-Rock ainda com boa influência setentista na sua formatação, embora a predisposição dessa fase da trajetória da nossa banda (após a entrada do Beto Cruz na formação), tenha sido marcada pela adequação do nosso repertório ao padrão Hard-Rock oitentista e com o farto acento Pop como uma meta a ser perseguida e nesse sentido, é compreensível que essa canção em específico tenha sido gravada, sim, em uma demo-tape, mas pouco executada ao vivo e descartada completamente para a gravação do LP The Key de 1987. 

"O Cometa" - Clip 2023

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=62fueV9RP74

E assim, eu garanti mais uma versão para a interpretação rara da música "Intenções" ao vivo em janeiro de 2015, mediante o comando da voz do Fran Alves e também para "O Cometa", um tema que deveria ter sido melhor explorado na minha opinião, mas que foi descartado pelas escolhas feitas naquele período entre 1985 e 1987.

Mais novidades surgiriam sob um curto prazo para preservar ainda mais a memória da nossa velha e extinta banda. 

Porém, antes mesmo de que tais novidades que dependiam dos meus esforços pessoais, surgissem, eis que mais uma difusão radiofônica foi anunciada de forma espontânea para A Chave do Sol. Graças ao radialista, Julio Cesar Souza, um assumido fã do trabalho da banda, eis que a música: "Sun City" foi escalada e teve sete execuções na edição 324, na semana de 1º a 7 de abril de 2023, pelas ondas radiofônicas da Webradio Crazy Rock. mediante o seu bom programa "Só Brasuca".      

Continua...

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 445 - Por Luiz Domingues

Foi quando eu aproveitei o ensejo de estar a publicar todos os áudios referentes aos discos bootleg lançados em 2020-2021 e preparei quatro promos de músicas pouco aproveitadas pela nossa banda ao longo da sua história, por circunstâncias especiais para cada caso.

Pensei nesse aspecto para montar quatro "promos" iniciais com imagem fixa através de uma montagem de fotos correspondentes à época de cada música na história da banda, ou seja, algo bem simples, mesmo porque eu ainda estava bem iniciante para lidar com edição de vídeos e assim, mesmo que eu quisesse, não teria meios de fazer algo mais luxuoso.

O primeiro caso que eu achei urgente trabalhar, foi com a rara execução ao vivo da música: "No Reino do Absurdo", cujo áudio eu já havia publicado a representar o CD bootleg "Teatro Lira Paulistana 1985". Mas claro que um reforço desse mesmo áudio mediante uma embalagem diferente em tom de "promo" cairia muito bem. 

No entanto, eu tomei uma providência a mais nesse caso, ou seja, precisei mexer no áudio e cabe uma explicação. Ocorre que esse áudio ao vivo capturou um momento do show que realizamos ao vivo no teatro Lira Paulistana de São Paulo em 31 de janeiro de 1985, no qual, exatamente no meio da execução do tema, houve uma pausa estratégica para o Rubens ficar sozinho no palco e assim realizar uma performance solo sua. Fazíamos isso regularmente em nossos shows desde 1982, bem à moda dos anos 1970, portanto algo em completo desuso nos anos oitenta, devo registrar, mas era a nossa essência (ainda bem). 

E neste caso, ao invés de um solo mais agressivo como ele costumava fazer nesses momentos de "intermezzo" de show, optou especificamente para esse show de cantar e tocar uma balada doce de sua autoria, que ele já havia composto há anos e que nós tentáramos arranjar e incorporar no repertório em 1983, chamada: "Dama da Noite". 

Balada super doce, a se revelar como um "soft-Rock", ficara deslocada para pertencer ao repertório no meio dos anos oitenta, época na qual para se obter sucesso, o caminho seria partir para o blasè total das correntes Pós-Punk ou para o peso pesado Hard-Heavy e no caso do Brasil, esta segunda vertente devidamente relegada à segunda (ou terceira) divisão da música. 

Bem, para esse show pelo menos, eu acho que até foi interessante promover esse momento tão contrastante no show, em relação ao que a garotada da época esperava, penso assim hoje em dia.

Em termos de previdência pratica para montar esse promo inicial, eu cortei a intervenção do Rubens e mediante uma junção grosseira do áudio (eu assumo a minha inabilidade para efetuar cortes ao menos nessa época), eis que extraí a performance do Rubens a executar a balada e remontei: "No Reino do Absurdo" com o seu começo e meio ligado novamente ao final, ainda que o corte não tenha sido preciso.

E claro, montei no mesmo dia o promo de: "Dama da Noite" e a usar apenas fotos do Rubens para montar o painel fixo, a lhe prestar uma homenagem e no caso, eu sei bem que a música fora inspirada em uma namorada que ele teve e pela qual foi bastante apaixonado, ou seja, a canção era especial para ele nesse sentido afetivo pessoal.  

Já sobre "Reflexões Desconexas", este também foi um tema logo ao estilo de suíte de Rock progressivo, porém a agregar por incrível que pareça, certos elementos da MPB. Isso se dava inclusive pelo adendo dos backing vocals criados pelo José Luiz Dinola, que nós executamos ao vivo no período de 1983 e 1984 e no caso, nesta versão do CD bootleg "Teatro Lira Paulistana 1985", esse detalhe fora suprimido e quando a executamos nesse show citado e registrado no CD lançado em 2021, eis que o Rubens conduziu o vocal principal, sem esse arranjo vocal suplementar. 

Por conta da mudança de direcionamento que empreendemos, logo a seguir, eis que a música foi descartada pela sua obviedade de estilo tão anti-comercial, mas claro que eu a considero como uma peça  muito boa sob o ponto de vista artístico e apesar de lamentar a sua não gravação de forma oficial em algum álbum nosso, comemoro que haja pelo menos esta versão ao vivo para brilhar no nosso museu.  

Eis abaixo então o clip da música, "No Reino do Absurdo" um tema fortemente inspirado no Jazz-Rock setentista e também com uma boa influência do Rock progressivo, igualmente setentista. E logo a seguir, o clip de "Dama da Noite", uma balada que merecia ter sido gravada com um arranjo mediante a presença da banda inteira, mas cuja única versão que sobrou para a posteridade é essa com o Rubens a defendê-la ao vivo e sozinho, e por fim, "Reflexões Desconexas", as três oriundas do mesmo show e que alimentaram o mesmo disco bootleg em 2021.   

"No Reino do Absurdo" - A Chave do Sol - Clip 2023

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=XNBvH7ROB3c

"Dama da Noite" - A Chave do Sol - Clip 2023

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=GlPpjG5GKC8

"Reflexões Desconexas" - Clip 2023

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=CE3golH0Y4A

Cumprida essa tarefa, eu já preparei mais músicas raras para publicar também como singelos clips.

Continua...