terça-feira, 21 de agosto de 2012

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos - Capítulo 1 (Tato Fischer) - Por Luiz Domingues

Começo uma nova etapa da minha autobiografia, publicando as histórias de trabalhos avulsos que realizei na música. 

Atuando como side-man ou participando de projetos de bandas que não deram certo, realizei diversos trabalhos paralelos às bandas onde atuei de forma mais contundente. Passo a enfocá-los aqui no meu Blog 2, dando continuidade ao relato.

Como já está claro no início da narrativa, no tópico "Boca do Céu", meu início de fato na música, com instrumento, mesmo não sabendo tocar nada, foi em 1976, na formação dessa primeira banda que teve vários nomes, e se definindo como "Boca do Céu", em março de 1977.

Fui seguindo firme com essa banda, aprendendo a tocar a duras penas, e só lá pela metade de 1979, quando a banda estava se diluindo, topei fazer o meu primeiro trabalho paralelo. 


Para explicar, preciso recuar um pouco no tempo.


Logo que me mudei para o Tatuapé, bairro da zona leste de São Paulo, no início de 1977, acabei ficando amigo de uma série de amigos de meus primos que já moravam lá, há bastante tempo.

Eram freaks em sua maioria, e muitos deles músicos e por serem mais velhos, tocavam num nível técnico melhor que o meu, ou o da minha banda.

Fiz amizade com vários, e logo se tornaram companhia em shows de Rock e realizando intercâmbio de discos e livros.

Entre eles, fiquei muito amigo de um cara chamado Alcides Trindade, vulgo Cidão, que era baterista e tinha uma bela coleção de vinis.

Ele tocava num nível mais alto, pois eu engatinhava ainda.

Sua banda se desmanchou ainda em 1977, mas logo no início de 1978, conheceu uma garota que era atriz, e ele acabou entrando num grupo teatral, participando como músico e com pequenas intervenções como ator, visto que não tinha essa técnica.

Lá por maio de 1978, fui assistir a montagem de "Mais quero um asno que me carregue, do que cavalo que me derrube".

Na verdade, o nome certo dessa peça é "Auto de Inês Pereira" e foi escrito pelo dramaturgo português Gil Vicente, no século XVI.

O grupo teatral se chamava "Vereda" e era liderado pelo diretor/ator/pianista, Tato Fischer.

Assisti o espetáculo no teatro João Caetano, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, e fiquei impressionado com a desenvoltura do Cidão Trindade, tocando e atuando. Visto hoje em dia com a experiência que tenho, não era nada demais, mas naquela época, diante de minha visão infantojuvenil, achei ótimo.


Como o Cidão (aliás, orientado pelo Tato, ele trocou o apelido aumentativo e prosaico pelo nome artístico "Cido Trindade", doravante), se enturmou bem com o grupo teatral Vereda, prosseguiu em cartaz com aquele espetáculo que citei.

Mas o Tato tinha em mente montar um show para avançar na sua carreira musical. 

Como ele era cantor, pianista e compositor, começou a ensaiar seu show com o mesmo time de músicos que faziam a parte musical da peça, Cido incluso na bateria, e incorporou um tecladista, para que ele pudesse ficar livre no palco, apenas cantando e interpretando as canções.


Por volta de outubro de 1979, o Cido me procurou, e queria saber se eu toparia entrar nesse grupo de apoio, pois haviam feito alguns shows, e não estavam contentes com o baixista que estava na banda. Mas fez uma ressalva : eu teria que fazer um teste.

Não me ofendi, pois sabia que ele tinha desconfiança sobre o meu nível técnico e antes de me indicar, queria estar seguro para não sofrer nenhum constrangimento, caso eu não correspondesse.
Marcou comigo um som na casa dele, num dia de semana à tarde.

Chegando lá, tocamos por meia-hora aproximadamente. Puxou vários ritmos, com andamentos diferentes; viradas e dinâmicas, me testando. Fui tocando, sem demonstrar insegurança, e dando o melhor de mim, no que eu podia fornecer naquela altura.

Ao final, mostrando-se até surpreso, elogiou-me, dizendo que eu havia evoluído muito, e que por ele, estava na banda, faltando comunicar ao Tato.

Fiquei muito eufórico, pois o Cido me conhecera como um aspirante a músico, terrivelmente ruim em 1977.

Em 1978, a título de quebra-galho, ele tocou num show do "Bourrèbach", o "Boca do Céu" com novo nome, e foi um desastre.

A má impressão foi inevitável.

Aprovado pelo Tato, comecei a ensaiar, indo à casa dele tirar as músicas de forma intensiva, só com ele ao piano, e ensaios com Sérgio Henriques (o tecladista do trio de apoio), e Cido Trindade.

O último show com o baixista antigo, seria realizado em 28 de outubro de 1979, na cidade de Cubatão, litoral de São Paulo.
 
Continua...

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