sábado, 7 de maio de 2016

Autobiografia na Música - Magnólia Blues Band - Capítulo 29 - Por Luiz Domingues


A Magnólia Blues Band foi uma ideia que nasceu do tecladista Alexandre Rioli, que além de ser proprietário da casa Magnólia Villa Bar, é um grande aficionado de Blues e Rock'n Roll.
 
Como sempre atuou com canjas, tocando seu piano em apresentações que Os Kurandeiros faziam ali há anos (mesmo antes da minha entrada naquela banda em 2011), vislumbrou a possibilidade de nos tornarmos uma "outra" banda, com a intenção específica de tocarmos toda quarta-feira na casa, e a cada semana, trazermos um convidado da cena do Blues, para o acompanharmos, executando clássicos do gênero.
Aceitamos a ideia, pois não atrapalharia em nada os nossos planos em manter a agenda dos Kurandeiros em plena atividade, além de nos colocarmos também como o "Nu Descendo a Escada", a banda de apoio de Ciro Pessoa, ou trocando em miúdos, eu (Luiz Domingues); Kim Kehl e Carlinhos Machado, éramos o núcleo duro de três bandas, com trabalhos distintos.

E assim, logo no início de janeiro de 2014, essa história começou a ser contada, e a cada semana, muitas figuras importantes da cena do Blues foram convidadas e apresentaram-se conosco, em noites que entraram para a história.

Logo percebemos que não seriam noitadas puristas, focadas no Blues, tão somente, mas desdobrando-se em muitos outros gêneros. 

O Rock'n Roll, logicamente, mas também a Soul Music; R'n'B; Gospel; Funky; Jazz; Country, e até passeios por gêneros distantes dos princípios iniciais, como os ritmos latinos; música pop; Hard Rock; Glitter Rock; Rock Progressivo; MPB...enfim, a Quarta Blues foi eclética e generosa para quem a vivenciou.

E assim atravessamos o ano de 2014, com muitos convidados, e fica a lembrança registrada na nossa memória, mas disponível em fotos e vídeos, também, desses grandes momentos recepcionando tantos artistas sensacionais.

A maioria deles, guitarristas, mas também baixistas; tecladistas; muitos gaitistas, e cantores estiveram conosco, fora aparições surpreendentes, como o caso de um saxofonista saindo da plateia que veio participar, certa vez.

Ao final de 2014, a estratégia foi mudando, e uma tentativa de convidar bandas inteiras para dividir a noitada foi feita e com sucesso em algumas ocasiões, estendendo-se ao começo de 2015. 

Um problema de saúde, justamente comigo, fez com que a banda sofresse por um período, onde estive impedido de atuar, enfrentando internação hospitalar e cirurgias.

E para agravar as coisas, foi um período onde a casa sofreu sanções da parte do poder público, por motivo de excesso de ruído, e quando voltou à ativa, uma nova fase sobreveio, com a obrigatoriedade de apresentar-se de forma acústica.

Por sorte, logo um convidado mudaria tal panorama. Tornando-se um membro fixo da banda, o cantor Bruno Mello chegou com a proposta de trazer o elemento Pop à "Quarta Blues", e assim, tal direcionamento fez com que a adequação do formato acústico se encontrasse com tal repertório Soft Rock, e assim, uma nova fase adveio para a banda.

Mas o Bruno era do Rio, e quando seu trabalho corporativo encerrou-se em São Paulo, sua partida também significou sua saída da banda, infelizmente.

Seguimos em 2015, mesclando o repertório tradicional do Blues com o cancioneiro pop da "Era" Bruno Mello, mas sem convidados doravante, a não ser quando alguém do meio vinha nos visitar e subia ao palco para uma canja informal. 

Entrando em 2016 nessa mesma toada, sabíamos no entanto que a situação da casa não estava alheia à situação do país naquele instante de turbulência política, social e econômica, sobretudo, portanto, fomos levando o projeto na raça, mas pressentindo que ele estava sendo minado pelas circunstâncias distantes à nossa vontade.

Enfrentei de novo problemas de saúde, se bem que desta feita mais amenos e mal voltei às atividades, o Alexandre Rioli, sem outra alternativa, anunciou modificações na estrutura da sua casa, e a "Quarta Blues" foi cancelada, e consequentemente, a banda desfeita.

Fica a ressalva que esta banda poderá voltar em ocasiões sazonais e talvez possa haver uma reativação de suas atividades no futuro, e se isso ocorrer, novos capítulos poderão ser escritos no futuro.

Fica aqui o agradecimento pelos dois anos e quatro meses de atividade que atingimos, e que muitas alegrias nos proporcionou em tantas quartas-feiras. 

Com calor e frio, chuva e céu estrelado, estivemos ali firmes e fortes tocando; recepcionando grandes artistas; produzindo momentos de brilhantismo musical para nos orgulharmos; improvisos; erros para dar risada; aplausos e suspiros.

Fica a lembrança das quartas regadas a futebol no telão (quanta está ? quem fez o gol ?); mas sobretudo, com muita música e conversas agradáveis em meio a tantos amigos presentes.

No meu caso em específico, foi um aprendizado e tanto, pois jamais preparei-me para ser "músico da noite", e toda a minha carreira foi focada no som autoral. Portanto, após quase quarenta anos tocando só o que criava, fui impelido a aprender a acompanhar; tocar muitas músicas que nem conhecia, e aprender assim a dinâmica do improviso sob outro viés que não autoral.

Respaldado pelos amigos Kim; Carlinhos e Alexandre, só posso agradecer pela paciência que tiveram comigo nesse sentido, em tolerar minhas falhas e incentivar-me a adaptar-me à essa realidade musical. 

E assim foi a Magnólia Blues Band, uma banda que nasceu para tocar clássicos do Blues, mas que no desenrolar dos fatos, mostrou-se muito eclética, tocando diversos outros gêneros.

Sou muito grato à essa banda pelo aprendizado, e pelas noitadas de dezenas de quartas, muito felizes, de 2014; 2015 e 2016.

Falando das pessoas, agora :

1) Equipe do Magnólia Villa Bar :

Por ser uma banda criada para atuar exclusivamente numa casa noturna, naturalmente que não dispunha de uma equipe de produção própria para auxiliá-la. Portanto, nomeio apenas três pessoas do Magnólia Villa Bar, que estiveram conosco nesses anos todos.

A) Dona Terezinha, a cozinheira da casa, a quem agradecemos pelos lanches, os clássicos "X-Músico", que ela preparava com carinho para serem consumidos no intervalo das apresentações;

B) Edson da Silva - Técnico de som que operava o P.A. da casa, e muitas vezes se esmerou para consertar situações de emergência, com panes aqui ou acolá, nosso muito obrigado por tudo; e...

C) Lídia Forjaz - A gerente da casa, que sempre nos tratou com extrema simpatia, e costumava aplaudir-nos, mesmo lá de longe, no caixa do estabelecimento...

2) Os músicos convidados :

Um super agradecimento à todos os músicos que aceitaram convite, e lá foram nos brindar com seu talento e simpatia. Gostei de tocar com todos e muitos, se tornaram meus amigos doravante.

Meu muito obrigado à : Chico Suman; Carlinhos "Jimi" Junior; Ivan Marcio; Wagner Andrade; Duca Belintani; Lincoln Mugarte; Rui Bueno; Rodrigo Batello; Marceleza Bottleneck; Adriano Segal; Xando Zupo; Fabio Brum; Anette Santa Lucia; Adriano Deep; Baby Labarba; Big Chico; Thomas T. Love Jensen; Ricardo Corte Real; Marcelo (saxofonista da plateia); Alex Dupas; Edu Dias; Ciro Pessoa; Isabela Johansen; Marcião Pignatari; Paulo Toth; Amleto Barboni; Maria Arruda Alvim; Claudio "Casão" Veiga; Dino Linardi; Guilherme Spilack; Fernando Ceah; Binho "Batera"; Rodrigo Hid; Dino Linardi; Ryu Dias; Ayrton Mugnaini Jr.; Marcos Mamuth; Rubens Gióia; Nelson Ferraresso; Maria Christina Magliocca; Paulo Morgado; Wilson Ricoy; Roger Bacelli; Cris Stuani; Fulvio Siciliano; Milton Medusa; Carlos Frederico Bomeisel; Norba Zamboni; Paulo Sá; Michael Navarro; Fernando Vinhas; Ed Cruz Jr.; Banda Electric Pepper; Elizabeth "Tibet" Queiróz; Fernando Rappoli; Lili Mallagolli; Frank Hoernen; Banda Four Ol' Bones; Claudio "Moco" Costa; Rico Bass; Marco "Pepito" Soledad; Rey Bass; Kalil Bentes; Rodolfo Braga; Fernando Alge; Paulo Krüeger; Alê Bass; Sérgio Luongo; Guilherme Ramazotti; Joe Roberts; Willie de Oliveira; Marcelo (gaitista da plateia); Marco "Bacalhau" Aurélio e Sérgio Candido dos Anjos.

Um destaque especial para Fulvio Siciliano e Cris Stuani que chegaram a substituir Kim Kehl, quando este não pode comparecer em duas ocasiões; Binho "Batera" que substituiu Carlinhos Machado também numa circunstância emergencial, e Sérgio Luongo; Rey Bass e Alê Bass, que cobriram minha ausência quando fiquei doente.

3) Membros da Magnólia Blues Band :


Da esquerda para a direita : Kim Kehl; Bruno Mello; Carlinhos Machado & Luiz Domingues
 
A) Bruno Mello - Meu agradecimento à este grande cantor, que veio inicialmente para ser mais um convidado de honra de uma edição da "Quarta Blues", mas que foi repetindo atuações e que consideramos o quinto membro dessa banda, mesmo não tendo percorrido toda a trajetória da banda.  

Por sua atuação como cantor e pelo poder de suas sugestões, desempenhou uma colaboração muito grande, trazendo uma nova fase à banda, com repertório alternativo de forte apelo pop, vindo a calhar pelas necessidades sonoras que se desenharam naquele momento, em termos da obrigatoriedade da banda coibir volume e ímpeto, apresentando-se de maneira acústica.

Sua participação foi entre junho e outubro de 2015, mas a amizade solidificou-se ad eternum, tenho certeza. 

                    Alexandre Rioli em foto de Lincoln Baraccat

B) Alexandre Rioli - Tecladista de formação Blues/Rock'n Roll, bom de Boogie-Woogie, muito acrescentou à banda com seu piano sempre cheio de nuances coloridas.

Dono do Magnólia Villa Bar, foi o idealizador da banda e do Projeto "Quarta Blues". Sou-lhe grato pela oportunidade; acolhida em sua casa, estendendo ao usufruto de sua infraestrutura, mas sobretudo ao seu piano enriquecedor nas centenas de músicas que tocamos ali naquelas quartas.

            Carlinhos Machado, baterista superb & gentleman

C) Carlinhos Machado - Nosso baterista é um dos maiores gentleman que já conheci. Um sujeito solícito, super humano, amigo de todas as horas. Sou-lhe grato pelas noitadas todas que fizemos juntos nessa banda, e aproveito para lhe agradecer pela solidariedade nos momentos difíceis que tive em 2015 e 2016, por conta de meus problemas de saúde, e onde ele gentilmente me deu suporte, ajudando-me numa fase onde a proibição médica de carregar peso se fez premente e assim, Carlinhos foi um amigão em dar-me essa força braçal nas horas difíceis.

O lado bom desta parte do relato é que não estou escrevendo em tom de despedida, visto que encerrada as atividades da Magnólia Blues Band, estou a pleno vapor com ele em outras duas bandas ("Os Kurandeiros; e "Ciro Pessoa e Nu Descendo a Escada"), sendo assim, minha parceria com Carlinhos seguirá por muito tempo, assim espero. 

                        Kim Kehl, em foto de Lincoln Baraccat

D) Kim Kehl - Nosso guitarrista, por ter forte conhecimento na área do Blues, naturalmente tornou-se nosso pilar para esse projeto dar certo. Com o Kim na banda, era mais de 50% de certeza de que tudo daria certo, independente dos convidados a cada semana, pois tocávamos seguros com ele no leme da embarcação.

Tudo o que eu disse sobre o Carlinhos, serve ipsis litteris para o Kim, e acrescento que graças aos seus esforços pessoais, e de sua esposa, Lara Pap, a Magnólia Blues Band teve carreira amplamente documentada, contando com um acervo de fotos e vídeos de toda a sua carreira. Tudo está disponível no seu canal pessoal do You Tube e muitos (não todos, tem muito mais), eu reproduzi nos capítulos da história da banda.

E mesmo caso, espero prosseguir em sua companhia por muito tempo, nas outras bandas onde tocamos na atualidade ("Os Kurandeiros", e "Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada").

Bem, como já enfatizei, está banda pode voltar e gerar mais histórias. Se acontecer, serão registradas devidamente nesta autobiografia.

Uma particularidade não musical, esta banda (assim como os Kurandeiros enquanto trio - eu, Luiz; Carlinhos & Kim), é uma banda inteiramente formada por palmeirenses. A Magnólia Blues Band é uma banda alviverde 100%, fato raro na minha carreira, onde sempre atuei em bandas bem misturadas em termos de paixões clubísticas, e tal fato só foi parcialmente interrompido com a presença do Bruno, torcedor do Fluminense.

Está encerrada a história da Magnólia Blues Band, mais uma banda em que tive orgulho de ser componente, e enriquece a minha trajetória geral.

Ficam em aberto as histórias de Os Kurandeiros e Ciro Pessoa & Nu Descendo A Escada.

Até logo...

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