sexta-feira, 21 de julho de 2017

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 53 - Por Luiz Domingues


E tínhamos então uma data definida para iniciarmos o trabalho de produção do novo álbum : 28 de julho de 2016. O estúdio que abriu suas portas aos Kurandeiros era o tradicional "Curumim", cujo proprietário era nosso amigo de velha data, o guitarrista / cantor; poeta e compositor, Fernado Ceah, líder da boa banda autoral "Vento Motivo".


Fernando Ceah na linha de frente, cantando com Os Kurandeiros. Show dos Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, em 15 de agosto de 2014. Foto : Vanessa Anchieta 

Encravado num quadrante estratégico entre o centro de São Paulo, e já apontando para os primeiros bairros da zona oeste, tais como : Santa Cecília; Higienópolis, Pacaembu; Campos Elíseos; Barra Funda e Perdizes, sua localização excelente, com estação de metrô muito próxima, faz dele, bastante usado por artistas de diversas searas da música brasileira. De bandas de Rock a veteranos da velha guarda da MPB, o fato é que tal estúdio tem sua tradição. Portanto, além de tudo, pelo fato da amizade com Fernando Ceah e também pela passagem do próprio Kim Kehl como ex-membro do "Vento Motivo" em passado próximo, fazia com que a ambientação do Curumim fosse muito familiar aos Kurandeiros, o que certamente contribuiria para o melhor andamento do trabalho, possível.


Show dos Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo. 23 de julho de 2016. Foto : Rogério Utrila

E foi o que ocorreu, com a receptividade calorosa de Ceah em seu estabelecimento e com sua própria atuação como "tape operator" na captura inicial da base que ali gravaríamos. A ideia era uma gravação otimizada, com o power trio primordial a tocar ao vivo. Sob tal predisposição, creio já ter explanado minha opinião em capítulos anteriores (principalmente enfocando outras bandas por onde atuei no passado), sobre o que penso dessa metodologia de gravação. Só resumindo rapidamente, não é a minha predileção. Sei que o argumento a favor versa sobre a autenticidade da volúpia ao vivo capturada por uma banda e isso é positivo, não nego, mas particularmente, prefiro a estratégia mais convencional, do "um por vez", com a bateria sendo gravada inicialmente, aí sim com suporte de guia ao vivo, mas todos os demais instrumentos a posteriori, com a bateria oficial gravada, e a guia servindo como base, sendo substituída por cada novo instrumento gravado oficialmente.


Show dos Kurandeiros na Casa Amarela de Osasco / SP.  7 de maio de 2016. Foto : Maurício Marcondes Santos

Entretanto, sei que a verba que Os Kurandeiros dispunha era modesta e claro, gravar a base ao mesmo tempo tornou-se premente, e não seria a primeira vez que eu gravaria um disco sob tais circunstâncias. Outro aspecto, se por um lado era temerário para uma banda que não costumava ensaiar, usar tal prerrogativa de gravação, por outro lado, sendo uma banda com constante atuação ao vivo e mais do que acostumada a interagir e improvisar sem receios, não havia nada a temer, por conseguinte...

Não deu outra, passado o rápido preâmbulo de captura dos timbres primordiais de cada instrumentista, Kim; Carlinhos e eu, Luiz, colocamo-nos a disposição de Fernando Ceah para o início dos trabalhos. Um ponto que poderia desestabilizar-nos, era a falta de comunicação visual melhor com o Carlinhos Machado, devido ao fato da sala por ele usada estar longe visualmente da técnica, e tal contato apenas ser possível em ser estabelecido mediante a imagem do baterista por um monitor de TV. Mas nem esse fator limitante foi capaz de atrapalhar a nossa performance, pois na realidade, gravamos as três canções com poucas tomadas, de tão seguro que foi. Portanto, bateria; baixo; bases de guitarra e até alguns solos e contra solos, foram gravados nessa tarde, numa rapidez que surpreendeu a todos. Esperávamos uma gravação tranquila, mas o resultado final mostrou-nos algo além de nossas mais otimistas previsões, pois chegáramos ao estúdio por volta das 15 horas, e passava um pouco das 19 horas, quando eu já estava no trânsito, a caminho da minha residência. 
Foto capturando o final dos trabalhos no estúdio Curumim, de São Paulo, na sessão inicial de gravação da base com as três canções do EP Seja Feliz. Da esquerda para a direita, na sala da técnica : Carlinhos Machado; Fernando Ceah; Kim Kehl e Luiz Domingues. 28 de julho de 2016. Foto : Lara Pap


Gravamos três canções compostas pelo Kim, com estilos e intenções diferentes uma das outras. A primeira, "A Noite Inteira", era um Rock fortemente influenciado pelo Blues Rock, com elementos Glitter, bem ao sabor setentista. É como se o "Humble Pie" soasse como o "Mott the Hoople" (ou vice-versa), para que o leitor familiarizado com sonoridades daquela década possa identificar. A segunda, "Faz Frio" tem forte identificação com o Pop sessenta / setentista. A olho nu (ouvido, na verdade...), parece uma canção sessentista do Burt Bacharach, mas no desenvolver do arranjo e entrada dos teclados de Nelson Ferraresso, foi ganhando uma outra aura, parecendo muito com as baladas setentistas dos discos dos Rolling Stones nessa década, notadamente no final da "Era Mick Taylor" e início da "Era Ron Wood". E a terceira canção, não há dúvida, o Kim quis trazer a atmosfera do Acid-Rock sessentista de Jimi Hendrix, com brutal carga de Blues rock pesado, tratando-se de : "Filho do Vodu". Esmiuçarei mais as canções em capítulo próximo, quando abordar o lançamento do disco em si.








Eis acima, a primeira peça publicitária oficial, dando conta do começo dos trabalhos, e contendo cenas da gravação da base das três canções do EP, capturadas em 28 de julho de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=KkvDb6b8ik8

Segundo vídeo promocional lançado pelos Kurandeiros desta feita fazendo uma rápida inspeção no estúdio Curumim, durante a sessão de teclados do Nelson Ferraresso, e mostrando-o gravando a canção "Faz Frio". Agosto de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=vGiXPblJsYA

No terceiro vídeo abordando o making off da produção do EP Seja Feliz dos Kurandeiros, um apanhado, ainda que bem curto, sobre a sessão da vocalista Renata "Tata" Martinelli, gravando sua bela voz em "A Noite Inteira". Agosto de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=Fk9u4AxwCqU 

Quarto vídeo mostrando a gravação do álbum "Seja Feliz", dos Kurandeiros em 2016. Desta feira, a cobertura da gravação do músico convidado, o excelente percussionista, Marco Soledade "Pepito", colocando muito swing na faixa "Filho do Vodu". Agosto de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=7XHpsGi6SaU

A hora e a vez do Kurandeiro-Mor colocar sua voz em "O Filho do Vodu". Clima de Acid / Blues-Rock e magia de New Orleans no ar, com Kim Kehl trazendo o batuque do Kurandeiro...
Agosto de 2016

Um vídeo fazendo um resumo dos trabalhos desde a gravação da base, até a voz. Setembro de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=pDKXA9F8mYE

Ao final de setembro de 2016, já mostrando cenas das sessões de mixagem, com o produtor Carlos Perren, que inclusive também gravou uma surpreendente e agradável intervenção de um instrumento de sopro, no caso uma trompa, que deu o "toque Burt Bacharach", na canção, "Faz Frio"...

Eis o Link para assistir no Tou Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=68eQ7JaQYWM

Com o disco pronto no estúdio, o anúncio de que em breve estaria disponível para venda. Outubro de 2016

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=r_imQ7256xI

E assim foi, com muita eficácia e alegria que consumou-se uma produção simples, mas que no cômputo geral, revelou-se bastante interessante e ouso dizer, sofisticada, pelo ponto de vista artístico, por inúmeros aspectos. Primeiro pela versatilidade das canções, mostrando algumas das múltiplas facetas que Os Kurandeiros apresentam normalmente em seus shows pela noite, transitando por muitos estilos e escolas do Blues; Black Music em geral e Rock, principalmente, mas com cada item desses troncos citados, representando ainda mais possibilidades em desdobramentos incalculáveis. Segundo, pela riqueza que cada instrumentista, incluso os convidados, trouxe para cada canção. Terceiro pela qualidade do áudio e proposta com timbres vintage e quarto, sendo uma banda extremamente objetiva no estúdio, não dando margem a postergações intermináveis e mesmo assim, mostrando qualidade no produto final.
Três fotos capturadas nas sessões de mixagem; Kim Kehl na companhia do produtor musical, Carlos Perren, que mixou o álbum e atuou como músico convidado tocando Trompa em "Faz Frio". Outubro de 2016. Fotos de Lara Pap 


Sobre o disco em si, e a análise das faixas e produção em geral, falo em capítulo posterior, com maior apuro.

Continua...

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