sexta-feira, 19 de março de 2021

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 141 - Por Luiz Domingues

Foi confirmada então a nossa participação ao vivo no projeto Rock in SP/versão on Line 2021 e caiu, coincidentemente para o mesmo dia em que iniciaríamos as sessões de gravação de nosso novo álbum diretamente no estúdio Prismathias de São Paulo. Ora, nesse caso, foi muito feliz para a nossa banda estarmos em evidência virtual ao mesmo tempo em que produzia em estúdio, novidades esfuziantes. 

"A Noite Inteira" (Kim Kehl) em versão ao vivo no Projeto Rock in SP/Versão on Line 2021. Ao vivo em 6 de fevereiro de 2021.

Eis o Link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=k0T3cfHWJnA

"Bom Rock" (Kim Kehl) em versão ao vivo no Projeto Rock in SP/Versão on Line 2021. Ao vivo em 6 de fevereiro de 2021.

Eis o Link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=CxabNMemcNI

"Cidade Fantasma" (Kim Kehl) em versão ao vivo no Projeto Rock in SP/Versão on Line 2021. Ao vivo em 6 de fevereiro de 2021.

Eis o Link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=xHOAd0TpJQk

"O Filho do Vodu" (Kim Kehl) em versão ao vivo no Projeto Rock in SP/Versão on Line 2021. Ao vivo em 6 de fevereiro de 2021.

Eis o Link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=B2xTSq5Hv1w

A versão na íntegra da participação d'Os Kurandeiros no Festival Rock in SP/Versão On Line 2021.

Eis o Link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=03EcRUpodKQ

Assistimos a nossa apresentação ao vivo sob soslaio, pois realmente estávamos muito empenhados em auxiliar nos preparativos para a gravação da base inicial do nosso novo disco e assim, só nos dias posteriores e com maior calma foi que pudemos assistir, efetivamente. 

Continua...

terça-feira, 16 de março de 2021

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Ópera-Rock O Renascer dos Tempos/Single: "Moby John") - Capítulo 107 - Por Luiz Domingues

Exatamente um ano depois de ter sido visitado em minha residência pelos músicos e produtores musicais, Claudio Cruz e Anísio Mello Junior, para que eu pudesse gravar a minha participação na faixa, "Moby John" (obra inserida dentro da Ópera- Rock "O Renascer dos Tempos"), eis que fui comunicado que tal faixa houvera sido disponibilizada como "single" através da plataforma YouTube.

Ótimo, mais um trabalho avulso para somar à minha discografia, aliás, com orgulho e prazer por eu ter tido o prazer de fazer parte desse ambicioso projeto artístico do meu velho amigo, Claudio Cruz. 

No entanto, a despeito dessa alegria por mais um trabalho realizado e a encorpar a minha discografia, eis que poucos dias depois desse anunciado lançamento, tivemos a terrível notícia da morte do guitarrista, Rubens Gióia, o meu velho amigo e colega d"A Chave do Sol. Qual a conexão com este trabalho? Bem, o fato de que tanto o Rubens, como o baterista, José Luiz Dinola, também meu amigo e companheiro d'A Chave do Sol, gravariam a mesma faixa. Na verdade, cabe a retificação de que no caso do Rubens, essa foi a planificação inicial da parte do Claudio Cruz, mas na prática, o Rubens não concretizou a sua participação.

Não gravamos juntos, foi tudo feito separadamente, mas ficara aquela sensação prazerosa de que o nosso Power-Trio poderia ter se reunido para tocar junto mais uma vez e assim, o impacto pela perda do Rubens Gióia, trouxe uma carga emocional amarga para esse lançamento, embora a obra em si e o contexto em que ela se inseriu no bojo de uma "Ópera-Rock", nada teve a ver com a fatalidade e certamente que muito menos o Claudio Cruz como o seu idealizador, tampouco teve culpa alguma nessa coincidência de ocorrências perfiladas na mesma época.

Segundo o Claudio alegou na ocasião, a ideia foi disponibilizar os singles do disco inteiro individualmente pelo YouTube e igualmente em outras plataformas, mas que haveria sim um lançamento da obra completa pela via tradicional do CD, a posteriori e assim aguardamos.

Sobre a canção em si, deu para notar que ficou híbrida em seu estilo. A estrutura que eu ouvira como guia para gravar, houvera sido baseada em uma espécie de mistura de um Hard-Rock denso, com sutis pitadas do Blues-Rock tradicional e depois que se colocaram as guitarras e os teclados, eu notei que a tendência foi buscar influências etéreas a sugerir a música experimental de uma maneira geral, talvez com um certo apelo pelo Krautrock setentista e outras sonoridades aleatórias dentro da dita "World Music" e claro, possivelmente a envolver tendências que eu simplesmente desconheça, por serem mais modernas na ocasião e cuja existência eu ignorasse.

Dessa forma, o tema tem uma linha mestra com um riff proposto pelo baixo que a inicia e também a encerra e neste caso, esse riff quem gravou foi o Anísio Mello, que além de ter sido o técnico de áudio e coprodutor do disco, é sabidamente um excelente músico, compositor, cantor e arranjador. Ótimo baixista, o conheço desde 1984 e nós interagimos muito nos anos 1980, quando as nossas respectivas bandas tocaram juntas em muitas ocasiões (eu com "A Chave do Sol" e ele com o "Excalibur"). 

Ainda a explanar sobre a música, eu entro a seguir com uma linha mais próxima do Blues-Rock, com um som de Fender Precision mais in natura, visto que o baixo do Mello ficou bem mais processado com efeitos. 

A guitarra de José Luiz Braguetta, que afinal de contas gravou a faixa, ficou mais na linha dos efeitos do que a atuar de forma tradicional sob o ponto de vista da base harmônica e solo e assim, o destaque ao meu ver ficou por conta do Zé Luiz Dinola, que criou uma linha de bateria solta, com bastante presença de frases e até a conter um pequeno, mas significativo solo. E a presença do teclado de Adenauer Vieira colaborou para tornar a faixa ainda mais etérea, com uma linha de arranjo que muito me fez lembrar dos discos do tecladista grego, Vangelis, nos anos oitenta. 

Bem, fiquei feliz pelo lançamento, certamente, a envolver o prazer de colaborar com os amigos, Claudio Cruz e Anísio Mello, além de certamente ter sido efetivamente a minha última gravação com Rubens Gióia e José Luiz Dinola, juntos, os três reunidos e por conseguinte, fiquei triste ao constatar que logo que essa canção foi lançada publicamente, eis que marcou de fato como a última possível reunião do Power-Trio d'A Chave do Sol em termos fonográficos, ainda que sem essa intenção, naturalmente, pois neste caso, havia o plano da banda se apresentar e talvez lançar algo inédito.

Música: "Moby John" (faixa 8)

Autor: Claudio da Silva Cruz

Baixo: Luiz Domingues (parte do meio)

Baixo: Anísio Mello Junior (partes inicial e final)

Bateria: José Luiz Dinola

Guitarra: João Luiz Braguetta

Teclados e arranjo geral: Adenauer Vieira

Composição, capa e vídeo: Claudio da Silva Cruz

Produção musical, operação de áudio: Anísio Mello Junior

Lançamento como single: Janeiro de 2021

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=zA-5yzbw-6M

O Site oficial da Ópera-Rock:

https://opera-rock9.wixsite.com/meusite

Bem, como ficou aberta a possibilidade do álbum "O Renascer dos Tempos" ser lançado em formato físico, abriu-se um campo para o prosseguimento deste relato, portanto, continua...

sábado, 13 de março de 2021

Crônicas da Autobiografia - Ao Insultar Alguém na Rua, Certifique-se que a Rota de Fuga Seja Segura - Por Luiz Domingues

     Aconteceu no tempo do Língua de Trapo, no início de 1984

Conforme eu já expliquei detalhadamente em minha autobiografia, publicada neste Blog (na íntegra), quando eu voltei à formação do Língua de Trapo, para viver a minha segunda passagem por essa banda, a situação em que o grupo se apresentava em termos de status artístico, havia mudado radicalmente e então, em 1983, eu tive que me adaptar aceleradamente para acompanhar os colegas em suas conquistas.

Muito bem, em meio a uma agenda frenética, vivíamos dentro de vans, a nos dirigirmos de um compromisso a outro, em meios aos muitos shows e aparições que fazíamos em programas de TV, emissoras de rádio etc. e tal.

Em uma dessas noites em que o grupo esteve reunido dentro de uma Kombi, estávamos a nos dirigir para um show que faríamos ao ar livre, quando passamos perto da sede de uma instituição de cunho religioso, ultra conservadora, que pregava valores medievais em suas ações caudatárias e cujos seus membros costumavam se manifestar pelas ruas a defenderem as suas teses no âmbito da política, a apoiar partidos políticos coadunados com tais ideais e a sonhar com um governo autoritário que impingisse tais ditames ao povo brasileiro de uma forma radical.

Aos passarmos por um grupo de rapazes que eram membros de tal instituição e por serem eles tão conservadores, ao ponto de que as suas vestes e corte de cabelo eram padronizados ao não deixar margem de dúvida sobre serem adeptos de tal organização, eis que um dos membros da nossa comitiva não se conteve e ao colocar a cabeça para fora da janela do veículo que usávamos, berrou: -"Aí, seus punks".

O fato, é que esses rapazes que ali estavam de joelhos a rezarem em plena calçada, adotavam normalmente esse tipo de posicionamento ante um micro santuário que havia ali, exposto ao público em geral e eles se notabilizavam pelo seu fundamentalismo religioso e que exacerbava a sua militância sociopolítica pelas ruas. 

Dessa forma, a sua visão do cristianismo era coadunada com a dos Cruzados medievais e assim, raivosos, eles não suportaram a brincadeira e saíram a correr e a gritar impropérios contra nós. 

A nossa sorte, foi que os semáforos pelos quais nós passamos, nos favoreceram, pois não ficamos bloqueados nas esquinas subsequentes para que esses enfurecidos membros de tal seita nos alcançassem para nos agredirem fisicamente.

Senti-me em uma cena emblemática de um maravilhoso filme italiano da década de cinquenta, assinado pelo grande diretor, Federico Fellini, chamado: "I Vitelloni" (traduzido como "Os Boas-Vidas" em português), quando o personagem defendido pelo saudoso ator, Alberto Sordi, acompanhado de seus amigos vagais, xinga com palavras e gestos um grupo de trabalhadores braçais que davam duro debaixo de um sol causticante. 

No entanto, o carro dos inconsequentes arruaceiros falha logo a seguir e o desespero se revela no semblante do personagem e de seus colegas, ao verem a massa de trabalhadores ofendidos a correr em sua direção, com tais brutamontes munidos com pesadas marretas, pás agrícolas e que tais, para retaliarem as ofensas gratuitas desferidas por esses vagabundos inconsequentes. 

Não passamos por isso, mas poderia ter ocorrido algo semelhante...

sexta-feira, 5 de março de 2021

Sinais! - Por Telma Jábali Barretto

Uma infinitude deles orquestra o fluxo interior e, óbvio(!), convivência harmônica ou não... com bilhões compondo a humanidade de que somos parte. Perceber, reconhecer e valorizar é parte e base, talvez eixo, de processos de autoconhecimento, gerando quantidade grande de inter-relações equilibradoras ou desarmonizantes. Como não constatar e mais que isso, abrir o olhar, escuta dando a devida importância?!... 

Corpo físico dá sinais contínua e ininterruptamente e... sendo o mais denso da vestimenta da individualidade, imagine, então, emoções e pensares, muito mais subjetivos, com profusão maior de mensagens enviadas, também e interruptamente, que, se não somos minimamente atentos, a grandiosidade ou... caos em nosso existir permanecemos cegos, surdos e à mercê deles.

Na convivência humana viemos exercendo poder, com alguma facilidade, sobre as coisas fora de nós, a matéria que manuseamos, criando e inventando, obrigando-nos a, de alguma forma, criar sinais para seu uso e coexistir. Cada novo conforto adquirido com o que construímos, transitamos uns com outros a partir desse bom uso produzindo mais harmonia ou confusão...em nós e com os demais que nos cercam. Sob nosso comando e meios estão além de nosso corpo físico e, também e, já agora, computador, celular, carro, televisão, etc... – maquinas no caso aí - e mais aquilo que movimenta nosso interior, sentires e pensares, sensações e conceitos, “transparecendo” através dos atos com quanto de equilíbrio fazemos uso deles. Um trânsito caótico resulta de muita ausência de sinais transgredidos por nós e aqueles que, no entorno a nós, também dirigem... Se nós, condutores, desorganizados internamente estamos, levamos nossa desordem para o contexto! 

Claro é que bem antes das parafernálias que nossas habilidades produziram, mora subjacente o ser humano com as infinitas possibilidades, frequentando os jogos de futebol, templos, espetáculos, praias e montanhas que, se com sintonia interior interpreta os próprios sinais, usufruiremos para o existir, saúde física como resposta de pronto (não é presente de Deus, que já presenteia a cada um de nós com o mesmo e igual potencial para com nosso arbítrio exercê-lo...e portanto, não ‘premia’ a uns e ‘castiga’ outros?!...que Deus seria esse?!...), leveza de discernir geradora de conforto interior para nós próprios e contatos, reverberando ao redor ‘lendo’, ‘escutando’ e promovendo subjetivações e sutilização onde tal capacidade será ampliadora de visão trazendo crescer pessoal e coletivo, propiciando oxigenação, percepção atenta surgida que se mantém virgem, natural, reverente ao Princípio Divino em Sua eterna e inesgotável manifestação em cada ser, em todas as coisas e todos... Na mas tê, na mas tê, na mas tê!!! 

 

Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga, consultora para a harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga. Nesta reflexão, a colunista alerta-nos sobre a necessidade premente de ficarmos atentos aos indícios que nos cercam.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Crônicas da Autobiografia - A Deselegância como Modus Operandi - Por Luiz Domingues

                 Aconteceu no tempo d'A Chave do Sol em 1982

Os primeiros ensaios d'A Chave do Sol ocorreram de fato no palco do Café Teatro Deixa Falar, conforme eu já narrei no texto do meu livro autobiográfico. Ali, por conta do espaço ter sido uma propriedade da mãe da noiva do Rubens Gióia na ocasião, obviamente que se abriu oportunidade para tal. 

No entanto, eu também detinha a simpatia da velha senhora, Dona Sabine, pois me apresentara ali naquele palco algumas vezes com o "Terra no Asfalto", a minha ex-banda cover e sobretudo por ter participado recentemente (ocorreu em julho de 1982 e esta história está contada com detalhes no texto do meu livro autobiográfico), de uma apresentação super improvisada com dois músicos argentinos (Rudi e Nacho Smilari), que eram componentes da banda argentina, "Jamaica Band" e lembro-me bem, foi um pedido especial que ela me fez e sobretudo pelo fato de eu atendido prontamente tal situação, fez com que ela aumentasse a simpatia de sua parte para com a minha pessoa.

Enfim, eis que através de um dia de ensaio marcado para A Chave do Sol, no histórico palco do Deixa Falar, que outrora vivera o glamour da sua encarnação anterior como "Be Bop A Lula", eu cheguei primeiro e enquanto preparava o meu baixo e amplificador para participar do ensaio, notei que entrou no ambiente um músico muito famoso e que inclusive eu admirava bastante por conta da sua atuação como baixista de uma grande banda de Rock formada ao final dos anos setenta e que fora uma das poucas que avançaram pela década de oitenta, incólume aos modismos, ao manter uma identidade Rocker tradicionalista e por conta disso, eu a admirava ainda mais por esse sinal de resistência.

Dona Sabine apresentou-me formalmente para esse artista e ele, nitidamente se colocou de uma forma antipática, a tratar-me com um grau de desdém explícito, a denotar que se considerava muito superior pelo seu status adquirido, em contraposição à minha condição ali a representar um reles aspirante a artista, desconhecido, e a preparar-me para ensaiar com uma banda em uma tímida fase de construção, longe de alcançar a proeminência que ele já possuía em sua carreira, há tempos. 

Ora, isso não me incomodou, pois eu sabia exatamente o baixo degrau que eu ocupava na minha iniciante escalada e a ostentar por conseguinte uma modestíssima posição no meio artístico. E também a respeito da envergadura artística de sua parte e na minha avaliação ali na hora, achei deselegante, mas não me ofendi com a empáfia da parte dele.

Entretanto, o rapaz não se contentou em exalar o seu complexo de superioridade apenas com bravatas e a fazer pose de "Super Star" e aí sim, ele exagerou na dose de sua arrogância ao cometer um ato de deselegância bem maior. 

Eis que subitamente ele passou a elogiar o meu baixo e pediu para tocá-lo um pouco, quando teceu algumas observações sobre ele e eu, de uma forma incauta, abaixei a guarda indevidamente ao sorrir para demonstrar a minha satisfação em poder ter sido gentil com um artista que eu de fato admirava. 

Foi quando ele tocou um pouco e afastou o instrumento do seu corpo para poder pegar a carteira que carregava em sua jaqueta. Sem me falar nada, ele simplesmente abriu a carteira e apanhou um pedaço de papel, leu o que estava ali anotado e virou o corpo do meu baixo para olhar a placa de identificação e assim conferir acintosamente a sua numeração de fábrica. 

Bem, eu comprara esse baixo nos Estados Unidos e quem me trouxe efetivamente foi o guitarrista do "Terra no Asfalto", Aru Junior, que o achou em uma loja de uma cidade do interior de Connecticut, e assim, ele estava sob a minha posse, há um ano naquela ocasião. 

Portanto, não havia a menor possibilidade do baixo que esse artista citado, perdera ou fora roubado, fosse o meu. Eu não lhe disse nada, no entanto, apenas peguei o meu baixo de novo e logo os meus companheiros d'A Chave do Sol chegaram para participar do nosso ensaio e ele anunciou a sua partida do ambiente.

No entanto, achei aquela atitude tão descortês de sua parte, que aí sim, deixei de admirá-lo doravante. Ainda acho que ele tocava muito bem e teve o seu valor assegurado por esse mérito artístico conquistado, mas fica por aí o grau de consideração que sobrou de minha parte sobre tal artista e que aliás, já não está mais entre nós, portanto, preservarei a sua identidade por respeito à sua partida deste mundo.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Crônicas da Autobiografia - Questionário Compulsório - Por Luiz Domingues

              Aconteceu no tempo d'A Chave do Sol em 1982...

Entre os Rockers, é comum a presença de pessoas que se apresentam como grandes conhecedoras desse extenso universo, a manter uma visão enciclopédica sobre o assunto. Houve época em que essa característica se provou notória para dez a cada dez donos de lojas de discos especializadas e haja vista que esse fator foi preponderante para a formação da dita: "Galeria do Rock", em São Paulo, local que em seu auge chegou a conter quase duzentas lojas a operarem no mesmo centro comercial, em plena avenida São João, no centro velho da capital paulista. 

Bem, trata-se de uma capacidade de armazenamento de dados impressionante a denotar o bom conhecimento de causa, memória prodigiosa e sobretudo, amor ao Rock, portanto, qualidades admiráveis da parte desses Rockers.

Mas nem todo "expert" no assunto, usa o seu conhecimento vasto com o bom propósito para difundir o Rock, formar novas gerações de adeptos ou trabalhar como um potencial arquivista a preservar a memória do gênero, pois ao contrário, tais pessoas dotadas de intenções escusas, mais usam a sua bagagem cultural avantajada para o exibicionismo e assim proceder para alimentar a soberba, infelizmente. 

Bem, isso não acontece somente com Rockers, se é que possa servir como consolo, pois, é um fenômeno generalizado em qualquer meio, aliás, não é preciso nem divagar muito, basta ver o comportamento padrão de certas categorias profissionais bastante corporativistas e que por conseguinte se colocam como uma espécie de casta superior dentro da sociedade e também no meio acadêmico onde o excesso de erudição de certos "scholars", geram alguns transtornos bem visíveis.

Então, o caso que eu cito nesta crônica, não caracterizou o primeiro e tampouco foi o último com o qual eu tive contato direto. Isso sempre ocorreu, acontece e arrisco dizer, se repetirá mais vezes no futuro, pois eu não vejo perspectiva de que não se repita.

Eis que bem no começo das atividades d'A Chave do Sol e exatamente no show de estreia da nossa segunda vocalista, Verônica Luhr, nós tocamos como atração musical convidada para entreter a plateia de um festival estudantil, enquanto o corpo de jurados se reunia para deliberar as notas das bandas que ali concorreram. Tal acontecimento deu-se no auditório do Colégio Manuel de Paiva, situado no bairro do Campo Belo, na zona sul de São Paulo.

Foto d'A Chave do Sol de 1983, nas a exibir a formação d'A Chave do Sol que vinha desde 1982, época em que esta crônica trata. Click de Seizi Ogawa

Bem, nós fizemos o show com excelente desenvoltura e receptividade da parte do público que ali compareceu e ficamos muito felizes pelo desempenho da Verônica Luhr, que já em sua primeira atuação conosco, mostrou-se exuberante. Tanto foi assim, que o assédio no camarim foi forte e muito nos animou, visto que aquele fora apenas o nosso quinto show na carreira iniciante de nossa banda. 

Todavia, alegria a parte, eis que um rapaz entrou no camarim para nos cumprimentar, mas logo a seguir ele adotou uma posição desagradável, ao nos questionar com bastante ironia, sobre uma questão que levantou, e que na prática, se mostrara irrelevante dentro do contexto da nossa apresentação. 

O fato, foi que nesse início de atividades da nossa banda, nós fomos a compor o nosso material com a banda já a atuar ao vivo, portanto, nas primeiras apresentações que fizemos, tivemos poucas músicas autorais para executarmos e dessa forma, preenchíamos espaço com a inclusão de releituras de clássicos do Rock internacional em predominância e alguns nacionais, também. 

Pois foi nesse exato detalhe que o rapaz se apegou para nos afrontar com um tipo de abordagem que não foi exatamente agressiva e desrespeitosa, mas certamente se mostrou desagradável pela sua intenção velada. 

Aconteceu que nós havíamos tocado a música: "Cocaine" (também apelidada informalmente como: "She Don't Lie", uma ironia que faz parte da letra da canção), cuja autoria é do grande astro norte-americano do Folk-Rock, J.J. Cale, mas no imaginário popular, tal canção seria do guitarrista, Eric Clapton que a regravara. 

Cabe dizer que J.J. Cale a lançara em seu LP "Trombadour" de 1976, e Eric Clapton a regravou em 1977, ou seja, logo a seguir, através do seu disco, "Slowhand". Clapton a gravara por ser um grande fã do trabalho de J.J. Cale, portanto não foi à toa, visto que em 1970, já havia gravado uma outra canção do mesmo autor, "After Midnight", em seu primeiro LP solo, homônimo. 

Então, com síndrome de "expert", esse rapaz ficou a ironizar-nos por termos tocado a canção, "Cocaine", sem sabermos quem seria o seu real autor, ao nos julgar incautos que pensavam ser a autoria de Eric Clapton. 

Ora, estávamos felizes naquele camarim, a atendermos as pessoas que gentilmente ali nos procuraram para cumprimentar e elogiar a nossa apresentação e esse rapaz ali ficara a insistir com brincadeiras sem graça, a nos impor ironia gratuita e a contestar se teríamos ou não a real noção sobre essa questão e pior ainda, a colocar em cheque a nossa banda, pois segundo a sua lógica, se nós não soubéssemos desse pormenor, ele insinuara que não teríamos condições de pleitear notoriedade na carreira, ou seja, questionara o nosso valor como artistas, acaso fôssemos ignorantes em tal quesito, como ele deduzira.

Ora, para ter noção do campo cultural que estávamos a atuar e com pretensões artísticas bem delineadas, realmente denotaria a necessidade de se contar com uma noção geral sobre tal espectro, isso eu concordo, mas daí a depender de se ter certeza sobre uma informação tão específica, como se fosse uma pergunta capciosa contida em uma prova do vestibular a decidir se entraríamos na Universidade do Rock para merecermos pleitear um diploma de tal cátedra, realmente caracterizou um enorme exagero de sua parte e pior, a revelar a sua real intenção de nos humilhar para se impor como alguém que realmente conhecia mais do que nós sobre o ramo.

Todavia, que bom que nenhum componente da nossa banda, incluso eu mesmo, se deixou levar pela armadilha que o rapaz quis lançar sobre nós, portanto, não houve um grande aborrecimento que estragasse a nossa noite, que fora ótima. 

Essa história apenas marcou pelo fato extra de ter surgido mais um "sabichão" a querer se exibir e pior, a querer nos diminuir por conta de uma disputa de conhecimento forjada por ele próprio, com o claro intuito de buscar se alimentar da sua própria empáfia.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Crônicas da Autobiografia - Soft-Rock na Hora do Pesadelo de uma Sexta-Feira 13 - Por Luiz Domingues

                       Aconteceu no tempo do Pedra, em 2007

Nos anos setenta e oitenta, para uma banda independente aparecer em um programa de popular da TV aberta, não era exatamente uma tarefa impossível. Eu mesmo posso comemorar o fato de que tive inúmeras oportunidades nesse sentido, como membro de bandas pelas quais eu atuei, casos do Língua de Trapo, A Chave do Sol e The Key e mesmo nos anos noventa, com maiores restrições, oportunidades interessantes surgiram para a minha banda nessa década, o Pitbulls on Crack, ainda que mais restritas aos espectro da MTV, mas por outro lado, pode-se afirmar sobre tal emissora, que se revelou como uma estação dentro do campo da TV aberta e convenhamos, canal esse a desfrutar de um certo modismo à época. 

Depois disso, as portas cerraram-se de vez e no avançar dos anos 2000 em diante, através de outras bandas pelas quais eu toquei, como: Patrulha do Espaço, Pedra, Kim Kehl & Os Kurandeiros e Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada, todas elas ficaram todas relegadas ao mais completo obscurantismo em termos televisivos, a se apresentarem quase que exclusivamente em programas a operarem no limbo subterrâneo de emissoras irrelevantes de canais obscuros da TV a cabo, a se tratarem geralmente de emissoras comunitárias compulsórias que as operadoras eram obrigadas a manter nas suas respectivas grades, a guisa de serem supostamente agentes de prestação de serviço público. Ou nas iniciantes TV's de Internet, no caso do final dos anos noventa/início dos dois mil.

Mesmo ao se considerar que A Patrulha do Espaço fora uma banda com história grandiosa, e no caso do Ciro Pessoa, individualmente ele também mantinha o seu prestígio artístico por ter sido um ex-membro dos Titãs e de Kim Kehl & Os Kurandeiros, por também manter uma longa trajetória na cena.

No caso do Pedra, tratava-se diferentemente de uma banda que começara a sua a trajetória da estaca zero e há pouco tempo. Havia o apelo em torno de pelo menos três de seus componentes contarem com uma trajetória individual bastante respeitável em termos de currículo, visto que apenas o Ivan Scartezini, o nosso baterista, apresentava uma trajetória um pouco mais nova na música, mas mesmo assim, para todos os efeitos, éramos uma banda nova no mercado. 

Então, ao contar com o panorama difícil de metade de primeira década do novo século e sobretudo pelo espaço fechado para artistas independentes, sequer com abertura na emissora outrora interessada em música, a MTV, nós participamos de programas nesses moldes e foram poucos na verdade.

Um deles, ocorreu em um curioso programa produzido por pessoas abnegadas, músicos e agitadores culturais apaixonados pelo que faziam, chamado: "Sleevers", exibido pela "TV Alterna" e sob a condução de Fabio Macarrão. 

E assim, o Pedra foi convidado por esse programa e lá fomos nós em uma noite de maio de 2007, filmarmos a nossa participação que seria com duas músicas capturadas ao vivo em um estúdio ("Tonelada", localizado no bairro da Vila Mariana, zona sul de São Paulo), e a contar com mais um bloco de entrevista, ou seja, algo muito positivo.

Mas a despeito da extrema boa vontade e hospitalidade de seu produtor e apresentador, além dos membros da sua equipe, houve ali de forma implícita uma característica com a qual não contávamos. 

O fato, foi que essa rapaziada era mais entusiasta das correntes pesadas do Heavy-Metal e por conseguinte, a proposta do programa foi montada no sentido de reproduzir uma atmosfera de filme de terror, na linha mais moderna desse gênero cinematográfico, em torno das películas com histórias sobre psicopatas sádicos que torturam e matam pessoas a esmo, sem maiores explicações etc. e tal. 

Então, quando fomos gravar a nossa participação, esses rapazes entraram no estúdio para cumprirem a função de cinegrafistas a usarem macacões de cor laranja e máscaras macabras, dentro desse espírito e a movimentarem-se entre nós para filmar de uma maneira frenética, a estabelecer uma atmosfera perturbadora. 

Claro que eu achei bastante divertida e criativa tal linha de atuação, embora na realidade, fosse algo absolutamente antagônico à estética da nossa banda. De fato, fazia mais sentido com bandas sedimentadas na estética do Heavy-Metal e de preferência as mais radicais, do dito Metal extremo ou mesmo orientadas pelo Punk-Rock. 

E certamente se tratava do tipo de sonoridade que esses rapazes gostavam (inclusive eles formavam uma banda a atuar com esse espectro) e praticamente só filmavam outras bandas desse mesmo mundo correlato.

Bem, foi bem curiosa a nossa presença ali a tocar: "Sou Mais Feliz", por força de ser o nosso maior sucesso na ocasião, mas a tratar-se de uma canção no estilo Soft-Rock com alto teor Pop, portanto a destoar bastante da linha do programa, mas foi divertido, não posso negar.

Tocamos também, a música: "Se agora eu Pulo Fora", teoricamente um tema mais pesado para o nosso consenso interno, mas que na prática, deve haver soado como uma pluma para aqueles rapazes, entusiastas do Heavy-Metal. 

A minha lembrança de um dos personagens a dançar dentro do ritmo da canção, com uma máscara de porco, a trajar paletó, gravata, cueca por cima da calça e a distribuir notas falsas de dólares a satirizar o capitalismo, foi a mais divertida do que as dos monstrengos representados pelos demais, em minha avaliação. 

E ainda introduzimos ao final da nossa performance um trecho da música: "The Mule" do Deep Purple, para tornar tudo ainda mais bizarro dentro daquela ambientação. 

Gravamos essa participação na noite de 29 de maio, porém, o programa foi ao ar em 15 de junho de 2007. E assim, mesmo ao nos sentirmos como estranhos no ninho, eis que participamos desse bizarro programa.