Sem saída, ao perceber que estávamos irredutíveis nessa decisão, o Alex comunicou a sua decisão de sair da banda, evidentemente por se sentir tolhido pelos demais. Naturalmente, apesar de o consideramos uma pessoa boa e um excelente baterista, tínhamos no nosso íntimo, a certeza também que a nossa incompatibilidade artística se tornara enorme.
Esperar uma mudança interna que viesse repentinamente da parte dele, seria utópico. E por outro lado, seria um fardo tocar a banda adiante com um membro desmotivado, sem fé no trabalho.
Esse fora exatamente o outro ponto que incomodara-nos a reboque, pois o Alex sentia-se desconfortável toda vez que tocávamos no assunto de tocarmos ao vivo, e assim, necessariamente a representar que todos teriam que fazer sacrifícios iniciais inevitáveis etc.
Isso certamente fora um outro sinal de falta de confiança no projeto, pois ele lamentava perder uma data, ao deixar alguma de suas bandas cover sem tocar, ou no mínimo a tocar com um baterista substituto que poderia ser um concorrente em potencial ao seu próprio emprego. Não acho nada disso descabido, sob o ponto de vista pessoal dele.
Contudo, para o trabalho que estávamos a construir ali, foi necessário se contar com uma cota mínima de sacrifício pessoal naquele instante inicial, e sobretudo manter uma conduta mental focada no mesmo objetivo.
E no caso do Alex, isso ficou claro por suas atitudes desconectadas
com os princípios do trabalho que construíamos.
Ele ficou chateado, com
toda a razão, mas nós também, evidentemente. O ideal seria termos formado
uma banda com membros 100% comprometidos com os mesmos ideais, mas o Xando, que
foi o catalisador inicial do projeto, e mentor do movimento inicial
recrutador, fez o melhor que pôde nesse sentido.
Ao escolher o Alex, o Xando teve a lembrança do ótimo baterista que tocara com ele no Big Balls, durante os anos 1990, é claro, mas não ponderou que talvez não fosse ele, Alex, o nome ideal para uma banda com uma proposta tão diferente.
O
mesmo raciocínio deu-se em relação ao Tadeu Dias, Marcelo "Mancha", e um
primeiro baixista que escolheu, Fábio Mulan, que ficou pouquíssimos
ensaios no projeto, e debandou. Eu mesmo. Luiz, fui então a segunda opção para o baixo, e tanto Marcelo
Mancha quanto o Tadeu Dias, também saíram relativamente cedo. Conclusão: nunca foi fácil formar uma banda!
Se levar-se apenas em conta a condição técnica de um músico, você pode surpreender-se negativamente com outros aspectos. O caráter da pessoa pesa muito e os seus objetivos pessoais, também. Neste caso, sobre a parte técnica e o caráter do Alex, não pairava dúvidas, mas quanto aos ideais, houve um conflito.
O ideal seria que ele tivesse uma mentalidade artística 100% afinada com o objetivo do trabalho. Portanto, foram muitas as variantes e inevitavelmente deixamos a desejar em um ou outro aspecto, por que os seres humanos são complexos e não robôs com "configurações" prontas da fábrica.
Continua...



















































