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domingo, 27 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 38 - Por Luiz Domingues

Então o dia chegou, e foi naturalmente uma reunião tensa. Os nossos argumentos foram difíceis de se aceitar perante a concepção dele, eu admito. No entanto, por incrível que pareça, foram sinceros e assim, nada houve de pessoal em nossa decisão de eliminar a canção dele do disco. Não tratava-se de uma música ruim, mas destoava completamente do bojo do nosso trabalho, ao se analisar friamente e como estávamos a investir muito seriamente nesse projeto, não poderíamos tocar a vida adiante e dessa forma omitir um problema desse porte, simplesmente. 

Sem saída, ao perceber que estávamos irredutíveis nessa decisão, o Alex comunicou a sua decisão de sair da banda, evidentemente por se sentir tolhido pelos demais. Naturalmente, apesar de o consideramos uma pessoa boa e um excelente baterista, tínhamos no nosso íntimo, a certeza também que a nossa incompatibilidade artística se tornara enorme. 

Esperar uma mudança interna que viesse repentinamente da parte dele, seria utópico. E por outro lado, seria um fardo tocar a banda adiante com um membro desmotivado, sem fé no trabalho. 

Esse fora exatamente o outro ponto que incomodara-nos a reboque, pois o Alex sentia-se desconfortável toda vez que tocávamos no assunto de tocarmos ao vivo, e assim, necessariamente a representar que todos teriam que fazer sacrifícios iniciais inevitáveis etc. 

Isso certamente fora um outro sinal de falta de confiança no projeto, pois ele lamentava perder uma data, ao deixar alguma de suas bandas cover sem tocar, ou no mínimo a tocar com um baterista substituto que poderia ser um concorrente em potencial ao seu próprio emprego. Não acho nada disso descabido, sob o ponto de vista pessoal dele.

Contudo, para o trabalho que estávamos a construir ali, foi necessário se contar com uma cota mínima de sacrifício pessoal naquele instante inicial, e sobretudo manter uma conduta mental focada no mesmo objetivo. 

E no caso do Alex, isso ficou claro por suas atitudes desconectadas com os princípios do trabalho que construíamos. Ele ficou chateado, com toda a razão, mas nós também, evidentemente. O ideal seria termos formado uma banda com membros 100% comprometidos com os mesmos ideais, mas o Xando, que foi o catalisador inicial do projeto, e mentor do movimento inicial recrutador, fez o melhor que pôde nesse sentido.

Ao escolher o Alex, o Xando teve a lembrança do ótimo baterista que tocara com ele no Big Balls, durante os anos 1990, é claro, mas não ponderou que talvez não fosse ele, Alex, o nome ideal para uma banda com uma proposta tão diferente. 

O mesmo raciocínio deu-se em relação ao Tadeu Dias, Marcelo "Mancha", e um primeiro baixista que escolheu, Fábio Mulan, que ficou pouquíssimos ensaios no projeto, e debandou. Eu mesmo. Luiz, fui então a segunda opção para o baixo, e tanto Marcelo Mancha quanto o Tadeu Dias, também saíram relativamente cedo. Conclusão: nunca foi fácil formar uma banda!

Se levar-se apenas em conta a condição técnica de um músico, você pode surpreender-se negativamente com outros aspectos. O caráter da pessoa pesa muito e os seus objetivos pessoais, também. Neste caso, sobre a parte técnica e o caráter do Alex, não pairava dúvidas, mas quanto aos ideais, houve um conflito. 

O ideal seria que ele tivesse uma mentalidade artística 100% afinada com o objetivo do trabalho. Portanto, foram muitas as variantes e inevitavelmente deixamos a desejar em um ou outro aspecto, por que os seres humanos são complexos e não robôs com "configurações" prontas da fábrica.

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Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 37 - Por Luiz Domingues

Estávamos a ponderar sobre as diferenças de pensamento do Alex, em relação aos demais, desde o início das atividades da banda, ao considerar uma série de fatores:

1) A falta de sintonia conosco, artisticamente;
2) A falta de coadunação no objetivo a ser alcançado, com sua visão divergente sobre o nosso direcionamento;
3) A "economia" que ele fez na sua performance, ao criar linhas de bateria bem mais simples do que nós gostaríamos, pois a sua concepção fora atingir o Pop mainstream do mundo popularesco predominantemente;
4) A destoante composição de sua autoria, que se tornara uma questão clara para nós que suscitaria estranheza, quiçá críticas, quando o disco fosse lançado, e finalmente,
5) A sua recusa de querer tocar a se arriscar financeiramente e portanto, privilegiar a agenda pessoal para os seus trabalhos com bandas cover. 

O Renato Carneiro, enquanto produtor do disco, também chamou-nos para uma conversa, e nos questionou sobre a inclusão da música: "Pra Você" no CD. Enfim, foram muitos elementos a apontar para uma ruptura, inevitável. 

Sendo assim, reunidos os três demais componentes, e com o apoio do Renato Carneiro, resolvemos conversar com o Alex sobre a sua situação conflitante na banda. 

O primeiro ponto que falaríamos seria sobre a música, e mesmo que remotamente, ainda haveria a possibilidade dele permanecer, embora achássemos de antemão que ele não entenderia a nossa posição, e obviamente levaria isso para o lado pessoal. Mesmo dentro da sua coerência, ele interpretaria essa decisão como um direcionamento contrário à sua meta artística, muito por que, talvez nutrisse esperanças concretas nessa canção em detrimento das demais, anticomerciais na sua concepção. 

O primeiro contato nesse sentido foi telefônico e eu fui o eleito para ser o porta-voz da banda nessa decisão, por ser considerado o mais "calmo" dos três, em opinião colhida entre os demais. 

Claro que um assunto delicado dessa monta, mesmo eu sendo tradicionalmente equilibrado, seria bastante espinhoso. E de fato, foi muito desagradável, pois o Alex ficou muito irritado. É óbvio que foi uma reação esperada e legítima da parte dele. Quem gosta de ser contrariado e receber uma notícia dessas de forma arbitrária e à revelia? Os nossos propósitos foram nobres, ao pensarmos na preservação do trabalho, mas foi evidente que ele não aceitou a nossa argumentação e o clima ficou muito desfavorável. 

Então, ainda em fevereiro, marcou-se uma reunião para tirarmos tudo isso a limpo e uma decisão ser tomada. Já ficara implícito que ele deixaria a banda, pois o clima criado pelo telefone, foi emblemático.

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Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 36 - Por Luiz Domingues

Dessa maneira, chegamos em um ponto insustentável, logo em fevereiro de 2006. O disco estava praticamente encerrado em sua produção e a necessidade de tocarmos ao vivo estava premente, principalmente pela exposição de nossos clips e uma expectativa gerada no meio Rocker, pois veteranos que éramos, gerávamos uma natural expectativa no meio. 

Então, tivemos que tomar uma atitude dura, aliás duas. O primeiro ponto foi que houve uma música composta pelo Alex, chamada: "Pra Você", que incomodava-nos pela sua estética melódica, harmônica e sobretudo pelo teor da letra. Estava gravada e mixada, mas parecia não encaixar-se no disco, ao destoar do restante do trabalho. Não era uma música ruim, todavia, e houve um esforço coletivo no tocante ao se elaborar um arranjo, no sentido de dar-lhe uma roupagem à altura das demais. 
Contudo, ela destoava do restante do trabalho de forma acentuada, e nem com maquiagem "Prog-Rock", deixou de apresentar sinais antagônicos aos nossos propósitos. E de fato, essa tentativa de maquiagem "Prog" ocorreu, com o Rodrigo a inserir teclados sobrepostos bem ao estilo do "Pink Floyd", também por conter um ótimo solo do Xando, e a base harmônica caprichada com belos timbres de guitarra. Eu usei o meu Rickenbacker, e com a chavinha de captação colocada na posição do meio, extraí um timbre bonito, ao remeter ao "Genesis" de Michael Rutherford, além dos backings vocals criados pelo Rodrigo, que ficaram muito interessantes, com uma certa proximidade com o estilo do "Queen". Mas mesmo assim, a canção ainda mantinha um nítido ranço popularesco, a pairar entre o Roupa Nova e duplas sertanejas. 

O Alex, apesar dos apelos insistentes do Xando e do Renato Carneiro, insistiu em gravar seu vocal solo com impostações e maneirismos desse tipo de artistas populares, o que certamente era um estranho no ninho no universo artístico do Pedra. 

Após muitas ponderações, resolvemos ter uma conversa franca com o Alex, sobre a canção, e também sobre sua atuação na banda, principalmente na questão dele apenas desejar fazer shows com segurança financeira assegurada etc. Claro, foi um assunto espinhoso e assim que comunicamos-lhe a decisão de conversar, ficou um clima pesado, e na conversa ocorrida pessoalmente, instaurou-se um clima ainda mais tenso.

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Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 35 - Por Luiz Domingues

E dessa forma, com a demora para resolvermos a questão da capa, o Rodrigo pôs-se a desenvolver o encarte, livremente. Ele estava inseguro, inicialmente, pois definitivamente não é um Web Designer, longe disso. Mas ao aventurar-se em meio a programas simples de formatação visual, criou essa profusão de cores ao promover deformações em nossas fotos, de maneira a criar verdadeiras fantasmagorias, muito interessantes visualmente. 

Com o áudio praticamente mixado e prestes a ser masterizado, o Renato Carneiro anunciara enfim o término dos trabalhos do primeiro CD do Pedra, para breve. 

Desde 2005, mesmo quando o clip de "O Dito Popular" já passava esporadicamente em estações de TV alternativas como a Rede NGT, e por seis vezes no Multishow, falávamos em produzir shows. 

A banda estava afiada pela quantidade de ensaios e o repertório estava na ponta da língua. Mas sempre que falava-se em shows, o baterista, Alex Soares fazia a ressalva que precisava priorizar a sua banda cover, pois era o seu meio de sustento, e o Pedra seria em sua ótica, uma incógnita, por ser um trabalho a partir da estaca zero e certamente por ser autoral em 100%, com dificuldades inerentes para estabilizar-se. Sabedor de que as portas são cerradas para artistas autorais nesse circuito underground, Alex temia que marcássemos shows com alto risco financeiro, em detrimento de perder datas com a sua banda cover, e assim perder dinheiro, e eventualmente até o seu emprego na banda. 

Compreensível a preocupação dele no âmbito pessoal, ainda mais por ser casado e ter na época, uma filha recém nascida. Contudo, isso foi muito frustrante para nós três, demais componentes, pois sentíamos estarmos em um barco com três remadores ao invés de quatro. 

Além desse impasse, havia um outro, de ordem estética. Alex desejava posicionar a banda na estratégia de uma linha competitiva para o mercado Pop, mas sob a visão do mundo popularesco. Ele tivera uma recente experiência pessoal nesse sentido, quando quase entrara para um esquema "mainstream", ao gravar com a banda "LSD", formada pelos ex-membros do RPM, Luis Schiavon e Fernando Deluqui. 

Com tema emplacado na então novela das seis da Rede Globo ("Cabocla"), e tais contatos globais devidamente em mãos, achou estar no caminho certo para acertar-se na vida. Mas o tal "LSD", ao contrário, teria tudo para dar errado, desde a sua criação, no entanto. Para início de conversa, a sigla "LSD" dava a falsa impressão de tratar-se de uma banda de Rock sessenta-setentista muito louca, mas não passava das iniciais dos membros oficiais. Portanto, como esperar que atingisse a grande massa? 

Além do mais, nem com o tema de novela assegurado e "pistolões" globaisa fazer lobby, a banda vingou. Foi um fiasco, e encerrou as suas atividades quase sem fazer alarde algum, para a tristeza de Alex que vislumbrara dinheiro e fama. 

Contudo, ao conviver com esses artistas, ele absorvera muito da mentalidade deles que já habitavam o mainstream, desde o estouro do RPM nos anos oitenta, e portanto, desejava direcionar o Pedra para um caminho entre isso, e o "Roupa Nova", aliás, o seu ideal de banda perfeita a ser seguida. 

Nada contra o Roupa Nova, mas o Pedra detinha outra mentalidade, diametralmente oposta, e esse choque divergente de posicionamento de trabalho, começou a azedar a relação entre Alex e os demais membros da nossa banda, fechados em um outro ideal artístico. A adicionar-se com a reserva dele em não querer arriscar shows financeiramente deficitários para que pudéssemos efetuar um primeiro impulso, tudo isso somado pôs a minar a nossa relação e o convívio.

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Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 34 - Por Luiz Domingues

Entramos no ano de 2006 com o disco quase finalizado, e após algumas negociações frustradas, finalmente estávamos por definir a questão do lay-out de capa, e encarte para o CD. Em esboços preliminares, ventilou-se a ideia da capa conter arte rupestre, a evoca-se o caráter da Idade da Pedra.

Um artista gráfico, amigo do Rodrigo, chegou a fazer esboços nesse sentido, mas após algumas experimentações, culminamos em não empolgarmo-nos com o resultado, mesmo após algumas tentativas de modificações, mediante sugestões de nossa parte. Como esse processo de esboços e desaprovações começou a arrastar-se, o Rodrigo adiantou-se e por conta própria, começou a fazer experiências, ele mesmo em seu PC, com as nossas fotos, a conferir contornos fractais. 

Eu e Xando Zupo ficamos muito entusiasmados quando vimos as experiências dele, pois continham um colorido incrível, até de certa forma, a aludir à psicodelia sessentista.

Foram baseadas em fotos clicadas pela fotógrafa, Grace Lagôa, por ocasião das filmagens do vídeoclip da canção: "O Dito Popular", inclusive alguns frames do vídeo em formato "still". 

Começamos a elaborar o texto do encarte/ficha técnica, e foi ponto pacífico que deveria conter todas as letras, pois esse quesito fora considerado vital para o trabalho do Pedra, e motivo de orgulho, até. Contudo, fatos novos, produziriam diversas mudanças na concepção desse projeto gráfico todo, conforme eu contarei, logo mais.

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Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 33 - Por Luiz Domingues

Animados com a exibição do clip de "O Dito Popular" através do Canal Multishow, e a crescente exibição dentro da grade da Rede NGT, entramos em janeiro de 2006 com a perspectiva da finalização da mixagem do nosso primeiro CD. 

Apesar de ter sido muito demorado por conta da escassez de oportunidades na agenda do produtor, Renato Carneiro, sem dúvida que o resultado sonoro compensara a demora, pois estava a ficar com uma qualidade incrível no tocante aos timbres e também pela pressão sonora, a chegar a um patamar de volume quase compatível com produções caras, da parte de artistas mainstream. 

Tivemos também ao longo do disco, a presença de dois músicos convidados, que em sessões diferentes e ocorridas em 2005, abrilhantaram o trabalho do Pedra.

O bom percussionista, Caio Inácio, com parte de seu arsenal de instrumentos, no dia da gravação da percussão

O primeiro foi o Caio Inácio, percussionista que o Rodrigo conhecera por suas atuações pela noite paulistana. Ele foi bastante criativo em suas intervenções. Toda a "escola de samba" que aparece no final da música: "Me Chama na Hora", foi tocada somente por ele, ao criar a batucada naquele instante da gravação, e a arranjá-la com bastante propriedade.

Eu, Luiz Domingues, a conversar com o percussionista, Caio Inácio, no dia da gravação da percussão. Foto: Grace Lagôa

Uma pequena, sutil, porém bonita intervenção na música: "Amanhã de Sonho" também foi uma contribuição dele, através da colocação de um singelo sino cerimonial.

                             O trompetista, Robson Luis

E o outro músico que culminou em dar-nos uma ajuda boa, foi: Robson Luis, um trompetista que tocou no trecho final da música: "Misturo Tudo e Aplico", onde a canção assume ares de uma música mexicana e com o trompete, ficou mesmo acentuada essa intervenção, com a aparência de um autêntico "Mariache de Guadalajara".

O nosso convidado, Robson Luiz, a gravar o trompete em: "Misturo Tudo e Aplico"

E como ele compôs um arranjo com várias vozes abertas em harmonia, dá a impressão de vários trompetistas a tocarem juntos, e assim, a contribuir para que a música fosse registrada com um final espetacular e muito inusitado, certamente a surpreender Rockers mais radicais que esperavam um disco centrado no estilo do Hard-Rock tradicional.

A confraternizar após a sessão de gravação do trompete. Da esquerda para a direita: Robson Luiz, Xando Zupo, e Rodrigo Hid

O Robson tocava com uma banda famosa na noite paulistana, chamada: "Quasímodo", especializada em Disco Music dos anos 1970. E o Caio Inácio, era um músico requisitado como side-man de diversos artistas de diferentes vertentes.

Caio Inácio e Renato Carneiro na sessão de gravação da percussão no disco Pedra I

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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 32 - Por Luiz Domingues

Claro, eu e o Xando Zupo, como veteranos na música, que já éramos na ocasião, tínhamos os pés no chão e sabíamos que uma mera aparição na TV não mudaria a nossa vida para sempre, tampouco meia-dúzia de aparições como ocorrera no canal Multishow, mesmo com ela a se tornar uma estação de TV fechada que era elegante naquela ocasião. Entretanto, concomitantemente, aparecer com um clip bem produzido no canal Multishow não foi exatamente um feito pequeno, e essa oportunidade poderia ter movimentado alguma precipitação maior a posteriori. Nesse sentido, o nosso grande azar, foi que ainda não havíamos finalizado o CD. 

Não foi por nossa culpa e nem pelo Renato Carneiro, mas sim pelas circunstâncias. O fato é que o Renato trabalhava fixo como técnico de som de Zezé Di Camargo & Luciano, e uma dupla sertaneja mainstream desse porte fazia praticamente vinte e cinco shows por mês, em média. Dessa forma, sobrara pouquíssimo espaço na agenda dele, para nos mixar, e daí as sessões terem ficado tão espaçadas.
Apesar dessa animação pelas seis aparições do clip através do canal Multishow, o mês de dezembro avançou, e a seguir a tradição tupiniquim, nada mais aconteceu no país, ao ligar um longo recesso, da metade de dezembro, até o fim do carnaval. Dessa forma, ficamos mesmo somente a ensaiar e aguardar as brechas possíveis para a agenda do Renato, nesse final de 2005.
Um outro assunto que tivemos, foi que começamos a sentir que o nosso baterista, Alex Soares realmente não encaixava-se em nossas metas. Na verdade, sabíamos disso já há bastante tempo, mas fomos a postergar essa situação, bem naquela predisposição em torno da vã esperança de uma mudança de sua mentalidade, que nunca ocorreria, pois se tratava de uma questão de foro íntimo e nesse caso, geralmente a pessoa não percebe as diferenças que para os demais podem soar como gritantes no tocante à incompatibilidade. E também pela questão de misturar as questões. Por ser um rapaz de ótima índole e tocar bem, indiscutivelmente, postergávamos uma decisão pois sempre ponderava-se essas qualidades particulares dele como fator de contrapeso.
Infelizmente, essas qualidades notáveis não desabonavam os pontos onde enxergávamos divergências, e no início de 2006, essa questão foi a ganhar um adorno insustentável. Um dos pontos nevrálgicos foi sobre uma canção composta por ele, Alex, e que foi arranjada, gravada e mixada, mas que culminou em não entrar no set do CD Pedra. E assim encerrou-se o ano de 2005...
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Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 31 - Por Luiz Domingues

Claro que essa aparição que tivemos no programa: "Totalmente Livre" da Rede NGT, não transformou a nossa vida, mas por incrível que pareça, muita gente viu. Digo isso com certa estupefação, por que a emissora operava (opera) em UHF, e com toda essa tecnologia que temos hoje em dia, realmente parece algo pré-histórico. 

Mas o fato, é que ao contrário da MTV, a Rede NGT passou a exibir com frequência muito grande o nosso clip da canção, "O Dito Popular", e cada vez mais ouvíamos pessoas a comentar sobre nos ter visto, e já sob uma Era de divulgação pela internet, essa medição fazia-se clara, através do nosso site e pelo "Orkut", a rede social que fora a bola da vez na ocasião. 

Também nessa época, recebemos o convite para participar de um "Podcasting". Ainda era uma relativa novidade esse tipo de mídia de internet que simula uma emissora de rádio na prática, e abriu campo para que milhares de programas surgissem, alguns muito bons, inclusive. Claro, a pulverização total que a internet ganhou logo a seguir, tratou de minimizar o efeito desejado, mas ainda hoje acho válido ter esse tipo de apoio.

No caso desse podcasting ("Podcasting Brasil"), era gerido por um grupo de garotos com aspiração a fazer jornalismo cultural, talvez a imitar programas de TV a cabo como o "Manhattan Connection" e similares. Fomos à cidade de Barueri-SP, para participar no estúdio com essa garotada e foi uma conversa bem mal conduzida, pois não esses rapazes não tinham o preparo adequado para entrevistar alguém bem mais experiente do que eles. Talvez estivessem acostumados a entrevistar bandas de garotos da idade deles, no colégio ou faculdade que estudavam, mas definitivamente, faltou estofo para os rapazes. 
 
O auge de sua inadequação deu-se quando o mais impetuoso entre eles, com certa empáfia até, perguntou-nos se nós entráramos na no mundo da música para conquistar garotas... bem, acho que dispensa maiores comentários...

 
Havíamos mandado também cópias do clip para o Canal Multishow, de TV a cabo, mas não houvera nenhum sinal de recebimento. Mandamos também para um famoso apresentador que fora anteriormente da MTV, e agora estava a trabalhar para o Multishow. Chegamos a enviar três materiais, um inclusive que chegou em mãos, através de um contato nosso que era amigo pessoal dele, diretamente enviado ao seu apartamento em São Paulo, mas esse apresentador nunca dignou-se a dizer absolutamente nada, nem uma sílaba.
Naturalmente deve ter achado uma porcaria, haja vista a profusão de artistas indie que promoveu nesses anos todos posteriores nas atrações que protagonizou. Pela lógica da ilógica inversão de valores, se ele gostava daquela gente que não sabia tocar instrumentos musicais, naturalmente abominava-nos...

Então, ao final de 2005, tivemos enfim uma boa surpresa!
Sem que ninguém avisasse-nos, o canal Multishow exibiu por seis vezes o nosso clip! 

Estávamos em uma tarde de ensaio a vasculhar a internet a esmo, quando eu sugeri ao Xando que ele buscasse o site do Canal Multishow para olharmos. 

Foi aleatório e desprovido de qualquer esperança prévia, mas por absoluta surpresa, eis que levamos um susto: estava na capa da grade de atrações, o nosso nome e uma foto do Rodrigo a cantar, na verdade, a se caracterizar como um frame do clip. Iríamos perder a chance de ver e jamais ficaríamos a saber, pois não fomos avisados por email ou telefone, mas por essa coincidência incrível, ficamos a saber que o nosso clip passaria no programa: "Mandou Bem", no dia 13 de dezembro de 2005, sob apresentação da atriz, Daniela Suzuki. Assistimos e gravamos, é claro. E depois houve mais cinco repetições no mesmo programa. Será que outras portas abrir-se-iam doravante após termos estado em um canal badalado da TV a cabo?
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Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 30 - Por Luiz Domingues

No segundo bloco, fomos para a nossa entrevista, seguida da dublagem da música: "O Dito Popular". 

Na entrevista, a Giovana fez as perguntas de praxe sobre a origem da banda, e o por que do nome: "Pedra", ao iniciar a seguir, uma breve discussão sobre a questão da pirataria de CD's. Isso ainda era um tema polêmico, e esquentava as conversas nas rodas formadas por artistas e produtores musicais naquela época. Contudo, a velocidade com a qual os fatos transformaram-se no âmbito do mundo fonográfico em relação aos avanços da tecnologia, principalmente sobre a movimentação dentro da internet, tornou essa conversa obsoleta, muito rapidamente.

Antes de dublarmos, no entanto, houve uma indefectível ação de merchandising, com a entrevistadora, Giovana a interagir com uma demonstradora de uma linha de cosméticos que aliás, patrocinava o programa. Nada mais tipicamente feminino, portanto. Ganhamos os tais kits de cosméticos da patrocinadora do programa, com a Giovana a enfatizar que não deveríamos usar os produtos, mas ofertá-los às nossas esposas e/ou namoradas, ao chegar a insistir nessa piada sem graça. 

A nossa dublagem foi divertida. Ficamos perfilados e dublamos como nos velhos tempos do programa do Chacrinha. Mas neste caso aqui tivemos o programa da Giovana, mesmo e que foi ao ar no sábado subsequente, e como tratava-se (trata-se), de uma emissora que opera em UHF, nenhum de nós conseguiu sintonizar adequadamente e gravar a participação. 

Contudo, o produtor do programa (Sergio Salce), foi gentil e proporcionou-nos uma cópia em formato VHS. Isso não foi postado no YouTube ainda, mas poderá ser lançado a qualquer instante, embora não tenha uma qualidade de imagem boa.

Trata-se de um único registro de TV com o baterista, Alex Soares, portanto, raro para os fãs do trabalho. 

E ao final, houve um momento quase constrangedor: a apresentadora Giovana , que encerrava normalmente a cantar uma música de seu disco, seguiu a sua tradição e pediu-nos que levantássemos e ficássemos no enquadramento da câmera, a dançar. Nós e o Leo Richter do Twister, com expressões faciais de completo constrangimento enquanto ela rebolava, foi hilário! 

E o som dela, tratava-se de um R'n'B Pop "modernoso", e bem no padrão do "soft-pornô", ao seguir uma definição debochada, porém certeira da parte do Xando, que criou o neologismo.

Continua...