domingo, 27 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 36 - Por Luiz Domingues

Dessa maneira, chegamos num ponto insustentável logo em fevereiro de 2006. O disco praticamente encerrado e a necessidade de tocar ao vivo estava premente, principalmente pela exposição de nossos clips e uma expectativa gerada no meio rocker, pois veteranos que éramos, gerávamos uma natural expectativa no meio. 

Então tivemos que tomar uma atitude dura, aliás duas. O primeiro ponto era que havia uma música composta pelo Alex, chamada "Pra Você", que incomodava-nos pela sua estética melódica, harmônica e sobretudo pelo teor da letra. Estava gravada e mixada, mas parecia não encaixar-se no disco, destoando do restante do trabalho. Não era uma música ruim todavia, e houve um esforço coletivo de arranjo no sentido de dar-lhe uma roupagem à altura das demais. 
Contudo, ela destoava do restante do trabalho de forma acentuada, e nem com maquiagem "prog", deixou de apresentar sinais antagônicos aos nossos propósitos. E de fato, essa tentativa de maquiagem prog ocorreu, com o Rodrigo colocando teclados "PinkFloydianos"; um ótimo solo do Xando, e a base harmônica caprichada com "timbrões" de guitarra. Eu usei o meu Rickenbacker, e com a chavinha de captação colocada na posição do meio, tirei um timbre legal remetendo ao "Genesis" de Michael Rutherford, e os backings vocals criados pelo Rodrigo, ficaram muito legais, meio na onda do "Queen". Mas mesmo assim, a canção ainda tinha um nítido ranço brega, pairando entre o Roupa Nova e duplas sertanejas. 
O Alex, apesar dos apelos insistentes do Xando e do Renato Carneiro, insistiu em gravar seu vocal solo com impostações e maneirismos desse tipo de artistas populares, o que certamente era um estranho no ninho no universo artístico do Pedra...
Após muitas ponderações, resolvemos ter uma conversa franca com o Alex, sobre a canção, e também sobre sua atuação na banda, principalmente na questão de só querer fazer shows com segurança financeira etc. Claro, era um assunto espinhoso e assim que comunicamos-lhe a decisão de conversar, ficou um clima pesado, e na conversa ocorrida pessoalmente, ficou um clima ainda mais tenso. Logo mais dou prosseguimento desse ponto da narrativa.
Continua...

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