domingo, 20 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 139 - Por Luiz Domingues



Fazer tour é cansativo para qualquer um, mas é claro que a disparidade de condições que existem em inúmeros patamares é gritante. Tenho certeza que para os Rolling Stones também é cansativo, mas o luxo e as mordomias que tem a seu dispor, minimizam a canseira.

No nosso caso, as condições eram hercúleas em todos os sentidos, mas haviam inúmeras compensações, também.

Se por um lado, nem todo hotel ou restaurante que dispúnhamos era "bacana" (e nesse sentido, a cada dia éramos surpreendidos positiva ou negativamente), por outro, havia a doce constatação de que estávamos exercendo a nossa profissão com total vigor, sendo uma banda de Rock literalmente na estrada (e num país como o Brasil que não dá suporte algum à cultura, e que sobretudo padece de uma real democracia no âmbito cultural, deixando que uma maldita máfia domine todos os espaços, despoticamente, e não deixando  nem as migalhas para outsiders do mainstream como nós), a possibilidade de fazer uma tour, com um show por dia, e cada dia numa cidade, era uma vitória retumbante.

Nesse sentido, não importava que não fossem shows realizados em teatros bem estruturados com som e luz de primeira; estrutura de camarins e logística perfeita; não importava se não ficássemos em hotéis 5 estrelas e fazendo nossas refeições em restaurantes sofisticados.

E nem mesmo que a tour fosse realizada mediante percurso aéreo, com uma equipe enorme e azeitada, só nos incumbindo de sermos o que éramos, ou seja, artistas, preocupados com o desempenho no palco e nada mais.

Estávamos tão contentes em estar viajando, que a falta dessas condições ideais que arrolei, não nos incomodava, apesar das dificuldades que enfrentávamos na contramão da nossa realidade como artistas do underground.

Por exemplo, o show de São Carlos fora sensacional pela vibe, mas a infra que tivemos, foi toda improvisada. 

A bilheteria "gorda" que tivemos por conta de cerca de 400 pagantes, compensou a economia em não ter alugado um P.A. e equipamento de luz profissionais, além da estadia num modesto hotel, mas claro que isso nos limitava em vários aspectos. 

A respeito do hotel em que nos hospedamos, sofremos um pouco com o calor interiorano desprovido de ar condicionado nessas condições, fora o barulho, por estar localizado na principal avenida da cidade, e nesses termos, mal amanheceu e o movimento urbano da rua não nos deixou repousar convenientemente, com as pessoas não levando em conta que éramos rockers extenuados por uma noitada de Rock excelente...

Ainda deu tempo para um sorvete refrescante na sorveteria que virou nossos oásis "anticalor" em São Carlos, após o almoço. 

O pessoal do "Homem com Asas" veio despedir-se de nós e agradecer pela oportunidade da noitada rocker...ora, nós é que deveríamos lhes agradecer por todo o suporte recebido em todos os sentidos e se houve o show, e este foi um sucesso, o mérito deles pela produção e esforço em fazer acontecer, fora notável...

Hora de partir, e o velho Mercedes'1976 tomou o rumo da estrada. 

O destino agora era Monte Alto, uma pequena cidade na região de Bebedouro e Jaboticabal, no caminho para Ribeirão Preto...

Continua... 

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