terça-feira, 22 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 153 - Por Luiz Domingues


Londrina fica distante de São Paulo, cerca de 520 KM, portanto, viajando no período noturno, fugimos do calor torrencial de janeiro, mas perdemos em agilidade, com a viagem sendo feita numa velocidade mais comedida, por questão de segurança.

Chegamos em Londrina com o amanhecer se pronunciando, e fomos direto ao hotel Berlim, no centro da cidade. Ao nos instalarmos, curtimos a atmosfera antiga do estabelecimento, parecendo ser uma construção dos anos 1920, mas desistimos de dormir pelo restante da manhã, quando notamos que tal tarefa seria impossível por um motivo : os quartos que nos foram reservados, ficavam numa ala próxima à uma avenida de grande movimento.  
Estacionamento interno do Hotel Berlim, em Londrina-PR. Acervo de Vincoleto Kajão 

Em suma, com aquele barulho de carros, ônibus e motos em velocidade, com direito à freadas, buzinadas e eventuais gritos de xingamentos, realmente inviabilizou-se nosso sono vespertino e convenhamos, mesmo dormindo grande parte do trajeto da estrada, estávamos "moídos", após cerca de 520 KM.

Resolvemos então dar um passeio interno pelo hotel, visando apreciar essa atmosfera vintage que remetia aos filmes do Win Wenders, e posteriormente pelas cercanias do mesmo. 

Dentro do estabelecimento, nos divertimos em descobrir algumas partes do hotel que realmente nos davam a ideia de que eram instalações antigas, e recordo-me que o Marcello fez algumas filmagens que um dia poderiam aparecer no You Tube, como lembranças de bastidores, tranquilamente.

Num passeio pelo centro, comprei os dois jornais da cidade, e fiquei feliz ao constatar que haviam saído matérias de página inteira em ambos. 

A reverência com a qual a imprensa local nos tratou, era até comovente de certa forma, e nos fazia pensar o quanto uma banda da história e tradição da Patrulha, deveria ser tratada sempre dessa forma, e em contraponto, o fato de que isso era raro, tornava tal atenção um fato dispare, diante da realidade brasileira.  

Em tais matérias, falaram de nossa história, mas também do então momento presente da banda, e das perspectivas que tínhamos, o que era bastante animador para nós.  

Havia um grande mérito nesse específico fato, pois a produção desse show, apesar de que tocaríamos num bar de pequeno porte, tratou o evento como se fosse de um porte maior, e daí ter nos dado a segurança de termos ido tocar, pois não obstante o fato da casa ser pequena, a projeção era de público máximo e com expectativa para nos ver em ação.  

O produtor do show era um rapaz chamado Marcelo Domingues e apesar do sobrenome igual ao meu, não era parente meu. Esse rapaz era bastante dinâmico e mesmo sendo novo na profissão, mostrava bastante competência e de fato, pouco tempo depois, estava à frente de um Festival independente que ficou famoso no circuito de bandas independentes, chamado "Demo Sul". Inclusive, a Patrulha participaria de uma edição de tal festival no ano seguinte, 2003,  como headliner.

Almoçamos, descansamos um pouco e fomos fazer soundcheck no período da tarde. De fato, a casa era bem pequena, mas havia um P.A. digno, que garantia uma sonoridade legal para o show. O palco era apertado, mas já havíamos nos acertado em lugares até menores anteriormente, portanto, nos adaptaríamos.

Voltamos ao hotel, jantamos, e no horário marcado, fomos ao local, que se chamava "Valentino", inspirado no galã latino do cinema dos anos 1920, Rodolfo Valentino.
Continua...

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