terça-feira, 1 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 113 - Por Luiz Domingues

Infelizmente, a única peça de portfólio que tenho desse show é um "memorandum" da produção...paciência !

Decidimos ir com nosso ônibus, pois afinal de contas era um show de porte e seria um gesto mínimo de profissionalismo de nossa parte levar o nosso backline, ainda que houvesse um equipamento disponível no palco, da parte da produção do evento.

A nossa participação fora mesmo um encaixe, pois o evento era um daqueles típicos promovidos por uma estação de Rádio, onde o artista toca de graça, como "investimento de carreira", em troca de execuções radiofônicas de seu trabalho. Muitos artistas submetem-se à esse tipo de permuta, que na prática é uma espécie de "jabá branco"...

Enfim, chegamos ao Sesc no início da tarde, pois o soundcheck seria muito cedo, rápido e em cima da hora do show. O ônibus ainda não havia recebido a sua nova cor, portanto, voltou à oficina depois desse compromisso, para o arremate final.
Logo que estacionamos o nosso valente Mercedão 1976, vimos que a diferença entre estar ou não no mainstream se refletia desde o estacionamento. As duas bandas que eram as estrelas  do show, ostentavam ônibus de última linha, modernos e tinindo, enquanto o nosso parecia um velhinho saído de algum museu da categoria.

Uma equipe de "carriers" do Sesc veio nos auxiliar na árdua tarefa do descarregamento e fora providencial, porque só tínhamos dois roadies nossos.

Ali já ocorreu uma coisa hilária...

Um dos carriers do Sesc, era um sujeito nanico, ainda muito mais baixo do que eu (tenho 1.65 m). Na hora em que o vimos, nos entreolhamos estupefatos, pois apesar de ser troncudo e com braços musculosos, sua baixa estatura nos deixava incrédulos sob sua profissão, por motivos óbvios.

O que é o preconceito...pois o cara tinha uma força descomunal e uma agilidade inacreditável. Seu primeiro ato dentro do ônibus, foi colocar o amplificador do Rodrigo no ombro e sair correndo, literalmente, dali até o palco, como se estivesse transportando um volume simples e sem peso algum.

Ficamos boquiabertos vendo o cara fazer essa tarefa hercúlea e o festival de piadas começou ali mesmo. Eu mesmo me antecipei
e apelidei o sujeito de "Cacique Cobra Coral", porque tinha a pele
avermelhada e ostentava uma cabeleira parecida com o corte que indígenas costumam fazer, no estilo "tijelinha".

E para quem acompanha a política, deve recordar-se que o Cacique Cobra Coral é supostamente um espírito que se manifesta para um médium e dá conselhos para políticos, e bem nessa época, sua figura estava popular na mídia, pois presumivelmente estaria alertando o governo federal sobre o colapso energético iminente,
mas pelo visto, os tucanos não lhe deram ouvidos...

Enfim, quando pensávamos que o pequeno Cacique Cobra Coral, o carrier, e não o espírito, teria um colapso cardíaco no palco, ei-lo de volta no ônibus e com a mesma desenvoltura, colocou a carcaça pesada do piano Fender Rhodes do Marcello nos ombros, e saiu em disparada novamente...

Primeira lição da tarde : não prejulgue um homem pela sua baixa estatura...

Continua...

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