domingo, 20 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 137 - Por Luiz Domingues


Quando chegamos ao ambiente do show, ficamos contentes por ver que mal dava para caminhar. 

A casa estava abarrotada. O Show do "Homem com Asas" estava para iniciar-se, e nós arrumamos uma mesa para nos acomodar e assisti-los. 

Assim que chegamos na mesa, vi uma moça loira e muito bonita que pareceu-me conhecida. Ela nos reconheceu, e veio nos cumprimentar. Era a pupila/assistente de pintura do artista plástico, André Peticov.
Neste frame do programa Musikaos, onde nos apresentamos, uma imagem de André Peticov, e sua pupila em ação 

Essa moça esteve no palco do Teatro Sesc Pompeia, em abril de 2001, quando nos apresentamos, e auxiliou o Peticov a pintar, enquanto tocávamos na edição do programa "Musikaos", da TV Cultura de São Paulo, conforme já relatei muitos capítulos atrás.

Sua reação foi engraçada, pois chegou dizendo : -"O que vocês estão fazendo aqui" ? Ora, éramos a atração principal da noite na casa, mas distraída, ela nem tinha se dado conta do fato. Então ela nos contou que São Carlos era a sua cidade natal, e estava ali passando as festas de fim de ano, com sua família.

O show do "Homem com Asas" foi ótimo, apesar de serem naquela ocasião, uma banda só trabalhando com covers. Era uma pena, pois o nível técnico dos rapazes era excepcional e sua cultura rocker 60/70, notável. E tanto era assim, que davam-se ao luxo de tocarem muitas pérolas só identificáveis por conhecedores do assunto.

Ficamos muito amigos deles, que abririam outros shows nossos, ajudariam em outras produções, e nossa amizade prossegue até os dias atuais, pelas redes sociais.

Chegou a nossa vez, enfim. 

A expectativa era enorme, dava para sentir no ar. São Carlos seria uma cidade que visitaríamos outras vezes no futuro, e era uma daquelas onde o público rocker era muito grande. E o nível cultural desses jovens, muito elevado, a começar pelos membros da banda "Homem com Asas", todos universitários, e a maioria estudantes de física na Usp, ou na Ufscar.

Era um turma de freaks, com visual de hippies sessentistas e cientistas experts em física, principalmente... 

Começamos a tocar e o equipamento não era mesmo suficiente para suprir um ambiente amplo com cerca de 400 pessoas presentes. Não foi um show confortável para nós, tecnicamente, mas compensou pelo público receptivo e em sua maioria, bastante antenado no que representava a Patrulha do Espaço, e principalmente pelo astral que queríamos imprimir após a grande volta de 1999, ou seja, São Carlos era uma cidade ideal para a nossa proposta reverberar, conforme tudo que elucidei.

Um fato engraçado (desastroso, na verdade), ocorreu quando eu fui falar com o público. Aproveitando uma deixa do show para efetuar agradecimentos, falei o seguinte : 

-"a Patrulha estava muito feliz por estar tocando em Rio Claro"... 

Eu não bebo, tampouco me drogo, portanto não havia desculpa para falar uma bobagem dessas no microfone, mas o lapso ocorreu...

Assim que pronunciei "Rio Claro", muitas pessoas do público gritaram "São Carlos", corrigindo-me e no interior, existem as rivalidades locais bem acentuadas, portanto, creio ter aborrecido muita gente naquela noite, infelizmente.

Sem graça, tentei corrigir, alegando que tocaríamos em Rio Claro no dia seguinte e me confundi, mas o estrago estava feito...

Nem passaríamos por Rio Claro nessa tour, pois no dia seguinte o show seria na verdade em Monte Alto...

Continua...

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