domingo, 20 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 134 - Por Luiz Domingues


Após o almoço, já estávamos prontos para a retomada da jornada. 

Particularmente, estava apreciando o empenho do Marco Carvalhanas, como Road Manager da tour, embora ele não fosse nada experiente na função.Todavia, sua força de vontade em querer aprender era notável, e o empenho em agir e ser útil, facilitando a nossa vida ao máximo, estava agradando-me, e acredito que também aos demais.

Deixamos Americana por volta das 13:00 h. Como primeiro show da turnê, foi muito válido tocar nessa cidade, embora a casa onde nos apresentamos não tenha sido a ideal para um show de Rock e sem falsa modéstia, para a tradição de nossa banda, enfim...

Mas o importante é que serviu como estopim, ganhamos um cachet razoável que ajudou no cômputo geral, e "ensaiamos" ao vivo, reforçando a nossa condição para os demais shows.

Mas havia também mais a ser comemorado, e embora soassem como coisas pequenas, eram positivas. Vendemos discos na loja de discos Rocker local; saímos com destaque no jornal da cidade, além de atendemos as expectativas de nosso diminuto público, e isso valia muito para nós.

Como já mencionei, haviam mais de 300 pessoas na casa noturna "My Way", mas aqueles jovens ignoraram retumbantemente o nosso show, embora servia-nos de consolo o fato de que qualquer banda sofria essa indiferença, inclusive gente conhecida do mainstream da música, conforme nos contaram, e vou preservar a identidade de tais artistas, para não criar alvoroço.

Missão cumprida em Americana, saímos da simpática cidade fundada por americanos "Southern", e fomos para São Carlos, nossa segunda escala.

O calor era fortíssimo e nessa época do ano, não esperávamos outra coisa por parte da natureza, pois quanto mais nos dirigíamos ao centro do estado, a tendência era de esquentar ainda mais.

Saindo de Americana pela Rodovia Anhanguera, sentido Ribeirão Preto, passamos por Limeira, cidade onde nos apresentamos em 2000, e voltaríamos a tocar no futuro. A Patrulha do Espaço tinha/tem uma longa tradição nessa cidade, desde os primórdios da banda, onde tocou muitas vezes e uma delas, com a minha banda nos anos 80, A Chave do Sol, fazendo o open act (história já relatada com detalhes no capítulo da Chave do Sol).

Logo que passa Limeira, existe um entroncamento de estradas e seguindo o nosso objetivo, entramos na Rodovia Washington Luis, sentido São José do Rio Preto, com destino a São Carlos.

Passada Rio Claro e algumas cidades de menor porte, chegamos enfim nessa ótima cidade interiorana, com forte tradição universitária, pois ali funcionam a UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), e um Campus avançado da USP.

Eu nunca havia estado nessa cidade, e impressionei-me com a sua pujança, logo que adentramos em suas avenidas que nos conduziam ao centro.

Nessa noite, tocaríamos numa outra casa noturna, bem próxima à uma bela praça, na avenida São Carlos, no centro da cidade. O hotel em que nos hospedaríamos, ficava na mesma avenida e distante apenas um quarteirão da casa.

O comércio era farto, com muitos restaurantes e lanchonetes, e logo descobrimos uma sorveteria, daquelas típicas do interior, bem em frente ao hotel, que visitamos muitas vezes naquelas 24 h. que ficamos na cidade, aproximadamente.


Feito o check in do hotel, fomos para a casa noturna, descarregar o equipamento e começar o processo da montagem. 



Assim que o ônibus estacionou e começamos a descer do "mercedão", dei de cara com um freak, usando uma camiseta cuja estampa era a capa do primeiro álbum do Gentle Giant...

Parece uma bobagem irrelevante, mas preciso registrar aqui que essa visão inusitada deu-me um sentimento bom, de que estávamos logrando êxito na nossa empreitada.
O excelente baixista, e um grande amigo desde então, Gabriel Costa, que nos dias atuais (2015), é componente do Violeta de Outono

Se apresentando como baixista da banda de abertura, estava ali para nos recepcionar e auxiliar no soundcheck. Seu nome era Gabriel Costa, e a banda em questão, "Homem com Asas".

Esse era o contato do Junior na cidade, e não só aí, mas na continuidade dessa tour, teríamos muitas surpresas nesse sentido, com bandas de abertura auxiliando na produção local, e indo além, bandas extremamente antenadas na vibe 60/70, e de excelente nível técnico, abrilhantando e muito os eventos.

Muitos anos depois, o Gabriel Costa seria baixista do Violeta de Outono, Gong, e outros tantos trabalhos muito significativos. Então, foi assim que conheci o Gabriel, que tornou-se um grande amigo, doravante.

Com o apoio dele, e dos demais membros da banda que logo a seguir conhecemos e também eram extremamente simpáticos e solícitos, fomos então montar o equipamento e iniciar o soundcheck...
Visita à loja "Cosmic", no centro de São Carlos, especializada em Rock 60/70, com o seu proprietário sendo o segundo da esquerda para a direita, cercado por Rodrigo; Marcello e Rolando. Acervo de Samuel Wagner

Continua...

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