sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 121 - Por Luiz Domingues


Quando fechamos a participação, a Sarah correu atrás da produção e divulgação. 

Não dispunha de grandes recursos para fazer uma divulgação realmente significativa, mas era o que tínhamos e assim, mediante cartazetes e filipetas, numa quantidade bem módica, fizemos o que foi possível.

Por outro lado, a produção do show em si, foi caprichada. 

Ela realmente se esmerou para decorar a Chopperia do Sesc Pompeia, de uma maneira que ficou um show muito intimista e com tal decoração, aproximou o público dos artistas, tornando o espetáculo, algo muito aconchegante e até surpreendente.  

Sob a luz de muitas velas, colocadas em muitos candelabros estilosos, e com o aroma de incensos perfumados, o público lotou a Chopperia e sentiu-se muito confortável sob tal atmosfera.

O tal grupo de monges que cantaria no início, não deu certo, mas a Sarah foi rápida e convocou um grupo de adeptos do Hare Krishna, que cantaram pelos corredores do Sesc Pompeia, até antes das pessoas entrarem nas Chopperia. E enquanto as pessoas se acomodavam, continuaram cantando, circulando pelas mesas.  

Após essa performance que arrancou uivos do público que adorou a recepção à base de mantras, a Patrulha entrou e tocou quatro ou cinco músicas. 

No início, a ideia era a do Junior fazer apenas percussão, mas aquilo era demais para ele, baterista histórico que é...

Sua vida é a bateria e dessa forma, adaptamos o repertório para ser 100% acústico, e embora não houvesse a presença do baixo elétrico e nesse caso eu usei um "Baixolão", cedido por um amigo da Sarah (na verdade, Silvio Alemão, o baixista da banda "Irmandade do Blues"), ele sentiria-se melhor tocando bateria do que instrumentos de percussão, aleatoriamente.  

Mas precisávamos justificar a presença de Paulo Zinner como convidado e não teria nenhum cabimento ter duas baterias no palco, ainda mais num show totalmente acústico, e sem P.A.

Nessa circunstância, o próprio Junior teria que fazer um esforço descomunal para não exagerar na sua dinâmica, pois um "grauzinho" a mais de intensidade, seria o suficiente para encobrir todos os violões, o "baixolão", e as vozes.

Claro que o Marcello faria algumas intervenções à flauta, também.

Voltando a falar do Paulo Zinner, ele então tocou percussão no show.

A seguir, Luiz Carlini e Helena T. entraram e nós os acompanhamos em algumas músicas do Tutti-Frutti, que o público curtiu demais, também.

Tocamos mais algumas músicas da Patrulha, e ao final, o citarista Krucis entrou em cena e fez algumas ragas indianas com seu acompanhante da tabla.

Um momento muito bonito se deu quando o Rodrigo entrou em cena de improviso, e munido de um violão de 12 cordas, tocou junto com o Krucis, quando fizeram uma música dos Beatles, unindo a cítara indiana à viola caipira do interior. Foi mesmo um momento mágico, e que arrancou uivos da plateia.

Encerramos tocando mais uma música e apesar da loucura toda de fazer um show sem P.A., foi um espetáculo muito bonito e guardo com carinho na memória o rosto das pessoas sorrindo, satisfeitas pela noitada.

Todavia, reitero, foi tudo muito bacana, mas não custava ter um P.A., ainda que usado numa potência reduzida, dando um pouco mais de qualidade sonora ao show. Nem precisava ter grande volume, mas com a possibilidade de uma ambientação com parametricos à disposição, as vozes e os instrumentos teriam soado muitíssimo melhor.  

Lembro-me bem, era assustadora a necessidade das pessoas da plateia ficarem em silêncio absoluto para não prejudicar a performance dos músicos. E como as pessoas tendem a serem tagarelas em shows musicais, cada pequeno comentário que faziam, gerava uma reação das demais, exigindo silêncio, só para o leitor entender como a situação sonora sem um P.A. era dramática.

Bem, insisti bastante nessa tecla, mas é para deixar claro que não se trata de uma "frescura" de minha parte. Fazer um show, mesmo acústico, mas totalmente desprovido de apoio sonoro, equivale a dirigir um carro, sem volante, guardadas as devidas proporções...

O show levou um ótimo público ao Sesc Pompeia. Cerca de 300 pessoas passaram pela bilheteria, e em se considerando a questão do Blackout nas ruas naquele instante, foi acima da expectativa, pois as ruas estavam muito mais perigosas de se circular do que o são normalmente em meio àquele breu, e as pessoas estavam evitando sair para se divertir, infelizmente.

Para quem não é de São Paulo e não conhece aquela unidade do Sesc, é preciso esclarecer que se trata de uma instalação enorme, com muitas dependências. Para as produções musicais, existem dois grandes espaços : um teatro tradicional, ainda que sua anatomia seja a de uma arena dupla, e o outro é uma Chopperia, onde literalmente existe um serviço de bar e restaurante. Mas é muito grande e o palco tem uma dimensão apta para shows de grande porte. Portanto, tocar na Chopperia é igualmente prazeroso, sem nenhum demérito.

A Sarah deu um nome ao show : "Luz de Emergência", e para corroborar o mote, nem mesmo a luz de serviço do Sesc foi ligada e para suprir o mínimo de visibilidade para as pessoas, além das velas, pequenas lamparinas movidos a bateria foram acesas em pontos estratégicos.

Com esse sucesso, a porta do Sesc Pompeia abriu-se para nós e poucos meses depois, estaríamos de volta à Chopperia do Sesc Pompeia, desta feita em outro projeto da Sarah e tocando conforme gostávamos de fato, com toda a eletricidade que um show de Rock merece...

O "Luz de Emergência" ocorreu no dia 14 de novembro de 2001.

Continua...

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