sábado, 6 de outubro de 2012

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 4 - Por Luiz Domingues

Foto rara do Festival de MPB de Bauru 1980, com Laert Sarrumor, Carlos Mello e Guca Domenico tocando instrumentos de percussão, durante a música "Tragédia Gramatical".

O Pituco ficou muito nervoso, pois haviam ali pelo menos cinco mil pessoas, e naquele clima de festival, com vaias misturadas a aplausos, torcidas organizadas de uma ou outra música etc.

E sendo assim, estava muito tenso, pois estávamos acostumados a tocar para plateias de 200 pessoas, no máximo.

Como a música começava sem sua presença no palco, ele tinha uns segundos para se concentrar. Nos ensaios, não havíamos combinado nenhuma performance extraordinária.



Mas por conta do nervosismo, quando ele entrou em cena, aproveitando aquele ritmo todo fracionado à la Arrigo Barnabé, ele imprimiu uma exótica coreografia improvisada, cheio de lascividade.


Então, imagine um mestiço de japonês e italiano, alto e forte, trajado de forma tradicional, mas entrando em cena com uma dança completamente inusitada...

Eu nunca havia visto uma reação espontânea em uníssono do público, a não ser na explosão de torcidas nos estádios, comemorando o gol de seu time.

Pituco em ação no Festival de Bauru. Eu apareço ao fundo numa rara foto com meu baixo Giannini modelo RK. O baterista Fernando Marconi está encoberto, e essa garota não era da nossa banda, Era uma concorrente do Festival, que animou-se e foi dar uma canja, quando tocamos novamente para celebrar o prêmio de "aclamação popular", que recebemos do júri.

Ele entrou no palco, e daquele jeito, a reação de cinco mil pessoas em uníssono ocorreu, numa ovação incrível.

A música classificou-se para a final e nos bastidores ouvíamos rumores que ela havia recebido o apelido de "Melô do japonês gay"...


Não tinha nada a ver, claro, e comentários assim mais pareciam despeitados, visto que a maioria dos nossos concorrentes tinham performances discretíssimas, sem nenhuma distinção especial.
Laert Sarrumor, Carlos Mello e Guca Domenico caprichando nos Backing vocals de "Tragédia Gramatical".

Na final, nem ela, "Tragédia Gramatical", nem "Teologia do Sambão" ganharam prêmios, mas o júri decidiu nos dar uma menção honrosa como melhor performance e aclamação popular...
Já a música do Carlos Mello, "A Vingança do Hipocondríaco", apesar de ser muito engraçada (era um samba de breque a la Moreira da Silva), pois arrolava nomes enormes de remédios impronunciáveis, não havia se classificado para a final.

Um pouco antes dessa época, em março 1980, essa formatação passou a ser considerada um grupo fixo, sob o nome de "Laert Sarrumor e os Cúmplices".


E sim, o Laert Júlio havia adotado como seu nome artístico doravante, a palavra "Sarrumor", um neologismo que ele havia criado para o seu fanzine de cartoons dos anos setenta, o "Sarrumorjovem". 

Sarro e humor virou seu mote principal.
Nessa foto, dá para ver as costas do tecladista Celso Mojola, e eu estou meio de lado, compenetrado no meu baixo Giannini RK. A garota praticamente só dançou, e não fazia sentido algum a sua participação, mas...quem brilhou foi o Pituco Freitas.  

E certamente depois desse Festival de Bauru, isso virou oficial, doravante.

Continua...

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