sábado, 6 de outubro de 2012

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Tato Fischer) - Capítulo 8 - Por Luiz Domingues

Sinceramente não me lembro do real motivo da discussão entre o Tato e o Cido Trindade. 

Minha memória recua apenas ao ponto de dizer que era certamente um motivo fútil.

O Tato devia ter suas expectativas, claro, e é duro se contentar com as migalhas do underground quando se chegou tão perto do estrelato no mainstream, em se considerando que ele foi um "quase" Secos e Molhados.

Foi preferível não ter acontecido o show, pois corria o risco de passar uma péssima impressão aos meus padrinhos nesse momento, tocando num teatro enorme, com apenas dois pagantes : eles mesmos...

E com certeza deporia contra a minha tentativa desesperada de me auto-afirmar como artista, perante a família.



Os shows do Teatro Paulo Eiró foram muito piores em termos de público. 

O do dia 14 de novembro de 1979, foi cancelado como já contei, mas os demais foram nesse ritmo desanimador.
 

Dia 15 de novembro de 1979 : 9 pagantes; dia 16 de novembro de 1979 : 25 pagantes; dia 17 de novembro de 1979 : 17 pagantes, e no dia 18 de novembro de 1979 : 15 pagantes.

O Tato ficou muito chateado, e claro, nós também do trio, pois nosso pagamento dependia da movimentação da bilheteria, e com esse resultado pífio, mal dava para as despesas mínimas de transporte e camarim.

Mas com ele percebendo a nossa insatisfação, tentou "segurar o rojão", nos falando dos três shows que faríamos no interior, onde haveria uma estrutura melhor, pois se dois seriam por bilheteria, um estava vendido com cachet fechado, e garantiria as despesas da viagem pagas, e um razoável cachet para cada um, tornando os demais, uma opção de bônus, se fossem bons de público.

Depois disso, se aproximaria a época de festas de dezembro; janeiro e fevereiro sempre fracos para agendar datas, e talvez em março, alguma coisa aparecesse.

Definitivamente, isso não interessava a nenhum de nós três. 

O Sérgio Henriques já devia estar em namoro com a banda de Elis Regina, devido aos contatos de seu sogro, mas não nos contou nada na época.

Só soubemos que ele foi mesmo tocar com a Elis Regina, quando ensaiávamos com o Terra no Asfalto (banda cover que eu, Cido, Sérgio e mais três elementos, formamos, assim que deixamos de acompanhar o Tato Fisher), no início de janeiro de 1980, conforme  relato no capítulo dessa banda.

Mas eu e o Cido precisávamos ganhar dinheiro. 

Eu acumulava o Língua de Trapo nessa fase, mas nem era Língua ainda, mas sim um proto-Língua que só fazia pequenas apresentações amadorísticas, ou pequenas participações em festivais de MPB.

No próximo capítulo, falo sobre esses shows do interior.

Continua...

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