segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Autobiografia na Música - Terra no Asfalto - Capítulo 7 - Por Luiz Domingues

Sim, ele tinha esse jeito autoritário, mas no fundo era um cara que sentia a necessidade de ser adorado. 

Ele era da escola sessentista de Rock e seu sonho era o de formar uma banda e ser idolatrado como Hendrix, Page...


Da metodologia de ensaio, creio que não aproveitei muita coisa, pois não gosto de trabalhar em ambiente tenso. 

Ele tocava muito, mas sendo temperamental, não suportava erros alheios. Não chegava a destratar em público, mas olhava feio, quando alguém errava.


No tocante ao repertório, eu que nunca fui entusiasta de covers, ficava até emocionado com suas interpretações não só à guitarra, mas cantando também. 

Cantando músicas do Traffic, Elton John e Bob Dylan, era demais a sua atuação.

E mesmo sendo arredio em relação à tocar covers, eu encarava essa fase do Terra no Asfalto como uma autêntica escola.

E foi mesma decisiva, pois terminada a minha atuação nela, na metade de 1982, estava apto para encarar um trabalho autoral, com qualidade técnica vertiginosamente maior do que apresentava à época do Boca do Céu, minha primeira banda.

E o Mu, como vivia em dificuldade financeira, carregava sua guitarra enrolada num cobertor velho, pois não tinha case (estojo).


Essa foto é de uma guitarra Gibson Les Paul JR, idêntica a que o Mu possuía 

Era uma Gibson Les Paul Junior, ano 1958. Era uma guitarra rara e valiosa já naquela época, e hoje em dia, se consultarmos os sites de colecionadores, verificaremos que deve ter um valor estratosférico.

Muito tempo depois, acho que em 1983, mais ou menos, eu soube que ele havia sido assaltado e agredido numa rua do bairro do Brooklin, zona sul de São Paulo, na saída de um bar onde tocara de madrugada. 


Foi encontrado caído com um ferimento na cabeça e a Gibson nunca mais foi encontrada...

Uma pena.

Continua...

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