sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 61 - Por Luiz Domingues

Anúncio do estúdio Be Bop, na revista "On & Off", em 1995, citando artistas que já haviam gravado discos em suas instalações, e com o Pitbulls on Crack, entre eles

Em meio ao "Dominguestock", um fato interno agitou a vida do Pitbulls on Crack, e sobre o qual mantivemos sigilo absoluto à época. Acredito que não há mal algum em revelar esse fato hoje em dia, 20 anos depois (2016). Foi o seguinte : o Chris Skepis conheceu por volta de 1989 / 1990, o produtor / técnico de som, norteamericano, Roy Cicala. O fato era que Cicala tinha vindo ao Brasil por conta de uma namorada brasileira, e a despeito de nosso terceiro-mundismo, gostou do Brasil, e esticou uma boa temporada por aqui.


Roy Cicala, já na fase final de sua vida, trabalhando em São Paulo

Sendo assim, o Chris tornou-se seu cicerone, e tradutor em muitas ocasiões, apresentando-lhe diversos músicos etc. Para quem não sabe, Roy Cicala trabalhou como técnico de som no Record Plant, famoso estúdio de Nova York, como assistente de Eddie Oddford, em discos históricos como "Electric Ladyland", do Jimi Hendrix, por exemplo.

Foto provavelmente da época das gravações do LP "Double Fantasy" de John Lennon, em 1980, com Roy Cicala operando a mesa e Lennon & Yoko próximos, na escuta.

E estava por trás de Alice Cooper em "School's Out"; John Lennon e David Bowie em "Fame", e tantas outras gravações seminais na história do Rock, que eu prefiro parar de citar, para não tomar espaço (e acredite, são dúzias e dúzias...). Por volta de 1995, Cicala voltou ao Brasil, e encontrando com o Chris, este mostrou-lhe o material do Pitbuls on Crack, e surgiu uma proposta : gravaríamos de graça em seu estúdio em Nova York, tendo que apenas bancarmos nossas despesas de viagem; estadia, e alimentação. Ficamos animados, claro. E tratamos de captar recursos assim que possível. O problema, era que estávamos numa curva descendente, desde o fim de 1994, e com poucos shows, o caixa estava vazio.
Pensamos em levantar recursos com patrocinadores, mas nossos contatos eram com patrocinadores pequenos, que só queriam bancar material de souvenir para a banda.

O próprio Cicala interveio, e propôs que hospedássemo-nos no seu estúdio, minimizando despesas com hotel. Claro que aceitamos, mas o dinheiro das passagens estava muito difícil de captar. Estava agendada uma data no estúdio, em agosto de 1995. Ele encaixou-nos entre as gravações do "Steely Dan", e da Patti Smith.
Frustrados, desistimos da empreitada, e o sonho de gravar em Nova York, com um produtor com status de mito, esvaneceu-se.

Alguns anos depois, o Roy Cicala mudou-se em definitivo para São Paulo. Ele abriu um estúdio no bairro da Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e tornou-se figura carimbada numa padaria próxima, e que eu conheço bem...
 
Como adendo de 2015, acrescento que Cicala manteve esse estúdio por muitos anos, gravando muitas bandas ali numa casa próxima à Cinemateca Brasileira, no já citado bairro, incluso um álbum do Ciro Pessoa, com o qual passei a trabalhar em 2011. Infelizmente, Roy Cicala faleceu em 2014, aqui em São Paulo.




Continua... 

2 comentários:

  1. legal saber que quase foi com a Banda , para a terra do tio sam .Uma otima ideia contar para nos que estamos aqui lendo sua autobiografia hehehehee..,mudando de ares, como disse esse tal de guitar do equivox para nao falar onome certohehehehe é um burro e chato de galoxa, queria tudo para ele nada pros outros , conheço esse tipo de pessoa aqui no trabalho .Esse grande bar de Rock em santo amaro ,eu sabia que existia , mas nunca tive a oportunidade de ir nehuma vez.Uma pena para mim que perdi muito som legal lá.Sonhos são feitos para sonhar e fazer acontecer como diz o velho Raulnuma pequena poesia musicada, né ? aproveitando vc falou no Ciro , qual o tipo de trabalho musical dele ? meio que teatral ? vi alguma coisa dele no youtube ..abraços

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    1. Sensacional ter se surpreendido com a história que contei neste capítulo. De fato, isso foi ocultado por 20 anos, e agora, não vi mal algum em deixar público.

      O Ciro tem um trabalho muito bacana, influenciado fortemente pela psicodelia dos anos 60, via Pink Floyd, e letras surrealistas, inspiradas em Salvador Dali, André Breton etc. Já tem capítulos sobre esse meu envolvimento com ele, basta procurar neste Blog. Procure por "Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada".

      Quanto ao comportamento do guitarrista do Equinox, só tenho a lamentar.

      Abraço, Oscar !

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