quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 59 - Por Luiz Domingues

E conforme o prometido, o "Parental Advisory" tocou o seu set de meia hora, e despediu-se. A voz esganiçada do vocalista adolescente, tornou-se hit imediato, e apesar da agressividade da banda, foi uma apresentação divertida que agradou o público (com a devida exceção de alguns pais, digamos assim, e fato já mencionado anteriormente...). Nesta altura dos acontecimentos, a casa estava super lotada, e o acúmulo era tanto, que o pequeno espaço interno inteiramente lotado, fazia com quem estava do lado de fora não conseguisse entrar, literalmente. O dono do bar estava eufórico, pois decadente, o Black Jack, há muitos anos não lotava daquela maneira. A próxima banda a entrar no palco seria o "Eternal Diamonds", banda de meu aluno, Alexandre "Leco", Peres Rodrigues, e que praticava um som pesado, quase no patamar do Heavy-Metal, mas tinha enormes influências boas de anos 1960 / 1970, principalmente a psicodelia sessentista, e o Prog setentista. Seus outros componentes eram Rodrigo Hid (guitarra e voz), e Fernando Minchillo (bateria). Conhecia-os todos desde 1993. Com aquelas feições faciais de adolescentes, e muita conversa sobre o Rock dos anos 1960 e 1970 etc. Sabia do potencial dos três, e apesar de serem inexperientes e muito novos ainda, o poder de fogo deles era enorme. O show começou, e a sonoridade era radicalmente mais leve que o "Parental Advisory", e as boas influências dos meninos eram nítidas no seu trabalho.

Eu, Luiz Domingues, e Rodrigo Hid numa foto de 1996, na minha sala de aulas

Eles tocaram suas canções compostas em inglês, e cuja mais famosa, pelo menos no círculo de amigos, era "Meet the Power", praticamente um Heavy-Metal. Mas surpreenderam positivamente ao tocar um cover do Pink Floyd, "Insterstellar Overdrive", trazendo uma excelente interpretação ao clássico da psicodelia Barrettiana. Lembro-me bem que durante o show do "Eternal Diamonds", o Deca reparou bem na performance do Rodrigo, e olhando-me a seguir, fez expressão de espanto (positivamente, é claro), demonstrando que também percebia o talento nato do menino. Tocando com desenvoltura e cantando muito bem, o Rodrigo tinha rosto de adolescente, mas postura de veterano no palco, brilhando intensamente. Dois anos depois disso, ele estaria iniciando o projeto "Sidharta" comigo, e com o próprio Deca, e mais dois a seguir, estaria na Patrulha do Espaço comigo. Dez anos depois, estaria no Pedra, comigo, novamente...
E os demais também tinham diferencial. O Alexandre, mesmo muito novo, apresentava percepções de psicodelia que muito lembravam o Roger Waters, fora seu talento nato para criar linhas de baixo nada usuais, e que são sua marca registrada no Klatu, sua banda atual, com dois discos lançados. E o Fernando também tocava de maneira segura, apesar da idade. Foi uma pena que tivessem apenas meia hora para tocar, pois o show do "Eternal Diamonds" foi muito agradável. Saindo do palco, chegou a vez do Heavy-Metal, do Equinox
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Continua...

2 comentários:

  1. Tigueis, contagem oficial do BJ me passado pelo Murilão naquela noite.

    Incríveis 520, pessoas.

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    1. Opa, na minha contagem haviam cerca de 400 pessoas presentes. Esse número me surpreende ainda mais e vinte anos depois, te parabenizo pelo feito.

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