quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música / Atualizações - Patrulha do Espaço - Capítulo 324 - Por Luiz Domingues

Bem, soubemos que um soundcheck seria inviável, pois o festival estava em pleno curso e programaram-nos para tocar no horário de uma hora da manhã. Portanto, cerca de dezesseis horas apenas, quando chegamos à cidade, o jeito foi repousar no hotel e nem daria para pensar em conhecer a cidade, visto que chovia e fazia um frio considerável. Pois muito bem, foi o que fizemos. E no horário combinado, cerca de meia noite, lá estava a comitiva reunida dentro da Van e mediante GPS, fomos ao local do show, que mostrou-se um clube mediante pequena proporção, encravado em um mini bosque charmoso, apesar da condição atmosférica não mostrar-se nada favorável naquele instante, para uma melhor avaliação in loco. A experiente produtora, Manu Santana, que estava conosco na condição de convidada, no entanto, tomou a dianteira para facilitar a nossa logística ali e foi providencial contar com a sua força de trabalho eficaz. Chegamos perto ao local e de fato havia muitos jovens a circular pelo local e assim que descemos e fomos em direção ao camarim, eis que cercaram-nos e eu culminei em desgarrar-me da comitiva, momentaneamente, quando fui bastante assediado para tirar fotos e ouvir elogios rasgados ao trabalho e o quanto estavam contentes por estarmos ali. Ora, como não ficar gratificado em exercer na prática, aquela máxima preconizada pelo grande, Milton Nascimento ? Pois é, o artista tem que estar aonde o povo está... 
A aguardar o início do show, enquanto os preparativos da troca de set up da banda anterior para a nossa fosse concluída, Algum fã sinaliza-me. Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de caçador / SC em 13 de outubro de 2018. Click; acervo e cortesia : Cristiano Rocha Affonso Costa

Fui o mais simpático possível; tirei fotos; conversei, mas se não tomasse uma atitude, ficaria retido ali e então, tive que pedir licença e procurar o camarim. Não era um clube com grandes dependências, mas essa dispersão deixou-me sem orientação momentânea. Errei o caminho em princípio e senti-me como um componente da banda fictícia / humorística, "Spinal Tap" a procurar o camarim em meio ao público, mas eis que logo o descobri. Bem, o improviso gerado pela mudança de endereço, ficara visível, pois era para ter sido um festival com grande proporção, mas ali naquele pequeno clube, o bastidor bem mais modesto, fez-me recordar dos anos noventa, quando eu toquei no Pitbulls on Crack e enfrentei diversas maratonas assim, com muitas bandas a apresentar-se em clubes de média proporção. Tudo bem, foi pela força das circunstâncias, não fiquei incomodado. As pessoas responsáveis pela produção do festival, mostraram-se solícitas e esforçaram-se para proporcionar-nos o máximo de conforto e suporte, que foi possível. Uma constatação apenas desagradável, assim que chegamos ao ambiente, uma banda tocava covers. Enquanto aguardamos a nossa vez, outra apresentou-se a tocar covers e assim que encerramos, outra entrou no palco e ... mais covers internacionais. Ora, tudo bem, eram bons músicos a executar covers oriundos do cancioneiro do Rock setentista em predominância, ou seja, era sempre agradável ouvir Led Zeppelin e contemporâneos dessa estirpe, mas alto lá : em casa, a ouvir os discos dos artistas originais, não é mesmo ? Um festival com tantas bandas, a conter uma banda da tradição da Patrulha do Espaço e outras com razoável fama (Carlos Daffé; Os Replicantes; Brasil Papaya...) e um monte de bandas sem uma única música autoral sequer, no seu set list ? Fiquei desapontado com tal predisposição do festival, ainda mais ao saber que este contava com o apoio público estadual e federal, ou seja, o fomento à cultura não sendo melhor aproveitado. E falta de artistas locais bons, não foi. Espalhados por Santa Catarina, eram / são muitos, e só para citar alguns poucos dessa ocasião : Epopeia; Os Depira; Das Aranha, o guitarrista, Pevê etc. Nada contra os garotos que tocaram, mas um festival deveria existir para dar espaço para artistas mostrar o seu trabalho autoral e não ambiente para baladas, ainda que o set list proposto, fosse agradável aos meus ouvidos Rockers e vintage.
Flagrantes do nosso show. Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de caçador / SC em 13 de outubro de 2018. Click; acervo e cortesia : Cristiano Rocha Affonso Costa

Bem, sem soundcheck, mas a contar com a boa vontade da equipe responsável pelo som, e o providencial apoio do amigo, Cristiano, tudo foi montado com relativa rapidez e eficácia. Em poucos minutos, iniciamos o nosso show e este transcorreu com muita energia. Não havia uma super multidão como fora projetada pelos idealizadores do festival, mas quem estava ali, vibrou muito e houve uma comovente interação de um grande contingente que aglomerou-se em frente ao palco e cantou todas as músicas com todo o vigor de seus respectivos pulmões. Chegamos a ficar impressionados e mais ainda por constatarmos que eram bem jovens, com a aparência em ter nascido bem depois da fundação da nossa banda, quiçá fossem crianças quando vivemos a formação chronophágica da nossa formação.  
Mais flagrantes do show. Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de caçador / SC em 13 de outubro de 2018. Click; acervo e cortesia : Cristiano Rocha Affonso Costa

Fomos a tocar com essa resposta sensacional; teve boa margem para improvisos; interação com a plateia, com distribuição de alguns brindes da parte da banda e todo mundo ficou feliz ali. No palco, o som estava compactado. Não foi uma monitoração dos sonhos, mas o técnico deu o seu melhor ali, ao mostrar-se solícito às nossa reivindicações. Teve uma pressão boa e no meu caso, toquei em um amplificador exótico cujo nome nem recordo-me. Não era "handmade", tampouco alguma marca e modelo clássico que fosse facilmente identificado, entretanto, apesar desse exotismo todo, eu consegui extrair peso e timbre, portanto, fiquei satisfeito. E o Rodrigo, apesar de ter à sua disposição um amplificador de segunda linha, tirou um som espetacular, o que despertou até comentários de outros músicos ali presentes. De fato, ele foi feliz no ajuste, pois que em via de regra é difícil tirar som de um combo Marshall Valvestate. Missão cumprida em Caçador / SC, encerramos com comoção e pedido de bis. Foi uma ovação e ficamos contentes, certamente.
Missão cumprida, uma das últimas dessa nave ave... Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de caçador / SC em 13 de outubro de 2018. Click; acervo e cortesia : Cristiano Rocha Affonso Costa
 
Voltamos para o hotel, extenuados. Apesar do conforto da Van e da direção ultra segura da parte do motorista, Mauro, a verdade foi que a viagem cansara-nos. Bem, descansamos bem e no domingo por volta de onze horas da manhã, pusemo-nos a circular rumo a Curitiba / PR. Nesta altura, eu e Rodrigo já sabíamos que não voltaríamos através de avião para São Paulo e já estávamos conformados com a ideia de viajarmos no uso de um ônibus de linha. Mas quando vimos a opção mais próxima para ônibus leito, só disponível para a alta madrugada de segunda-feira, decidimos enfrentar o ônibus tradicional. Despedimo-nos dos amigos e dito e feito : com chuva e bastante frio na rodoviária de Curitiba, eis que entramos no bólido das 19 horas e assim, cansados, mas com vontade acentuada para voltar logo para a casa, foi por volta de 1:30 da manhã que entrei em minha residência, enfim, e senti-me feliz por ter cumprido mais uma etapa nesse esforço final para que essa banda repousasse no hangar, definitivamente. Próxima parada : Sesc Belenzinho, em São Paulo City, o último show na terra natal dessa banda...
Nos bastidores do pós Show : Luiz Domingues; Cristiano Rocha Affonso Costa e Marta Benévolo. Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de caçador / SC em 13 de outubro de 2018. Acervo e cortesia : Cristiano Rocha Affonso Costa. Click : Lorena Rocha Affonso Costa

Continua...

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