sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos ( Leandro ) - Capítulo 22 - Por Luiz Domingues


Então, no início de setembro de 1980, o Leandro agendou sessões de gravação num estúdio no centro de São Paulo, chamado "Gravodisc". 

Tratava-se de um estúdio razoavelmente bem equipado, mas com um aspecto meio carcomido, decadente.

Era um estúdio cuja clientela base era o de artistas brega de gravadoras como Copacabana, Chantecler, RGE etc. 


E os técnicos, acostumados a lidar com essa sonoridade e todos os seus maneirismos típicos de música de baixa qualidade, e sem apuro técnico.

Dessa forma, sem um produtor e completamente inexperiente, o Leandro já pecou por marcar gravações num estúdio desse porte.


A toque de caixa, o disco não teve pré-produção alguma. 

O objetivo era gravar várias faixas no mesmo dia, com músicos diferentes, e numa equalização porca, flat e com a gravação sendo realizada ao vivo e pasmem, sem grandes preocupações com os inevitáveis vazamentos.

Separado por biombos de madeira almofadados, essa era a insípida medida para coibir vazamentos.

E na base da porralouquice total, o Leandro nervoso, vendo seu dinheiro sendo devorado pelo relógio do estúdio, "pilhava" cada time de músicos de cada faixa, a gravar no máximo em três takes.


Gravando ao vivo, cada pequeno erro que cada músico comete, faz com que tudo seja regravado do início.

Hoje em dia eu gravo em take único, sem olhar para o instrumento e raramente erro, mesmo em linhas difíceis. 


Nos discos da Patrulha e do Pedra, principalmente, eu conto nos dedos de uma mão as emendas que fiz, mas naquela época, 1980, além de eu ser um músico tecnicamente ainda em formação, eu era muito inexperiente.

Fora gravações caseiras e demos pobres, era a primeira vez que eu estava gravando num estúdio. 


Aquilo por si só já era intimidador, mas havia a agravante de ter que gravar rápido e sem entender nada da dinâmica de gravação, monitor etc etc.

Isso sem contar o fato do estúdio estar cheio de músicos experientes, o que me deixava inseguro. 


Mesmo sendo uma gravação bem porca (hoje eu tenho essa consciência), eu estava tímido ali.





Continua...

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