quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 42 - Por Luiz Domingues



o tivemos mais apresentações em novembro e dezembro de 1977, e com certeza haveria uma quebra de ensaios motivada pelas festas de final de ano, viagens de férias e pasmem, exames escolares...esse tipo de preocupação juvenil ainda permeava nossas vidas como adolescentes que éramos, e certamente era fator preponderante para atrapalhar nossas ações. 
Aproveitando esse ensejo, vou contar uma pequena história particular dessa época, que impressionou-me bastante, e ilustra como ainda vivíamos uma defasada "Era" hippie, e aquariana, em 1977: estava indo para o ensaio da banda, quando cheguei ao terminal de ônibus da estação Vila Mariana do Metrô. Subitamente, vi um freak carregando um “case”(estojo) de guitarra, vindo em minha direção. Quando aproximou-se, vi que era bem mais velho do que eu, que era só um adolescente. O sujeito tinha o cabelo até a cintura, com barba e bigode, parecendo aqueles freaks alemães da cena do “Krautrock” setentista. Quando estava bem perto, mirou-me e fez o sinal de paz e amor, ao que respondi-lhe prontamente. Era mesmo um código aquariano, e lindo de pessoas que identificavam-se ideologicamente, quase como numa sociedade secreta. Muitos anos depois, o Jô Soares começou o seu Talk Show no SBT, ainda com o nome "Jô Onze e Meia", e seguindo a linha de Talk-Shows americanos, introduziu a presença de uma banda de apoio no programa. Quando vejo o guitarrista, um cabeludo circunspecto e enigmático, lembrei-me imediatamente que era o freak que cumprimentou-me na estação do Metrô, em 1977...

Mundo pequeno... era o Rubinho, o guitarrista freak... ele faleceu em 1998 ou 1999, não sei ao certo. Essa história ilustra um pouco, além das outras que já contei, o clima “woodstockiano” que ainda existia em 1977, mas que infelizmente estava dissolvendo-se
 
o tivemos mais apresentações em novembro e dezembro de 1977, e com certeza haveria uma quebra de ensaios motivada pelas festas de final de ano, viagens de férias e pasmem, exames escolares...esse tipo de preocupação juvenil ainda permeava nossas vidas como adolescentes que éramos, e certamente era fator preponderante para atrapalhar nossas ações. 
 
Continua...

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