quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Aldeias - Por Tereza Abranches

Meu coração é imenso.

Nele cabem aldeias, vales, riachos, colinas.

Borboletas voam dentro dele, pousam nas florinhas miúdas e depois deitam nas pedrinhas coloridas que beiram os riachos pra descansar um pouquinho.
A brisa que dança, irrequieta, no meu coração, passa alegre pelos ninhos de pequenos pássaros mas não os atrapalha em nada, porque quando os passarinhos estão dando de comer aos filhotes nenhuma brisa do mundo interfere, esse momento é sublime.

Então ela continua, cantando orações e sussurros (às vezes desconfio que ela entoa mantras) e quando avista as aldeias, vales, riachos e colinas que me cabem, para, extasiada, captando o cheiro quase inconcebível do verde.

Meu coração é repleto e transbordante de primavera: estação constante que não muda nunca.
Quando outras estações tentam chegar, por mais que se aproximem, a primavera que habita meu coração é tão primavera e tão florida, que as outras estações se cansam de esperar e vão embora. Mas chegam perto, bem perto.

Os pequenos seres que vivem no meu coração cantam felizes, vivem felizes, tocam flauta de bambu, dançam uma dança inverossímil, pois que é a dança do meu coração e por mais que eu tente descrever, não sei se seria possível... a não ser que eu fosse contar pra quem também tem aldeia, vale, riacho e colina dentro de si.
Eu sei que tem um montão de gente assim mas percebo, um pouco outono quase inverno, que essas gentes nem desconfiam disso.

Fadas voam entre ramos e folhas e o sol brilha sereno como o afago do ser amado, esse ser amado que vive e viverá pra sempre por entre os bosques do meu coração, correndo feito criança pelas colinas e vales, brincando nos riachos e cantando o cantar doce da brisa.
Meu coração é imenso e tudo o que nele habita, ali vive e cresce regado a amor, lágrimas às vezes felizes, às vezes não tanto, mas lágrimas... e lágrimas são divinas demais pra serem desperdiçadas do lado de fora.

Meu coração tem dimensões que nem eu mesma sei, e dentro dele, nas aldeias, há gente que mora e vive ali na suprema harmonia do ser.
E meu coração não se importa se de vez em quando elas acionam as minhas lágrimas. 

Ele não se importa porque essas lágrimas regam a tudo e a todos, amando sempre na eterna expressão do perdão que atinge e toca todo o universo.

Meu coração é imenso.










Tereza Abranches é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Artesã, poetisa e escritora, realiza estudos no campo da literatura, esoterismo e espiritualidade.

Nesta matéria, nos mostra de forma leve e poética o quanto é grande o espaço que temos dentro do coração para armazenar coisas boas e contudo, quase sempre não percebemos tal magnitude natural que possuímos.

34 comentários:

  1. Muito lindo demais da conta!
    Não só texto mas o visual que o adorna..
    Me lembrou a descrição do paraíso num livro que eu traduzi no ano passado, "Uma Prova do Céu", de Eben Alexander.
    Terezinha foi lá!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Joel querido!.
      Essas palavras, vindas de um escritor como você, só me incentivam a seguir adiante.
      E que o bem e o perdão se façam dentro de cada um de nós!
      Grande beijo!

      Excluir
    2. Que honra para o Blog receber a visita do grande jornalista, escritor e tradutor, Joel Macedo.

      Sua citação sobre o livro que traduziu, em comparação ao texto da Tereza, foi um elogio e tanto.

      Muito grato por ler, comentar e elogiar o trabalho da colunista Tereza Abranches.

      O Blog agradece sua visita !

      Excluir
    3. parabenssssssssss! seus textos são lindos...

      Bom trabalho

      Excluir
    4. Obrigada, Biel !!
      Beijo grande no seu coração!!

      Excluir
    5. Obrigado pela visita, comentário e elogio, amigo Gabriel Aguiar !

      Excluir
  2. Me fez chorar de novo. Seus textos são lindíssimos! Te amo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Filha querida, talvez sejam você e sua irmã as que tocam flauta de bambu...
      Amo vocês!!

      Excluir
    2. Muito bacana a sua manifestação emocionada, Taís.

      É fato, sua mãe sabe emocionar com as palavras.

      Obrigado por ler e comentar.

      Visite sempre o Blog !

      Excluir
  3. Inspiração do alto! Grande beijo! Gabriel.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grande e querido sobrinho/afilhado/parceiro na busca espiritual...
      Beijo imenso!!

      Excluir
    2. Muito grato pelo seu comentário significativo, Gabriel.

      Obrigado por ler e comentar !

      Visite sempre o Blog !

      Excluir
  4. Respostas
    1. Fico muito feliz que tenha gostado desse texto também, Maria Aparecida!
      Muita Paz!

      Excluir
    2. Muito bacana que tenha lido e gostado !

      O Blog agradece a sua visita, Maria Aparecida !

      Excluir
  5. Que lindo!!! Você é maravilhosa e seus poemas não poderiam ser diferentes. Que orgulho mama! Amo você.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que alegria imensa ler isso, filha!
      Você é uma das maravilhas da minha vida!
      Te amo!!

      Excluir
    2. É para se orgulhar mesmo, Camila !

      Sua mãe escreve com a rara capacidade de fazer o leitor entrar dentro da imagem que ela criou e sentir o que ela descreve.

      Obrigado por ler e comentar com tanto entusiasmo.

      Excluir
  6. Lindo demais, Tereza!!! Esses poemas só poderiam ter saído de uma mente e coração muito sensível mesmo!!! Emocionei-me demais!!! Você é um ser iluminado por transmitir em palavras, tanta emoção. Tia Stela, de onde estiver, deve ficar muito orgulhosa e feliz por você. Beijo e Parabéns!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que palavras emocionantes, Mônica!
      A minha alegria é imensa ao perceber que estou conseguindo tocar o coração das pessoas.
      Obrigada por tocar num ponto tão absolutamente primordial na minha vida: a mamãe.
      Beijo grande!!

      Excluir
    2. Muito grato pela sua visita, comentário e elogio ao trabalho da colunista Tereza Abranches.

      Visite sempre o Blog, Monica !

      Excluir
  7. Sei bem como é grande o seu coração e especial o seu talento. Grande o suficiente para intuir que as flores que vivem no coração, lå.na beira daquele regato escondidinho, não poderiam ser florzinhas e sim 'florinhas', pois são tão delicadas que é necessária uma palavra nova para tentar descrevê-las! Lindo, como tudo que você escreve! Te amo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As minhas florinhas são mesmo tão delicadas que precisam ser regadas com lágrimas silenciosas, ternas e caladas.
      Obrigada pelas palavras de carinho e ternura, sobrinho querido!
      Amo você!

      Excluir
    2. Que interessante você se ater à sutileza de um neologismo, reconhecendo sua importância poética no contexto da crônica. Apreciei sua observação arguta, Rafael.

      Obrigado por ler, comentar e trazer essa luz !

      Excluir
  8. Tereza, novamente fiquei extasiada com suas palavras tão delicadas e senti muita paz lendo seu novo poema. Ter conhecido seu Blog foi muito bom para mim, pois a sensibilidade que você transmite em palavras é envolvente e me faz viajar. Parabéns, prima!!! Bj

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sempre bacana a sua participação apoiando a colunista Tereza Abranches.

      O Blog agradece sua visita e vívido interesse !

      Excluir
  9. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Suas palavras são de grande incentivo, Mônica!
      A emoção que você sente ao ler mostra que meu objetivo foi alcançado e isso é uma grande honra pra mim!
      Grande beijo, prima!!

      Excluir
  10. Linda prosa. Encantadora como sempre.
    Divida conosco seus sentimentos!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Amaral !
      Seu comentário e todos os outros, me impulsionam a seguir escrevendo.
      Grande beijo!

      Excluir
    2. Obrigado pela participação e incentivo, Amaral !

      A ideia é essa mesma : fazer com que a Tereza espalhe sua visão de mundo muito sensível, dividindo-a conosco.

      Excluir