quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 187 - Por Luiz Domingues


A questão da cooperativa, e a força demonstrada logo de cara pelo empresário Mário Ronco, eram animadoras. 

Ao mesmo tempo, havia a presença cada vez mais marcante do produtor Antonio Celso Barbieri. Mas havia também uma terceira via, e que se tivesse mostrado reciprocidade, poderia ser tão boa quanto às duas primeiras que citei, ou até melhor.

Foi o seguinte :um escritório de empresário interessou-se e abordou-nos, com uma proposta de trabalho.


Tratava-se de um escritório de empresários, com um cartel forte de contratados no seu cast. Entre outros nomes, esse tal escritório tinha entre seu cast de artistas : Arrigo Barnabé; Premeditando o Breque, e Sossega Leão. 

A ideia era ter uma banda de Rock emergente, também, e A Chave do Sol encaixou-se na expectativa deles, pois eles ficaram impressionados com o nosso curriculum até ali.

A primeira reunião ocorrera em janeiro e deixaram explícita a sua admiração pelo fato da banda já ter disco, e um portfólio em expansão, além de muitas aparições televisivas computadas, fora o fato de estar naquele momento, com muitos shows agendados e mais programas de TV e Rádio, também.

Lembro-me também, que ficaram satisfeitos com a dinâmica de que a banda tinha uma proximidade com o Lira Paulistana, por estar constantemente se apresentando no Teatro, mas também por fazer shows ao ar livre, com a produção deles, fora o aspecto de ter em suas fileiras, um ex-membro do Língua de Trapo, no caso, eu mesmo.

Como marketing, era muito mais interessante ter uma banda de Rock no cast, mas com alguns elos de ligação com outros espectros, caso da Chave, muito mais que qualquer outra banda da cena pesada de 1985, sem esse tipo de ecletismo.

Na conversa preliminar, saímos muito animados do escritório deles. Ficava localizado num prédio da avenida Faria Lima, quase na esquina do cruzamento com a avenida Rebouças. 


Chamava-se "Raio X" esse escritório, e os responsáveis eram um casal : Ricardo e Bia.

E o Fran tinha outra carta na manga, que era para ter sido aproveitada pelo Ano Luz, mas que beneficiou A Chave do Sol, também.

A revista Rock Show, havia ficado devendo um anúncio de meia página para o Ano Luz , numa ação paga ou via permuta, não me recordo ao certo. Mesmo sendo um acordo verbal, a revista que tinha uma direção ilibada, honrou de pronto a dívida, assim que o Fran a procurou, para lhes comunicar que o Ano Luz havia encerrado atividades, mas estava reivindicando o anúncio para A Chave do Sol, banda em que ingressara recentemente. 


E foi até comemorado esse fato, visto que o jornalista Valdir Montanari, que a dirigia, era fã do nosso trabalho, e havia publicado uma positiva resenha ainda em 1984, sobre o nosso compacto de estreia, na revista "Rock Star", que era da mesma editora.

Então, em maio de 1985, engrossando a enxurrada de boas novas que estávamos tendo, esse anúncio foi publicado no número 5 da revista "Rock Show".

A foto usada, foi da primeira sessão de fotos promocionais oficiais com o Fran na formação. Essa sessão foi feita no estúdio de uma fotógrafa, localizado no bairro do Paraíso, zona sul de São Paulo. 


Tal fotógrafa era uma indicação do Luiz Calanca. Falo mais sobre essa sessão, que foi caótica, depois.

O texto, foi elaborado por um assessor de imprensa que trabalhava no escritório desses empresários. É um pouco rebuscado, mas como "statement", pareceu adequado, embora particularmente, me faz lembrar velhos anúncios de cigarros, quando ainda eram permitidos...

Eis o texto :

"A Chave do Sol

A Pura Energia do Rock

Uma banda de Rock supercarregada de energia. Quase um culto. Competência e preocupação com os caminhos do ser humano. Som pesado e performances arrasadoras. Técnica e sensibilidade. Tudo isso é A Chave do Sol. Rock  de qualidade. Para ficar".

Contatos : Raio X Empreendimentos Artísticos e Culturais Ltda.

 

Bem, fora o nosso curriculum, pegou bem demais entrarmos no cast desses empresários, e antes mesmo deles se mexerem para fazer algo por nós, pelo contrário, a banda lhes oferecer um anúncio grátis, com a divulgação de seu contato numa revista. 

Independente da "Rock Show" não ser a revista top de Rock no Brasil, como eram a "Roll" e a "Bizz" na ocasião, foi bacana.

Curiosamente, na mesma edição desse anúncio, saiu também uma nota falando da cooperativa liderada pelo Mário Ronco, e elogiando a iniciativa, por sinal.




Continua...

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