sexta-feira, 4 de abril de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 110 - Por Luiz Domingues


O próximo passo da banda foi um show numa casa noturna, numa rara data em que fiquei sem compromisso com o Língua de Trapo nesse primeiro semestre de 1984. 

Ocorreu no Albergue Bar, no dia 29 de junho de 1984. Localizado no bairro do Bixiga em São Paulo, aconteceu numa sexta-feira, e teve 50 pessoas na plateia.

Nesse show, aproveitamos para realizar o teste final com aqueles dois candidatos a vocalista que havíamos testado anteriormente, e cuja passagem de uma avaliação preliminar, já citei anteriormente.

E mais uma vez, o nosso amigo e eterno postulante à vaga de vocalista, Wagner "Sabbath" apareceu, e deu uma tumultuada nesse processo. 

Fizemos a nossa apresentação normalmente, e na parte final, com o bar quase vazio, fizemos o teste. 

Os dois rapazes cantaram bem e eram muito parecidos tecnicamente. 

Contudo, nenhum dos dois nos convenceu, e diante dessa falta de entusiasmo em relação à eles, resolvemos dispensar a ambos. 

E no caso do Wagner "Sabbath", ocorreu que ele deu uma tumultuada no sentido de que nos pressionou para ser incluído nos testes. 

E não contente com isso, pressionou os candidatos, psicologicamente, importunando-os, acintosamente. 

Uma coisa era certa : ele tinha obstinação, e isso eu admirava nele. 

Bem, acabamos por não fechar com nenhum deles, mas em breve, uma nova oportunidade surgiria para a banda. Antes de chegar nesse ponto, preciso falar que no dia seguinte, fizemos um novo show, e esse rendeu história...

Era 30 de junho de 1984, um sábado, eu teria um show com o Língua de Trapo na cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo (já falei sobre esse show no capítulo do Língua de Trapo). 

Mas eu havia dado sinal verde para fechar outro show da Chave do Sol, pois seria uma apresentação marcada para a meia noite. Falei com o Jerome, empresário do Língua de Trapo e ele me garantiu que o show em Jundiaí não teria atraso, e dessa forma, por volta das 23:00 h, estaríamos novamente em São Paulo. 

Combinei com o Rubens Gióia, para ele me dar uma carona, e assim, numa correria total, fiz o show com o Língua no interior, e fui voando para o show da Chave do Sol. 

Jundiaí, fica perto de São Paulo, cerca de 50 Km, portanto, deu tudo certo nesse sentido. A Kombi da produção nos deixou por volta de 23:15 h no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo e logo que entrou na rua combinada para o desembarque, avistei o carro do Rubens, que me aguardava. 

Até aí, foi tudo OK, conforme o previsto e o combinado. 

Contudo, quando chegamos ao local do show, um mal entendido foi gerado por uma coisa que eu falei de forma inocente, e criou-se assim, um clima ruim para o show. 

O local era o "Morro da Lua", onde fizéramos um dos mais inusitados shows da carreira da Chave, no ano anterior, 1983. 

Novamente contactados pelo rapaz que organizava festas com performances de motociclismo, desta vez porém ele foi menos invasivo, e não propôs maluquices como em 1983 (já relatei anteriormente), contentando-se em que tocássemos o nosso repertório normal, sem afetações.

O grande entreveiro se deu quando chegamos ao local, e nos encontramos com o Zé Luis. Ele estava muito nervoso, pois apesar de eu ter chegado só alguns minutos além do combinado, ele fora o responsável pela montagem do equipamento, e estava há muitas horas ali, cansado, faminto, e ansioso. 

Quando me viu, disse-me para preparar o baixo, que começaríamos o show imediatamente. Eu, sem nenhuma intenção de causar-lhe nenhuma contrariedade, retruquei, dizendo-lhe que acabara de chegar, e que achava melhor aguardar alguns minutos.

Então, ele explodiu e tivemos uma ríspida discussão. 

Na mesma hora, percebi que ele estava irritado com a demora em esperar-me, e claro que esse estopim também tinha a insatisfação que ele e Rubens sentiam por eu estar tocando em outra banda simultaneamente, e prejudicando assim a nossa banda. 

Todavia, todos sabiam que eu precisava ganhar dinheiro, e A Chave do Sol ainda não reunia condições nesse sentido, portanto, a insatisfação era previsível, porém não justa comigo, pelas circunstâncias. 

Naquele dia em específico, todos sabiam da situação, e vendo pelo meu lado, não medi esforços para fazer os dois shows, esforçando-me para cumprir os dois compromissos da melhor maneira possível. 

Claro, fiquei chateado na hora, mas alguns minutos depois, entendi o ponto de vista dele, e fizemos o show, talvez não com o astral bom de sempre, mas de forma digna, e profissionalmente.

O público não foi bom, com apenas 100 pessoas na plateia, e sob o frio de rachar do início do inverno, ainda mais naquela época onde as estações climáticas eram bem definidas. 

Fora o local ser um morro descampado, com pista de motociclismo e sendo assim, mais frio ainda. Ocorreu no dia 30 de junho de 1984, um sábado...


E no mesmo dia 30 de junho de 1984, foi ao ar a quinta participação da Chave do Sol no programa "A Fábrica do Som", da TV Cultura de São Paulo, conforme já relatei no capítulo anterior.


Continua...

  

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