sábado, 19 de abril de 2014

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 15 - Por Luiz Domingues


Quando a MTV foi inaugurada em outubro de 1990, o som que mais propagavam era o grunge de Seattle, e o funk-metal californiano.
Era a onda daquele momento.

O Pitbulls teoricamente era indie, corria numa terceira via, obscura.
Mas havia um ponto de similaridade com o grunge de Seattle.
Isso se analisarmos o grunge como uma árvore de dois galhos. Num deles, a orientação era o hard setentista britânico, e nessa fonte, foram beber o "Soundgarden"; "Alice in Chains", e "Pearl Jam". E no outro galho, bandas como "Mudhoney"; "Sonic Youth", e "Nirvana", seguiam a cartilha do punk '1977. Nesse caso, essas três bandas tinham a admiração do Chris, Pastor e Deca. Eu sempre achei o Nirvana, um embuste. Um dos casos mais gritantes de superestimação da história, e um mero continuísmo do punk sofrível. Infelizmente, tornou-se o maior expoente do movimento.
Chegando ao final de 1992, os boatos ficavam mais fortes sobre estarmos entre as bandas escolhidas para estar na coletânea da gravadora Eldorado.
Enquanto isso, fizemos os dois últimos shows do ano: no dia 9 de dezembro de 1992, numa casa chamada "Cadeira Elétrica", para um surpreendente público de 100 pessoas, considerando-se o fato de ser um dia útil....
E o gran finale de 1992, foi um show de choque, num Festival com várias bandas, promovido pela 89 FM. Esse convite veio a calhar, pois selava o ano de 1992, com um show para uma multidão.
Esse show de fim de ano da Rádio 89 FM era tradicional da emissora (a sua concorrente, Brasil 2000 FM também produzia um show de final de ano com várias bandas autorais, curiosamente na mesma casa de shows), e costumava reunir uma multidão numa casa noturna no bairro da Barra Funda, chamada "Broadway". E não foi diferente nessa edição de 1992. Fomos a abertura do show e por conta disso, o público estava muito agitado. Havia 3000 pessoas acotovelando-se dentro da casa, quando subimos ao palco, e no primeiro acorde da primeira música, ficaram ensandecidos.
Claro que não era nenhuma comoção especial para o Pitbulls, mas a excitação para ver começar logo o show, com o forte calor que fazia em dezembro, e com aquela aglomeração humana. Nesse show, tocaram bandas da nova e velha cena paulistana, como "Golpe de Estado"; "Inocentes"; "Não Religião"; "Rip Monsters"; "Viper"; "Yo-Ho-Delic"; "Volkana", e nós, Pitbulls on Crack.
Não tinha a ilusão sobre tal comoção ser referente à nossa presença, pois éramos uma banda dando seus primeiros passos ainda, mas certamente pelo fato de estarem ansiosos pelo show, e ao primeiro sinal de som na caixa, explodiram num frenesi !
Lamento muito, mas as fotos desse show foram perdidas, portanto, fico devendo ilustrações para corroborar a minha narrativa.
Essa foto é de 1993, no camarim da casa "Rádio Show", mas mostra os roadies que auxiliavam-nos naquele período 1992 / 1993. O José Reis é o rapaz de óculos; e o Luis Gustavo, está agachado, usando camiseta escarlate.

Uma história engraçada: um moleque tentava escalar o palco para mexer nos pedais do Deca. Chegou bem perto disso duas vezes.
Na terceira tentativa, o meu amigo José Reis, que trabalhava como roadie do Pitbulls, deu um murro no queixo do infeliz, que voou (literalmente), sendo amparado pelo público. O soco foi tão forte que eu ouvi o ruído desse impacto, embora o som no palco estivesse altíssimo. Temi por uma confusão generalizada, mas nada ocorreu.
Não paramos de tocar, e o Chris teve uma crise de riso vendo essa cena bizarra. Esse moleque deve ter aprendido a lição, e nunca mais tentou azucrinar um artista no palco.
Outra história engraçada desse show, deu-se quando um punk surgiu do nada, vindo correndo da coxia e convenhamos, o que  podia-se esperar de um sujeito com aquela mentalidade truculenta e cheio de preconceitos contra tudo e todos, mas surpreendentemente, seu objetivo era pacífico e prosaico até, eu diria, pois ele abraçou o Chris, dentro daquela prerrogativa de que ele era adorado pelos admiradores do Punk Rock, graças à sua experiência pregressa como componente da banda britânica, Cock Sparrer. Claro que o Chris assustou-se, mas desta vez o propósito de um invasor de palco foi amistoso, e o José Reis não precisou exercer seus dotes de pugilista...
Continua...

3 comentários:

  1. rsrsrsr que louco. Eu me lembro do Pitbulls de um programa na MTV que tinha o Angra e o Dr. Sin. Eu gravei este programa em VHS. Me recordo do som, pois revi o show algumas vezes. O baixista (que acho ser você) usava um Rickenbacker sunburst, com um som presente e marcante. O resto da banda eu achava fraco, mas o baixo tinha personalidade e falava mais do que as guitarras na gravação do programa. Me recordo de uma entrevista que o Gastão fez e o baterista falava do cenário rock com esperança e dizia que o mesmo estava florescendo. Acho que não rolou, né? rsrsrsrs O cenário morreu e não sobrou quase nada de rock nacional, somente aquelas velhas bandas que vivem de um carreira antiga e desgastada. Fico curioso em saber o que aconteceu com o Pitbull. O que os integrantes fazem hoje? Ainda trabalham com música? Quais foram os novos trabalhos? Grande abraço e obrigado pelas infos. Estou lendo todo o blog.

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    1. Caro amigo "Transmutando" :

      Que prazer para mim saber que está acompanhando a narrativa. Ainda mais por saber que está acompanhando também os outros capítulos, referentes à outras bandas por onde toquei/toco.

      Optei por dividir os capítulos por banda, pois muitas histórias se cruzam e se escrevesse de forma cronológica, tradicional, talvez ficasse uma narrativa confusa para o leitor acompanhar.

      Sim, eu era o baixista do Pitbulls on Crack nesse programa da MTV que mencionou. Agradeço o elogio efusivo ao meu desempenho pessoal. A proposta da banda era fazer algo em torno do indie moderno da época, que na verdade tinha o ranço Punk e daí, era duro para mim, que tinha/tenho formação Rocker 60/70, portanto, mesmo tentando soar simples para não destoar da proposta, não tinha jeito, pois minhas influências são de música de qualidade e a tosquice punk não era/é do meu agrado.

      Talvez por esse detalhe, você tenha notado o meu baixo se destacar de certa forma, sem nenhum demérito aos meus companheiros de então.

      Verdade, era um baixo Rickembacker, que aliás, uso até hoje.

      Boa lembrança...o Gastão veio com esse discurso de "esperança" para a melhora do Rock brasileiro. Era o ano de 1994 e as coisas tinham piorado muito, mas infelizmente, pioraram muito mais doravante...

      Olhando para vinte anos atrás, em se comparando ao que temos hoje, em 2014, dá até saudade...ha ha ha !!

      Bem, o Pitbulls prosseguiu mais alguns anos, mas eu saí da banda em outubro de 1997. Eles continuaram mais algum tempo, inclusive com dois baixistas indicados por eu mesmo, ex-alunos meus, Marcos Martinez e Ricardo Schevano (hoje em dia, baixista do "Baranga").

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    2. Encerraram as atividades em meados de 2000 e nessa época, o guitarrista Luciano "Deca" já estava no "Baranga", banda que está na ativa até hoje, com cinco CD's lançados na praça.

      O baterista Juan Pastor, é produtor de TV há anos. Atualmente está com o "Pânico", da TV Bandeirantes, onde também atua como redator das gags que aqueles humoristas usam no ar.

      E o vocalista/guitarrista Chris Skepis, tem emendado trabalhos com bandas tributo, há anos. Não faz muito tempo, estava num "Alice Cooper cover"

      E eu, depois que saí do Pitbulls, criei uma banda que tinha o objetivo de soar 60/70 sem concessões, pois estava cansado de fazer um som que não correspondia às minhas influências, apesar de gostar de tocar com os companheiros do Pitbulls pela ótima amizade que tinha/tenho com eles.

      Esse projeto, chamado "Sidharta", acabou não gravando e tocando ao vivo, mas fundiu-se à Patrulha do Espaço, veterana banda dos anos setenta, fundada pelo Arnaldo Batista (ex-Mutantes) e daí, fiquei quase seis anos na Patrulha.

      Depois fui tocar com o "Pedra", que atualmente está gravando o terceiro trabalho em CD e hoje em dia, na verdade, desde 2011, acumulo mais dois trabalhos, atuando na banda do guitarrista Kim Kehl ( Kim Kehl & Os Kurandeiros), que transita entre o Blues e o Rock'n Roll clássico e também na banda de apoio do cantor/compositor Ciro Pessoa (ex-Titãs e ex-Cabine C), chamada "Nu Descendo a Escada". No caso do Ciro, o trabalho dele é fortemente influenciado pelo surrealismo de Salvador Dali e Andre Breton, bandas sessentistas psicodélicas, Pink Floyd da fase Syd Barrett, sobretudo.

      Um grande prazer para mim saber que está acompanhando com atenção esta narrativa.

      Neste Blog, estou publicando os capítulos da minha autobio, de forma espaçada, pois aqui eu recebo convidados, como colunistas, com textos diversos.

      Tenho outro Blog, (Blog do Luiz Domingues), onde publico apenas os textos que escrevo em diversos Blogs onde sou colaborador. Esteja convidado a visitá-lo, também :

      http://luiz-domingues.blogspot.com.br/

      Em breve darei continuidade à história do Pitbulls, aqui no meu Blog.

      Mas se tiver pressa em ler tudo, deixo-lhe a dica de que esse relato está pronto e publicado no Orkut, onde uso a plataforma para o meu "rascunho público". A desvantagem lá, é que tem muitos erros gramaticais e ortográficos e alguns furos na cronologia dos fatos, por conta de ter lembrado de coisas que já faziam parte de uma outra fase da banda etc etc. Fora o fato de não haver ilustrações, fotos e vídeos. Portanto, aqui no Blog, ainda que demoradamente e intercalado com textos alheios à narrativa, é mais agradável a leitura.

      Eis o link, se quiser olhar por lá :

      http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=14081928

      Em tempo, a comunidade do Orkut não é minha. foi criada por um fã que virou amigo, o Luiz Albano. Eu jamais escreveria um autoelogio no cabeçalho...ha ha ha !!

      Foi um prazer receber sua visita, comentário interessado e elogios !

      Se tiver mais perguntas, terei prazer em esclarecer o que desejar.

      Grande abraço !!

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