segunda-feira, 21 de abril de 2014

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 17 - Por Luiz Domingues

Certamente que foi engraçada a história do soco (menos para o infeliz do moleque...), mas convenhamos, teve o que mereceu o vandalozinho safado, que saiu de casa não para ver um show de Rock, mas para tentar sabotá-lo de alguma forma. Quanto à expectativa em torno da gravadora Eldorado, claro que era grande.
Muitas bandas, não só as de São Paulo cobiçavam essa oportunidade, e cada uma tinha o seu lobby. Nessa hora, quem tem lobby sai na frente, pois qualidade artística é o que menos conta na cabeça de executivos de gravadora. Aliás, esse tipo de gente raramente entende de música. E se entende, cala-se quando adentra o sistema, e aprende a obedecer a cartilha.

Claro, faço a ressalva que na Eldorado isso era atenuado, pois por tratar-se de uma gravadora de médio porte, e ter no catálogo artistas alternativos e nada fabricados para o mainstream, a mentalidade era diferente, ainda bem...
As especulações falavam de várias bandas. Nessa altura, dávamos como certa a contratação do Yo-Ho-Delic, mas isso não ocorreu, porque o dedo do produtor musical Miranda, driblou o favoritismo dessa banda paulistana, e escalou o "Graforréia Xilarmônica", de Porto Alegre. Essa banda era liderada pelo Frank Jorge, um artista famoso na cena underground portoalegrense. O som do Graforréia Xilarmônica era de certa forma muito parecido com o que tornou-se o "Pato Fu", anos depois. Ou seja, misturavam diversas tendências, numa salada musical que atirava para todos os lados. Como no release mesmo deles na coletânea deixou claro, dizendo que iam de Roberto Carlos fase Jovem Guarda, a King Crimson...
Todavia, apesar de parecer uma mistura improvável, a banda era boa, com músicos de qualidade, tanto na execução, quanto composição, e capacidade de arranjar seu material.
Os rumores em torno de uma banda punk de Brasília eram fortes.
Tratava-se de um tal de "Os Raimundos". E de fato, essa banda era a paixão do Miranda no momento, paixão tão forte, que no último momento, resolveu tirá-los da coletânea, para assumir direto um álbum solo, graças ao novo selo chamado "Banguela", que os Titãs acabavam de lançar dentro da multinacional Warner. O Pitbulls continuava bem cotado, mas o acerto mesmo só veio lá por abril de 1993. Enquanto isso, prosseguíamos a nossa rotina de shows no circuito underground. E assim entramos no ano de 1993, com esperanças renovadas, e soando melhor ao vivo, pois estávamos completando um ano de banda.
O Pitbulls estava forte na disputa, pois o Tatola gostava de nós. Sua admiração não era só pelo som, mas pelo fato do nosso baterista, Juan Pastor, ser seu assessor direto na rádio, e principalmente por admirar o fato do Chris Skepis ter tocado numa banda de Punk-Rock britânica, e histórica da cena de 1977. Muita gente bajula o Chris até hoje por isso, e a maioria não sabe que ele tem uma coleção incrível de discos de Rock progressivo dentro de casa...
Ficar sabendo dos rumores de bastidores era fácil. Tinha o Tatola; Fábio Massari, e Gastão Moreira sempre comentando coisas para o Juan Pastor.  E no caso do Gastão, ele era parte interessada também, pois sua banda, o Rip Monsters, estava no páreo, também. Definitivamente, acho que se "Os Raimundos" tivessem sido escalados para a coletânea, não seria o Pitbulls on Crack que seria descartado. Tanto é verdade, que Graforréia Xilarmônica, e Little Quail and the Mad Birds, é que chegaram atropelando, por serem escolhas do produtor Carlos Eduardo Miranda, desbancando favoritos como "Yo-Ho-Delic"; "Virna Lisi", e "Anjos dos Becos", sem contar o "Jazzumbi" e o "Might Sound Jungle". No cômputo final, creio que o Pitbulls estava garantido, assim como o "Rip Monsters" e o "Neanderthal". O fato dos Raimundos serem catapultados a um disco solo, abriu caminho para o "Little Quail" e o "Graforréia Xilarmônica", em minha visão.
Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário