quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 49 - Por Luiz Domingues


Quando voltamos ao Ferro Velho para o show, tivemos a boa surpresa de que a casa estava lotada. 

Para surpresa do proprietário, estava abarrotada, visto que normalmente não lotava assim com as atrações de bandas cover locais, ou da região.

Claro, o público em sua maioria era formado pela juventude local, acostumado às noitadas de bandas cover e seria uma incógnita a reação diante de uma banda autoral, sem covers. 

A única música conhecida que tocaríamos para os conhecimentos da maioria presente, provavelmente seria "Ando Meio Desligado" dos Mutantes, mas com nosso arranjo, cheio de improvisos, e certamente a maioria só reconheceria pela versão do Pato Fu, nem mesmo a original dos Mutantes.

Era o dia 14 de julho de 2000, e 250 pessoas se espremiam dentro do bar de dimensões modestas. Mas o Dárcio e o Marcos Cruz não estavam isolados, pois outros amigos deles estavam presentes. 

Havia um pequeno, mas entusiasmado contingente de admiradores da Patrulha, conhecedores da nossa história e repertório.
Resenha do show do Ferro Velho em Avaré, com fotos ao vivo da banda atuando naquela casa noturna.

O show foi muito energético e bem recebido mesmo em se tratando de uma banda só executando som autoral. 

Os Rockers iniciados soltaram gritinhos de entusiasmo em diversos momentos. Por reconhecerem músicas antigas ou por detalhes que só iniciados notariam, com algum solo mais intrincado; viradas ousadas da bateria; linhas de baixo agressivas, e nas intervenções dos dois meninos aos teclados, sempre brilhantes, à moda antiga dos tecladistas setentistas. 

Claro, em "Ando Meio Desligado", as reações dos não aficionados se exacerbavam, e a menção à In-A-Gadda-Da-Vidda, do Iron Butterfly arrancou uivos dos Rockers antenados, e em Avaré não foi diferente de todos os shows que fazíamos.

O dono da casa pediu-nos para dividir o show em duas partes, para não fugir muito do padrão das noitadas do bar, e no intervalo, lembro-me que uma garota entregou-me um bilhete. Quando o abri, vi que estava escrito : "Toquem Pink Floyd"... Ok, eu também amo o PF, mas ali era um show da Patrulha do Espaço e ao lhe dizer que só tocaríamos músicas próprias, ela mudou o semblante e saiu resmungando que eu não iria atendê-la por má vontade, ou coisa do gênero. 

Caramba, como o público jovem estava desacostumado a aceitar música autoral !! Quando eu era adolescente nos anos 70, pensava justamente o contrário !! 

Se uma banda começava a tocar covers, eu torcia o nariz, e quase todo mundo pensava igual, não era uma mania minha, exclusivamente... 

Aproveitando que seria um set mais longo que o habitual, tocamos diversas outras músicas não previstas normalmente, aproveitando para ensaiar ao vivo e para delírio dos Rockers ali presentes. 

Quando encerramos, mais de quatro horas da manhã, enquanto os roadies desmontavam o equipamento, conversei longamente com o Marcos Cruz, onde falamos sobre os planos da Patrulha, como surgiu essa formação, lembranças minhas dos anos setenta etc. 

Era um bate-papo informal, mas como jornalista experiente que é, usou todo esse papo, e suas impressões sobre o show para escrever uma das mais completas resenhas de um show que eu já li, e que publicou alguns dias depois no Site Wiplash.
 

Falou desde o soundcheck, minúcias sobre o show e citou o nosso papo, encerrando poeticamente ao falar sobre a sua última visão, vendo o micro ônibus da banda dobrar a esquina e sumir de sua vista, já com os raios do sol anunciando o domingo. 

Não tivemos muito tempo para descansar, pois tínhamos quase 300 Km de chão pela frente, entre Avaré e Londrina.


Continua... 

Nenhum comentário:

Postar um comentário