segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 20 - Por Luiz Domingues


O som do P.A., na passagem de som, estava legal. 

Mas uma situação é fazer o soundcheck com a casa vazia, e outra completamente diferente, é quando lota de pessoas. 

Tudo muda !

Os corpos das pessoas influem decisivamente nas ondas sonoras emitidas e daí, é fundamental que o técnico de P.A. faça correções nas primeiras músicas.

Como ele poderia fazer isso, operando atrás do palco ? 

O som no palco estava excelente, parecia um disco de tão bem mixado, mas recebemos várias reclamações de amigos, nos dizendo que deixou a desejar para o público.

O técnico era terceirizado. Ele só aparecia para operar shows ao vivo. No funcionamento normal de som mecânico, havia outro, este sim, funcionário da casa. 


Azar total...foi a cereja em cima do bolo de desgraças que tivemos naquela semana : O Terço resolver voltar na mesma noite, e num salão rival e próximo, foi uma triste coincidência. Para brincar com a situação, incluímos "Hey amigo" no set list, e dedicamos à eles...

O clima que estava tenso por conta dos aborrecimentos ocorridos durante a semana, amenizou à medida que se aproximou a hora do show. 

Camarim do Fofinho : Rolando Castello Júnior no centro; à esquerda, Samuel "Samuca" Wagner, que nessa época ainda não era roadie da banda, mas apareceu para assistir, e à direita, Nelsinho, um fã da banda desde o primeiro show, em 1977 !


Claro, os caras relaxaram com bebida e "otras cositas"...
Pedrinho "Wood" Ayoub, guitarrista do Tomada à época, e Marcello Schevano, no camarim do Fofinho.

O que tumultuou um pouco foi a desorganização que tínhamos naquele dia, em não contar com roadies profissionais.
Da esquerda para a direita : Marcello Schevano; Eduardo Donato, e Rodrigo Hid. Donato era colega de faculdade do Rodrigo, e pertencente portanto à uma nova geração de estudantes de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, com os quais eu teria amizade, repetindo a tendência iniciada com a safra de amigos que lá firmei em 1979, da qual se fundou o Língua de Trapo...

Era tanta gente tentando ajudar, entre os meus neo-hippies, que acabavam atrapalhando. Além de um sujeito que apareceu lá de última hora e queria ser roadie a todo custo. 

Não vou nomeá-lo, para não comprometê-lo, mas é figura carimbada em camarins de bandas dinossauras setentistas. É gente boa e sabe trabalhar como roadie, mas quando bebe ou fica doidão, torna-se inconveniente. Estava enchendo o saco fortemente, mas se auto-sabotou ao enrolar-se numa fita Silver Tape, e completamente atrapalhado, ficou imobilizado...demorando para conseguir se safar, e nos deixando então, em paz...
 

Entre meus "Neo-hippies", lembro-me bem das presenças de Ricardo Schevanno; Toni Peres (irmão do atual baixista do Klatu, Alexandre "Leco" Peres); Carlos Fazano; além de Marcelo Burani (sobrinho de Diógenes Burani, ex-Moto Perpétuo), Fernando Minchillo etc.
Os irmãos Hid : Rodrigo e Renata, no camarim do Fofinho

Lembro também dos pais do Marcello terem comparecido, além da irmã do Rodrigo. E nenhum outro familiar. 
Luciano"Deca" Cardoso e eu, Luiz Domingues, no camarim do Fofinho. Deca foi durante cinco anos, meu colega no Pitbulls on Crack, sendo bastante citado no capítulo dessa banda, naturalmente.

O camarim era pequeno, e o caminho para o palco muito perigoso, por ser sinuoso e com degraus "marotos". À medida que chegava o horário do show, os problemas que tivemos ao longo da semana, com o acidente do Marcello, e o problema grave de saúde com um ente querido do Junior, saíram de nossas cabeças, e o foco foi para a nossa performance no palco.

Claro que eu estava animado !
E lá estava eu no camarim do Fofinho, todo "Flamboyant", feliz por estar iniciando uma jornada de resgate 60/70 enfim...

Aquele show era a concretização de quatro meses de trabalho, entre os ensaios, procura por um espaço, divulgação etc. Além disso, estarmos subindo ao palco era uma realização pela semana difícil que tivemos. E outra questão particular para mim : era o êxito por quase dois anos de trabalho no projeto Sidharta. 
O show começou enfim...entramos com "Não tenha medo" e "Festa do Rock", sem interrupções. Seguiu-se "Ser" e "Tudo Vai Mudar". As músicas novas foram bem aplaudidas, e chegaram a arrancar assovios.

Houve também uma quase comoção quando tocamos músicas do primeiro disco da Patrulha, da época do Arnaldo Baptista, e reconhecidas por fãs inveterados e antenados da banda, tais como "Sunshine"; "Sexy Sua", e "Raio de Sol". 

Músicas clássicas dos álbuns da Patrulha, como "Sai dessa Vida", com roupagem Funk-Rock bem setentista; "Ruas da Cidade"; "Depois das Onze", e "Espere aqui por mim", levaram os fãs ao delírio. Dava para sentir que não esperavam uma energia tão grande com a banda tocando seus clássicos, com três novos membros, e só o Rolando Castello Junior como remanescente da formação original. 

Tocamos também "Bruxas"; "Atenção"; "Bomba"; "Meus 26 anos", e "Columbia".

Da safra nova, além das que já citei, tocamos "Retomada"; "Nave Ave"; "Terra de Mutantes", e "O Pote de Pokst", esta por sinal, arrancou gritos, pelo seu clima zeppeliniano, com uma aura mística grande, envolta em brumas, que seriam apreciadas por Jimmy Page.

O palco estava cheio de ornamentos, e dúzias de incensos queimando.
Todo o sonho do Sidharta de trazer o religare das chamas sessenta/setentistas estavam ali...
 
Em cima dos amplificadores, estátuas de Divindades orientais; pedras coloridas, e incensos. Espalhados pelo palco, diversos símbolos hippies; em cima dos teclados, um porta retrato com a imagem de Timothy Leary...
O símbolo Hippie foi espalhado em vários pontos do palco !

E assim, seguiu-se a noitada, com músicas do repertório clássico da banda, se mesclando às novas, e além de tudo, resgatando também a fase do Arnaldo Baptista, pois a Patrulha não tocava essas músicas, desde que o cofundador da banda se fora em 1978. 

Fora a surpresa irônica de tocarmos "Hey Amigo" do Terço, e uma dos Beatles (She Came Through in the Bathroom Window), mas com o arranjo da versão do Joe Cocker.
O show foi um sucesso, pois mostrou toda a versatilidade dos dois garotos se revezando aos teclados; guitarras a mil por hora; vocalizações dos três da frente, flauta...era uma nova Patrulha surgindo.

O público foi bom para os padrões do salão, mas aquém do que esperávamos, com 150 pessoas.

Acabou dando tudo certo, apesar das agruras daquela semana !
Semana terrível, sem dúvida, mas o show correu bem, apesar dos pesares, e o público que ali esteve presente, viu uma apresentação de garra, técnica e resgate da Patrulha às suas próprias raízes, libertando-se dos ranços de heavy-metal de seus últimos anos.

Como sempre brincávamos nos intervalos dos ensaios, tocávamos clássicos do Rock. E nesses termos, costumávamos tocar "Hey Amigo", com o Marcello pilotando o Hammond. Essa versão ficou muito boa, com os três cantando, e o Rodrigo solando à guitarra. 
Quando soubemos que o Terço iria fazer show de volta como nós, no mesmo dia, e num local rival da casa onde tocaríamos, resolvemos incluí-la no set list, como brincadeira. Mas sem ironia, pois gostávamos do Terço, claro.

E mais um detalhe sobre esse show : ele foi filmado ! 


Não tem uma qualidade muito grande, pois era uma câmera de formato VHS, e o sujeito que filmou, não gravou o show inteiro, infelizmente.

Estudo para breve lançar trechos desse material no You Tube, via Orra Meu.

Todas as fotos de bastidores/camarim e do show, são do acervo de Rodrigo Hid, com exceção da penúltima, onde apareço no palco sozinho, que é de meu acervo, e foi clicada pelo Samuel "Samuca"Wagner. As demais são clicks de Eduardo Donato.

Continua...

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